“O artista deve mostrar sempre o mais terrível de cada um de nós. Entretanto, insisto na virtude da esperança, especialmente quando surge a dor” (Leandro Karnal).
Já parou para pensar qual desenlace as narrativas contemporâneas nos seduzem? Com um final triunfante com os protagonistas se beijando ou um massacre na Corte? O humano é um drama ou uma esperança?
TESE 1. Especialmente
entre especialistas em arte e críticos, a
dor, o desespero e a solidão autodestrutiva gozam de maior ibope do que a felicidade e a harmonia.
TESE 2. Finais
trágicos cheiram a fascismo e ditadura. É por isso que o pessimismo sempre
encarará a positividade com ironia destrutiva, a mais devastadora paulada no
otimismo. Você só pega o fascista sorrindo diante de tragédias.
TESE 3. Mas, está na hora de aceitar que finais trágicos não são mais inteligentes do que finais felizes e que a cor existe na vida ao lado dos tons plúmbeos. Tristeza e alegria são versões da jornada, mas a vida pede uma identificação estética e literária, política e social, econômica e coletiva, pela vida.
Tem como a gente ter uma existência plena?
·
É
preciso desconfiar de pessoas que centram o total do sentido da vida em outra
pessoa.
·
Não
existem muitas marcas de amor verdadeiro e sólido, sem a oposição de rivais,
amantes ou da família.
·
A
paixão esfria, o companheirismo emerge ou não, a temperatura amorosa diminui, o
cotidiano pode até ser tranquilo, todavia sempre povoado de pequenos ou grandes
desentendimentos.
·
O
telefone diminuiu nossa chance e tempo de semear algo; a vaidade nos domina e
somos impotentes diante do mundo real, pois não podemos dinamitar, sozinhos, a
ilha de Manhattan.
·
“Trabalhas sem
alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não encerram nenhum
exemplo. Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta
de dinheiro, fome e desejo sexual. Heróis enchem os parques da cidade em que te
arrastas e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção” (poema Elegia, 1938, com visão pessimista de
Carlos Drummond de Andrade).
·
Há
uma maneira genial como souberam estruturar a falta de sentido e o vazio.
·
Os
melancólicos parecem ter mais talento do que os entusiasmados. Suas solidões
são tomadas como romance epistolar. E aí mora o perigo, porque se for um gênio
da literatura venderá com êxito seus traços melancólicos e depressivos. Afinal,
na perspectiva conservadora, é com genialidade que você entrega solidão, vazio
e desespero. E tomar isso como verdade o que é pura subjetividade é perigoso
demais.
·
Poesia
alegre parece mais imbecil para eles. Há uma desconfiança em relação às flores
do jardim, parecendo existir maior simpatia pelo sofrimento e pela fealdade.
·
Parece
que a originalidade costuma ser associada ao desespero.
·
A
infelicidade, curiosamente, também pode ser constituída em zona de conforto. Se
formos críticos a sentimentos lineares e aos opioides da alma, deveríamos
incluir a tristeza que nos garante que nada vale a pena e que a luta é inútil.
· Não se deve ler os grandes buscando uma fórmula universal e aplicável. Mas percorrer o trajeto deles a observar uma determinada visão de mundo, não um caminho para definir o humor.
Enfim, se tiver que escolher, no sofrimento,
na fealdade, na tristeza, na dor, na agonia, no amor não correspondido, no
suicídio... Enfim, escolha a verdade.
Você
sabe o que me manteve de pé?
A fé.
Não em
algum deus,
não em
mitos e lendas.
Em mim mesmo.
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