A decadência da leitura não acontece sozinha. A escrita também está ameaçada. E uma coisa tem muito a ver com a outra. A principal característica da sociedade pós-letrada é a perda do discernimento porque essa é a habilidade que a IA destrói.
Na era digital, o visual e o oral prevalecem como meio de aquisição de conhecimento, escanteando a linguagem escrita que, por natureza, exige mais repertório e raciocínio. Talvez haja alguma vantagem ainda desconhecida nesse novo modo de aprender, mas está difícil enxergá-la.
Desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, triplicou o número de livros à venda na Amazon. Isso não significa alta qualidade nas obras ofertadas. Pense ainda na quantidade inútil de áudios de WhatsApp que são ouvidos ou transcritos, porque suas mãos andam ocupadas ou obsoletas demais.
De forma muito estranha, estão criando novas bibliotecas artificias que ninguém lerá. Nesse triste aspecto, nossa sociedade já é uma distopia. Dificuldades crescentes de interpretação estão presentes até entre estudantes de renomadas universidades.
Enfim, ler e escrever transformou nossa
civilização e nossa consciência profundamente. O declínio da escrita e da leitura
já traz mudanças ruins da mesma magnitude.