No momento, nós já temos uns 200 milhões de estrategistas eleitorais. Mas, agora só queria uma dica: qual conselho levará ao triunfo da esquerda nessas Eleições Municipais 2024? Parece que não há uma única fórmula mágica. Então, vamos filtrar algumas das táticas eleitorais mais marcantes do momento...
Do declínio ao favoritismo.
Do favoritismo ao declínio.
1.
Tomar a parte pelo todo. Criar polêmica sobre um aspecto do
adversário, tornando-o pauta geral e jogando a sua campanha em escanteio. Por exemplo: o Hino Nacional cantado em linguagem neutra num comício de Boulos
ganhou mais repercussão nas redes sociais do que trechos marcantes de sua
entrevista no Roda Viva.
2. (Inter)Nacionalizar. As eleições municipais têm sido marcadas pela nacionalização na maioria das capitais. No Recife, o pleito foi até internacionalizado. Por exemplo: o candidato a prefeito Gilson Machado (PL) apelou a contatos com Donald Trump e com o príncipe saudita Mohammed bin Salman para se cacifar. E virou meme nas redes.
3. (Des)montar uma boa ideia com humor ácido. Na reunião com líderes da Câmara, o presidente Lula afirmou que promoverá uma partida de futebol entre integrantes do Planalto e do Congresso. Por exemplo: Foi o que bastou para Elmar Nascimento (União) emendar com mau humor ácido: “Desde que Flávio Dino não seja juiz”, brincou, arrancando risos dos pares.
4. Jogar com o meio ambiente e a sustentabilidade - muito pertinente. O mundo de hoje demanda descarbonização, segurança hídrica, segurança alimentar e segurança energética. E o Brasil tem vantagens em tudo isso. Por exemplo: o Brasil tem capacidade de produzir produtos verdes como quase nenhum país. Para nós, interessa que mercados fluam com maior intervenção possível do Estado e em prol dos brasileiros.
5. Tenha foco. Embora seja importante realizar ataques e denúncias contra o adversário, é preciso focar em: 1) apresentação de propostas; 2) tornar-se mais e melhor conhecido.
6. “Briga” encenada. Nas eleições municipais de São Paulo, o coach Marçal e o inelegível Bolsonaro encenam brigas com mordidas, cabeçadas, tijoladas na cabeça, dedos nos olhos, tesouras voadoras... Tudo de mentirinha. Dois bicudos-golpistas que antes trocavam carícias, agora supostamente não se beijam. Enquanto eles “brigam”, ou encenam a briga, estão capturando as atenções. Enfim, a pilantragem nunca deu tantos votos como hoje. É uma estratégia que lembra o antigo telecatch.
7. Mudanças de ventos. Por exemplo, São Paulo é a mais dinâmica das campanhas eleitorais neste momento. A primeira pesquisa eleitoral mostra que Boulos lidera com 22; atrás estão Nunes e Marçal: 19. Os três estão tecnicamente empatados na liderança. Em vez de uma consolidação da disputa Boulos x Nunes, caiu num empate triplo com a força ascendente do Marçal, que cresceu às custas de Nunes e Datena. O território da campanha do Marçal é o das Redes Sociais. Mas, a propaganda de TV começa nessa sexta e mostrará alguma reação do Nunes. Enfim, uma complexa mudança de ventos.
9. Tática política sobre a psicologia – o falso outsider. O maior exemplo de sucesso de um ator outsider na política era justamente Bolsonaro (indivíduo que não pertence a um grupo determinado, mas na política, isso é supostamente). Ator porque ele se vende como indeterminado (antissistema/antipolítica), mas na verdade é mais partidário do que ninguém. Trata-se de uma tática política sobre a psicologia. Na psicologia, o termo outsider pode ser usado para descrever alguém que se sente excluído ou marginalizado em um determinado grupo social. Essas pessoas muitas vezes enfrentam desafios emocionais e psicológicos por não se encaixarem nos padrões estabelecidos. Mas, na política, não é bem assim...
10. Facada e tiro. Lembra da suposta facada sofrida em Juiz de Fora (MG) pelo inelegível? Ou o suposto tiro na orelha de Trump? Pois é, o palhaço macabro (It) veste bem essa extrema direita, pois reforça ao eleitorado a figura de alguém que incomoda tanto o establishment a ponto de ser vítima de uma tentativa de assassinato (embora, pouco importa a verdade dos fatos, claro).
11. Um outsider para cada campanha/eleição. O candidato/personagem outsider da direita mostra seu partido (ator) depois da vitória numa eleição, pois não consegue manter essa imagem de forasteiro quando candidato, uma vez que, empossados, precisam investir em composições. Por exemplo: o que Bolsonaro fez no Palácio do Planalto e segue fazendo nas atuais eleições, como mostra a aliança em SP com Ricardo Nunes, um político muito mais próximo do Centrão do que do bolsonarismo raiz. Enfim, é por isso que dentro dessa engrenagem, o voto do outsider demanda uma novidade a cada pleito.
