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segunda-feira, 1 de maio de 2017

PATERSON: uma lupa no cotidiano mundano.

Um diretor poeta; um filme poesia. O objetivo é encontrar beleza no banal e no pequeno, isto é, com o mínimo, o máximo. Por mais que alguém insista em dizer que “esse só foi mais um dia igual aos outros”, ainda assim, será diferente. E se você quiser ser o autor dessa diferença, basta escrever uma crítica ou transformar cada dia de sua vida em poemas belíssimos. Mas, como? Ora, observando as caixas de fósforos ao lado do fogão ou o ar que se desloca com a sua passagem, e transformando tudo em frases limpas, estrofes pensativas, miudezas repletas de sentimentos imensos. A poesia é botar sentimento na prosa. A poesia é arrancar delicadeza em um mundo que se tornou violentamente indelicado.

Muito pode ser encontrado no nada. O nada pode ser surpreendente pelo nível de camadas e reflexões, mas apenas um artista muito hábil e com uma visão delicada (isso é um clamor à sensibilidade) é capaz de encontrar conteúdo e ideias em algo aparentemente inexistente. Pouco acontece no cotidiano de Paterson (uma trama de 7 dias fixa em uma rotina: o dia começa, Paterson dirige seu ônibus, almoça, escreve poesias, retorna para casa para jantar, leva o cão para passear e termina a noite com uma cerveja num bar próximo, o fim de um dia e o início do próximo – “Todo dia é um novo dia”), em uma rotina aparentemente repetitiva, mas salva pela paixão do protagonista em escrever poesias sobre os pequenos detalhes de sua vida.

Se for verdade que não há nada melhor do que um dia após o outro, então um dia deve ser vivido de cada vez, saboreado em seus pormenores. Essa parece ser a intenção do diretor – fazer-nos artistas: levar o espectador a buscar algo novo em uma rotina monótona e sem surpresa. Não seria essa a própria função do artista? Então, não espere surpresas ou reviravoltas drásticas na trama. Busque junto com Paterson uma conversa distinta entre passageiros aleatórios, pequenas surpresinhas em um bar, alguma manifestação artística em um estranho, conversas aleatórias, gêmeos vistos em diferentes ângulos e idades, uma garotinha disposta a compartilhar seu poema...

O protagonista e dócil, inofensivo, educado e com um genuíno interesse e admiração por aqueles ao seu redor, disponível a causar um humor discreto e sutil. Um exemplo vem da informação desconhecida pelo protagonista: a cena em que nos explica por que diabos a caixa de correio de Paterson sempre está torta, mesmo com o sujeito diariamente a ajeitando, encaixando uma reação cômica/curiosa do cachorro Marvin – e sua reação a dois determinados incidentes que chacoalham seu cotidiano.

Paterson é um belo e delicado filme sobre as coisas pequenas. Sobre as variações sutis e belas que uma rotina aparentemente monótona e sem acontecimentos é capaz de oferecer, e como a Arte é uma forma libertadora de encontrar um novo olhar sobre o mundano e o já conhecido.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Clinical

É um suspense com terror psicológico, gênero dos meus favoritos. Já gostei do filme quando percebi que a protagonista é uma Psiquiatra para Adultos e Adolescentes, com especialidade em PTSD (Transtorno de Estresse Pós Traumático). Então, nem tudo o que vemos em tela (e na vida real) é necessariamente a verdade. Mas, se você for capaz de expressar seu trauma, terá mais chances de superá-lo, pois falar ou expor o que está te incomodando é tão ou mais saudável que os remédios. Assuma o controle.

  Uma psiquiatra que passa por um grande trauma após uma de suas jovens pacientes tentar se matar em seu consultório e levar a terapeuta junta no processo.
  Dois anos se passam e Jane ainda está lidando com o ocorrido, se consultando com um colega de profissão, que a aconselhara a tratar de casos menos extremos.
  Sua especialidade em PTSD (Transtorno de Estresse Pós Traumático, essa difícil síndrome vivenciada por milhares de pessoas (e não somente por policiais ou veteranos de guerra)), contudo, leva Alex, um sobrevivente de acidente, que tivera de ter seu rosto reconstruído, a procurá-la. Receosa, a psiquiatra decide aceitar o paciente, mal sabia ela que isso faria seu passado ressurgir com toda a força.
  A trama consegue nos deixar na angustiante dúvida se ela realmente está vendo sua paciente que tentará o suicídio ou se a menina realmente está ali diante de seus olhos. De uma mulher que estava prestes a se recuperar, ela se torna um poço de insônia e paranoia.
  Nem tudo o que vemos em tela é necessariamente a verdade, visto que ele opta por não dar a certeza absoluta do que acreditamos enxergar, construindo a paranoia da personagem com bastante eficácia.
  O trabalho da atriz principal, também, não deve ser descartado – ela oscila entre a atitude mais distante e fria da psiquiatra e o papel de vítima abalada com uma fluidez assustadora, ao ponto que quase enxergamos duas personagens em tela.
  Além dessas experiências traumáticas, a obra também lida com a pedofilia e o estupro de forma contundente até o seu trecho final, nos mostrando os terríveis impactos desses crimes nas vítimas e como suas vidas podem ser moldadas por tais eventos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Adorei aprender nesse filme o sentido da palavra “Obliviar”. Trata-se de uma magia adulta que vou dominando ou que me domina a cada dia. Mas, aviso logo, é um universo mágico apresentado de forma leve, meio arrastada, cômica e que deseja a diversão. Não basta ter animais na sua mala. Você precisa controlá-los e saber o que pode ou não fazer com eles, dependendo da situação. Enfim, se o Sol é para as flores o que a magia é para a humanidade, então vale a pena resgatar o ser humano comum ou trouxa que nunca soube muita coisa sobre esse universo.
- Existem alguns debates argumentativos, como: magia usar ou não usar; confiar em quem em mundo de poderes ilimitados? Uma amizade vale mais que se safar de uma dada situação? Como enfrentar vilões terríveis e não perder a humanidade que há em todos os trouxas ou não trouxas? Em meio a isso temos pontuações sobre família, preconceito, ambição e descobertas de paixões.
- Nova York com uma maleta repleta de animais mágicos. Após uma confusão, alguns bichos acabam soltos na cidade e o bruxo é obrigado a capturá-los antes que causem algum mal.
- Depois de uma troca de bagagens entre Newt (o protagonista que é um magizoologista, pessoa que cuida de animais com alguns poderes) e Jacob (um homem simples com o sonho de tocar uma padaria), ambos vão sair por Nova Iorque caçando criaturas mágicas além de provar que a ameaça que atinge a cidade não é de origem animal, mas sim humana. Com isso, Newt e Jacob não são uma dupla de aventureiros, mas sim dois cômicos em apuros.
- O longa aborda temas como medo do desconhecido, repressão, fanatismo religioso e demonstra uma importante preocupação com representatividade ao colocar uma mulher negra no posto de presidente da comunidade mágica.
- A história se passa nos EUA dos anos 1920. Com isso, a década de 1930 para o filme carrega consigo um sentimento de inocência e ingenuidade. Com isso, é mostrada uma Nova York mágica tomada pela burocracia (um passado culturalmente conservador). O diretor constrói um filme muito mais leve em que as ameaças estão num nível controlável, como se tudo estivesse no alcance dos personagens na tela.
- Aborda também, projetos de diferenciação total entre magos e no-majs (como os americanos chamam os trouxas), alguns pendendo para o radicalismo, pregando um massacre aos humanos comuns, e outros bem mais moderados.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Filme: Arrival (A Chegada).

