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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 30 de novembro de 2025

As “fakes” dos Suplementos Alimentares.

 

Comprar gato por lebre não é ruim. Nem o gato, nem a lebre. Mas, é péssima a enganação do ato da compra. É o que vem ocorrendo com muitos produtos. O principal deles, os suplementos alimentares (responsáveis por 63% dos processos de investigação de infração às medidas sanitárias abertos pela Anvisa, 2020-2025).

Usando I.A, vídeos simulam depoimentos de personalidades, como médicos e apresentadores, em contas com milhões de seguidores (como as encontradas na Meta, dona do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, e no TikTok com mais de 5,5 milhões de seguidores). Ficam parecendo remédios aprovados pela Anvisa. Supostos tratamentos como “totalmente naturais” e que podem agir “na raiz do problema” para o fim da insônia, da ansiedade, da diabete, glaucoma, catarata, endometriose, miomas, candidíase, dificuldades para engravidar, pressão alta, transtornos, impotência sexual e até da cura de alguns tipos de câncer (próstata e mama) e da libertação de jovens das drogas (álcool, cigarro e todos os tipos de vícios), entre outros problemas de saúde.

Os anúncios fraudulentos são dotados de recursos digitais como “deepfake”, vídeos falsos, de figuras públicas, bem como de temas sensíveis e condições urgentes para passar credibilidade aos usuários e chamar sua atenção nas redes sociais. Outra característica são frases sobre “segredos que a indústria farmacêutica não quer que você saiba” para instigar as vendas. Entretanto, a maioria dos produtos nesse nível, não tem descrição da composição no rótulo.

Outras estratégias usadas:

·       A publicidade do produto o vende como “solução definitiva”;

·       As promessas se aproveitam da vulnerabilidade emocional e física de indivíduos que enfrentam situações sensíveis. Ou seja, bebem na fonte de desespero, falta de informação clara e opções alternativas, tudo para achar uma solução fácil diante da incerteza e complexidade do tratamento médico convencional;

·       Não há fundamento para as alegações (por exemplo, de que suplementos possam curar condições complexas como ansiedade, depressão, transtornos e vícios);

·       Usam simplificações perigosas e soluções rápidas;

·       Sempre desconfie de anúncios que prometem resultados rápidos, naturais e definitivos;

·       I.A. é ferramenta para as fraudes.

Enfim, enganação parece ser boa na literatura como forma de conscientização. Mas, na forma de anúncios e propagandas que prometem cura de doenças graves com suplementos não é legal para ninguém, a não ser dos que lucram com a fingida. Devem ser identificados e punidos. 

“Suplementos alimentares não são medicamentos e, por isso, não servem para prevenir ou curar doenças. Eles são destinados a pessoas saudáveis e servem apenas para fornecer nutrientes que complementam a alimentação” (Anvisa).

Algumas dessas Fakes...




sábado, 29 de novembro de 2025

Expectativa de vida do/a brasileiro/a.

 Não bastam muitos anos de vida, mas também muita vida nos anos... 

A atual expectativa média de vida do brasileiro é de 76,6 anos (IBGE: 2024). Entretanto, a diferença de longevidade entre homens (73,3 anos) e mulheres (79,9 anos) é de 6,6 anos.

Aqui na Bahia, a expectativa de vida de nós baianos é de 75,8 anos: eles (71,9 anos) e elas (79,6 anos) – quase 08 anos a mais que eles. Homens com mais de 60 anos têm esperança de viver mais 21,1 anos, enquanto as mulheres da mesma idade podem alcançar mais 24,6 anos. 

Sim, elas vivem mais do que eles, sobretudo no grupo de 20 a 24 anos, mas também depois dos 60 anos! E as causas são externas ou não naturais de mortes: homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, mortes violentas de jovens... Um fenômeno associado ao rápido processo de urbanização e metropolização do Brasil.

Outro destaque vai para a queda da mortalidade infantil (crianças com menos de 1 ano). Em 2024, a taxa era de 12,3 para cada mil crianças nascidas vivas (em 1940, era de 146,6!). Aqui na Bahia a taxa é de 14,3. E como melhorou! Entretanto, ainda precisa melhorar mais, principalmente nos casos de parto prematuro, a criança que nasce com baixo peso. 

