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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988; & Artigo 3º, inciso II, da LDB - Lei nº 9.394/1996).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138). "Não existe revolução real sem esclarecimento do público pelos especialistas" (Jessé Souza, p. 123).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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21/08/2026

Alexandre, o Grande!

- Defesa da Democracia! A maior parte dos candidatos deveria defender a Democracia, não atacá-la. Afinal, é a própria via pela qual tem o direito de ser candidatos. O que essa gente tem na cabeça? Sistema! 

- Xandão, a expressão da Soberania Popular! O espetáculo a que estamos assistindo no STF é uma picuinha de um colega de trabalho tentando prejudicar o outro, visando interferir nas eleições de 2026 e a fim de desgastar uma campanha e impulsionar outras. No final das contas, prevalece o veredicto que é dado pelo povo, nas urnas. Não se pode desqualificar o trabalho de Alexandre de Moraes que, como qualquer outro ministro, passa, mas a vontade popular permanece e prevalece. O magistrado resistiu às agressões, comandou a eleição de 2022, chancelou a posse do candidato vitorioso nas urnas (Lula) e, depois de garantida a transição de poder, ainda condenou à cadeia o capitão e seus comparsas por atentarem contra a democracia, barrando a intentona autoritária. Não é pouca coisa! Um verdadeiro fiscal da Lei e protetor dos direitos da sociedade! Será o próximo presidente do STF no ano que vem (2027), por isso o incômodo do coleguinha e sua trupe. Trata-se de uma das autoridades mais influentes e importantes do País!!!

- A Polícia Federal (PF) investiga um possível esquema de engajamento artificial na campanha de Augusto Cury. Segundo a PF, há suspeita de que cerca de 40 páginas teriam participado de uma ação coordenada para impulsionar seguidores no perfil do candidato. Entre elas, 04 páginas principais “Alfinetada”, “Alfinetei”, “Babadeira” e “Diferentona”, que somam juntas 43,7 milhões de seguidores, estão na mira de um inquérito no STF sob a suspeita de terem sido contratadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro para promover ataques ao Banco Central (BC) em razão da liquidação do Master. Por trás das propostas um tanto excêntricas, há uma estrutura profissional de campanha. E não só: esses 04 perfis fizeram 20 publicações com textos e até imagens muito semelhantes, citando Augusto Cury, somando aí milhões de interações. Crescimento espontâneo ou compra de seguidores? A Lei brasileira prevê punições para a manipulação digital com finalidade eleitoral – a legislação estabelece que o único tipo de propaganda eleitoral paga permitida nas redes sociais é o impulsionamento contratado diretamente com as plataformas. Fora isso, a compra de espaço, contratação de influenciadores, qualquer outro modo de amplificar a repercussão de um candidato nas redes sociais são absolutamente proibidos. Enfim, se "o sucesso é mais difícil de trabalhar do que o fracasso" (Livro: "O Vendedor de Sonhos", do próprio Cury), saberemos se ele vai conseguir se consolidar como alternativa ou se vai murchar tão rapidamente quanto cresceu. O certo é que será cobrado  a explicar melhor a receita de autoajuda digital que o transformou no fenômeno do momento das eleições. Afinal, quem não é transparente tem uma dívida impagável consigo mesmo!

- Senado aprova Projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (entre eles, as Terras Raras, 17 elementos estratégicos para vários setores da economia, como o Lítio e o Nióbio). Importantes na fabricação de baterias de celular e de carros elétricos, produção de ligas metálicas mais resistentes, produtos aeroespaciais, equipamentos eólicos, indústrias de smartphones, drones... O Brasil possui a 2ª maior reserva do mundo, atrás apenas da China. O objetivo da Lei é evitar que o País seja apenas um grande exportador de matéria-prima, e possa desenvolver produtos com maior valor de Mercado. Pelas novas regras, serão destinados R$ 5 bilhões em créditos tributários para as empresas do setor mineral. O Projeto também cria o FGAM (Fundo Garantidor da Atividade Mineral), com recursos federais de até R$ 2 bilhões, para financiar os negócios. É preciso incentivar as empresas, mas com limites na exploração! Desde a retirada desses minérios da natureza até que se transformem em produtos industrializados, são várias etapas. As empresas que investirem nesse processo terão direito ao acesso a linhas de financiamento com condições mais vantajosas. Há outro fundo com recursos das próprias mineradoras, que vai financiar pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. O Projeto ainda cria um “Conselho Nacional” (a maior parte, composta por membros do Governo Federal), que ficará responsável de aprovar fusões, aquisições, entrada de capital estrangeiro e outros movimentos de mercado. Representantes das mineradoras não podem ditar as regras, pois precisamos de soberania – segurança para as pessoas e desenvolvimento para o País! Enfim, por uma TerraBrás!!! 

A rotul(ação).

O rótulo justifica a ação?

Assédio: novas estratégias, velhas intenções...

