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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Período eleitoral descaracterizado.

 

As campanhas eleitorais deveriam servir para os candidatos apresentarem suas propostas consistentes e o eleitorado comparar o que cada candidatura apresente e pretende. E, no dia 6 de outubro, votar no melhor pacote de políticas públicas no âmbito municipal.

Mas, cadê o efetivo debate público de ideias que caracteriza o cerne da Democracia participativa? Essa lacuna já mostra uma falha grave do sistema, que não é casual. Há tempos se vem descaracterizando o processo democrático em prol de um jogo baixo de desqualificação de adversários que escondem o inexistente mérito do histórico político, alimentado pela mentira nossa de cada dia. A opinião pública foi levada a trocar á agora dos debates pela novela de TV na sala de estar. Ou ainda pior, a participação real virou fake news nas redes sociais.

E a extrema direita e sua mídia alimentam esse desfalque. São Padres Kelmons, Bolsonaros, Marçais, outsiders, etc. e tal’s para alimentarem mentiras, agressões, desabonos, narrativas falsas, ódios, suicídios, drogas e entorpecentes e tudo mais, sempre de olho no algoritmo das redes sociais ou escândalos das manchetes de jornais. Tudo reforça o caráter naturalizado da tolerância à contrafação, sob o slogan de fato.

Parece que a mentira está enraizada na cultura brasileira. O país já nasceu de uma colonização violenta a que chamaram de “descobrimento”. De lá para cá, explorações, violências de todos os tipos, escravidão, assaltos a nossas riquezas e deram a isso o nome de Independência. E fomos nos acostumando a imitações, a consumir produtos falsificados, à contradição entre a palavra e a ação de nossos pais e autoridades políticas, militares e jurídicas. Estamos afogando num oceano desalentador de opacidade, com poucos botes de verdade. Quantidade marcante de pessoas bebe dessas águas turvas e se alimentam desses produtos processados, vive e pratica a deslealdade social naturalizada, de forma institucionalizada. Vive imersa na mentira comercializada, vivenciada como se fosse algo legítimo, aceitável e verdadeiro. Um faz de contas cometido sob o signo do ilusionismo, criando-se enganosa percepção geral.

A mentira aqui no Brasil é direito dos acusados na esfera penal, sendo considerada ato de autodefesa. Nos EUA, por exemplo, acusado que mente ao ser interrogado pratica o crime de perjúrio. No Brasil ele fica impune, o que dificulta muito a colheita das provas e o trabalho diário de magistrados e membros do Ministério Público, e ainda estimula comportamentos descomprometidos com a busca da verdade, busca esta que deveria nortear nosso processo penal. Ora, por que a ilicitude não é reprimida veemente pelas forças de segurança?

A lógica do mentiroso se baseia muitas vezes na estratégia da propaganda nazista (de Joseph Goebbels): a mentira repetida à exaustão tende a se transformar em verdade pelo simples fato de ser humanamente impossível neutralizá-la totalmente. Resíduos da mentira, por mais forte que seja o desmentido, sempre permanecerão. Daí provém sua força avassaladora.

Enfim, estamos enfiados no mito da caverna de Platão. Que as eleições municipais de 2024 mostrem sinais de quebra de correntes, saídas desse buraco, superação das ilusões e luz no fim do túnel!

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