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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

O legado do insuportável.

 O Trump está vencendo na guerra tarifária?

O uso da política comercial como instrumento de coerção parece que veio para ficar. Porém, ele está se tornando mais seletivo e deliberado, conforme os efeitos causados nas vítimas. Felizmente, o Governo brasileiro não se curvou. A ideia era coagir, intimidar e diminuir o país, e continuará contundente.

Trump insiste a todo vapor com sua guerra tarifária, mas até agora são poucos os resultados. Ele anunciou alguns investimentos, mas sua indústria não vive um boom. O déficit do país praticamente não mudou nada. Os EUA são um país de alta renda que dependem muito de impostos sobre importações para arrecadar receitas. As tarifas geraram alguma arrecadação (5% ou US$ 24 bilhões), com a Suprema Corte por lá considerando parte delas ilegal, como de fato é.

Também a opinião pública continua cética: cerca de 06 em cada 10 norte-americanos não confiam em suas decisões em matéria de política comercial. Por aqui a incredulidade é ainda maior!

Enfim, o presidente está tentando prejudicar outros países dando um soco no rosto dos próprios americanos. O poder de intimidação não surtiu muito efeito, mas ele continuará tentando até as urnas darem um "Basta!". Nem todos estão se dobrando às suas chantagens, e nem precisa. Muitos dos seus anúncios jamais se concretizaram. Afinal, Trump mais se parece com um avô resmungão, sacudindo o punho para as nuvens. Tomara que em breve, nem isso!


Cadê a oposição nos EUA? O que a mídia fez com os Democratas?

Tudo é muito ruim até que gerem lucros. Benefícios ajudam a curar ressentimentos, esquecer mágoas e apagar memórias funestas. Isso sugere que a atual política econômica de Trump, tão nefasta para os interesses do resto do mundo, só será corrigida se produzir grandes estragos internos para a própria economia dos EUA. Caso contrário, vai passando...

Trump transformou o Imposto de Importação (tarifa alfandegária), cuja natureza é regulatória, em taxa arrecadatória. Isso significa que os tarifaços renderam receita extra. Na secura do Tesouro dos EUA, um possível sucessor de Trump será capaz de abrir mão desses recursos? Claro que não!

Muita coisa da política de Trump pode ter vindo para ficar se cifras se mostrarem resilientes. Trump não age sozinho. A política protecionista não é prerrogativa dos redutos trumpistas. É pleito mais amplo e mais arraigado nos EUA.

Prova disso, a administração Joe Biden, que sucedeu em 2021 ao 1º mandato de Trump, manteve muitas de suas políticas e determinações. Quatro exemplos:

1.     As tarifas de importação, de 25%, em 2018, correspondentes a US$ 50 bilhões anuais, foram mantidas. E ainda foram aumentadas para setores estratégicos, tais como: veículos elétricos, semicondutores, painéis para energia solar, aço e alumínio;

2.     Biden reforçou as restrições às importações pela China de chips de última geração e de máquinas para produção de semicondutores, e ainda prometeu bloquear o acesso da China à tecnologia de ponta;

3.     Trump substituiu o Nafta (acordo comercial EUA-México-Canadá) pelo USMCA, que aumentou as exigências de conteúdo local na produção de veículos. Tudo foi mantido;

4.     Manteve, também, as negociações dos Acordos de Abraão, destinados a restabelecer os canais diplomáticos entre Israel e países árabes.

Ora, alguém no capitalismo pode ser muito detestável e transloucado, mas acabará sendo aturável enquanto estiver rendendo dividendos e enchendo bolsos. É a forma de abrir uma exceção para o insuportável. E dessa forma segue Trump produzindo uma reviravolta na ordem econômica mundial, atirando o livre comércio a um lado e decretando o intervencionismo do Estado no outro, enquanto os ganhos o defenderem.  

domingo, 26 de julho de 2026

A escrita sem esforço.

  

A decadência da leitura não acontece sozinha. A escrita também está ameaçada. E uma coisa tem muito a ver com a outra. A principal característica da sociedade pós-letrada é a perda do discernimento porque essa é a habilidade que a IA destrói.