Ao designar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) de organizações terroristas (a partir de 5 de julho), Donald Trump busca na manipulação da linguagem a justificativa para interferências em solo brasileiro, sob pretexto da libertação dos moradores de áreas controladas por milícias e pelo crime.

O crime organizado se transformou em um fenômeno transnacional, infiltrado na economia e na política. Por essa via, a extrema direita tenta abrir caminho para intervenções armadas, facilitar deportações, livrar a pele de comparsas e criar riscos de sanções ou premiações contra/a favor de pessoas, empresas e bancos pelos quais passe dinheiro. 

A legislação brasileira (Lei 13.260/16) diz que para um ato ser considerado terrorista, ele precisa envolver violência ou ameaça e também ter sido cometido "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião". Como PCC e CV atuam tendo em vista o ganho material, não há como falar em terrorismo. 

O conflito começa na mente, em campo simbólico, para depois ganhar o terreno físico. É o estilo hollywoodiano pervertido do Tio Sam fazer guerra. Contando com uma Suprema Corte de maioria conservadora, Trump manipula o voto, abala qualquer trajetória eleitoral com versões desencontradas ou mentiras e vem vandalizando as instituições democráticas dos EUA. E não só por lá...

As Eleições 2026 aqui no Brasil não é de Lula x Flávio Bolsonaro. A disputa polarizada é de Lula x Donald Trump, um radical orgulhoso do próprio extremismo, imprevisível e destrutivo. Qualquer chapa que dispute contra Lula, ela estará travestida de Donald Trump. Nossos maiores rivais nas urnas são os republicanos sul-americanizados. 

Os EUA querem o Brasil de qualquer jeito e a qualquer custo... Não o terão!

20/08/2026

Zumbi


O que se passa na sua cabeça?

Ah, é aquela velha coisa ruim...


Eles estão brigando

Com seus tanques e suas bombas

Eles estão chorando

Eles estão morrendo


Quando a violência causa silêncio

É porque estamos enganados!

REDAÇÃO I, 2026.

 As Contradições dos EUA.

As 13 colônias britânicas tornaram-se independentes em 1776, depois de muita resistência de seus colonos. Suas lutas foram fundamentadas em princípios iluministas, que fizeram surgir o Estado Liberal como “a verdade econômica”. Todavia, 250 anos depois, o que os 50 estados e o Distrito Federal dos Estados Unidos da América não aprenderam com a sua própria história dita republicana?  

No curso da história, o foco de exploração foi sendo alterado pelos exploradores de riquezas. A princípio, estava centralizado nas commodities, depois passou a ser o comércio, adiante a terra e em seguida chegou no “trabalho humano”. Atualmente, quem domina a tecnologia e os centros de informação tenta controlar todos os focos anteriores e se impõe no mercado e no mundo - são as gigantes tecnológicas e de semicondutores da fase atual do capitalismo financeiro e digital.

Sabemos que o liberalismo econômico é a cartilha do capitalismo, que condena o controle estatal e aposta na exploração do trabalho como fonte de riqueza. Para isso, aplica o racionalismo na produtividade através da concorrência, da divisão do trabalho e do livre-comércio, prometendo uma coisa que não vem se consolidando – o equilíbrio social. A alta concentração de renda pela formação de nichos fechados de bilionários e trilionário, por um lado, e um sistema frágil de seguridade social e má distribuição de renda do outro, escancara as desigualdades sociais produzidas pelo sistema de classes. Esses são os atuais EUA... 

Ora, uma nação que encorajou e valorizou as experiências individuais, mas deixou de lado o princípio da igualdade entre as pessoas. Que deu exemplo de superação dos laços de sujeição e valorização das ciências, mas cujo progresso alcançado tem concentrado tecnologia a serviço da espionagem, do poderio bélico, da tomada de recursos alheios, da monopolização do comércio global e do controle espacial. Que é o berço da democracia na América e exemplo dos movimentos emancipacionistas, mas que nos primórdios de sua nova república ficava restrita às decisões de homens comerciantes e latifundiários, tradicionalmente brancos, ingleses ou descendentes. Que tem uma das mais sólidas e concisas Constituição, mas ainda prega o negacionismo, a barbárie e a negação de direitos. 

O próprio país que lutou para tornar-se independente de taxações abusivas e leis intoleráveis dos ingleses, hoje tenta aplicar tarifaços excessivos a parceiros comerciais. O mesmo país que foi formado por nativos indígenas asiáticos miscigenados com estrangeiros africanos escravizados e europeus, hoje levanta muros xenofóbicos e tentam aplicar uma política intolerante à imigração. A mesma nação que nasceu defendendo os princípios da liberdade, da autodeterminação, da vida, da segurança, da livre expressão, do espaço privado e da felicidade, provoca ou financia guerras mundo a fora, tentando violar a soberania de outras nações e impor a homogeneização de seus valores aos diferentes povos. O país que faz intervenções bélicas em outras nações alegando a contenção do enriquecimento de urânio é também a nação que ocupa o segundo lugar em arsenal de ogivas nucleares e o primeiro no ranking de poluição global. 