Onde está o começo ou o fim?

É um filme de ficção científica, bonito de se ver, mas um tanto difícil de se compreender. Alienígenas descem à Terra, mas não sabemos quais as reais intenções dA CHEGADA dos visitantes. Qual é a base da nossa civilização? A linguagem ou a ciência? Deste questionamento nasce o que parece ser o tema central do filme – a comunicação. Sim, o mundo seria um lugar melhor se melhorássemos a nossa capacidade de comunicação. Para decifrar o enigma, entram em cena uma linguista e um físico. Ambos precisam responder à pergunta "o que vocês querem?" que outras onze equipes no mundo também tentam. Mas a política, interesses e diferenças culturais entrarão no caminho da ciência. Mas, por que um filme aparentemente comum se torna complexo? Essa dificuldade é construída ao se conjurar uma história pessoal com um enredo mais abrangente.  O filme se propõe a narrar um drama pessoal – uma perda na vida da protagonista – com a iminente extinção da vida na Terra – a ameaça, em si.

Até então eu ficava me perguntando qual era a razão de, volta e meia, Louise (a protagonista) ficar lembrando de momentos com a filha. A primeira resposta, e a mais óbvia, é que fatos do presente estavam fazendo ela relembrar de momentos com Hannah. Essa é a forma linear de pensar, acreditando que a vida tem começo, meio e fim e que, consequentemente, nossa memória também funciona assim. Só que Louise descobre depois de investigar a linguagem dos extraterrestres que eles não tinham uma forma de comunicação linear. A “viagem” do argumento de Arrival é que se eles não tinham uma linguagem linear, eles também não pensavam ou viam a realidade de forma linear. Desta forma, de fato não existiria passado, presente e futuro, mas todo o conhecimento de alguém que tivesse essa forma de comunicação e, consequentemente, este mapa mental seria também não-linear. Ou seja, atemporal. A genialidade de Arrival ao ter este argumento é que conforme a especialista em linguística Louise ia realmente entendendo a forma de comunicação não-linear, ela própria passava a ver o mundo desta maneira. Assim, ela passou a vivenciar o futuro com a filha que nem havia nascido. Genial, não?

Enquanto todos os outros estavam com pensamento linear, Louise começou a enxergar a realidade de forma não-linear. Mas a compreensão dela, assim como a de qualquer um de nós que se aventura em um novo idioma e em uma nova forma de pensar, vai acontecendo aos poucos e de forma gradativa. Só perto do sinal que ela tem tudo claro. Quando Louise passa a pensar da mesma forma que os extraterrestres, ela tem conhecimento sobre todo o espaço temporal, inclusive do que acontece no futuro. Isso não impede, claro, que ações diferentes dela no presente não modifiquem o futuro. Mas ela tem acesso a conhecimentos prováveis do futuro e, com isso, consegue agir no presente e tomar decisões.

Qual é o propósito dos extraterrestres? O que eles querem com a visita, ou melhor, A CHEGADA na Terra? Bem, vieram entregar a sua forma de se comunicar e de “pensar” para que tenhamos um entendimento completo do tempo. Eles estão “ajudando” a Humanidade desde os primórdios.

É o tipo de filme que convida ao final: vamos debater o que significa ser humano ao cercar-nos de desconhecidos? O temor não está somente na atitude que os Heptapods podem vir a tomar contra a raça humana e sim, também, no comportamento dos próprios humanos, quando as diversas raças atingidas, em clima de tensão política ofuscam suas descobertas nas interações com eles e correm o risco de tomar decisões que afetem uns aos outros.