Na era digital, o visual e o oral prevalecem como meio de aquisição de conhecimento, escanteando a linguagem escrita que, por natureza, exige mais repertório e raciocínio. Talvez haja alguma vantagem ainda desconhecida nesse novo modo de aprender, mas está difícil enxergá-la.

Desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, triplicou o número de livros à venda na Amazon. Isso não significa alta qualidade nas obras ofertadas. Pense ainda na quantidade inútil de áudios de WhatsApp que são ouvidos ou transcritos, porque suas mãos andam ocupadas ou obsoletas demais. 

De forma muito estranha, estão criando novas bibliotecas artificias que ninguém lerá. Nesse triste aspecto, nossa sociedade já é uma distopia. Dificuldades crescentes de interpretação estão presentes até entre estudantes de renomadas universidades.

Enfim, ler e escrever transformou nossa civilização e nossa consciência profundamente. O declínio da escrita e da leitura já traz mudanças ruins da mesma magnitude. 

sábado, 25 de julho de 2026

A verdade sobre a água.

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" (Antoine Lavoisier).

A água é uma só, independentemente da sua origem. Isso significa que a água que existe hoje é praticamente a mesma desde a formação do planeta, porque a Terra é um sistema fechado.

Embora o volume total seja constante, a quantidade de “água potável” (própria para consumo) em locais específicos pode mudar devido à poluição, ao desperdício e às alterações climáticas. Logo, a água não está acabando, mas é a “água fácil” que está cada vez mais difícil.

A água não deixa de ser água, mas vai ganhando conotações conforme o seu uso (“água superficial”, “água subterrânea”, “água potável”, “água fácil”, “água difícil”, “água isso”, “água aquilo”, etc.). O ciclo hidrológico move e recicla a mesma água continuamente entre os oceanos, a atmosfera, o solo e os seres vivos por meio de evaporação, condensação e chuva. Desse modo, ela muda de forma constantemente, transitando entre o estado líquido (rios e oceanos), sólido (geleiras e neve) e gasoso (vapor d’água). Assim, ela não desaparece nem é criada do nada.

Enfim, a quantidade total de água no nosso planeta permanece essencialmente constante ao longo do tempo. A “água comum” não está acabando – está mudando de endereço. No novo normal hídrico, com escassez, seca e eventos extremos se tornando a norma, e não a exceção, a crise exigirá reuso e inteligência/tecnologia para ir buscar a “água que era fácil” onde ela estiver. Trata-se de uma crise com solução, mas é cara. Não teremos mais o privilégio de devolver diretamente a água ao meio ambiente, mas sim, direcioná-la a outro uso. A “água doce” está em falência, mas a “água residual” está aumentando. Seja do mar ou do esgoto, convertê-la exigirá tecnologia, energia e mudança de paradigma regulatório e cultural.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

As Big Techs.

 

Vivemos uma nova dinâmica produtiva e tecnológica que exige imensos investimentos. Quem pode bancar? Somente as grandes corporações empresariais dos centros capitalistas e poderosos. Elas concentram capital, influenciam a economia mundial e tem valores de mercado multibilionários.

Essas empresas de tecnologia são GIGANTES TECNOLÓGICOS E DE SEMICONDUTORES – As Big Techs. Estão sediadas principalmente nos EUA e são impulsionadas pela alta infraestrutura digital.

São corporações com forte centralização de capital, o reflexo da fase atual do capitalismo financeiro digital. São poucas empresas que chegaram a acumular receitas superiores ao PIB de diversas nações soberanas.

O impacto geopolítico dessas corporações faz exigir ampliação de mercados, fim das barreiras protecionistas, estimulação de blocos econômicos e associações regionais de livre-comércio.