Apesar dos EUA serem uma potência tecnológica e cientificamente avançada, com uma aparente separação entre Ciência e Teologia, suas alas conservadoras ainda desejam ensinar a Bíblia nas escolas em pleno século XXI, mostrando o quão essa Ciência não foi liberada da ficção. Pairou aí, graças ao liberalismo (natural, selvagem, radical, original) uma ideia mística sobre a Natureza e seu poder transformador. Uma visão radical que alimentou espíritos vazios e niilistas, dos mais revolucionários radicais aos mais omissos e submissos. 

Tudo isso mostra que a liberdade pode ser perigosa se entendida como um conceito irrestrito, puramente político-ideológico e econômico, desvinculado do compromisso ético e existencial. Vale dizer um populismo anti-institucional e anti-sistema. Imagine um grupo livre e frustrado pela recessão, pela insegurança e pelo desemprego, formado por gente ignorante que, em nome da sua suposta liberdade individual, promove comícios com seguranças armados, retórica racista, misógina e homofóbica, estimula a formação de milícias, rotula e condena medidas e programas sociais como “tirania socialista” ou "comunista" e fala até em uma nova guerra civil. Uma liberdade individual dessas, sobreposta ao Estado, como possibilidade do indivíduo decidir, por si próprio, onde e como deve aplicar seus recursos, priorizando a esfera privada em relação à esfera pública, e a primazia dos interesses pessoais sobre os interesses coletivos, é uma liberdade fantasiada de patriota ignorante – e esperto, com disposição a cometer suicídio democrático ao atacar o próprio voto e as urnas em nome da liberdade de abusos e excessos. Ela existe nos EUA (trumpismo), e por aqui ficou bastante conhecida como “bolsonarismo” ou o populismo averso da extrema direita. 

Enfim, dentro da lei, ninguém é livre para suprimir ou violar a liberdade de outros! Um governante deve estar a serviço dos governados, e não o contrário. Caso não cumpra sua função, é legítimo que os cidadãos se levantem contra ele, nas ruas e nas urnas. Afinal, se há alguma soberania ela deverá ser popular e com qualidade, sem ser negociada, onde a liberdade caminha de mãos dadas com a responsabilidade, a igualdade, a justiça, a Constituição e a Democracia. Caso contrário, esses são os EUA a quem não queremos pertencer e muito menos nos tornar!

19/08/2026

REDAÇÃO II, 2026.

Um Projeto Modernizador para o Brasil. 

O Brasil está em desenvolvimento, situado no capitalismo periférico. Séculos de subordinação colonial e de dependência estrangeira geraram entraves à modernização do país. Isso nos coloca na necessidade de um Projeto de Nação que supere obstáculos históricos, promova desenvolvimento social presente e estabilidade futura.

Inspiração de boas propostas ou metas de superação do atraso podem ser extraídas de países como a Noruega, a Dinamarca e o Chile. Exemplos de forte distribuição de renda e eficiência em políticas públicas de bem-estar social, essas nações se destacam pelo alto índice de desenvolvimento humano que desejamos. Aliás, o Brasil vem caminhando nessa direção. Apesar da derrota na Copa recente para a seleção da Noruega, o país venceu ao voltar a ocupar o time das dez maiores economias do mundo, com IDH considerado dos mais elevados.

Claro que diante desse tema tão desafiador, que envolve vultosos investimentos e cifras de dinheiro público, interesses ambiciosos e divergentes colocarão esse Projeto entre a geração de renda social versus a geração de lucros privados e corporativos. Também colocará as cartas entre a política e a economia, em disputas por áreas se de investimento exclusivo de empresas nacionais e estatais ou de exploração da iniciativa privada via privatizações. Nessa ceara entraram, por exemplos: o silenciado Pré-Sal e a barulhenta polêmica atual de exploração de petróleo na Margem Equatorial da Bacia da Foz do Amazonas; o Plano Safra e as acirradas disputas por linhas de crédito ao agronegócio ou a Agricultura Familiar, se pelo Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES ou os Bancos Privados; também a questão da mobilidade, se para o transporte público coletivo ou os megaprojetos logísticos de construção de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos para exportação de commodities; ou ainda a questão da moradia no Brasil, se se alimenta a ganância voraz dos aluguéis do setor imobiliário ou a linha de crédito para compra ou reforma da casa própria. E por aqui se adentram outras disputas público-privadas em áreas estratégicas de educação, saúde, segurança, recursos minerais e energéticos, cultura, ciência e tecnologia, etc. 