O filme desbravar outros dos principais dilemas individuais e coletivos das sociedades.
1.      É mais que uma produção sobre extraterrestres, esta é uma produção sobre pessoas, seres humanos.
2.      O que é o tempo? Afinal, em que momento os acontecimentos que abrem o filme estão situados? O filme começa com memórias e depois parte para os fatos.
3.      O mau hábito de outros filmes e nossa “tendência” para a guerra nos deixam tensos, esperando um confronto entre humanos e extraterrestres, mas, não, é um olhar muito mais cuidadoso, atento, e que observa, sobretudo, o nosso comportamento em relação ao diferente e ao estranho.
4.      Uma aula de linguística com altruísmo: é preciso sair do “modelo mental” humano e buscar conhecer a forma com que os seres de fora da Terra pensam. Ou seja, quando uma pessoa realmente mergulha em um outro idioma, ela passa a pensar de outra forma, a ter a compreensão do mundo modificada e, consequentemente, começa a “sonhar” naquele idioma.
5.      Apesar do início as diferentes nações colaborarem entre si, passado algum tempo predomina a característica egoísta e competitiva do ser humano. Isso é demonstrada pela “guerra fria” entre a China, os Estados Unidos e outros países. A tão falada geopolítica se apresenta com toda a sua divisão quando alguns países se sentem ameaçados e querem demonstrar mais força que os outros.
6.      Primeiro, o pavor e o medo das pessoas sobre o desconhecido. Há revolta, depredação e falta de civilidade em várias partes do globo quando as naves aparecem. Depois, conforme o tempo passa e as nações não encontram respostas, a insegurança dos governos também marca posição. Como aconteceu com o 11 de Setembro e em outras ocasiões, a resposta para o medo é a ameaça e o confronto. Primeiro acabam as cooperações entre os países e, depois, muitos se armam para confrontar uma presença que eles não entendem. E quando você não entende, você se sente ameaçado.
7.      O filme apresenta um conceito interessante e diferenciado sobre o que motivaria a “visita” de extraterrestres na Terra, mas também nos coloca frente a um grande espelho. Como sugere um dos extraterrestres, eles estão “ajudando” a Humanidade desde os primórdios e, desta vez, vieram entregar a sua forma de se comunicar e de “pensar” para que tenhamos um entendimento completo do tempo. Desta forma, se este conhecimento for bem utilizado, catástrofes podem ser minimizadas e guerras podem ser evitadas. Em troca os extraterrestres querem ajuda nossa no futuro. Fica em aberto a razão para isso, mas não deixa de ser inteligente.
8.      Como você agiria frente a uma criança que você sabe que vai morrer e que é a sua filha? Você cuidaria para que ela fosse o mais feliz possível ou, de alguma forma, você evitaria aquele sofrimento. Viver ao máximo ao lado de quem ama, cuidando para dar todas as oportunidades de felicidade para ela e sem escapar da dor. Tocante. E nos faz pensar sobre as nossas próprias escolhas e sobre a vida. Ela é bela não porque não tenha dor e sofrimento, mas porque aprendemos com absolutamente tudo, especialmente na relação amorosa com as pessoas, e nisto está a sua beleza.

domingo, 20 de novembro de 2016

Como surgem as cores?

Quando um objeto emite cor branca?

Quando um objeto emite cor preta?

Quando um objeto emite cor verde?

Essas perguntas parecem bobas, porém, tente responde-las neste momento mentalmente. Eu sei, ficou difícil de explicar não é? Vou te ajudar!

A luz é uma fonte de energia, podendo se dizer que a luz proveniente do Sol é a maior fonte de energia que temos tanto em forma de energia luminosa, quanto em forma de energia térmica. Mas, e quanto as cores?

O fato de enxergamos um objeto significa que nele encontra-se um feixe de luz, tal que o faça visível aos nossos olhos. Um fato muito importante de ser fixado no nosso conhecimento é que, só enxergamos o objeto porque o mesmo recebe luz proveniente de uma fonte luminosa, diferente da nossa concepção de que o objeto tem luz própria.

Visto que os raios de luz incidentes no objeto são provenientes de uma fonte de luz, a mesma, possui diversas cores que a compõe, ou seja, os raios incidentes possuem todas as cores que possamos imaginar. Acontece que cada objeto reage de uma maneira a esse feixe de luz, de forma a receber a maioria das cores e refletir (não absorve) uma única cor. Essa cor não absorvida é a cor que vemos o objeto!

Isso quer dizer que quando vemos um carro verde, o mesmo absorveu todas as cores e refletiu a tonalidade verde do carro, com isso vemos apenas a cor verde e dizemos que este veículo possui essa coloração.

Mas para a cor preta e branca, temos um pequeno acréscimo a esse conceito. Se você experimentar juntar todas as cores de tinta que possuir, no máximo de tonalidades possíveis e de mesma quantidade para cada, perceberá que a cor se aproxima do preto. Logo a cor preta, nada mais é que a mistura de todos pigmentos de cores. Podemos dizer então que quando uma camiseta se apresenta aos nossos olhos na coloração preta, é porque a mesma está absorvendo todas as cores do feixe de luz.

Oposto ao efeito da cor preta, o branco significa ausência de cor (quando falamos de pigmentos, não de luz), ou seja, um objeto de cor branca refletiu todas as cores emergentes de uma fonte luminosa e não está absorvendo nenhuma cor.

Agora sim fica mais fácil entender como os objetos se apresentam aos nossos olhos e responder a perguntas como:

“Porque usar roupas pretas no inverno?”

Fácil não é? Não!? Então eu vou dizer! A cor preta absorve todas as cores e não reflete nenhuma. Dessa forma, ela absorve grande quantidade de energia, e uma das mais fáceis formas de dissipar energia é transformando-a em calor. Daí o uso da roupa preta, a mesma fornece mais calor e deixa seu corpo mais quente!

Agora pense um pouco: “Qual a cor de roupa, nós devemos usar no verão, para não sentirmos tanto calor?”.

Está com calor? Use preto

Desde pequenos, ouvimos nossos pais dizendo que as roupas escuras não deveriam ser utilizadas em dias muito quentes. O motivo para isso é aquele que já estamos acostumados a ouvir: cores escuras absorvem a luz e o calor, enquanto cores claras refletem. Isso é científico e não está nada errado, mas existe um fator que nos esquecemos de analisar: o calor que sai do corpo.
Em proporções menores, o corpo humano também emite calor para o mundo exterior. E se a roupa branca reflete a luz e o calor que vêm do sol, faz o mesmo com o calor gerado pelo suor e pelas reações químicas do homem. Ou seja, as roupas claras podem fazer com que nós sejamos “cozidos”.
Ao mesmo tempo, a roupa preta absorve a energia do corpo humano. Qualquer vento que possa passar por ela já é suficiente para colaborar na dissipação do calor. Por essa razão, quando o verão chegar e você não quiser passar calor... Use preto!
KKKK Mas, as proporções do calor corporal são menores do que o calor do ambiente, visto que o Sol é mais quente que o Corpo. Então, no balanço geral, nossos pais continuam com a razão. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

TEORIA DA EVOLUÇÃO QUÍMICA: eventos químicos para a vida...

Fato!
A vida brotou do meio de reações químicas de moléculas.
A Ciência chama esse broto de geração espontânea e a Religião o chama de Deus!

Uma coisa é certa, atualmente a maioria dos cientistas concorda que a vida se originou pela primeira vez por meio de reações químicas ocorridas relativamente cedo na história do planeta Terra. De forma sequencial, moléculas orgânicas simples surgiram e deram origem a outras mais complexas, resultando no desenvolvimento de vias para conversões entre as moléculas. Essas vias devem ter permitido que a síntese ou a quebra das moléculas ocorressem de forma mais eficiente. Desses eventos químicos para a vida foi um salto e tanto, e a maneira como ele se deu ainda é assunto de pesquisas e especulações. Ou seja, no processo de surgimento da vida ocorreu ao menos um evento de geração espontânea a partir da evolução química de moléculas.