São elas:

1.     NVIDIA Corporation. Líder em chips e aceleradores.

2.     APPLE INC. Eletrônicos de consumo e ecossistema de serviços.

3.     ALPHABET INC. Controladora do Google, dominante em buscas.

4.     MICROSOFT CORPORATION. Softwares, sistemas operacionais e computação em nuvem.

5.     AMAZON COM INC. Rede de comércio eletrônico, infraestrutura de nuvem.

Gigantes tradicionais e gestoras de capital:

1.     Berkshire Hathaway – de investimentos.

2.     JPMorgan Chose & Co – conglomerado bancário.

3.     Walmart Inc – varejista física.

4.     BlackRock e Vanguard – gestora de ativos.

Como nasce a consciência de classe?

 

“O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer “isto é meu” e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: “Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!” (Jean-Jacques Rousseau, p. 259). 

A formação da classe trabalhadora – o contexto.

A classe trabalhadora foi formada de baixo para cima. Nasceu de uma ferida aberta – a luta de classes em países capitalistas que se industrializavam. Sua “consciência” proveio de suas experiências cotidianas e sua cultura específica – diversas influências religiosas e culturais em sentido amplo formavam as pautas de experiências compartilhadas e depois discutidas na capela, na taberna e nos bares, espaços sociais de interação dos trabalhadores e artesãos. Logo, é uma classe trabalhadora do capitalismo industrial.

A origem da consciência...

Da “experiência vivida” para a “experiência compreendida”, isto é, das experiências compartilhadas e articuladas de maneira consciente foram construindo, paulatinamente, a ideia da necessidade de defesa dos interesses comuns de todos os trabalhadores. E um alvo comum surgiu: uma estrutura de exploração e opressão da classe senhorial, agora percebida como opressora e injusta, não mais como benevolente ou merecedora de privilégios.

A consciência de classe não é um produto mecânico e automático do desenvolvimento de forças produtivas. A consciência de classe é uma construção autóctone de uma “economia moral” baseada nos costumes, ao ponderar o que é justo ou injusto (E. P. Thompson). Assim são produzidas as associações de trabalhadores e os sindicatos, isto é, a radicalidade dos trabalhadores organizados. Mas, para crescer, é preciso de RECONHECIMENTO. É por isso que costumam apagar o brilho da luta como fruto de conquistas sindicais ou trabalhistas. Só o reconhecimento da crescente contribuição social das classes trabalhadoras provocará uma pressão política intestina à sociedade, no sentido de ampliação de representatividade e garantias de direitos dos trabalhadores (civis, políticos, sociais, econômicos...).

Sabemos que o Estado tem o poder legítimo de exercer a força, tanto por suas leis quanto pelas suas armas – forças legítimas. As classes dominantes não só procuram ocupar e controlar os altos escalões do Estado, como seu grande temor é o de que a classe trabalhadora organizada tome esse poder. Afinal, sem o Estado e sem usar a “violência supostamente legítima do Estado” em seu próprio benefício, é impossível manter a dominação social injusta.

De quem é a culpa?

O Estado é produto de um contrato firmado entre os homens e entre estes e seu governante. Sua função é assegurar os interesses dos governados, uma ideia que vem desde os pensadores do século XVIII. Porém, se esse Estado representar apenas o interesse da MINORIA ENDINHEIRADA, ele agirá em prejuízo dos demais. Assim, não estará verdadeiramente firmado nas bases de um acordo, de um contrato, mas de uma imposição. Nesse sentido, o Estado brasileiro é de acordo consistente? Como vai a Democracia Brasileira e a Justiça Social (corrupção, distribuição de renda, políticas afirmativas, etc.)? 

“A principal função do Governo é restabelecer a igualdade entre homens, desfeita pela imposição dos interesses dos mais fortes aos mais fracos. A origem da desigualdade está na propriedade privada. Portanto, o bem coletivo deve estar colocado à frente dos interesses pessoais.  Quereis, portanto, dar consistência ao Estado? Aproximai os graus extremos, tanto quanto possível: não suporteis nem opulentos nem indigentes. Essas duas condições, naturalmente inseparáveis, são igualmente funestas ao bem comum. Que nenhum cidadão seja assaz opulento para poder comprar outro e que nenhum seja bastante pobre para se achar constrangido a vender-se” (Jean-Jacques Rousseau).