13. Bons vídeos/fotos/narrativas. Em tempos de redes sociais, a criatividade pesa muito. É preciso falar muito com pouco. Sensibilizar com força. Tocar o eleitor. Por exemplo: assista a esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=M8IAxydEJl4
14. Direita é direita em qualquer canto (foco no lucro); esquerdas são diferentes (confusas, desunidas). Não caiam na bobagem de achar que Marçal e Nunes são divisões da extrema direita, assim como, que a Globo e Bolsonaro têm matizes. São farinha do mesmo saco. Por outro lado, as forças progressistas ainda não conseguiram entender o fenômeno das redes sociais nem aprimoraram sua linguagem para chegar a grupos não afeitos a entender política ou ideologias, confundido estas com Gestão. Para melhorar a sociedade, a esquerda precisa, primeiro, se unir, segundo, não fazer julgamentos inexperientes de mandatos e, por fim, de votos.
15. Reaproveitar o que deu certo. A marca de um prefeito também é a capacidade de avaliar políticas que deram certo. Não pode começar por inventar a roda. Passa um verniz, dá uma nova estampa e conserva o essencial, quando muito, aperfeiçoando-o. Afinal, diante da disponibilidade orçamentária da Prefeitura, há risco de apostas em projetos complexos, porém não necessariamente prioritários.
16. A tática da desqualificação. Governo não tem competência para questão ambiental. Governo mostra boa vontade no tema, mas falta capacidade de gestão.
17. Amarrar as próprias mãos. Usar discursos proferidos, posturas e atitudes ou buscar relações/relacionamentos do adversário para desqualificá-lo.
18. O povo não quer ver debate. O povo quer ver embate (com sexo, fofoca, absurdos chocantes). Por exemplo: Bombou! Em menos de 24 horas, o penúltimo capítulo da websérie sobre a vida da candidata à Prefeitura de São Paulo Tabata Amaral (PSB) alcançou 1,6 milhão de visualizações. O episódio conta o relacionamento amoroso com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), candidato à reeleição, e fenômeno nas redes. Foi o vídeo mais visto até agora - e o episódio pode ser um dos mais assistidos. Do declínio ao favoritismo. Do favoritismo ao declínio.
19. Não basta ganhar, mas ter ampla vantagem. O que as últimas eleições têm demonstrado para os candidatos, sobretudo os de esquerda, é que não se tem que brigar só para ganhar a eleição, mas para ter a maior vantagem possível e diminuir as chances de contestação de resultados.
20. Promover um linchamento informal ou profissional, seja através das redes sociais e/ou das mídias profissionais. O exemplo mais atual é o da Venezuela. Nicolás Maduro é acusado de fraudar as eleições presidenciais do país para se reeleger. A oposição alega que venceu e divulga supostas fotogramas das atas eleitorais tiradas por supostos funcionários dos colégios eleitorais que confirmariam sua vitória com 2/3 dos votos. A crise instalada é tão grande, alimentada pelos jornais/mídias de direita, que 30 pessoas já foram mortas e 2 mil detidas – dezenas menores de idade. O ataque é tão grande que Nicolás Maduro tenta aprovar uma “Lei contra o Fascismo”. Como se não bastasse, e fazendo parte do projeto armado, relaciona a crise com o Brasil, insinuando Lula de ser igualmente fraudador, por não denunciar a suposta fraude contra a vontade do povo e as violações de seus direitos fundamentais. A relação descabia insinua que erros ou acertos são definidos por manobras puramente ideológicas. Enfim, a campanha eleitoral difamatória e pejorativa para 2026 já começou! Uma mentira pode ser acatada como fato a depender do seu grau de conveniência ao coletivo. Afinal, uma parte da opinião pública também quer tirar o seu.
21. Trocar os efeitos pela causa. Jornal “O Estado de SP” usa a crise entre Moraes x Musk para ameaçar a democracia. Sugere que há motivação política na decisão do ministro, abuso de poder em suas determinações e decisões que enfraquecem a democracia. Ou seja, o foco é dado nos efeitos ou possíveis consequências deletérias do caso, deixando a causa de lado: a plataforma X tentou se esquivar da jurisdição brasileira ao se recusar a nomear um representante para responder pela empresa no Brasil.
22. Politizar. O clima também está politizado no Brasil. Quando somos tomados, da noite para o dia, por uma rápida e profunda crise polêmica no Brasil, aí tem! O embate entre Elon Musk e Alexandre de Moraes é uma cortina de fumaça para disfarçar o caos da prisão de Jair Bolsonaro. Para intensificar essa cortina de fumaça que ofusca a verdade no país, incêndios criminosos queimam nossa indignação e põem medo no lugar. A extrema direita aliada com a mídia não são amadores e nem estão para brincadeiras! Uma combinação de fatores está sendo fabricada em forma de "tempestade perfeita", impactando a democracia nas eleições municipais de agora e as de 2026.