Essa ideia de origem da vida a partir de uma sequência evolutiva de geração de moléculas cada vez mais complexas foi proposta no século XX pelo russo Alexander Oparin (1894-1980) e o inglês John Haldane (1892-1964). Esses cientistas sugeriram que os gases presentes na atmosfera primitiva eram hidrogênio, amônia, metano e vapor de água e que num dado momento a Terra passou por longos períodos de tempestades. Com o tempo, o grande aporte de energia da radiação ultravioleta proveniente do Sol e as descargas elétricas provenientes das tempestades, em um ambiente sem gás oxigênio, fizeram que as moléculas inorgânicas se agrupassem formando moléculas orgânicas maiores, que se acumularam nos oceanos primitivos.

Nem oxigênio, nem ozônio...

Sabe-se que na Terra primitiva o oxigênio existia na composição de moléculas de água (H2O) e de dióxido de carbono (CO2), mas não existia em sua forma gasosa livre (O2) nem na forma de ozônio (O3). Portanto, a camada de ozônio, hoje uma barreira que filtra os raios nocivos do Sol, não era formada na época, de modo que a radiação solar atingia diretamente a superfície terrestre. A energia proveniente dessa radiação foi provavelmente fundamental para a formação de novas substâncias no planeta. De modo similar, a ausência de gás oxigênio, um potente oxidante, permitia maior estabilidade das moléculas complexas formadas.

É importante destacar as condições da Terra primitiva para que a vida começasse. Esse início partiu da evolução química de moléculas orgânicas surgidas espontaneamente (abiogênese). Porém, há experimentos diferentes que ajudaram a derrubar a ideia de que alguns organismos vivos poderiam surgir a partir de matéria inanimada nas condições atuais do nosso planeta (biogênese). Ou seja, existem diferentes verdades, mas uma sempre vai mais longe. A biogênese não está errada, nem é contraditória em relação à abiogênese. Ambas são pertinentes, mas a abiogênese foi mais longe (ela foi até às condições da Terra primitiva). E lá, não havia oxigênio. A ausência de oxigênio inicialmente deve ter facilitado a evolução química que culminou na origem da vida na Terra, pois evitou a oxidação dos primeiros compostos orgânicos. E muito mais! Isso leva a concluir que a existência de gás oxigênio é apenas pré-requisito para a vida como a conhecemos, mas podem existir outras formas de vida no Universo, cujo surgimento e evolução possam ter ocorrido independentemente da presença desse gás. Prova disso foi a descoberta do “terceiro reino”. Vejamos:

Arquea: o verdadeiro ancestral dos eucariontes.  

Mais de um século depois da descoberta do núcleo celular, acreditava-se na existência de dois tipos essenciais de vida na Terra – as bactérias (procariontes unicelulares) e os outros seres (eucariontes pluricelulares). Em 1977, Carl Woese (EUA, 1928-2012) descobriu uma terceira forma de vida: as archaeas (grupo de organismos unicelulares). Logo, não existem apenas 2 reinos primários na Terra, mas há 3. Trata-se de uma forma de vida capaz de viver em qualquer lugar do planeta, inclusive nos ambientes mais extremos.
Hoje, os biólogos acreditam que a Arquea é o ancestral do qual evoluíram os eucariontes (eu e você). Archaea é a designação de um dos domínios de seres vivos, morfologicamente semelhantes às bactérias, mas genética e bioquimicamente tão distintas destas como dos eucariotas. As arqueobactérias mais conhecidas são:
• Metaogênicas, que são responsáveis pela produção de metano;
Halófitas, que vivem principalmente nos locais com grande concentração de sal;
Termoacidófilas, que são aquelas que convivem em ambientes com temperaturas mais altas, assim como grande acidez envolvida.

CONCLUSÃO: 
Os pesquisadores acreditam que a evolução química foi importante para o surgimento das primeiras biomoléculas. Essas moléculas complexas se auto-organizaram em unidades seletivamente isoladas no ambiente, as precursoras das células. Estas, adquiriram material genético, chave para uma autorreplicação fiel, mas sujeita a alterações pontuais. Enfim, são essas mudanças ao acaso que possibilitam a obtenção de novas características, que podem ou não prover melhores adaptações às condições ambientais em constante alteração

Logo, a teoria científica atualmente mais aceita para explicar a origem da vida é a "Teoria da Evolução Química", proposta inicialmente, e ao mesmo tempo, por Oparin e Haldane. A simulação realizada com o equipamento de Miller e Urey permitiu comprovar que é possível obter moléculas orgânicas a partir de moléculas inorgânicas em situações particulares, como tinha sido proposto por Oparin e Haldane. Vejamos uma questão a esse respeito: 


QUESTÃO: Em 1953, os cientistas estadunidenses Stanley Miller (1930-2007) e Harold Urey (1893-1981) desenvolveram o seguinte experimento:
Com base na ilustração desse experimento, podemos NEGAR que:

A)    O experimento tenta explicar a origem da vida a partir de uma sequência evolutiva de geração de moléculas cada vez mais complexas.
B)    O experimento busca testar a formação de substâncias orgânicas nas supostas condições da atmosfera primitiva da Terra.
C)    Os resultados do experimento permitem comprovar a possível obtenção de moléculas orgânicas a partir de substâncias inorgânicas em condições particulares.
D)    O objetivo do experimento é contestar a ideia de que a vida se originou pela primeira vez por meio de reações químicas ocorridas relativamente cedo na história do planeta Terra.
E)     O experimento espera notar a presença de moléculas complexas na água recolhida, tais como aminoácidos, açúcares e ureia.

RESPOSTA: 
D (As ideias de Oparin e Haldane postulam justamente que nas condições da Terra primitiva a vida começou a partir da evolução química de moléculas orgânicas surgidas espontaneamente).


quarta-feira, 20 de julho de 2016

A Bipolaridade da Química.

