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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 10 de novembro de 2024

Servidores Públicos do Brasil.

O Brasil tem aproximadamente 12,6 milhões de funcionários públicos (Federal, Estaduais e Municipais), sendo 65%-70% desses com estabilidade.

A despesa total com o funcionalismo no Brasil prevista para este ano de 2024 é de 3,2% do PIB, bem abaixo do que o país paga só com os juros nominais da dívida pública: 7,55% do PIB (no acumulado de 12 meses, até agosto deste ano). Aliás, despesas com juros no orçamento é o mais escandaloso e vergonhoso gasto do país, o que verdadeiramente assalta os recursos das áreas sociais (vejam os gráficos nas imagens).

Nossa dívida pública atual equivale a 78,5% do PIB ou R$8,9 trilhões. Ou seja, os rolos com os bancos e o mercado financeiro comem muito mais, e tralham bem menos pelo povo, do que os servidores públicos. Quando se fala em ajuste fiscal e corte de gastos, a tributação dos mais ricos e a taxação dos bancos passam longe (esse é o foco central da questão brasileira). O corte da faca mira no trabalhador.

A ameaça de por fim a estabilidade dos servidores no Brasil precisa ser enfrentada e tirada de cogitação. Especialmente no caso de estados e municípios, ainda há muita pressão política e o risco de demissões de funcionários não alinhados a governantes. Tanto que, nos últimos anos, o poder público vem procurando formas escusas e exploradoras de contratação sem garantias, levando à redução do total de cargos estatutários e ao aumento de funções sob regime temporário ou comissionado, prejudicando a qualidade dos serviços públicos, a dignidade e os direitos de seus trabalhadores e suas condições de trabalho, valorizando os serviços privados – distantes do usufruto da população.

Enfim, é uma guerra do setor privado contra o público!



Vejamos uma parte dessa artilharia:

·       Sob o argumento de corporativismo, os contra os servidores defendem que a estabilidade só deveria existir para carreiras com “poder de Estado” (como juízes e policiais federais), e não para cargos encontrados na iniciativa privada (como professores, enfermeiros e pessoal administrativo).  Eles defendem uma menor quantidade de servidores estáveis e com menos vantagens.

- Dizem que na maioria dos países é possível dispensar pessoal, por exemplo, quando há necessidade de ajuste orçamentário ou extinção de determinado serviço prestado – o que não ocorre no Brasil.

- Eles dificilmente perdem o cargo e não passam por avaliação de desempenho.

- Dizem que a estabilidade deveria valer apenas para funções com “pode de Estado”, como cargos nas áreas jurídica, policial e de regulação. Hoje, elas compreendem apenas 11,2% dos servidores federais. Aí dizem que as regras protegem ampla variedade de carreiras, enquanto cargos considerados de Estado são só essa porcentagem.

- A armadilha é convencer o setor público a adotar regras parecidas com o do setor privado, com supostas vantagens aos funcionários públicos. E somente carreiras como do Judiciário teriam a estabilidade plena.

- Dizem que 8,9% do PIB é a despesa com salários dos servidores públicos no Brasil. Enquanto no México é de 3,8% e na Suécia, 10,4%.

- Dizem que deveria haver regras diferenciadas para determinadas funções, com garantias resguardadas, mas não para todos (são contra professores de universidades federais terem esse tipo de vantagem).

- Dizem que o funcionalismo deveria ser avaliado.

- Em 2015, apenas 0,1% dos servidores públicos foi dispensado. Na prática, mesmo que legalmente previsto, é muito difícil demitir um servidor estável que tenha cometido falta grave ou não desempenhe sua função adequadamente.

- Espera que o Brasil realize uma ampla reforma administrativa para diminuir o número de estáveis;

- diz que não há razão para o Brasil conceder estabilidade para a maioria de seus servidores. Que isso impede, inclusive, o remanejamento de pessoas dentro do Estado.

- argumenta que, com o envelhecimento da população, precisaremos cada vez mais de médicos e enfermeiros, e menos de professores. Que o Estado pode até não estar inchado, mas opera sem flexibilidade e entrega menos do que países que gastam quase o mesmo.

- evitar contratar sem a real necessidade. Que é preciso racionalizar as várias carreiras, mapear servidores que podem eventualmente migrar para outras áreas afins e avaliar o impacto da tecnologia na prestação de serviços.

- Há pressão para planos de redução das 250 tabelas de remuneração e os mais de 300 agrupamentos de carreiras para um número mais racional, ainda não determinado. O Executivo Federal, por exemplo, tem ao menos 10 mil servidores permanentes em cargos totalmente inusitados, como açougueiro, vaqueiro e vendedor de artesanato.

·       Além da estabilidade, outros direitos necessários adquiridos pelos servidores geralmente estão vinculados a regimes próprios de Previdência, diferente do INSS, e que oferecem condições mais favoráveis. Há também promoção automática na carreira, independentemente do desempenho, e licenças remuneradas após determinado tempo de serviço, entre outras vantagens.

·       Estabilidade de servidores no Brasil chega a 65% do total (na Suécia, a 1%; tem menos também Reino Unido e Alemanha). Nesses países, grande parte do funcionalismo é regida por normas mais parecidas às do setor privado, mas com algumas vantagens e segurança no cargo;

·       A plena estabilidade é garantida apenas a carreiras específicas, como do Judiciário.

·       O Brasil tem menos funcionários públicos em relação à sua população e às pessoas ocupadas que muitos países.

·       O Brasil é um dos que mais gastam com servidores como proporção do PIB.

·       O Brasil é o que mais concede plena estabilidade a funcionários do Estado, sem que sejam submetidos a avaliações de desempenho.

·       Cerca de 70% dos servidores do governo federal são chamados estatutários, regidos pelo Estatuto do Servidor Público Federal (lei 8.112/90), após aprovação em concurso. Estados e municípios seguiram a mesma lógica nas contratações.

·       No governo federal, ¾ dos servidores (a maioria com estabilidade) atuam nas áreas social (como professores e médicos) e administrativa (secretárias, por exemplo). Nas áreas jurídica, policial e de regulação, auditorias e controle, sem equivalentes no setor privado e típicas do setor público (com “poder de Estado”), são 11,2%.






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