Desse modo, qualquer promessa de modernizar o Brasil implica deixar claro o que se entende por "modernização". Se for a diminuição do papel do Estado, a defesa do livre mercado, privatizações, fim dos subsídios, a abertura para importações ou a entrada de grande volume de mercadorias importadas a preços baixos ou o estímulo às compras no exterior (o que faz a atividade industrial nacional despencar), o deslocamento de recursos da poupança para o consumo, a concessão do dinheiro público como benefícios a grupos privados, o violento corte nos gastos públicos com demissão de funcionários do governo e aumento generalizado de impostos e a gradual liberalização e livre negociação de salários... Nesse nível, presidentes de estatais acabarão sendo pressionados a realizar negócios contraditórios aos interesses públicos da empresa e favoráveis a grupos particulares. Ora, isso não será uma "modernização", mas uma corrupção ou "adequação" do Brasil à nova realidade do neoliberalismo conservador mundial. O mercado vai gerar e concentrar riquezas para alguns (que terão maior poder de influência), mas a maioria dos extratos mais humildes da população sofrerá demissões, exclusões e dificuldades sociais. Que democracia é essa? Liberal ou social?

Tome como último exemplo a necessidade de industrialização e inovação nesse Projeto Modernizador do Brasil. Devemos abrir as fronteiras para as multinacionais se instalarem, permitindo a ligação unilateral entre o capitalismo nacional e o internacional como os EUA estão fazendo com o petróleo da Venezuela? Ou fazer uma política industrial multilateral que nos retire da posição de párias e meros exportadores de matérias-primas vendidas em dólar e importadores de máquinas e insumos para só produzir mais, com mão de obra barata e baixa ou nenhuma seguridade social e trabalhista? Aliás, as relações do mundo do trabalho também, e principalmente, estão nesse jogo. Precisamos olhar com mais carinho o BRICS e o MERCOSUL, bem como suas atuais tratativas de parceria com a Europa e a Ásia. Afinal, não será possível modernizar esse país com mera uberização, informalidade e a falácia do “empresário de si mesmo”, sem retirar os trabalhadores de jornadas exaustivas e baixa remuneração. É por isso que o fim da Escala 6x1 está em disputa entre as ideias conservadoras e liberais do Mercado Financeiro e as propostas do socialismo democrático.

Enfim, um Projeto Modernizador do Brasil entra em disputa por interesses divergentes. Uma modernização do País precisa estar alinhada com as metas globais de neutralidade de emissão dos gases de efeito estufa, focada na garantia de direitos e no fortalecimento das instituições democráticas, das capacidades estatais e da soberania nacional. Perpassa, assim, prioritariamente pela união, desenvolvimento, sustentabilidade e reais avanços sociais do povo brasileiro!

18/08/2026

REDAÇÃO III, 2026.

Ao 02 de Julho... 

Independência é projeto de igualdade e liberdade. 

A Independência do Brasil não é uma espada levantada ou um simples grito entoado há 204 anos atrás. Com retrocessos, permanências e avanços, ela é um projeto contínuo de liberdade e revoluções.

O que se comemora no dia 07 de setembro na verdade foi uma aliança de interesses entre realeza e elite dirigente, com disposição autoritária e absolutista de um lado, e comércio livre e capitalista do outro. Rompeu-se com o monopólio e a dependência política de Portugal, mas deixou o Brasil vulnerável a interesses hegemônicos da Inglaterra e outras nações. Herdamos uma estrutura hierárquica comandada por comerciantes, grandes proprietários rurais, traficantes de escravos e funcionários de alto prestígio, sem falar do legado cultural e simbólico, presentes não só no racismo estrutural como também no forte preconceito contra o trabalho manual, tido como desonroso e ocupação de desclassificados.

A memória da Independência do Brasil ainda é construída em cima de indivíduos especiais e heroicos, mas sabemos que sua verdadeira consolidação só se dará como obra coletiva de lutas e avanços sociais. Segundo dados de historiadores e especialistas, o Brasil de 1822 tinha aproximadamente 4,5 milhões de habitantes e 99% dessa população era analfabeta, com 5% apenas de idosos e expectativa de vida de 25 anos! Hoje, no século XXI, passamos dos 213 milhões de habitantes, com 4,9% de analfabetos e chegaremos a 40% de idosos até o final do século, com a atual expectativa média de vida de 76,6 anos. Estaríamos assim hoje sem revoluções de resistência pela autonomia e emancipação política, econômica e social?  

Tudo isso mostra que é preciso fortalecer a consciência nacional ou a identificação definida da soberania brasileira. Nenhuma Independência ocorre sem o desenvolvimento da autoconsciência política, econômica, cultural e ideológica, acompanhada da reivindicação de autodeterminação delas. Sem isso, a história revela aglutinações internas ou movimentos separatistas que acabam lutando pela substituição de um tirânico por outro, tornando a independência um fenômeno social incompleto. É preciso ir além, e avançar essa espiral de liberdade e democracia. Afinal, só a autonomia crítica aliada ao desenvolvimento social reunirão as gerações do caboclo, do sertanejo, do indígena, da mulher, do branco pobre e do negro marginalizado em novas e originais resistências para evitar neocolonizações.