Química boax Química ruim
A Química estuda as transformações que envolvem matéria e energia. Mas, ela afeta o ser humano e o meio ambiente de maneira predominantemente positiva ou predominantemente negativa? Das duas maneiras; depende da forma como o ser humano utiliza a Química. Ela é essencialmente natural e artificial. Em geral, a matéria-prima é obtida da natureza e sofre várias transformações que dão origem ao produto final, acontecendo aí algum processo químico.
A verdade é que ela permite a compreensão com mais profundidade dos fenômenos moleculares que ocorrem durante a alimentação e o esforço físico e de forma geral dos processos que permitem a vida. Enfim, ela permite a compreensão dos fenômenos naturais.
Não existe matéria sem energia, e vice-versa. Mas, se tem algo que existe sem as duas, seriam coisas abstratas, tais como a amizade, a solidão, a estética, a beleza e a plenitude. E, mesmo assim, são manifestações da matéria, não existem isoladamente, precisam estar vinculadas a algum tipo de matéria para se expressarem. Logo, a Química estuda as transformações que envolvem matéria e energia.
Na Química, estão envolvidos fenômenos naturais e artificiais. Na verdade, o químico procura entender a natureza (análise) e testar meios de reproduzir o fenômeno que o interessa (síntese) em laboratório (em pequena escala) introduzindo ou não alguma modificação para, mais tarde, o engenheiro químico adaptar o processo para a indústria (que irá reproduzi-lo em larga escala).
Isso significa que há vários caminhos possíveis para obter determinada transformação química. No fundo, há sempre um interesse ou necessidade básica e urgente de suprir o mercado com produtos essenciais para o progresso social e tecnológico. E é aí que alguns caminhos errados são escolhidos. Exemplos:
1.      O desprezo à questão ambiental;
2.      Produtos altamente tóxicos, de alto consumo energético, de pequena durabilidade ou não biodegradáveis após o uso, amplamente introduzidos no mercado, como os plásticos, os combustíveis fósseis, os pesticidas...
3.      Atitudes imediatistas e condenáveis, como o despejo de esgoto sem tratamento em rios e oceanos;
4.      O despejo de lixo diretamente sobre o solo sem nenhum manejo de proteção ambiental (os lixões);
5.      A fabricação de minas terrestres;
6.      Armas atômicas, químicas e biológicas;
7.      Desigualdades socioeconômicas na distribuição dos avanços e produtos.

Mas, há escolhas conscientes voltadas para opções de uma “Química Verde”, ou seja, por processos químicos mais limpos que eliminam ou minimizam a produção de rejeitos. Exemplos:
1.      A reciclagem como uma realidade;
2.      Indústrias e vários centros de pesquisas estão propondo alternativas viáveis para a substituição de combustíveis fósseis;
3.      A Química pode proporcionar qualidade de vida!

Esperamos que em um futuro bem próximo, a Química possa suprir o mercado com os bens materiais de que a sociedade necessita para uma vida mais confortável e saudável, com diminuição das desigualdades socioeconômicas, minimizando as agressões ao meio ambiente. Mas, para isso, é preciso que as pessoas tenham acesso à informação, que haja conscientização por meio da educação e que os caminhos que escolhermos para atingir esses objetivos sejam mais conscientes e menos imediatistas. 

Então vamos responder algumas questões importantes:
·         Quais são as principais contribuições da Química para o bem-estar da Humanidade?
- a começar pelos elementos químicos e pelos átomos que compõem toda a matéria existente.
- a química transformou a agricultura, melhorando os fertilizantes;
- transformou os meios de comunicação e os transportes;
- proporcionou mais resistência para as aeronaves espaciais e também;
- favoreceu o avanço na medicina e na expectativa de vida das pessoas.
·         A educação em e sobre Química é crítica para enfrentar desafios como:
- o aquecimento global;
- fornecer fontes sustentáveis de água, alimentos e energia;
- manter um ambiente saudável para o bem-estar de todos;
- a investigação química é fundamental para resolver problema globais mais críticos, envolvendo alimentos, água, saúde, energia, transportes e muito mais.
·         Que colaboração a Química pode dá para o desenvolvimento da sociedade?
- O importante papel da química é o de ser fonte de contribuição nas soluções para os desafios globais, melhorando a compreensão e a valorização da sociedade por esta ciência e intensificando o interesse dos jovens em torno das disciplinas científicas.
- A química é fundamental para a nossa compreensão do mundo e do cosmos. As transformações moleculares são centrais para a produção de alimentos, medicina, combustíveis e inúmeros produtos manufaturados e naturais.
- a química é uma ciência criativa essencial para a sustentabilidade e para as melhorias no nosso modo de vida.
·         Finalidade das atividades planejadas pelas instituições educacionais:
- Aumentar o reconhecimento da Química como ciência indispensável para a sustentabilidade;
- Gerar entusiasmo pelo futuro criativo da Química;
- Aumentar o interesse dos jovens por esta ciência;
- ênfase à importância da química para os recursos naturais sustentáveis.

A Interdisciplinaridade da Química

Veja como a Química se relaciona com as outras ciências, tais como:
1.      Matemática: a Química utiliza cálculos matemáticos para prever a quantidade de matéria-prima que é necessária para obter determinada quantidade de produto final desejado e também para mensurar algumas propriedades químicas da matéria (como o pH, por exemplo).
2.      Física: a Química utiliza vários conceitos da Física, como massa, volume, densidade, energia, temperatura, calor, pressão, para caracterizar uma espécie de matéria e determinar suas propriedades e as condições necessárias para que a matéria sofra uma transformação.
3.      Biologia: a Química e a Biologia estão intimamente relacionadas. Tanto a vida como a morte ocorrem à custa de inúmeros processos químicos. Conhecer esses processos é vital para prolongar a vida com a qualidade que desejamos.
4.      História: são vários os exemplos em que a descoberta de um novo material ou de um processo que torne viável o uso de determinado material mudou o curso da História da humanidade, basta ver, por exemplo, que muitos historiadores explicam a evolução do ser humano citando materiais: idade da pedra, da pedra lascada, do bronze, do ferro, do plástico etc.
5.      Geografia: os recursos minerais e hídricos e o clima de uma região normalmente definem o tipo de indústria química que será construída no local, e o modo como essa indústria lida com os seus rejeitos e com o meio ambiente pode definir o impacto ambiental nas redondezas e até em regiões a quilômetros de distância, uma vez que os poluentes viajam pelo ar e pela água.
6.      Filosofia: as primeiras tentativas de explicar a origem da matéria foram feitas por filósofos. A teoria da matéria descontínua (Demócrito e Leucipo) não foi aceita, por muito tempo prevaleceu a teoria da matéria contínua de Aristóteles e isso direcionou toda pesquisa relacionada à transformação da matéria na Idade Média.
7.      Português: A transmissão do conhecimento químico depende da utilização correta de nossa língua. Aprender a se expressar corretamente para explicar uma ideia, uma hipótese, uma teoria, o resultado de um experimento é fundamental para o desenvolvimento da Química e das demais ciências.
8.      Política: as decisões políticas afetam diretamente a História da humanidade e também o curso que o desenvolvimento da Química irá tomar. A Política define o tipo de indústria que irá se instalar no local, as leis de proteção ao meio ambiente que tal indústria deverá seguir (inclusive prevendo punições para o caso de essas leis não serem seguidas), o tipo de usina de produção de energia elétrica que será instalado (termelétrica a carvão, termelétrica a biomassa, termonuclear etc.). 

