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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Como nasce a consciência de classe?

 

“O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer “isto é meu” e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: “Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!” (Jean-Jacques Rousseau, p. 259). 

A formação da classe trabalhadora – o contexto.

A classe trabalhadora foi formada de baixo para cima. Nasceu de uma ferida aberta – a luta de classes em países capitalistas que se industrializavam. Sua “consciência” proveio de suas experiências cotidianas e sua cultura específica – diversas influências religiosas e culturais em sentido amplo formavam as pautas de experiências compartilhadas e depois discutidas na capela, na taberna e nos bares, espaços sociais de interação dos trabalhadores e artesãos. Logo, é uma classe trabalhadora do capitalismo industrial.

A origem da consciência...

Da “experiência vivida” para a “experiência compreendida”, isto é, das experiências compartilhadas e articuladas de maneira consciente foram construindo, paulatinamente, a ideia da necessidade de defesa dos interesses comuns de todos os trabalhadores. E um alvo comum surgiu: uma estrutura de exploração e opressão da classe senhorial, agora percebida como opressora e injusta, não mais como benevolente ou merecedora de privilégios.

A consciência de classe não é um produto mecânico e automático do desenvolvimento de forças produtivas. A consciência de classe é uma construção autóctone de uma “economia moral” baseada nos costumes, ao ponderar o que é justo ou injusto (E. P. Thompson). Assim são produzidas as associações de trabalhadores e os sindicatos, isto é, a radicalidade dos trabalhadores organizados. Mas, para crescer, é preciso de RECONHECIMENTO. É por isso que costumam apagar o brilho da luta como fruto de conquistas sindicais ou trabalhistas. Só o reconhecimento da crescente contribuição social das classes trabalhadoras provocará uma pressão política intestina à sociedade, no sentido de ampliação de representatividade e garantias de direitos dos trabalhadores (civis, políticos, sociais, econômicos...).

Sabemos que o Estado tem o poder legítimo de exercer a força, tanto por suas leis quanto pelas suas armas – forças legítimas. As classes dominantes não só procuram ocupar e controlar os altos escalões do Estado, como seu grande temor é o de que a classe trabalhadora organizada tome esse poder. Afinal, sem o Estado e sem usar a “violência supostamente legítima do Estado” em seu próprio benefício, é impossível manter a dominação social injusta.

De quem é a culpa?

O Estado é produto de um contrato firmado entre os homens e entre estes e seu governante. Sua função é assegurar os interesses dos governados, uma ideia que vem desde os pensadores do século XVIII. Porém, se esse Estado representar apenas o interesse da MINORIA ENDINHEIRADA, ele agirá em prejuízo dos demais. Assim, não estará verdadeiramente firmado nas bases de um acordo, de um contrato, mas de uma imposição. Nesse sentido, o Estado brasileiro é de acordo consistente? Como vai a Democracia Brasileira e a Justiça Social (corrupção, distribuição de renda, políticas afirmativas, etc.)? 

“A principal função do Governo é restabelecer a igualdade entre homens, desfeita pela imposição dos interesses dos mais fortes aos mais fracos. A origem da desigualdade está na propriedade privada. Portanto, o bem coletivo deve estar colocado à frente dos interesses pessoais.  Quereis, portanto, dar consistência ao Estado? Aproximai os graus extremos, tanto quanto possível: não suporteis nem opulentos nem indigentes. Essas duas condições, naturalmente inseparáveis, são igualmente funestas ao bem comum. Que nenhum cidadão seja assaz opulento para poder comprar outro e que nenhum seja bastante pobre para se achar constrangido a vender-se” (Jean-Jacques Rousseau).

Entre o socialismo-liberal e a social-democracia...

Autossuperação caminha de mãos dadas com construção coletiva. Como garantir a proteção constitucional das maiorias e seus direitos individuais, os quais devem ser protegidos inclusive da ação da própria maioria. Afinal, Democracia é método: regra da maioria, e tutela das minorias injustiçadas (desfazendo a minoria opulenta e abastada). Os direitos individuais devem estar salvaguardados inclusive da “tirania da maioria”, quando esses direitos não produzirem alta concentração de renda. Nesse campo, entendo a esquerda como a busca por mais igualdade (uma qualidade moral), enquanto a direita aceita e legitima as desigualdades (tidas por ela como um subproduto natural, meritocrático ou do livre mercado). A esquerda combate a disparidade de renda como prioridade; a direita a aceita usando a falácia de erradicar a pobreza por meio do crescimento econômico e da liberdade individual sobreposta à igualdade (um suposto crescer-estabilizar-distribuir). 

Assim, nas principais bases de sustentação desse pensamento de direita incluem:

1.     Meritocracia: A ideia de que as pessoas devem colher os frutos do seu próprio esforço, talento e dedicação. A desigualdade é vista como a consequência justa de diferentes níveis de produtividade e escolhas individuais.

2.     Livre Mercado e Crescimento: Defende-se que, ao permitir a livre iniciativa e reduzir a intervenção do Estado, a economia cresce (a lógica de "aumentar o bolo"). A riqueza gerada no topo, teoricamente, beneficiaria toda a sociedade através da geração de empregos e inovação.

3.     Naturalização das Diferenças: Argumenta-se que os indivíduos possuem habilidades, inclinações e ambições naturalmente distintas, o que torna as hierarquias sociais e econômicas inevitáveis.

4.     Prioridade à Liberdade sobre a Igualdade: A igualdade de resultados exigiria coerção estatal, o que feriria a liberdade dos indivíduos. O foco deve ser a igualdade de oportunidades, onde todos competem pelas mesmas chances, independentemente do resultado final.

Enfim, LULA não seria o que ele é hoje, não fosse a experiência SINDICAL, somada à sua experiência pessoal de vida. Não fosse sua capacidade de ponderar o que é justo ou injusto. Não fossem as VIRTUDES produzidas em sua vida e trajetória que ele acopla no PODER e na POLÍTICA que faz. É o menos pior, por isso é O MELHOR!