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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Educação Crítica.

 Perguntas & respostas críticas em Educação.

Como atuar de modo crítico no campo pedagógico?

Como ser um professor que, ao agir, desenvolve uma prática de caráter crítico?

Obra: "A Paixão da Criação" do russo Leonid Pasternak (1915): foco no lado visceral da criação — um esforço diário marcado por dúvidas, concentração profunda e exaustão. Criar exige muita dedicação e esforço! 

É possível fazer a revolução social pela revolução educacional, isto é, através da escola? Realidade ou utopia? É possível transmitir conteúdos mais complexos para as bases populares sem empurrar o professor para os aspectos da escola tradicional? A escola pública, no contexto da sociedade capitalista atual, possui, de fato, a capacidade de gerar emancipação antes que ocorra uma revolução estrutural na sociedade? Quando e como a escola pode atender aos interesses dos trabalhadores? Para que serve ensinar uma disciplina como geografia, história ou português aos alunos concretos com os quais se vai trabalhar? Em que essas disciplinas são relevantes para o progresso, para o avanço e para o desenvolvimento desses alunos? Como tornar o saber sistematizado assimilável pelas novas gerações, ou seja, por aqueles que participam de algum modo de sua produção enquanto agentes sociais, mas participam num estágio determinado, estágio esse que é decorrente de toda uma trajetória histórica? Como a população pode ter acesso às formas de saber sistematizado de modo a expressar de forma elaborada os seus interesses, os interesses populares?

 Perguntas pedem respostas assim como problemas exigem boas soluções. O risco da pergunta crítica é o de não oferecer uma ação concreta como solução. Questionar sem agir é correr o risco de se tornar um crítico-reprodutivista. Isto é, uma pessoa que se revela capaz de fazer a crítica do existente, de até explicitar os mecanismos do existente, mas não tem proposta de intervenção prática, isto é, limita-se a constatar e, mais do que isso, a constatar que é assim e não pode ser de outro modo. Até faz bem a crítica do existente, mas não o ultrapassa nem o supera porque não tem ou não apresenta alternativa ou algo melhor para colocar no lugar.

O principal problema que os educadores enfrentam, ontem e hoje, é o de afundarem em uma teoria crítico-reprodutivista que não pode oferecer resposta às questões supracitadas. Segundo essa teoria, é impossível que o professor desenvolva uma prática crítica; a prática pedagógica situa-se sempre no âmbito da violência simbólica, da inculcação ideológica, da reprodução das relações de produção. Para cumprir essa função, é necessário que os educadores desconheçam seu papel; quanto mais eles ignoram que estão reproduzindo, tanto mais eficazmente eles reproduzem. Consequentemente, não há como ter uma atuação crítica, uma atuação contrária às determinações materiais dominantes; o professor pode até desejar isso, mas é um desejo inteiramente inócuo, porque as forças materiais não dão margem a que ele se realize.

Qual ou quais as saídas possíveis?

·         Abordar as questões educacionais em termos dialéticos;

·         Estar atento a tudo que acontece na escola a fim de evitar que se inculque a ideologia burguesa e recalque a ideologia proletária, ou seja, a tudo aquilo que atua sobre os trabalhadores de modo a enfraquecer a visão ideológica que eles trazem de sua própria classe;

·         Apostar na luta de classes, na revolução e na ação cultural como um trabalho que precede a mudança da estrutura social; e à revolução cultural como um trabalho que se desenvolve após a mudança da estrutura social;

·         Analisar a educação como um processo contraditório (e é no movimento e no processo histórico que as contradições se explicitam). Daí entender que mesmo o aspecto reprodutor da educação é contraditório e não mecânico;

·         Acreditar que a transformação da estrutura social passa pela escola;

·          Admitir que a escola pode ser um instrumento do proletariado na luta contra a burguesia: a ideologia proletária, a cultura proletária, sua resistência, autonomia e consistência também dependem de processos de escolarização além dos movimentos da prática e das lutas populares;

·          Ser movido/a pela necessidade de criar alternativas, e não apenas fazer a crítica do existente;  

·         Relacionar política e educação de modo dialético, isto é, superar o “politicismo pedagógico” que dissolve a educação na política, bem como o “pedagogismo político” que dissolve a política na educação;

·         Ter competência técnica dentro de um compromisso político. Isto é, entender que a função política da educação se cumpre pela mediação da competência técnica. Para realizar essa função política de forma transformadora, é necessário possuir competência pedagógica e dominar os processos internos ao trabalho pedagógico. A escola cumpre sua função política quando exerce bem sua contribuição pedagógica, ou seja, o papel político da educação se cumpre quando se garante aos trabalhadores e dominados o acesso ao saber, ao saber sistematizado, de forma crítica.

Em suma, a educação tem uma função política no sentido de encontrar saídas equilibradas para a questão pedagógica na base de uma valorização da escola como instrumento importante para as camadas dominadas. Essa função da educação é contraditória e, portanto, a classe dominante se empenha em colocar a educação a seu serviço, ao mesmo tempo em que as classes dominadas, os trabalhadores, buscam articular a escola tendo em vista os seus interesses.

Enfim, diante do exposto, precisamos de 02 coisas básicas para ser um educador crítico e fazer uma educação crítica: o desejo coletivo e as condições materiais para realizá-lo. Alguém que tenta fundar o trabalho pedagógico à base da perspectiva histórica.

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