9. Bioquímica: Estuda as reações químicas que acontecem nos seres vivos. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

12 Grandes Descobertas da Química (2º e 3º Ano).

Quem, quando e como foram feitas? Qual o legado dessas grandes descobertas?
“Uma das coisas mais belas que existem é a criatividade humana na Química”.

1.      OXIGÊNIO: o ar é composto por vários gases.
- Os antigos filósofos gregos acreditavam que havia apenas 04 elementos: terra, ar, fogo e água.
- Leonardo Da Vinci (Itália, 1452-1519) foi um dos primeiros a sugerir que, em vez de ser um elemento, o ar talvez fosse composto de dois gases diferentes.
- Na Inglaterra, segunda metade do século XIX, Joseph Priestley (Reino Unido, 1733-1804), conduziu uma série de experimentos (com o Mercúrio e tecnologias) que levou à descoberta dos gases a partir de líquidos, usando tubos em que pudessem ser vistos.
- Priestley compartilhou com Antoine Lavoisier (Paris, 1743-1794), que também estava estudando os gases. Ele pesava as substâncias e concluiu que algo estava sendo emitido. Foi ele quem chamou o ar emitido de oxigênio. Ele reescreveu todo o tratado sobre química, e criou uma lista de elementos que usamos até hoje: Oxigênio, Hidrogênio, Enxofre.
- Conclusão: Priestley descobriu o oxigênio, mas foi Lavoisier quem o inventou. Então, com o trabalho experimental de Priestley sobre gases, com a descoberta do oxigênio e a articulação de um sistema de nomenclatura por Lavoisier, temos todo o esquema conceitual sobre o qual os trabalhos acadêmicos do século XIX se basearam: a inovação industrial do século XX, como a farmacêutica, a biotecnologia, os telefones celulares e o plástico. Todas essas coisas começaram com a descoberta do oxigênio.
2.      TEORIA ATÔMICA: a descoberta do átomo.
- No início do século XIX, John Dalton (Reino Unido, 1766-1844), demonstrou com um experimento que os elementos conhecidos, como o Oxigênio, o Hidrogênio e o Carbono, se combinavam em proporções definidas e constantes. A partir de seus cálculos, ele supôs que os elementos devessem ser constituídos de pedaços menores e invisíveis de matéria, com pesos relativos e distintos. Ele chamou esses pedaços de matéria de átomos.
- Embora a ideia de átomo remonte ao filósofo Demócrito, a grande descoberta prática de Dalton foi o que ele chamou de “pesos relativos das partículas fundamentais ou pesos atômicos”. Ele tornou uma ideia útil. A partir do seu trabalho, Dalton desenvolveu a Teoria Atômica, um novo e revolucionário sistema que definia as relações entre os átomos e os elementos. Um sistema simples que mostra os elementos, seus pesos e as moléculas mais complexas. Ele conectava as coisas que os químicos podiam fazer, pesava as substâncias em balanças e as relacionava com as outras invisíveis. O mundo fundamental dos átomos era genial, e a importância da sua descoberta foi ajudar os cientistas a revelar os mistérios do mundo molecular e atômico.

3.      ÁTOMOS SE AGRUPAM EM MOLÉCULAS: o agrupamento de átomos.
- No início da década de 1800, o químico Louis Joseph Gay-Lussac (França, 1778-1850), conduzia uma série de experimentos projetados para estudar a Teoria Atômica de Dalton. Enquanto ele combinava volumes iguais de gases diferentes, e media suas reações, os gases geralmente produziam o dobro do volume esperado.
- A resposta para isso veio em 1811, com Amedeo Avogadro (Itália, 1776-1856). Na época, acreditava-se que os gases eram feitos de átomos únicos. Mas, Avogadro percebeu que essa hipótese estava errada, pois os gases são feitos de múltiplos átomos, que viriam a ser conhecidos como moléculas.
- Nasceu a compreensão de que os átomos podem ser recombinados para formar moléculas, uma reviravolta que permitiu aos cientistas sair da “Era das trevas da Química” e começar a criar sistematicamente novos compostos.

4.      A SÍNTESE DA URÉIA: do inorgânico para o orgânico.
- Essa outra grande descoberta ocorreu no século XIX, quando muitos químicos acreditavam que as substâncias orgânicas das coisas vivas (organismos) eram de alguma forma diferente das substâncias inorgânicas (das coisas não vivas). Mas, isso estava prestes a mudar. Em 1828, Friedrich Wöhler (Alemanha, 1800-1882) colocou duas substâncias químicas inorgânicas (o cianeto de potássio e o sulfato de amônia + calor) em uma proveta, que produziu ureia (orgânico).
- Precursor no campo da química orgânica, Wöhler é famoso por sua síntese do composto orgânico ureia (sem um rim). Mediante sua contribuição se demonstrou, ao contrário do pensamento científico da época, que um produto dos processos vitais (orgânico) pode ser obtido em laboratório a partir de matéria inorgânica.
- A fabricação artificial de ureia é uma grande descoberta porque ela rompeu limites e derrubar barreiras: a base fundamental, os componentes que constituíam toda a matéria orgânica e inorgânica eram os mesmos átomos.

