Perguntas & respostas críticas em Educação.
Como atuar de modo crítico no campo
pedagógico?
Como ser um professor que, ao agir,
desenvolve uma prática de caráter crítico?
Obra: "A Paixão da Criação" do russo Leonid Pasternak (1915): foco
no lado visceral da criação — um esforço diário marcado por dúvidas,
concentração profunda e exaustão. Criar exige muita dedicação e esforço!
É possível fazer a revolução social
pela revolução educacional, isto é, através da escola? Realidade ou utopia? É
possível transmitir conteúdos mais complexos para as bases populares sem
empurrar o professor para os aspectos da escola tradicional? A escola pública,
no contexto da sociedade capitalista atual, possui, de fato, a capacidade de
gerar emancipação antes que ocorra uma revolução estrutural na sociedade?
Quando e como a escola pode atender aos interesses dos trabalhadores?
Perguntas pedem respostas assim como problemas
exigem boas soluções. O risco da pergunta crítica é o de não oferecer uma ação
concreta como solução. Questionar sem agir é correr o risco de se tornar um
crítico-reprodutivista. Isto é, uma pessoa que se revela capaz de fazer a crítica do existente, de até
explicitar os mecanismos do existente, mas não tem proposta de intervenção
prática, isto é, limita-se a constatar e, mais do que isso, a constatar que é
assim e não pode ser de outro modo. Até faz bem a crítica do existente, mas não
o ultrapassa nem o supera porque não tem ou não apresenta alternativa ou algo
melhor para colocar no lugar.
O
principal problema que os educadores enfrentam, ontem e hoje, é o de afundarem
em uma teoria crítico-reprodutivista que não pode oferecer resposta às questões
supracitadas. Segundo essa
teoria, é impossível que o professor desenvolva uma prática crítica; a prática
pedagógica situa-se sempre no âmbito da violência simbólica, da inculcação
ideológica, da reprodução das relações de produção. Para
cumprir essa função, é necessário que os educadores desconheçam seu papel;
quanto mais eles ignoram que estão reproduzindo, tanto mais eficazmente eles
reproduzem. Consequentemente, não há como ter uma atuação crítica, uma atuação
contrária às determinações materiais dominantes; o professor pode até desejar isso, mas é um desejo
inteiramente inócuo, porque as forças materiais não dão margem a que ele se
realize.
Qual ou quais as saídas possíveis?
·
Abordar
as questões educacionais em termos dialéticos;
·
Estar
atento a tudo que acontece na escola a fim de evitar que se inculque a ideologia
burguesa e recalque a ideologia proletária, ou seja, a tudo aquilo que atua
sobre os trabalhadores de modo a enfraquecer a visão ideológica que eles trazem
de sua própria classe;
·
Apostar
na luta de classes, na revolução e na ação cultural como
um trabalho que precede a mudança da estrutura social; e à revolução
cultural como um trabalho que se desenvolve após a mudança da estrutura
social;
·
Analisar
a educação como um processo contraditório (e é no movimento e no
processo histórico que as contradições se explicitam). Daí entender que mesmo o
aspecto reprodutor da educação é contraditório e não mecânico;
·
Acreditar
que a transformação da estrutura social passa pela escola;
·
Admitir que a escola pode ser um instrumento
do proletariado na luta contra a burguesia: a ideologia proletária, a cultura
proletária, sua resistência, autonomia e consistência também dependem de
processos de escolarização além dos movimentos da prática e das lutas
populares;
·
Ser movido/a pela necessidade de criar
alternativas, e não apenas fazer a crítica do existente;
·
Relacionar
política e educação de modo dialético, isto é, superar o “politicismo
pedagógico” que dissolve a educação na política, bem como o “pedagogismo
político” que dissolve a política na educação;
·
Ter
competência técnica dentro de um compromisso político. Isto é, entender que a
função política da educação se cumpre pela mediação da competência técnica.
Para realizar essa função política de forma transformadora, é necessário
possuir competência pedagógica e dominar os processos internos ao trabalho
pedagógico. A escola cumpre sua função política quando exerce bem sua
contribuição pedagógica, ou seja, o papel político da educação se cumpre quando
se garante aos trabalhadores e dominados o acesso ao saber, ao saber
sistematizado, de forma crítica.
Em
suma, a educação tem uma função política no sentido de encontrar saídas
equilibradas para a questão pedagógica na base de uma valorização da escola
como instrumento importante para as camadas dominadas. Essa função da educação é
contraditória e, portanto, a classe dominante se empenha em colocar a educação
a seu serviço, ao mesmo tempo em que as classes dominadas, os trabalhadores,
buscam articular a escola tendo em vista os seus interesses.
Enfim, diante do exposto, precisamos de 02 coisas básicas para ser um educador crítico e fazer uma educação crítica: o desejo coletivo e as condições materiais para realizá-lo. Alguém que tenta fundar o trabalho pedagógico à base da perspectiva histórica.