Entre o socialismo-liberal e a social-democracia...

Autossuperação caminha de mãos dadas com construção coletiva. Como garantir a proteção constitucional das maiorias e seus direitos individuais, os quais devem ser protegidos inclusive da ação da própria maioria. Afinal, Democracia é método: regra da maioria, e tutela das minorias injustiçadas (desfazendo a minoria opulenta e abastada). Os direitos individuais devem estar salvaguardados inclusive da “tirania da maioria”, quando esses direitos não produzirem alta concentração de renda. Nesse campo, entendo a esquerda como a busca por mais igualdade (uma qualidade moral), enquanto a direita aceita e legitima as desigualdades (tidas por ela como um subproduto natural, meritocrático ou do livre mercado). A esquerda combate a disparidade de renda como prioridade; a direita a aceita usando a falácia de erradicar a pobreza por meio do crescimento econômico e da liberdade individual sobreposta à igualdade (um suposto crescer-estabilizar-distribuir). 

Assim, nas principais bases de sustentação desse pensamento de direita incluem:

1.     Meritocracia: A ideia de que as pessoas devem colher os frutos do seu próprio esforço, talento e dedicação. A desigualdade é vista como a consequência justa de diferentes níveis de produtividade e escolhas individuais.

2.     Livre Mercado e Crescimento: Defende-se que, ao permitir a livre iniciativa e reduzir a intervenção do Estado, a economia cresce (a lógica de "aumentar o bolo"). A riqueza gerada no topo, teoricamente, beneficiaria toda a sociedade através da geração de empregos e inovação.

3.     Naturalização das Diferenças: Argumenta-se que os indivíduos possuem habilidades, inclinações e ambições naturalmente distintas, o que torna as hierarquias sociais e econômicas inevitáveis.

4.     Prioridade à Liberdade sobre a Igualdade: A igualdade de resultados exigiria coerção estatal, o que feriria a liberdade dos indivíduos. O foco deve ser a igualdade de oportunidades, onde todos competem pelas mesmas chances, independentemente do resultado final.

Enfim, LULA não seria o que ele é hoje, não fosse a experiência SINDICAL, somada à sua experiência pessoal de vida. Não fosse sua capacidade de ponderar o que é justo ou injusto. Não fossem as VIRTUDES produzidas em sua vida e trajetória que ele acopla no PODER e na POLÍTICA que faz. É o menos pior, por isso é O MELHOR! 

Atualidades críticas - 2026.

Infraestrutura. 

A classe Empresarial trava uma luta com o Governo para investir em rodovias, portos, ferrovias e aeroportos porque precisa gastar menos com fretes e lucrar mais com o escoamento dos produtos brasileiros vendidos a dólar (US$) e euro (€).

Agora estão festejando a capacidade ampliada dos portos do Brasil (investimento de R$ 180 milhões em 2023) para exportar o petróleo do pré-sal (principal produto da balança comercial do país). Com recordes de vendas, terminal no Rio, por exemplo, substitui píer de minério por instalação para transbordo de óleo entre navios (jogaram os planos de Eike Batista na prisão, que queria movimentar ali o minério de ferro que seria produzido pelo grupo X em Minas Gerais). Idealizado por ele, o terminal é hoje o único do país com capacidade para receber navios do tipo VLCC, os superpetroleiros, com capacidade para transportar 2 milhões de barris de petróleo.

Enquanto isso, os EUA passam a mão no petróleo da Venezuela e, junto com Israel, intensificam ataques contra o Irã (guerra iniciada em 28 de fevereiro). Resultado: o preço do barril de petróleo só registra alta. Nada é por acaso!

Enfim, isso significa que a Petrobras voltará ao olho do furacão. Afinal, até 2030, a produção brasileira de petróleo vai chegar a 5 milhões de barris/dia (Margem Equatorial, cadê você?). Hoje, são 1,7 milhão, tendo como principais destinos os EUA e a China. Também não por acaso!