5.      ESTRUTURA QUÍMICA: o poder combinatório dos átomos.
- Os átomos de elementos específicos, como o Sódio e o Cloro, se agrupam em proporções fixas. Este poder combinatório dos átomos inspirou August Kekulé (Alemanha, 1829-1896) a desenvolver um sistema de visualização da estrutura química de várias moléculas.
- Kekulé representava os átomos por seus símbolos, e então adicionava marcas para indicar como eles se uniam entre si, como elos em uma cadeia. Era uma fórmula simples, mas elegante. Os químicos agora dispunham de um modelo para ilustrar com clareza as estruturas químicas das moléculas que estavam estudando.
- Havia apenas um problema, a Benzina era o único elemento conhecido que não se adequava à fórmula de Kekulé. Sua cadeia de átomos de Carbono e Hidrogênio exigia uma combinação maior do que a fórmula permitia. Foi através de um sonho com uma cobra que o próprio Kekulé propôs uma estrutura hexagonal benzênica (em forma de círculo) diferente das suas fórmulas de cadeias abertas.
- Com a confirmação disso, o efeito foi revolucionário. Os químicos sabiam que todas as substâncias orgânicas continham um ou mais átomos de carbono em suas moléculas. Com as fórmulas de Kekulé, passaram a dispor também das fórmulas fundamentais para explicar como o Carbono se combinava com outras moléculas para formar um mundo de compostos químicos. Nascia então a era moderna da Química Orgânica.
- Partindo de uma imagem tão simples, uma cobra mordendo o próprio rabo, ela foi considerada uma grande descoberta porque era uma fórmula para novas drogas, novos remédios ou um novo entendimento. Se voltarmos no tempo, à época de Dalton, havia algumas centenas de compostos, logo, alguns milhares, e depois uns 10 mil. Logo já havia 100 mil e, recentemente, 15 milhões de novos compostos foram registrados! Todos com base nesse modelo simples, uma obra de gênio.

6.      TABELA PERIÓDICA DOS ELEMENTOS: como apresentar os elementos conhecidos? Como ordenar todas as coisas do mundo?
- Em 1869, um professor de química russo, Dmitri Mendeleiev (Rússia, 1834-1907), passou a imaginar como poderia explicar melhor os apenas 63 elementos conhecidos naquela época. Foi ele quem inventou a Tabela Periódica de Elementos, uma espécie de “mapa”, preciso, que mostrava como todos os elementos estavam ligados uns aos outros. Tanto é que, o elemento de número 101, foi nomeado Mendelevium (Md) em sua homenagem e inspiração.
- Na verdade, houve um pouco de controvérsia nessa história, porque um químico alemão, Julius Lothar Meyer, tivera praticamente a mesma ideia de periodicidade, mas não teve tanta coragem assim. Então Meyer acabou não fazendo as mesmas previsões que Mendeleiev fez. Aqui vemos o poder de uma previsão bem arriscada para fazer as pessoas aceitarem uma teoria. “Não há nada mais poderoso do que fazer uma previsão que não seja óbvia e, daí, torná-la real”!
- A “Tabela Periódica dos Elementos” é o nosso grande ícone, pois é o que nós associamos à Química. Em qualquer sala de química é possível ver uma. Ela é significativa porque ela mudou para sempre a forma como todos aprendem e compreendem os elementos.
- A “Tabela Periódica dos Elementos” está para a Química como as notas musicas estão para uma sonata de Ludwig van Beethoven.

7.      A ELETRICIDADE TRANSFORMA AS SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS.
- Na virada do século XIX, a eletricidade estava em alta. As pessoas se dedicavam a fazer baterias e as conectavam a quaisquer coisas só para vê a reação. Ela era como uma nova espécie de fogo.
- Um dos grandes viciados em baterias da época era Humphry Davy (Químico Inglês, autodidata, 1778-1829), que fez um experimento e descoberta fantásticos. Em 1807, Davy derreteu um pouco de bicarbonato de potássio, um mineral encontrado no solo, que também constitui as cinzas da madeira. Os químicos especulavam que o bicarbonato de potássio era um composto formado por diversos elementos, mas não conseguiam prova isso. O que Davy queria era vê se a eletricidade continha a resposta. Então ele instalou alguns fios vindos de uma das baterias maiores ao carbonato de potássio derretido e o potássio puro começou a surgir. O que descobriu? O poder da eletricidade de reagir com as substâncias químicas e transformá-las. Consequentemente, a eletroquímica levou ao surgimento da indústria do alumínio, à produção de semicondutores, painéis solares, mostradores digitais e até as baterias de lítio recarregáveis.

8.      OS ÁTOMOS POSSUEM ASSINATURAS DE LUZ.
- Na década de 1850, Robert Bunsen (Alemanha, 1811-1899) e seu assistente de pesquisa, Gustav Kirchhoff (Alemanha, 1824-1887), conduziram uma série de experimentos para determinar por que as substâncias emitiam cores específicas quando colocadas em uma chama.
- A cor, segundo eles, indicava quais elementos estavam presentes naquela substância. Por exemplo, se o sódio fosse colocado na chama, observavam-se tons de amarelo. Cobre, tons de verde. Estrôncio, tons de vermelho.
- Bunsen e Kirchhoff se inspiraram em um prisma e partes de um pequeno telescópio, eles construíram o primeiro espectroscópio (aparelho que produz e examina espectros para observação visual): um dispositivo analítico que poderia ajuda-los a vê os espectros gerados pelas substâncias aquecidas, visualizando a reação dos elementos queimados. Eles conseguiram descobrir dois novos elementos, Césio e o Rubídio. Descobriram também a presença do Sódio no Sol. Era a química dos astros.
- Hoje, o legado dessa grande descoberta está na exploração espacial. Um tipo de espectroscópio está sendo utilizado para estudar a atmosfera de outros planetas, para procurar sinais de água e de vida.

