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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 8 de setembro de 2024

Finais trágicos ou felizes?

 “O artista deve mostrar sempre o mais terrível de cada um de nós. Entretanto, insisto na virtude da esperança, especialmente quando surge a dor” (Leandro Karnal).


Já parou para pensar qual desenlace as narrativas contemporâneas nos seduzem? Com um final triunfante com os protagonistas se beijando ou um massacre na Corte? O humano é um drama ou uma esperança?

TESE 1. Especialmente entre especialistas em arte e críticos, a dor, o desespero e a solidão autodestrutiva gozam de maior ibope do que a felicidade e a harmonia.

TESE 2. Finais trágicos cheiram a fascismo e ditadura. É por isso que o pessimismo sempre encarará a positividade com ironia destrutiva, a mais devastadora paulada no otimismo. Você só pega o fascista sorrindo diante de tragédias.  

TESE 3. Mas, está na hora de aceitar que finais trágicos não são mais inteligentes do que finais felizes e que a cor existe na vida ao lado dos tons plúmbeos. Tristeza e alegria são versões da jornada, mas a vida pede uma identificação estética e literária, política e social, econômica e coletiva, pela vida.


Tem como a gente ter uma existência plena?

·       É preciso desconfiar de pessoas que centram o total do sentido da vida em outra pessoa.

·       Não existem muitas marcas de amor verdadeiro e sólido, sem a oposição de rivais, amantes ou da família.

·       A paixão esfria, o companheirismo emerge ou não, a temperatura amorosa diminui, o cotidiano pode até ser tranquilo, todavia sempre povoado de pequenos ou grandes desentendimentos.

·       O telefone diminuiu nossa chance e tempo de semear algo; a vaidade nos domina e somos impotentes diante do mundo real, pois não podemos dinamitar, sozinhos, a ilha de Manhattan.

·       “Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo. Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual. Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção”  (poema Elegia, 1938, com visão pessimista de Carlos Drummond de Andrade).

·       Há uma maneira genial como souberam estruturar a falta de sentido e o vazio.

·       Os melancólicos parecem ter mais talento do que os entusiasmados. Suas solidões são tomadas como romance epistolar. E aí mora o perigo, porque se for um gênio da literatura venderá com êxito seus traços melancólicos e depressivos. Afinal, na perspectiva conservadora, é com genialidade que você entrega solidão, vazio e desespero. E tomar isso como verdade o que é pura subjetividade é perigoso demais.

·       Poesia alegre parece mais imbecil para eles. Há uma desconfiança em relação às flores do jardim, parecendo existir maior simpatia pelo sofrimento e pela fealdade.

·       Parece que a originalidade costuma ser associada ao desespero.

·       A infelicidade, curiosamente, também pode ser constituída em zona de conforto. Se formos críticos a sentimentos lineares e aos opioides da alma, deveríamos incluir a tristeza que nos garante que nada vale a pena e que a luta é inútil.

·       Não se deve ler os grandes buscando uma fórmula universal e aplicável. Mas percorrer o trajeto deles a observar uma determinada visão de mundo, não um caminho para definir o humor.


Enfim, se tiver que escolher, no sofrimento, na fealdade, na tristeza, na dor, na agonia, no amor não correspondido, no suicídio... Enfim, escolha a verdade.

Você sabe o que me manteve de pé?

A fé.

Não em algum deus,

não em mitos e lendas.

Em mim mesmo.

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