É bom, mas o ritmo de melhora dessa expectativa de vida é lento se comparado a outros países: Chile (81,4 anos), Coreia do Sul (84,4 anos). Projeção indica que o Brasil vai levar mais de 4 décadas para alcançar uma expectativa média de vida ao nascer de 80 anos. E uma das causas foi a crise sanitária de covid-19 (que elevou o número de mortes, impactou na saúde, deixou muitas sequelas e reduziu a expectativa de vida). Motivos? Deficiência no saneamento básico, muita gravidez na adolescência, etc.

Enfim, esses dados servem para alertar que a fatia da população em idade para trabalhar vem diminuindo, enquanto a tendência de envelhecimento eleva a demanda de gastos com saúde, assistência social e aposentadorias (impacto no bônus demográfico), e mesmo ações de empresas privadas. As políticas públicas precisam estar atentas a isso - e nós também! 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Filme: Wicked 2.

 Uma fábula sobre escolhas.

"Há uma razão para os encontros..."

“Ainda é possível ter esperança e ser feliz em um mundo que é um caos ao seu redor? Sim! Lute pelas coisas em que você acredita e faça isso com amor e fervor. Mesmo quando parecer difícil, saiba que, se você se mantiver firme, vai acontecer!”

Vou direto ao spoiler: não somos maus nem bons, SOMOS ESCOLHAS DIÁRIAS, todos os dias podemos escolher que lado tomar e em que posição ficar (e aí sim, saberemos se houve chance para a bondade ou a maldade). Assim, a reflexão dessa obra cinematográfica recai sobre as consequências das escolhas que cada um faz. Logo, é um filme muito mais de pergunta do que de resposta.

A trama é sobre as meninas. É sobre elas. E as decisões são urgentes. Feito de narrativa espiritual a uma reflexão sobre instintos humanos, alavanca temas como opressão e o poder das escolhas individuais sobre estruturas sociais. E termina (atenção, spoiler!) deixando para você a tomada da decisão, isto é, o poder da escolha: e agora, o que vai fazer? Quem você vai decidir ser?

No primeiro filme a versão era de Conto de Fadas, nesse, tudo se quebra. O diretor Jon M. Chu (46 anos), recorre à ficção (fantasia x realidade) para falar de escolhas diárias e passar mensagem de esperança. Boa escolha, pois pelo cinema, você atinge uma escala maior, fala com mais pessoas e a capacidade de mudar as coisas ou passar uma mensagem é poderosa: o sonho é real, no sentido de produzir uma ideia de esperança. Mas, como organizar essa ideia para outra geração? Não basta simplesmente entregar um livro e dizer que “essas são as coisas boas e aquelas são as coisas ruins”. É preciso refletir. É preciso fazer perguntas. É preciso fazer escolhas! É preciso fazer cinema com Wicked 2!!!

Suas canções selecionadas servem para preencher lacunas sentimentais da trama. E são colocadas onde as personagens precisam expressar melhor seus conflitos internos. O filme é um reflexo natural dos nossos instintos humanos, mas também provocam questões políticas, entre outras:

·       Como o fascismo opera diante da ilusão de manter a ordem?

·       Questões políticas ou natureza humana?

·       O que ocorre quando damos poder às pessoas?

·       Quais são os nossos instintos humanos mais inatos (que podem ser problemáticos, heroicos e corajosos)?

·       Escolha ou tragédia? Escolha!

·       Às vezes nos preocupamos tanto com a “magia” que mal percebemos o poder inato que há dentro de nós para a liderança. É preciso trabalhar em nós essa permissão para entrar em nossa magia.

Destaque para as personagens:

·       Elphaba (Cynthia Erivo): luta pelos direitos dos animais (mas é vista como a Bruxa Má), e em Glinda (Ariana Grande), a Boa. O dilema de Elphaba é o seguinte: agir sozinha ou aceitar o apoio do sistema à custa da verdade? Mas, em vez de optar entre uma coisa e outra, e se pudermos mesclar essas duas coisas? E a fala é da própria Cynthia: “nenhuma voz é muito pequena para mudar as coisas”.