9.      O ELÉTRON: elétrons formam ligações químicas.
- Tudo o que vemos é formado por substâncias químicas. E todas estão ligadas por interações eletrônicas.
- Quem descobriu o elétron foi Joseph John Thomson (Reino Unido, 1856-1940). Alguns anos depois, um de seus alunos, Ernest Rutherford (Nova Zelândia, 1871-1937), demonstrou a carga positiva em átomos. Assim, os prótons têm carga positiva e os elétrons, carga negativa.
- No início do século XX, o químico norte-americano Gilbert Newton Lewis (EUA, 1875-1946), desenvolveu um modelo de átomo que explicou que os elétrons e as ligações químicas dos átomos não estavam no núcleo, mas que os elétrons orbitam em camadas ao redor do núcleo. Lewis teorizou que dois elementos químicos podiam se combinar para formar um composto quando sediam ou aceitavam elétrons de seus orbitais externos. Por exemplo, sozinhos, o Sódio e o Cloro são perigosos, mas, quando um único átomo de Sódio sede um elétron de sua camada e a última camada de um átomo de Cloro o aceita, essa troca permite que os dois se liguem e formem o Cloreto de Sódio (o sal de cozinha).
- A teoria de Gilbert Lewis constituiu um avança extraordinário. Ele permitiu que os cientistas começassem a fazer compostos químicos, milhões deles. Compostos que moldaram a face da vida moderna.

10.  RADIOATIVIDADE: e as reações nucleares.
- Essa descoberta começou na década de 1890, com uma radiação até então desconhecida – o raio X. Ela causou sensação, e os cientistas começaram a procurar imediatamente outras substâncias que emitiam aquelas estranhas e talvez valiosas formas de radiação.
- O médico francês Antoine Henri Becquerel (França, 1852-1908) foi o primeiro responsável pelo avanço significativo dessa descoberta. Em 1896 ele conduziu uma série de experimentos para verificar se vários minerais emitiam radiação, entre eles o Urânio.
- Depois de Becquerel, sua pesquisa sobre a radioatividade foi levada adiante por Marie Curie (Polônia, 1867-1934) e seu marido Pierre Curie (França, 1859-1906). Ambos assumiram a tarefa de isolar quaisquer elementos responsáveis pela radioatividade do minério de Urânio. Eles isolaram os elementos Rádio e Polônio.

- Foi a natureza atômica da radioatividade que atraiu o interesse do físico Ernest Rutherford (Nova Zelândia, 1871-1937), de quem já falamos na descoberta do elétron. Ele descobriu que o material radioativo passava por um processo natural de decadência. Ao se mover durante o processo, a radioatividade emitia naturalmente partículas instáveis e altamente carregadas de energia com o poder de penetrar a matéria. Ele as chamou de partículas alfa e beta e de raios gama
- Desde essas descobertas, aprendemos muito sobre a radioatividade, seus perigos e seus benefícios. Ela nos deu os diagnósticos por imagem, um tratamento para os tumores, um método de calcular a idade da Terra e uma fonte de energia para que as espaçonaves explorassem o sistema solar. Até mesmo alguns detectores de fumaça contém uma pequena quantidade de material radioativo, chamado Amerício (que ajuda a criar uma corrente elétrica estável, quando as partículas de fumaça rompem essa corrente o alarme dispara).

Um pouco sobre os Alquimistas e Químicos...
- Séculos atrás os Alquimistas tinham grandes ambições: eles procuravam a riqueza infinita e a imortalidade por meio de transformações milagrosas da matéria. Acabaram inventando instrumentos úteis e objetos de vidro.
- Os químicos, por sua vez, foram mais humildes, e acabaram mudando a aparência do mundo material com uma fantástica descoberta...
11.  PLÁSTICOS: resistentes e flexíveis.  
- Na década de 1860, o tipógrafo americano John Wesle Hyatt (EUA, 1837 - 1920) é conhecido principalmente por ter simplificado o processo de produção de celuloide, o primeiro plástico industrial. Ele descobriu uma forma de explorar as longas e intricadas moléculas de celulose, encontradas naturalmente nas plantas.
- Em 1910, o químico belga Leo Hendrik Baekeland (Bélgica,1863-1944) fez a baquelite (é uma resina sintética, quimicamente estável e resistente ao calor, que foi o primeiro produto plástico), um polímero sintético. Ele é considerado o pai da Indústria do Plástico.
- Ele misturava coisas e sabia muito bem como explorá-las. A partir das duas substâncias químicas derivadas do carvão, Baekeland descobriu o primeiro plástico totalmente sintético. E o cenário do século XX mudaria para sempre.
- Plásticos são polímeros. E polímeros são longas cadeias de moléculas (que não são individuais e então se agrupam no sólido ou algo assim) que se prolongam bastante. Cadeias de átomos de Carbono. E uma de suas grandes vantagens é que ele é moldável. Você pode torná-lo em forma líquida, dentro de algum molde e de alta resistência. Em termos de fibras, ele pode imitar e até superar as propriedades das fibras naturais. Nenhum pescador do mundo voltaria a usar redes feitas de algodão, pode apostar. Hoje, elas são feitas de náilon.
- Como produto da evolução cultural, o plástico é fruto da criação humana. É uma extensão da química. É uma forma de o humano tentar exercer controle sobre o ambiente. Estes se tornaram os materiais estruturais da nossa civilização: viscose, náilon, polímeros, polietileno, plexiglass (acrílico ou polimetil-metacrilato é um material termoplástico rígido, transparente e incolor; também pode ser considerado um dos polímeros mais modernos e com maior qualidade do mercado)... Os polímeros são um exemplo da criatividade humana dentro da química. 

12.  FULERENOS: resistentes e flexíveis.  
- São moléculas estruturadas na forma de “gaiolas”, ou seja, elas têm a forma fechada em si, constituídos por uma rede.
- São uma forma alotrópica do Carbono, a terceira mais estável após o diamante e o grafite. Tornaram-se populares entre os químicos, tanto pela sua beleza estrutural quanto pela sua versatilidade para a síntese de novos compostos químicos.
- Os Nanotubos de Carbono ou NTC são membros da família estrutura do fulerenos, altamente duros e resistentes. A fibra mais forte que se pode produzir a partir de outra coisa. É a ciência da nanotecnologia que promete construir coisas a partir do zero. Uma revolução industrial dos dias modernos. É a capacidade de montar os elementos fundamentais atômicos e moleculares da natureza para criar uma nova geração de produtos e aplicações que são mais fortes e mais precisos. Será esse o novo domínio da química, a nova esfera dessa ciência?
- Passaram-se apenas dois séculos, desde o tempo em que os átomos eram apenas uma mera hipótese à eminência de podermos quebrar átomos e moléculas e construir uma nova tecnologia, com fantásticas possibilidades. Essas grandes descobertas ajudaram a fazer isso acontecer, explorando sobre as superfícies das coisas, no interior do mundo da química, e mudando o mundo...

Aquele Abraço!
Profº Neilton Lima.