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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O técnico e o político (na Educação).

 O que é a “competência técnica” e quem tem medo do “compromisso político”?

A “técnica” é a maneira considerada correta de se executar uma tarefa. Já a “competência técnica” é o conhecimento e o domínio das formas adequadas de agir – é o “saber-fazer”. A suposta pureza de processos técnicos eficientes para o ensino-aprendizagem acaba por mistificar, pulverizar, iludir e desanimar, vejamos...

O “compromisso político” envolve participação cidadã, responsabilidade ética, atuação profissional e social e, sobretudo, superação da neutralidade. Logo, ele mira o bem comum, a justiça social e a transformação da realidade coletiva. Há engajamento em debates, decisões e ações que afetam a sociedade, indo muito além do pragmático. Também a defesa de direitos fundamentais, como saúde, educação e igualdade, buscando uma sociedade mais justa. Nessa caminhada, há a aplicação de valores democráticos no cotidiano, como o compromisso de educadores com a formação crítica de alunos ou de lideranças com políticas públicas. Enfim, a escolha consciente de se posicionar diante de injustiças, opressões e problemas que afetam a vida em comunidade.

O que é a “incompetência”? Depende...

1.      Quando a “competência técnica” NÃO ESTÁ atrelada ao “compromisso político”, a incompetência pode ser muito mais do que um “não-saber”, um “não-poder”, um “não-querer”, um “não-permitir” ou um “não-conseguir”. Ela pode ser muito mais do que a “falta ou carência de bom senso” dos professores sobre a importância da aprendizagem do aluno;

2.      Quando a “competência técnica” ESTÁ atrelada ao “compromisso político”, a chamada “incompetência pedagógica” pode ser um ato de rebeldia, uma postura de transgressão ou uma expressão coletiva de resistência. Pode ser o resultado de um processo de repressão e esvaziamento cultural ou ainda a manifestação de esgotamento da força hegemônica da classe dominante. Pode ser, ainda, UM DESCASO INTENCIONAL do professorado em relação às proclamações do Estado e de sua equipe de técnicos ou para com a tecnologia e metodologias impostas ou ainda o descalabro educacional e a falta de condições, as mais adversas que se pode pensar.

É impossível fazer uma boa capacitação de professores sem concretizar uma linha política. Para ser boa, a capacitação aflora o compromisso político em vez de adestrar o professor a uma visão assistencialista ou conformá-lo em seu sentimento de impotência, um derradeiro gesto de resistência. Sem ele, jamais terão as condições objetivas para atingirem a nova competência exigida pela concepção histórico-proletária de cultura.

Por uma fusão e uma subordinação da competência técnica ao compromisso político, a seu serviço. Afinal, não se faz política sem competência e não existe técnica sem compromisso; além disso, a política é também uma questão técnica e o compromisso sem competência  é descompromisso. Uma competência “técnico-política”, comprometida com as forças emergentes constituídas pelas massas trabalhadoras. Como realizar isto? Priorizando a reflexão crítica e a análise polêmica que abrem caminhos e processos coletivos e históricos. 

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