Enfim, independência não é pacto político com tempero tropical de um príncipe absolutista e uma elite escravista e liberal. Não pode ser um acordo restrito e centralizado apenas aos grupos partidários dominantes. É pelo passado e pelo presente que a independência é um projeto contínuo de igualdade e liberdade do povo, movido por um sentimento nacional coletivo. Esse projeto só terá futuro se for uma arte da educação e da não violência de todos nós, o que implica engajamentos e superações - de "tarifaços", do comércio injusto, da concentração de riquezas e privilégios, da extrema direita, do neofascismo, da depredação do meio ambiente e da fome.

17/08/2026

REDAÇÃO IV, 2026.

 Eleições 2026...

A democracia brasileira é um processo contínuo de (des)construções. Em sua trajetória de consolidação por meio de periódicas eleições livres e diretas para o Executivo e o Legislativo, foi submetida a duras provas, como o Impeachment de Fernando Collor de Mello (1992), o Golpe que afastou Dilma Rousseff (2016) e os ataques criminosos aos Três Poderes no dia 08 de janeiro (2023).

Fernando Collor foi eleito prometendo modernizar o Brasil. Mas, sua proposta de modernização foi adequar o País à nova realidade do neoliberalismo mundial. O resultado foi desastroso: diminuição do papel do Estado, defesa do livre mercado, abertura para importações, privatizações e o fim dos subsídios. Com a nação entregue ao apetite voraz do mercado financeiro, o Brasil afundou em recessão, desemprego e graves dificuldades sociais. Graças ao papel da sociedade organizada e o uso do instrumento constitucional recentemente inaugurado, o Governo corrupto foi cancelado.

Outro exemplo infeliz ocorreu no segundo mandato da primeira mulher eleita presidenta da República, Dilma Rousseff. As armas da Democracia foram dobradas contra si e, por meio de um jogo interno de manipulações e interesses corporativos, forças conservadoras e de mercado entraram em conluio para levar o Congresso Nacional ao afastamento de quem foi legítima e democraticamente eleita. Em troca, uma (des)reforma trabalhista e um desmonte previdenciário que viriam a ocorrer no restante do mandato liderado por seu vice, o Michel Temer. Sob a alegação de supostas “pedaladas fiscais”, o país foi vítima de um golpe que levou a perdas de direitos trabalhistas e mais dificuldades de aposentadoria social.

Foi a própria Democracia quem saiu enfraquecida, e o pior estava sendo gestado. Com o apoio de bancadas conservadoras da igreja, do agro e do mercado estrangeiro, e pegando carona na febre das fake news das redes sociais e no sentimento de ódio anti-política e antissistema, foi eleito o pior dos retrocessos democráticos. A nação quase foi jogada a meio século de atraso, nos porões sombrios de uma nova Ditadura Militar. Mas, a democracia e suas instituições se mostraram resilientes, e evitaram a reeleição de um lunático e seu projeto entreguista. Todavia, seus apoiadores investiram no caos e na depredação do Congresso Nacional no dia 08 de janeiro de 2023, na intenção de tentar as Forças Armadas a intervirem na política, sob o consentimento de um plano rentável de crimes e novos golpes. Felizmente, não prosperou!

A Nova República submeteu o projeto de redemocratização do Brasil a duras provas. Embora os brasileiros tenham demonstrado superação e resiliências nas últimas décadas do século passado, talvez a maior das provas de resistência ainda esteja porvir ainda nesses últimos quatro anos que fecharão a terceira década do século XXI. Com uma Câmara e um Senado dando sinais de forte conservadorismo, alheios a projetos de interesse do povo, bem como figuras antipatrióticas que desejam entregar a soberania do País à chantagem política e econômica de outras nações (EUA e Israel)... A Democracia e suas Instituições serão novamente testadas nas Eleições de Outubro de 2026. 

Enfim, tendo aprendido com as experiências da história remota de um impeachment legítimo e a mais recente de um impeachment golpista, bem como uma reeleição presidencial que, felizmente, não veio, é preciso votar bem e resistir. Afinal, está nas mãos da população a responsabilidade de escolher o melhor caminho para o enfrentamento dos problemas sociais, como a distribuição de renda e a superação das desigualdades. 

15/08/2026

A mútua influência.

 Uma via de mão dupla... 

Gosto dessa obra de arte: “Desenhando mãos” (1948), do neerlandês Maurits Cornelis Escher. É único!

O artista assume o desafio de representar no papel bidimensional (2D) imagens tridimensionais (3D), e o processo criador é incrível! São produzidas imagens “impossíveis”, que desafiam o nosso cérebro sobre a percepção da realidade. Chega gerar um estranhamento!

Reparem bem, não são apenas duas mãos! São dois elementos que dependem um do outro para (co)existir. Lembra conexão e reciprocidade: a continuidade da construção do ser em uma relação de interdependência.

