“O verdadeiro fundador da sociedade
civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer “isto é
meu” e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos
crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano
aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus
semelhantes: “Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes
que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!” (Jean-Jacques Rousseau, p. 259).
A formação da classe
trabalhadora – o contexto.
A classe trabalhadora foi formada de baixo para cima. Nasceu de uma ferida aberta – a luta de classes em países capitalistas que se industrializavam. Sua “consciência” proveio de suas experiências cotidianas e sua cultura específica – diversas influências religiosas e culturais em sentido amplo formavam as pautas de experiências compartilhadas e depois discutidas na capela, na taberna e nos bares, espaços sociais de interação dos trabalhadores e artesãos. Logo, é uma classe trabalhadora do capitalismo industrial.
A origem da consciência...
Da “experiência vivida” para a “experiência compreendida”, isto é, das experiências compartilhadas e articuladas de maneira consciente foram construindo, paulatinamente, a ideia da necessidade de defesa dos interesses comuns de todos os trabalhadores. E um alvo comum surgiu: uma estrutura de exploração e opressão da classe senhorial, agora percebida como opressora e injusta, não mais como benevolente ou merecedora de privilégios.
A consciência de classe não é um produto mecânico e automático do desenvolvimento de forças produtivas. A consciência de classe é uma construção autóctone de uma “economia moral” baseada nos costumes, ao ponderar o que é justo ou injusto (E. P. Thompson). Assim são produzidas as associações de trabalhadores e os sindicatos, isto é, a radicalidade dos trabalhadores organizados. Mas, para crescer, é preciso de RECONHECIMENTO. É por isso que costumam apagar o brilho da luta como fruto de conquistas sindicais ou trabalhistas. Só o reconhecimento da crescente contribuição social das classes trabalhadoras provocará uma pressão política intestina à sociedade, no sentido de ampliação de representatividade e garantias de direitos dos trabalhadores (civis, políticos, sociais, econômicos...).
Sabemos que o Estado tem o poder legítimo de exercer a força, tanto por suas leis quanto pelas suas armas – forças legítimas. As classes dominantes não só procuram ocupar e controlar os altos escalões do Estado, como seu grande temor é o de que a classe trabalhadora organizada tome esse poder. Afinal, sem o Estado e sem usar a “violência supostamente legítima do Estado” em seu próprio benefício, é impossível manter a dominação social injusta.
De quem é a culpa?
O Estado é produto de um contrato firmado entre os homens e entre estes e seu governante. Sua função é assegurar os interesses dos governados, uma ideia que vem desde os pensadores do século XVIII. Porém, se esse Estado representar apenas o interesse da MINORIA ENDINHEIRADA, ele agirá em prejuízo dos demais. Assim, não estará verdadeiramente firmado nas bases de um acordo, de um contrato, mas de uma imposição. Nesse sentido, o Estado brasileiro é de acordo consistente? Como vai a Democracia Brasileira e a Justiça Social (corrupção, distribuição de renda, políticas afirmativas, etc.)?
“A principal função do Governo é restabelecer a igualdade entre homens, desfeita pela imposição dos interesses dos mais fortes aos mais fracos. A origem da desigualdade está na propriedade privada. Portanto, o bem coletivo deve estar colocado à frente dos interesses pessoais. Quereis, portanto, dar consistência ao Estado? Aproximai os graus extremos, tanto quanto possível: não suporteis nem opulentos nem indigentes. Essas duas condições, naturalmente inseparáveis, são igualmente funestas ao bem comum. Que nenhum cidadão seja assaz opulento para poder comprar outro e que nenhum seja bastante pobre para se achar constrangido a vender-se” (Jean-Jacques Rousseau).
Entre
o socialismo-liberal e a social-democracia...
Autossuperação caminha de mãos dadas com construção coletiva. Como garantir a proteção constitucional das maiorias e seus direitos individuais, os quais devem ser protegidos inclusive da ação da própria maioria. Afinal, Democracia é método: regra da maioria, e tutela das minorias injustiçadas (desfazendo a minoria opulenta e abastada). Os direitos individuais devem estar salvaguardados inclusive da “tirania da maioria”, quando esses direitos não produzirem alta concentração de renda. Nesse campo, entendo a esquerda como a busca por mais igualdade (uma qualidade moral), enquanto a direita aceita e legitima as desigualdades (tidas por ela como um subproduto natural, meritocrático ou do livre mercado). A esquerda combate a disparidade de renda como prioridade; a direita a aceita usando a falácia de erradicar a pobreza por meio do crescimento econômico e da liberdade individual sobreposta à igualdade (um suposto crescer-estabilizar-distribuir).
Assim, nas principais bases de sustentação desse pensamento de direita incluem:
1. Meritocracia: A ideia de que as pessoas devem colher
os frutos do seu próprio esforço, talento e dedicação. A desigualdade é vista
como a consequência justa de diferentes níveis de produtividade e escolhas
individuais.
2. Livre Mercado e Crescimento: Defende-se que,
ao permitir a livre iniciativa e reduzir a intervenção do Estado, a economia
cresce (a lógica de "aumentar o bolo"). A riqueza gerada no topo,
teoricamente, beneficiaria toda a sociedade através da geração de empregos e
inovação.
3. Naturalização das Diferenças: Argumenta-se
que os indivíduos possuem habilidades, inclinações e ambições naturalmente
distintas, o que torna as hierarquias sociais e econômicas inevitáveis.
4. Prioridade à Liberdade sobre a Igualdade: A igualdade de
resultados exigiria coerção estatal, o que feriria a liberdade dos indivíduos.
O foco deve ser a igualdade de oportunidades, onde todos competem pelas mesmas
chances, independentemente do resultado final.
Enfim, LULA não seria o que ele é hoje, não fosse a experiência SINDICAL, somada à sua experiência pessoal de vida. Não fosse sua capacidade de ponderar o que é justo ou injusto. Não fossem as VIRTUDES produzidas em sua vida e trajetória que ele acopla no PODER e na POLÍTICA que faz. É o menos pior, por isso é O MELHOR!