·       Glinda (Ariana Grande). Das duas começa uma amizade nascente, mas rompida, pois o astuto Mágico e sua ajudante, injustamente rotularam Elphaba, que tem a pele verde, de bruxa má obcecada pela destruição de Oz. Porém, Glinda sabe da verdade, mas abraça seu novo papel como a “bruxa boa”, que as pessoas podem admirar e adorar. E agora tem de lidar com os inesperados lados negativos de se tornar uma figura pública.

Há uma luta das atrizes entre tentar iluminar as personagens e tentar entender de onde vem a sua própria luz. Por exemplo, Ariana estava lutando com turbulências na vida pessoal durante a produção do filme, incluindo um divórcio e uma relacionamento subsequente. Atriz dramática, tem personagem desmoralizada que precisa reagir, e o faz muito bem.

Enfim, ser corajoso não é uma coisa fácil. Sair do sistema é algo que podemos abordar em filmes, em poesias, em um tweet. Mas o outro lado da moeda, a realidade, é muito mais difícil. Mas é possível aprofundar nisso e fazer muitas perguntas. 

domingo, 23 de novembro de 2025

Teoria: tradicional x crítica.

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Alunos que não pensam!

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Texto final da COP-30.

 

O “Mutirão Global: unindo a humanidade em uma mobilização global contra a Mudança Climática” chega na reta final, com as seguintes características:

·       Não menciona roteiro (o “Mapa do Caminho”) para o fim dos combustíveis fósseis (responsáveis por 80% das emissões de GEE) e do desmatamento;

·       Apenas enfatiza a importância de esforços para reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030;

·       Adia meta de financiamento para adaptação;

·       Reafirma metas globais já conhecidas;

·       Amplia prazo para triplicar recursos para adaptação;

·       Defende uma transição justa, citando indígenas e afrodescendentes;

·       Reafirma a obrigação dos países desenvolvidos de fornecer recursos aos países em desenvolvimento para redução de emissões e adaptação à emergência climática;

- sobre financiamento público dos países desenvolvidos, o texto coloca um programa de trabalho de dois anos para discutir o assunto e ainda assim considerando o uso de recursos privados, diluindo a responsabilidade dos países ricos;

- fala da necessidade de aumentar o financiamento para pelo menos 1,3 trilhão de dólares por ano até 2035, com a meta mais urgente de mobilizar pelo menos 300 bilhões de dólares por ano;

- altera o prazo para triplicar o financiamento para adaptação climática de 2030 para até 2035. A meta levará para pelo menos 120 bilhões de dólares anuais aos países em desenvolvimento;

·       Adoção de indicadores de adaptação climática, uma forma de métrica para conferir se os países estão se preparando para a emergência climática, com o objetivo de manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2 graus e prosseguir os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 grau;  

·       No quesito “transição justa”, reconhece o papel vital dos povos indígenas e comunidades locais e a necessidade de apoio para eles na gestão e uso sustentáveis das florestas, assim como a importância de reconhecer seus direitos territoriais e conhecimentos tradicionais como parte de políticas de redução de emissões (os afrodescendentes também são citados de forma inédita entre populações vulneráveis).

sábado, 22 de novembro de 2025

Evitar a volta da miséria.

De 1990 a 2025, o número de pessoas em extrema pobreza caiu de 2,3 bilhões para 800 milhões: a mortalidade infantil despencou e a expectativa de vida avançou como nunca. Sem dúvidas, essa foi a maior conquista moral do mundo moderno: a redução da extrema pobreza.

Desde a Revolução Industrial, a combinação de tecnologia, abertura comercial, produtividade e representatividade política fizeram reduzir os miseráveis de 90% da população mundial para 8%. Entretanto, a sombra da miséria pode voltar a assustar com força. A previsão é a de que nos próximos 15 anos, a extrema pobreza passe por uma fase de estagnação e, depois, volte a crescer. O que não é uma boa notícia, pois a humanidade está perdendo o impulso que a arrancou da miséria ancestral.

Embora existam recursos em excesso, faltam instituições sólidas e incentivos produtivos nas bases. Em outras palavras, o mundo está rasgando esse roteiro de sucesso:

1.     Retrocesso da globalização: o protecionismo volta a ser vendido como patriotismo econômico, apesar de suas consequências: menos produtividade, mais inflação, cadeias fragmentadas.

