Compreendendo os determinantes/condicionantes sociais da Educação pelo discernimento de seu processo histórico, situando e agindo nele.
Então, vejamos...
A educação brasileira se desenvolveu, principalmente, por influência da pedagogia católica (a pedagogia tradicional de orientação católica), com os jesuítas que, praticamente, exerceram o monopólio da Educação até 1759, quando foram expulsos por Pombal.
A partir daí se tenta desencadear uma interpretação da questão educacional à luz da pedagogia tradicional leiga, ou seja, pedagogia inspirada no liberalismo clássico. É o empenho do próprio Pombal em se pautar pelas ideias do Iluminismo e rever a cultura e a instrução pública segundo esta concepção. Obviamente, isso não significou a exclusão da influência católica na Educação mas, sim, a quebra de seu monopólio. Este período vai até o início do século passado (1901), quando se torna forte a influência da Escola Nova.
A Pedagogia Nova é uma concepção já inspirada na concepção humanista moderna da Filosofia da Educação. Na década de 1920 é muito fértil a influência desse “escolanovismo” ou “os Pioneiros da Educação Nova”, que lançaram seu “Manifesto” em 1932 e ganha terreno no Brasil em 1934. Claro que houve embate e polarização – tradicionais (católicos) x liberais (escolanovistas). Essa polêmica foi retomada na década de 1950, e seguiu forte até 1960. Nessa década, a Escola Nova começa a apresentar sinais de crise, delineando-se uma outra tendência, a Pedagogia Tecnicista, que se impôs a partir de 1969 e se projeta na década seguinte, 1970. Aqui, o curso de Pedagogia é organizado mais à base de formação de técnicos e de habilitações profissionais, com formação básica. Nesse período, nosso regime era militar e a ditadura tenta implantar uma orientação pedagógica inspirada em assessoria norte-americana, centrada nas ideias de racionalidade, eficiência e produtividade, características básicas dessa pedagogia.
Bom deixar claro que não se nega à Escola Nova o seu caráter progressista em relação à Escola Tradicional. Entretanto, enquanto proposta burguesa, a Escola Nova articula em torno dos interesses da burguesia os elementos progressistas que, obviamente, não são intrinsecamente burgueses. Aliás, é dessa forma que a burguesia trava a luta pela hegemonia procurando subordinar aos seus interesses os interesses das demais classes. Logo à frente, na concepção da Pedagogia Dialética, propõe-se fazer o processo inverso. Do ponto de vista do proletariado, a luta hegemônica implica desarticular dos interesses dominantes aqueles elementos que estão articulados em torno deles, mas não são inerentes à ideologia dominante e rearticulá-los em torno dos interesses dominados.
Felizmente, nem tudo ocorreu dentro do conformismo e da aceitação. Nesse período, desencadeou-se um processo de crítica ao tecnicismo. Boa parte dos educadores não aceita a educação oficial e busca articular as críticas ao regime militar, autoritário e tecnocrático, e à sua proposta educacional. Todavia, ficaram na crítica pela crítica e, ao longo da década de 1970, as formulações tiveram forte apoio de uma Concepção Crítico-Reprodutivista de Educação. Esta concepção foi sistematiza por vários teóricos, entre eles, autores franceses (Bourdieu e Passeron; Althusser; Baudelot e Establet). O nome “reprodutivista” veio da ideia de educação como reprodução das relações sociais de produção, isto é, a função da educação é reproduzir as relações sociais vigentes. E o nome “crítica” pelo fato de compreender os determinantes sociais da educação em vez de acreditar que a educação tem o poder de determinar as relações sociais, gozando de uma autonomia plena em relação à estrutura social (nesse sentido, todas as pedagogias até agora citadas são “não-críticas”). Assim, dada uma sociedade capitalista, sua Educação reproduz os interesses do capital. Esta concepção ficou apenas denunciando a pedagogia oficial dominante entre 1975-1978, período em que foi confundida com a concepção dialética.
A “Pedagogia Histórico-Crítica” é uma “Pedagogia Dialética”, no sentido de “teoria do movimento da realidade, isto é, teoria que busca captar o movimento objetivo do processo histórico”. Procura se afirmar sobre uma base histórica e historicizante. Ela firmou-se no Brasil a partir de 1979. Veio para superar a crença de que qualquer tentativa na área de Educação seria necessariamente reprodutora das condições vigentes da sociedade capitalista e suas relações de dominação, cabendo ao conformismo, à perpetuação ou o abandono da profissão de educador. Veio para superar a crença de que a sociedade capitalista, de classes, é algo não suscetível a transformações, um fenômeno que se justifica em si mesmo ou uma estrutura que se impunha compactamente, portanto, de forma não contraditória. Isto é, veio para superar a crença no caráter mecanicista e a-histórico da Educação.
Ao se chocar com a Natureza para se tornar Homem, o ser humana passa a carregar consigo o germe da contradição. Assim, o que caracteriza o homem é o fato de ele necessitar continuamente estar produzindo a sua existência, isto é, precisa adaptar a natureza a si, ajustando-a, segundo as suas necessidades. Esta é a marca distintiva do homem, que surge no Universo, no momento em que um ser natural se destaca da natureza, entra em contradição com ela e, para continuar existindo, precisa transformá-la. Eis a razão pela qual o que define a essência da realidade humana é o trabalho, pois é através dele que o homem age sobre a natureza, ajustando-a às suas necessidades.
Tudo isso nos leva a entender a herança maldita que ainda temos na Educação Brasileira nos dias atuais, em termos de conservadorismo e neoliberalismo. Volta e meia a Bíblia aparece como base na aplicação de processos litúrgicos na educação das crianças. Ou ainda toda a educação se desenvolve para a competição ou uma posição privilegiada no mercado de trabalho.
Enfim, na perspectiva da PHC, “ser crítico na Educação” é empenhar-se em compreender a questão educacional a partir do desenvolvimento histórico objetivo (o processo através do qual o homem produz a sua existência no tempo) que enxergue contradições e transformações no lugar de meras reproduções. Para além do idealista, do abstrato, do especulativo e do impossível... Eis o materialismo histórico dialético! A compreensão da história a partir do desenvolvimento material, da determinação das condições materiais da existência humana.
Eis as principais
tendências da Educação para compreender a prática dos educadores e a se situar
mais claramente no universo pedagógico:
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.