Acordo UE-Mercosul.

O cenário geopolítico atual exige reduzir a dependência do Brasil a um único ou poucos mercados, como o dos EUA, e ampliar presença também na Europa, na Ásia e na Índia.

Apenas 02 meses de acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, e já cresce a exportação do Brasil para o bloco europeu (oportunidades foram abertas para todo o Brasil). O acordo entrou em vigor de forma provisória no dia 1º de maio (pois ainda precisa ser aprovado pelo Tribunal de Justiça e o Parlamento europeu). Além da redução ou eliminação tarifária para milhares de produtos, outro fator que influencia o fluxo comercial é o cenário de maior instabilidade no comércio internacional, provocado pelo governo Trump e seu tarifçao sobre produtos brasileiros.

Na lista dos itens com maior crescimento reúne bens industriais, químicos, siderúrgicos e máquinas (que beneficia segmentos de maior valor agregado, isto é, produtos industriais junto como os produtos agropecuários): partes para motores a diesel (+19,1%), partes de turborreatores (+141,9%), junto como óleo essencial de laranja (+110,1%), mel ((+246,7%), manga (+36,5%), extrato de café (+36%).

Enfim, SC (167 oportunidades), SP (127) PR (76) e RS (74) são os estados mais inseridos no mercado europeu (são estados que já têm um maior número de empresas que já exportam para o bloco, ou seja, com uma base produtiva mais preparada para aproveitar a redução de tarifas). O Governo e o setor privado esperam ampliar a competitividade dos exportadores e estimular a diversificação de parceiros com a abertura comercial. Enquanto as exportações para os EUA caíram, já aumentou para outros parceiros relevantes. E assim segue o fluxo...

O melhor modelo de governar.

Qual é o melhor poder para governar? 

É o que vem de Deus e supostamente é dado aos Reis? O que vem da Natureza e supostamente é dado aos Nobres? Ou seria o que é construído pelas Posses e é supostamente dado aos Impérios e Magnatas Liberais? Ou ainda é fruto de instituições criadas a partir de acordos firmados entre os homens? Um contrato social? O homem não pode ser governado senão pelo chicote? Ou a Lei consegue dá jeito?

Na experiência histórica, já disseram que o poder deveria ser exercido pelos “filósofos-reis” (“sofocracia”), que possuiriam a sabedoria e a razão necessárias para guiar a sociedade com justiça. Maquiavel, por exemplo, separava a política da moralidade tradicional e dizia que o melhor governante é aquele que alia virtude (capacidade de adaptação) à fortuna (circunstâncias), usando a força ou a astúcia de forma pragmática para manter a estabilidade do Estado.

Bem, o melhor poder para governar vai depender da legitimidade, da justiça e da garantia do bem comum. Afinal, os homens criam os governos para que os governos criem os homens. Para tal, uma coisa é certa: esse poder não pode estar concentrado em uma só mão (Monarquia ou liderança hereditária e vitalícia) ou por um grupo restrito de elite (Aristocracia). E é justamente por isso que nas repúblicas democráticas modernas que adotam o presidencialismo, como aqui no Brasil e nos EUA, ele está dividido entre executivo, legislativo e judiciário (Politeia), e é um poder baseado no interesse público e temporário, e um conjunto de leis que expressam os valores de toda a sociedade e que sejam obedecidas por todos, inclusive pelos próprios governantes (Democracia Constitucional), isto é, pautado no princípio da responsabilidade e da alternância, pois indissociável de eleições e voto universal.

Tanto na filosofia quanto na ciência política não existe um "poder" único e absoluto considerado o melhor. Nesse caso, há que considerar que os meios também justificam os fins (Kant e Max Weber) ou os meios usados determina a natureza do fim que é alcançado e, portanto, ele precisa ter qualidade. Assim, aquele ou aquela que conseguir evitar a tirania, a oligarquia e o autoritarismo e garantir a governança será o menos pior. Afinal, a lógica dos resultados não está acima da dignidade do ser humano, que está entre um "idealismo ingênuo" e um "realismo cruel".