2.     Degradação institucional: Estados frágeis, sistemas políticos excludentes e economias sem competição. O problema é a diminuição do Estado, sua captura.

3.     Má priorização: Investimentos em nutrição e saúde infantil, educação básica ou pesquisa e desenvolvimento agrícola oferecem benefícios sociais gigantescos e custam uma fração dos subsídios distribuídos a setores privilegiados, mas seguem eclipsados por agendas de prestígio, favores políticos e lobbies corporativistas.

4.     Extremismos de direita não funcionam: tarifaços, protecionismos, negação do multilateralismo, ambição empresarial, privatizações, inércia ou encolhimento do Estado de bem-estar social. Enclausuram economias, punem consumidores, frustram a inovação e alimentam tensões geopolíticas. Em suma, empobrecem a todos, mas principalmente os mais pobres.

A pobreza não é destino. É fruto dá má distribuição de renda e das desigualdades sociais, aliadas a incentivos ruins, privatizações gananciosas e equivocadas que primam pelo produzir, inovar e abrir portas, mas deixa de longe a repartição igualitária e equitativa.

Enfim, como se nota, o progresso não foi fruto de sorte, mas da agricultura familiar, de políticas públicas para o campo e instituições inclusivas – poderes na dose certa, governos representativos e regras claras. É preciso fortalecer as instituições inclusivas, garantir segurança jurídica e democrática, Estado forte, priorizar política sociais, reabilitar a agenda de integração comercial, diversificar cadeias, ampliar acordos comerciais... Tudo isso faz gerar oportunidades, incentivar investimentos, promover o crescimento sustentável e primar o esforço e a inovação, batendo na imoralidade da miséria para que nunca mais ela cresça ou se desenvolva.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Facções avançam na Amazônia.

O avanço do crime organizado na região de floresta.

Comando Vermelho (CV) atua em 01 em cada 04 cidades da Amazônia Legal ou 286 cidades (mais de 1/4 da região). Ao todo, de 772 municípios, 344 (44,6%) têm sinais da presença de organizações criminosas, o que transcende os grandes centros urbanos.

A região Norte do país é considerada estratégica, um “narcogarimpo”. Isso, devido 1) a possibilidade de importar rapidamente cargas de cocaína e skunk de nações vizinhas, como Peru e Colômbia, além de 2) permitir que as mesmas rotas sejam usadas para crimes como o garimpo ilegal.

Depois de dominarem a “rota caipira”, que liga a fronteira da Bolívia a Estados do Sudeste, a facção tem buscado se estabilizar na Amazônia Legal. Ao todo, só por lá, há 17 facções criminosas. O que constitui um dos principais desafios à segurança pública, à governança territorial e à soberania nacional na Amazônia. Observa-se, nos últimos anos, um processo de interiorização e diversificação das dinâmicas criminais, com a consolidação de rotas estratégicas para o tráfico de drogas, armas, minérios e madeira, conectando a região aos mercados nacional e internacional.

A região mais do que nunca se tornou estratégica não apenas para o tráfico na Amazônia, mas para o tráfico internacional de drogas. Em geral, as cidades listadas entre as mais violentas da Amazônia Legal são estratégicas para o tráfico. Seja para a entrada de cargas de drogas ou para a exportação dessa droga. A atuação de grupos como CV e PCC afeta também comunidades indígenas. Afinal, para a droga ser transportada por essa região, cortada pela floresta e pelos rios, é comum que as facções utilizem especialmente das populações indígenas e das terras indígenas como pontos de passagem, como estrutura para sua logística.

Novas rotinas envolvem drogas mais fortes que o crack, como o óxi, e até no surgimento de “microcolândias” em cidades da região. Famílias já sofrem com a perda do controle de seus filhos muito jovens sendo recrutados para o consumo e para a pequena criminalidade a ele associada. Entre 12 e 16 anos, jovens ticunas são cooptados pelo tráfico; festas “jovens” já quebram tradições. A maior parte dos furtos e pequenos roubos nas cidades é atribuída a dependentes químicos que buscam sustentar o vício, alimentando um ciclo de insegurança de baixa intensidade, mas de alta frequência, que gera medo e altera o modo de vida nas cidades.