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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sábado, 15 de agosto de 2026

A mútua influência.

 Uma via de mão dupla... 

Gosto dessa obra de arte: “Desenhando mãos” (1948), de Maurits Cornelis Escher. É surreal!

O artista assume o desafio de representar no papel bidimensional imagens tridimensionais, e o processo criador é incrível! São criadas imagens “impossíveis”, que desafiam o nosso cérebro sobre a percepção da realidade. Chega gerar um estranhamento!

Reparem bem, não são apenas duas mãos! São dois elementos que dependem um do outro para (co)existir. Lembra conexão e reciprocidade. 

IMAGEMhttps://www.wikiart.org/pt/maurits-cornelis-escher/maos-desenhando-1948

Na obra, uma mão parece desenhar a outra. A representação de um lápis em cada uma das mãos, que aparentam emergir da folha de papel, bem como a posição delas, contribuem para criar a impressão de que elas não estão apenas sendo desenhadas, mas também são responsáveis pela ação de desenhar. Os detalhes anatômicos das mãos conferem a ideia de tridimensionalidade e reforçam o fato de que as mãos estão em ação, desenhando-se mutuamente; as mangas da camisa e as abotoaduras, com traços de lápis, são elementos que reforçam a ideia de que as mãos estão em processo de criação.

Uma mão parece estar desenhando e, ao mesmo tempo, sendo desenhada pela outra, criando um ciclo sem fim. Como não estão definindo qual das mãos começou a desenhar a outra, já que uma depende da outra para existir, estamos diante de um paradoxo – um desafio à lógica tradicional de causa e efeito, criando uma ilusão visual que contraria as leis da realidade.

Onde há fumaça, há fogo. Se sai na chuva é para se molhar. Ora, parece que tudo é apenas um conjunto de “causa” e “efeito”, mas a realidade humana não se limita à mesma realidade da Natureza. Nossa complexidade também pode ser explicada pela dialética ou o fato de que transformamos e somos ao mesmo tempo transformados; criamos e ao mesmo tempo somos criados. Quando participamos de atos de trabalho e produção, também nos autoproduzimos. 

Enfim, nessa obra não há início nem fim, mas um ciclo infinito de criação e autorreferência, com total interdependência entre o criador e a criatura. Ela dá um tapa na razão ao tentar explicar a si mesma, acalantando sistemas que se criam e se mantêm de forma independente – autopoiese.