FONTE: https://www.wikiart.org/pt/maurits-cornelis-escher/maos-desenhando-1948

Na obra, uma mão parece desenhar a outra. A representação de um lápis em cada uma das mãos, que aparentam emergir da folha de papel, bem como a posição delas, contribuem para criar a impressão de que elas não estão apenas sendo desenhadas, mas também são responsáveis pela ação de desenhar. Os detalhes anatômicos das mãos conferem a ideia de tridimensionalidade e reforçam o fato de que as mãos estão em ação, desenhando-se mutuamente; as mangas da camisa e as abotoaduras, com traços de lápis, são elementos que reforçam a ideia de que as mãos estão em processo de criação.

Uma mão parece estar desenhando e, ao mesmo tempo, sendo desenhada pela outra, criando um ciclo sem fim. Como não estão definindo qual das mãos começou a desenhar a outra, já que uma depende da outra para existir, estamos diante de um paradoxo – um desafio à lógica tradicional de causa e efeito, criando uma ilusão visual que contraria as leis da realidade.

Onde há fumaça, há fogo. Se sai na chuva é para se molhar. Ora, parece que tudo é apenas um conjunto de “causa” e “efeito”, mas a realidade humana não se limita à mesma realidade da Natureza. Nossa complexidade também pode ser explicada pela dialética ou o fato de que transformamos e somos ao mesmo tempo transformados; criamos e ao mesmo tempo somos criados. Quando participamos de atos de trabalho e produção, também nos autoproduzimos. 

Enfim, nessa obra não há início nem fim, mas um ciclo infinito de criação e autorreferência, com total interdependência entre o criador e a criatura. Ela dá um tapa na razão ao tentar explicar a si mesma, acalentando sistemas que se criam e se mantêm de forma independente – autopoiese.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-OPdMofyDF0&t=61s 

O oposto pode se tornar seu próprio reflexo.


Outras obras...

White Cat I: https://www.wikiart.org/pt/maurits-cornelis-escher/white-cat-i 

White Cat II: https://www.wikiart.org/pt/maurits-cornelis-escher/white-cat-ii

14/08/2026

O trabalho de cuidado.

 Quem criou a discriminação e o preconceito de todos os tipos?

FONTE: https://www.flaticon.com/br/icone-gratis/cuidado_1430535

Trata-se de um produto das Classes Sociais, da desigualdade social, de nossas elites. Preconceitos e discriminações de gênero, de raça, de etnia, de nacionalidade, de sexualidade, etc. e tal, foram criados pela sociedade de classes para justificar o trabalho não remunerado e mal pago. O trabalho estigmatizado, estereotipado, inferiorizado, taxado de “indigno”.

Ora, se você é rotulado de inferior, para a elite a ti lhe caberia melhor ocupar-se com os serviços de assistência e atenção, como cuidar de crianças, idosos, pessoas com doenças ou deficiências física e mental. Também os afazeres domésticos diários de cozinhar, limpar, lavar, buscar água e lenha, consertar coisas e tal. Tanto que, os dados mostram, geralmente essas atividades relacionadas à reprodução da vida e da sociedade são assumidas, desproporcionalmente, por mulheres e meninas negras em situação de pobreza e/ou com pouca escolaridade formal.

A questão é: quem cuida de quem cuida? Empresas e governos, setores público e privado precisam ressignificar e valorizar esses segmentos. Afinal, se ninguém investisse tempo, esforços e recursos nessas tarefas diárias essenciais, comunidades, locais de trabalho e economias inteiras ficariam estagnados. Não foi exatamente isso que a Pandemia de Covid-19 também nos ensinou?! Ou já esqueceram? Esquecemos... 

02/08/2026

A Crítica da Servidão.

O homem está condenado a ser livre?

Ou é inocente para ser servo?

Os primeiros humanos eram servos da natureza ou servos de divindades mágicas idealizadas por eles.

Nas primeiras formas de organização social e econômica, não havia propriedade privada (da terra ou dos meios de produção) e nem classes sociais. O trabalho e os recursos eram divididos coletivamente entre o grupo ou clã, pois não havia excedente nem exploração. Ao ser servido pela natureza, o homem era servo de si mesmo.

A força do coletivo sobre a vida individual trouxe a servidão comunitária. A necessidade de prestar serviços ao coletivo, cuidando da agricultura, da pecuária, das obras públicas e da gestão da água ou das forças hidráulicas para sustentá-la. Ao servir o grupo ou Estado, o homem passou a experimentar a servidão coletiva.

A servidão de um homem a outro homem nasceu na transição do escravismo (séculos I a V) para o feudalismo (séculos V a XV), graças a formulações “jurídicas” e tributárias. O escravismo foi imposto pelo trabalho forçado na agricultura, no artesanato ou em grandes construções por prisioneiros de guerra ou envolvidos em dívidas. Essa base sustentava os homens livres. Quando ruiu, esses “escravos” fugiram para o campo em busca de abrigo e sobrevivência. Os grandes proprietários de terras passaram a oferecer proteção e lotes para cultivo em troca de obrigações e trabalho. O antigo escravismo deu lugar a um modo de organização político e social baseado nas relações entre senhor feudal e servos (Idade Média).

