O que é a “competência técnica” e quem tem medo do “compromisso político”?
A “técnica” é a maneira considerada correta de se executar uma tarefa. Já a “competência técnica” é o conhecimento e o domínio das formas adequadas de agir – é o “saber-fazer”. A suposta pureza de processos técnicos eficientes para o ensino-aprendizagem acaba por mistificar, pulverizar, iludir e desanimar, vejamos...
O “compromisso político” envolve participação cidadã, responsabilidade ética, atuação profissional e social e, sobretudo, superação da neutralidade. Logo, ele mira o bem comum, a justiça social e a transformação da realidade coletiva. Há engajamento em debates, decisões e ações que afetam a sociedade, indo muito além do pragmático. Também a defesa de direitos fundamentais, como saúde, educação e igualdade, buscando uma sociedade mais justa. Nessa caminhada, há a aplicação de valores democráticos no cotidiano, como o compromisso de educadores com a formação crítica de alunos ou de lideranças com políticas públicas. Enfim, a escolha consciente de se posicionar diante de injustiças, opressões e problemas que afetam a vida em comunidade.
O que é a “incompetência”? Depende...
1.
Quando
a “competência técnica” NÃO ESTÁ atrelada ao “compromisso político”, a incompetência pode
ser muito mais do que um “não-saber”, um “não-poder”, um “não-querer”,
um “não-permitir” ou um “não-conseguir”. Ela pode ser muito mais
do que a “falta ou carência de bom senso” dos professores sobre a importância
da aprendizagem do aluno;
2. Quando a “competência técnica” ESTÁ atrelada ao “compromisso político”, a chamada “incompetência pedagógica” pode ser um ato de rebeldia, uma postura de transgressão ou uma expressão coletiva de resistência. Pode ser o resultado de um processo de repressão e esvaziamento cultural ou ainda a manifestação de esgotamento da força hegemônica da classe dominante. Pode ser, ainda, UM DESCASO INTENCIONAL do professorado em relação às proclamações do Estado e de sua equipe de técnicos ou para com a tecnologia e metodologias impostas ou ainda o descalabro educacional e a falta de condições, as mais adversas que se pode pensar.
É impossível fazer uma boa capacitação de professores sem concretizar uma linha política. Para ser boa, a capacitação aflora o compromisso político em vez de adestrar o professor a uma visão assistencialista ou conformá-lo em seu sentimento de impotência, um derradeiro gesto de resistência. Sem ele, jamais terão as condições objetivas para atingirem a nova competência exigida pela concepção histórico-proletária de cultura.
Por uma fusão e uma subordinação da competência técnica ao compromisso político, a seu serviço. Afinal, não se faz política sem competência e não existe técnica sem compromisso; além disso, a política é também uma questão técnica e o compromisso sem competência é descompromisso. Uma competência “técnico-política”, comprometida com as forças emergentes constituídas pelas massas trabalhadoras. Como realizar isto? Priorizando a reflexão crítica e a análise polêmica que abrem caminhos e processos coletivos e históricos.
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