Enfim, o melhor poder para governar, tanto em política quanto na vida cotidiana, é aquele que encontra o equilíbrio entre o que "deveria ser" e o que "realmente é" de forma ética e justa. Afinal, a razão e a emoção não são as culpadas pelas tragédias modernas, mas a ganância. 

“A principal função do Governo é restabelecer a igualdade entre homens, desfeita pela imposição dos interesses dos mais fortes aos mais fracos. A origem da desigualdade está na propriedade privada. Portanto, o bem coletivo deve estar colocado à frente dos interesses pessoais.  Quereis, portanto, dar consistência ao Estado? Aproximai os graus extremos, tanto quanto possível: não suporteis nem opulentos nem indigentes. Essas duas condições, naturalmente inseparáveis, são igualmente funestas ao bem comum. Que nenhum cidadão seja assaz opulento para poder comprar outro e que nenhum seja bastante pobre para se achar constrangido a vender-se” (Jean-Jacques Rousseau).

Planejamento do Brasil.

FUTURO: o Brasil que queremos... 

Pensar a longo prazo  é enfrentar a incerteza (e a volatilidade/complexidade/ambiguidade) dos tempos atuais.  Mas, isso ajuda a desenhar estratégias robustas, agregar ferramentas, navegar intencionalmente, projetar cenários prospectivos, propor soluções estruturantes, ter capacidade de antecipação dos governantes, realizar implementação de políticas e investimentos estruturantes, aguçar a sensibilidade dos decisores em relação ao ambiente externo, ampliar a percepção sobre riscos e oportunidades, oferecer referências para reavaliar estratégias e políticas vigentes, estimular a exploração de novas alternativas, fortalecer a capacidade de antecipação estratégica, melhorar a qualidade das escolhas de hoje e ampliar a resiliência diante das mudanças, identificar caminhos desejáveis, riscos a serem evitados e áreas de ação prioritária para construir o futuro almejado, tomar decisões estratégicas e investir de longa maturação para resolver passivos históricos, superar desafios emergentes e construir o futuro desejado da sociedade brasileira.


Avaliar o passado recente, pensar a situação atual e se projetar... Assim, em um horizonte considerado, quais são as megatendências mundiais com possível impacto no futuro do Brasil?

Nem adiado, nem só avançando aos poucos. O país que queremos ser depende da trajetória consciente que estamos seguindo hoje. Logo, precisa ter:

- a compreensão abrangente do contexto atual e da trajetória passada do país;

- a exploração de diferentes possibilidades de futuro;

- a definição da visão de longo prazo desejada; e

- a definição de orientações de como chegar lá.

Assim, nessa trajetória, precisamos construir:

1.     Representatividade política e capacidade executiva do governo fortalecida;

2.     Sustentabilidade fiscal: contas públicas equilibradas, com dívida controlada e alta capacidade de investimento;

3.     Ensino de qualidade, mão de obra qualificada e inovação pujante na educação básica, superior e profissional;

4.     Eliminação do desmatamento ilegal e recuperação ambiental;

5.     Continuidade da transição energética, infraestrutura moderna, conectada e resiliente;

6.     Aumento significativo da produtividade, crescimento econômico alto e empregos de qualidade;

7.     Redução significativa da pobreza e das desigualdades sociais. 

Podemos e temos a capacidade de ser o Brasil reconhecido globalmente pela transição para um modelo de desenvolvimento inclusivo, competitivo e sustentável, com instituições sólidas, crescimento sustentável e liderança na economia verde. Nossa educação pode alcançar padrões de qualidade dos países desenvolvidos, a pobreza e as desigualdades devem ser reduzidas fortemente e a sociedade vir a desfrutar de maior qualidade de vida e coesão social, com desenvolvimento econômico, tecnológico, político, social e ambiental.

Assim, precisamos do alinhamento de esforços entre governo, sociedade e setor produtivo público e privado sobre:


Claro que aqui há visões contrastantes, porém plausíveis, sobre os caminhos que o Brasil pode trilhar nas próximas décadas.