Também aqui se destacou (e se destaca até os dias atuais) o feitio de ordens religiosas que funcionaram (e funcionam) como grandes proprietárias de terras e de dízimos, exercendo controle e utilizando o trabalho de servos de maneira similar à estrutura senhorial feudal, mediante a arbitrariedade da fé cega. É a servidão religiosa.

Ao transferir esse poder de coerção pela posse da terra para a máquina estatal, os monarcas centralizaram as decisões, os impostos e as leis como se fosse “um poder divino”. A servidão a um rei só foi rompida pela nobreza que, para garantir seus privilégios, iluminaram novas formas de trabalho, arrendamento monetário, organização nacional e burocrática. Em vez de servir para o consumo local, passou-se a servir para a exportação. Produzir para exportar e acumular riquezas nas nações comerciais. O mercantilismo (séculos XV a XVIII) e os privilégios da nobreza foram substituídos pela livre iniciativa, leis iguais para todos e garantia de direitos individuais, graças a revoluções (francesa e inglesa, séculos XVII e XVIII). É a servidão ao comércio.  

O grande acúmulo ou concentração de riquezas e a geração de profundas desigualdades promovidas por esse modo de produção capitalista produziu imperialismos, causou crises, guerras e protestos contra o Estado Liberal e a aclamação de um estado de bem-estar, o Estado Social (século XIX). O Estado passou a intervir na economia e a garantir direitos sociais básicos (saúde, educação, previdência, leis trabalhistas, etc.). O homem passou a servir Cartas, Leis e Constituições. Um novo estado passou a combinar as garantias políticas e individuais do liberalismo clássico com a forte proteção de direitos sociais e a centralidade da constituição e da democracia.

Sem desejar largar o osso, as elites que experimentaram a centralização do poder no curso histórico apostaram no neoliberalismo (século XX: 1970/1980) como uma resposta à crise do Estado Social, propondo a redução do tamanho do Estado, privatizações e desregulamentação da economia. A ideia no novo liberalismo é retomar alguns princípios liberais adaptados ao cenário da globalização. É a servidão ao mercado financeiro. Para isso, utiliza aparatos midiáticos e industriais para captar a consciência e a capacidade de escolha das pessoas. É a servidão voluntária ou do desejo do servo em ser Senhor por meio da indústria, do capital, do ideal de “ser rico”, do entretenimento e do consumo.  Também com o acúmulo e desenvolvimento de tecnologias, o avanço das Big Techs, dos Data Centers e da IA, uma sociedade da Matrix, poder-se-ia teorizar a servidão às máquinas no alvorecer do século XXI.

E foi assim que chegamos aos dias atuais. O governo passou a ser visto como representante do povo ou da nação, e não mais dono do Estado. A democracia e o ideal de soberania popular é uma tensão dos nossos tempos, que ora esclarece ora confunde, recebendo tensão de todas as formas de servidão. O homem passou a ser servido ao servir - o meu Senhor é o povo. É o servidor público!

Enfim, são muitas as servidões e vários os senhores. A escravidão é o sonho da elite. Sua obsessão é disfarçar a servidão em novos rótulos. Se olharmos para a história da humanidade em geral, e a história do Brasil em particular (300 anos de escravidão e 21 anos de ditadura declarada), tivemos mais experiências autoritárias do que democráticas. Essa herança cultural violenta e maldita ajuda a explicar a nossa dificuldade em estabelecer a liberdade e a igualdade pelas relações não hierarquizadas do diálogo.

COMUNISMO PRIMITIVO – SERVIDÃO COMUNITÁRIA - ESCRAVISMO ANTIGO - FEUDALISMO – ABSOLUTISMO – MERCANTILISMO - ESTADO LIBERAL – DITADURAS -  CONSTITUIÇÕES – ESTADO SOCIAL – DEMOCRACIA – MATRIX.

01/08/2026

Ponto de não retorno.

 

Se você tira mais do que repõe, o dinheiro da poupança, por exemplo, um dia ela vai zerar. Se você poda uma árvore mais rápido do que ela brota, um dia ela vai tolher. Se você tira água de um lago mais do que a chuva cai nele, um dia ele vai secar. Se você tira a paciência de uma pessoa ou a sua energia de trabalho mais do que seu descanso, a saúde mental e física dela vai colapsar. Se você come açúcar ou ingere qualquer outra coisa mais do que o seu corpo é capaz de metabolizá-la, isso não é bom. E mais exemplos de volumes extraídos sistematicamente superiores à capacidade de recarga não faltariam...

Porém, os exemplos acima só se encaixam no “ponto de não retorno” se houver o comprometimento da capacidade de reposição de algo ou de alguma coisa, abrindo espaço para o irreversível. Isto é, se atingir o limite sem chances de regeneração (como vem ameaçando de acontecer com alguns biomas brasileiros). É o limite crítico além do qual voltar atrás é impossível, perigoso ou proibitivamente caro. Lembra daquela roupa branca que você deixou encardir? E da infância e adolescência que não voltam mais? 