O futuro é um espaço aberto a múltiplas possibilidades, moldado por forças políticas,

econômicas, sociais, tecnológicas e ambientais em constante transformação. Em um

contexto de crescente complexidade e incerteza, adotar uma visão prospectiva – capaz

de antecipar descontinuidades e os possíveis impactos que eventos e decisões em curso

podem gerar no futuro – torna-se essencial.


As megatendências mundiais com possível impacto no futuro do Brasil

Análise detalhada, item por item:

1.     TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA E ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO. 

O quadro nacional reflete esse movimento, com a transição demográfica avançando rapidamente. A taxa de fecundidade, que era de 2,32 filhos por mulher em 2000, recuou para 1,57 em 2023 e pode chegar a 1,45 até 2050. A proporção de brasileiros com 60 ou mais anos de idade, por sua vez, quase duplicou, subindo de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023. Até 2050, estima-se que esse percentual possa chegar a 30%10, estreitando a pirâmide etária nacional.

Dados do IBGE (2024) evidenciam outro fenômeno chamado de “envelhecimento do envelhecimento”: dentro do grupo de idosos, cresce a proporção de pessoas que atingem idades mais avançadas. Em 2050, 6,5% dos brasileiros terá 80 anos ou mais. Atualmente, essa faixa etária representa apenas 2,2% do total de habitantes.

Como consequência, a economia do cuidado ganhará cada vez mais importância. Observam-se também mudanças no perfil de consumo dessa camada da população em outros segmentos, como em cultura e lazer, por exemplo, configurando um fortalecimento da chamada “economia prateada”.


2.     Aceleração das transformações tecnológicas e da digitalização da economia e da sociedade. 

São rupturas nos modelos de produção, negócios, consumo, prestação de serviços e nas relações sociais, causadas por áreas como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), nanotecnologia, robótica avançada, computação quântica, ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), a integração tecnológica, entre outras. Provocarão o desenvolvimento de produtos e serviços disruptivos voltados para a saúde, a educação, a segurança pública, a relação com o meio ambiente etc. Um exemplo é o avanço da biotecnologia a partir da biorrevolução, que continuará transformando a produção de alimentos, energia, novos materiais e serviços de saúde.


3.     INTENSIFICAÇÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DOS EVENTOS EXTREMOS.

A intensificação das mudanças climáticas desencadeia impactos severos ao redor do mundo. Tem-se observado o aumento da frequência e da intensidade de eventos como ondas de calor extremo, secas, tempestades, elevação dos níveis do oceano e perda irreversível de biodiversidade, afetando os ecossistemas, a segurança hídrica e alimentar e a saúde.

Os impactos das mudanças climáticas produzirão custos elevados, tanto humanos quanto financeiros, com consequências ainda mais prejudiciais para grupos e comunidades vulneráveis.



4. VALORIZAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E TRANSIÇÃO ENERGÉTICA.





5. MUDANÇAS NO PADRÃO DE CONSUMO. 


6. CONSOLIDAÇÃO DA MULTIPOLARIDADE NA GEOPOLÍTICA MUNDIAL. 

7. RECONFIGURAÇÃO DAS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR. 


8. Aumento da demanda e da competição por recursos naturais. 


9. Intensificação dos riscos globais: crises e conflitos de diversas naturezas. 



10. ACELERAÇÃO DAS MUDANÇAS NO CONTEÚDO E NAS FORMAS DE TRABALHO E NO APRENDIZADO CONTÍNUO.



11. TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA E CRESCIMENTO DA DEMANDA POR SERVIÇOS DE SAÚDE.



12. AGRAVAMENTO OU MANUTENÇÃO DE ELEVADOS NÍVEIS DAS DESIGUALDADES SOCIAIS NOS PAÍSES.    



13. Expansão e sofisticação do crime organizado, integrado a redes globais. 



14. AMPLIAÇÃO DA COOPERAÇÃO E DAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO ESTADO-SOCIEDADE.