Tudo bem que nada é para sempre. E que o pra sempre, sempre acaba. Mas, nada deve ser esgotado antes da hora. Então, o que você está fazendo enquanto o mundo está acabando? Só nós, tentando agarrar ao que já se foi? Ora, pior que não poder voltar atrás ou não conseguir ir adiante é não sobreviver sem saída. Após esse marco, a única opção segura é estagnar ou seguir em frente.

Enfim, se não houver um horizonte, e nem a vida for possível na sua própria estagnação, que é direção nenhuma, então é preciso apelar para o óbvio – evitar qualquer ponto que nos impossibilite de se recompor.

Abastecer humanos e máquinas.

 Quem pagará a conta pelo desenvolvimento tecnológico?

Não bastassem os 8,3 bilhões de pessoas para alimentar, o mundo ainda precisa abastecer robôs e máquinas, potenciais consumidores de recursos naturais.

A revolução da IA fez disparar a construção de “Data Centers” no mundo inteiro. Um Data Center é uma central ou processador de dados, local onde as informações são armazenadas, processadas e distribuídas. Segundo a ONU, a água utilizada por eles será o equivalente ao consumo de 1,3 bilhão de pessoas. Quase uma China! E o consumo de energia multiplicado por 3x (equivalente a 2 bilhões de pessoas abastecidas). Estamos preparados para isso? Sozinhos, os EUA têm +3 mil Data Centers em funcionamento e outros 1,5 mil estão em construção. Além dos humanos, as máquinas para sustentar. O Planeta dará conta?

Hoje, a maior Central de Data Center do Brasil fica em Barueri (região central de SP). São 9 prédios, 3 deles com mais de 80 m de altura. Estruturas feitas apenas para abrigar processadores de dados (1/3 de todos os dados de internet do Brasil, principalmente mensagens de texto, compras online e transações bancárias). Um verdadeiro complexo tecnológico!

O Brasil está na mira como destino desses investimentos bilionários, pois o País ainda não tem uma regulamentação para esses grandes consumidores de água, minerais e de energia. Por isso, uma das maiores plataformas digitais do mundo já iniciou as obras para a construção do maior Data Center da América Latina (fica em Caucaia, Fortaleza, CE). Projeto orçado em R$ 200 bilhões vai ocupar uma área equivalente a 100 campos de futebol. A construtora é a Omnia Data Centers e opera para a ByteDance, proprietária do TikTok. Espera estar funcionando já em 2028!

Enfim, se a Internet e seus aparatos chegaram para ficar, e os Datas Center são inevitáveis, uma saída seria adotar tecnologia de ponta nesses equipamentos que promovam o uso racional dos recursos. Afinal, ainda nem encontramos uma forma social sustentável para toda a família humana e agora ainda temos o agravante de incluir na mesa os robôs e as máquinas. 

Percepção distorcida.

 

A taxa de desemprego está em nível historicamente baixo. A inflação claramente desacelerou no Brasil nos últimos meses, também reduziu o preço dos alimentos. O PIB brasileiro cresceu três anos seguidos acima dos 3% até 2024. No ano passado, 2025, cresceu honroso 2,3%, com ganhos reais da renda do trabalho.

PIB e renda em alta, inflação e desemprego em baixa. Apesar das melhorias, por que ainda há um abismo entre os indicadores macroeconômicos e a percepção da população?

Porque a ordem do capital é hierárquica, ascendente e pautada entre pêndulo de comparações. Quem tem, quer sempre ter mais. A referência é sempre um passo à frente (nunca ao lado ou em modo satisfação). Não há percepção que fique satisfeita em um sistema econômico pautado na ganância. Por mais que melhoremos de vida, nossa percepção moldada pela mídia e pela propaganda do consumo vai sempre dizer que não temos o suficiente e precisamos de mais.

A percepção distorcida é um fenômeno psicológico onde a realidade é interpretada de forma enviesada ou irreal devido a fatores emocionais, cognitivos ou neurobiológicos. Envolve padrões de pensamento disfuncionais, ansiedade, ou traumas que alteram como fatos, tempo ou autoimagem são processados, frequentemente gerando sofrimento e interpretações exageradas ou falsas do mundo.

Ora, como a mídia faz isso? A) expõe eventos de forma exagerada: "tudo ou nada", "catastrofização";  B) Autoimagem drasticamente diferente da realidade; C) produzindo a ansiedade patológica faz o cérebro focar em ameaças, interpretando situações neutras como perigosas (muito medo); D) Sensação de que o tempo passa rápido ou devagar demais, dificultando o planejamento; E) Ativando gatilhos ou traumas, que visam dificultar a separação entre memórias dolorosas de situações atuais seguras.

Enfim, os índices macro mostram o bom estado geral da economia. A percepção da população, distorcida pela mídia e pelo capital, capta a situação real de cada um. O bode expiatório ronda o preço dos alimentos, a aquisição da casa própria e o poder de compra dos brasileiros. Cuidado, é isso que influencia a decisão de voto!