23. Tomar emprestadas (ou assaltar mesmo) pautas da esquerda e do debate público para fazer capital político e até financeiro. É uma falácia esse aparente envolvimento dos empresários e das empresas com os temas sociais no palanque político. Não estão interessados nas genuínas causas sociais, mas em usar as lutas para alavancar vendas e lucros. Um falso alinhamento com o social a favor do mercado. Enfim, marketing. Vejamos o exemple das lojas Americanas, fundada por 4 empresários dos EUA. A loja se gaba de ser a primeira empresa a contratar mulheres no Brasil. Na verdade, a companhia identificou, pela contratação de vendedoras, uma oportunidade para alavancar as vendas a partir do olhar diverso e analítico feminino. É nessa mesma linha de cinismo e hipocrisia, em prol de status e mercados, que a empresa atualmente olha para outros temas pertinentes, como a questão climática, a racial e o combate às desigualdades. Desde 2022, a empresa se envolveu com o Movimento pela Equidade Racial, visando ganhar espaço no palco dos debates da construção de uma sociedade mais inclusiva e um time mais diverso (de vendedores e consumidores, diga-se de passagem). Também se alinhou aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e ao Pacto Global da ONU, que incluem a redução das desigualdades. Enfim, é o Mercado tomando emprestadas as pautas da esquerda para fazer negócios e lucros.
24. O despertar do animal selvagem - um oportunismo irresponsável defender ideias inflamáveis. Qual a sua porcentagem de civilidade e de animalidade? A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o X no Brasil foi criada e usada para reunir a tropa de Bolsonaro naquilo que um dia ganhou volume no ato de 7 de Setembro ou balbúrdia no 8 de Janeiro – o rebanho. Enfim, Bolsonaro vai à Paulista esvaziado. É pouco, nem para ir era. Já deveria estar preso! Bolsonaro perdeu, mas o bolsonarismo ainda não. Bolsonaro é pequeno, o bolsonarismo é algo maior. Inelegível, multi-investigado, brochável e acanhado, com baixa influência nas urnas e minguado rol de aliados em Brasília... Só falta ser preso, mas persistirá a expectativa de reforçar seus 30% de herança política maldita, confrontos ao STF e à Constituição, quóruns distorcidos, tentativas de reverter sua inelegibilidade ou cacifar novas feras e tem o susto do Marçal. Bolsonaro foi uma alta investida perigosa de libertação e encarnação de toda aquela selvageria reprimida com dor e desejo em nosso mais profundo interior, alimentada por traumas pessoais e familiares, perturbação política e social (ditadura e escravidão) e a própria raiz evolutiva da nossa espécie – instintiva, longa e agressiva. Felizmente a jovem Democracia e suas Leis de civilidade, com recente peso da cultura e das artes, e do abalado convívio social pela pandemia, falaram mais alto. O demônio foi exorcizado, mas ele ainda paira sobre a sociedade das redes e da TV. Depois de colocar o animal social brasileiro em alta tensão, e levá-lo para o divã midiático da terapia, a consulta prévia termina (eu disse, termina, não acaba) com as franjas mais sectárias de uma base frustrada pela religião, tonta e cambaleante, olhando titubeada para os lados e tentando enxergar outras lideranças para a possessão. A aventura do animal político na selva de pedras, algoritmos, IA (generativa) e redes sociais continua. É sobrevivência! É luta!
25. Trampolim para Brasília. O candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) admitiu publicamente não ver problema algum em renunciar ao cargo de prefeito para se candidatar à presidência da República. É evidente que é esse o seu desejo supremo, sendo a atual campanha para a Prefeitura apenas uma vitrine para se tornar conhecido e o cargo de prefeito, caso eleito, um mero trampolim para alcançar a Presidência. À parte a vertente ideológica deste ou daquele candidato, seria de bom-tom a legislação eleitoral rever a procedência desse expediente. Os eleitores conscientes, assim como a população verdadeiramente interessada nos problemas do Município, querem um mandatário comprometido com o cargo durante todo o mandato, e não alguém que assume a função já pensando no governo do Estado ou na Presidência. Já passou da hora de acabar com essa farra.
26. A seca perfeita! Sucessão em cadeia de problemas... Os eventos climáticos extremos foram politizados. Para desestabilizar um Governo, pessoa ou adversário, fazem-se vários ataques simultâneos, e de vários ângulos e níveis, ao oponente. Se já houver um problema central, ótimo! Pega-se carona nele e semeia mais efeitos colaterais. Uma sucessão em cadeia sobre ele é a “tempestade/seca perfeita" para desestabilizar e dominar. Por exemplo atual, os efeitos da seca pelo país, que ainda podem ser agravados. Ilustrando:
País tem fogo recorde, e SP fica entre piores ares do mundo.
- seca prolongada;
- nível dos rios rebaixado;
- fumaça espalhada por mais da metade do Brasil;
- poluição na cidade a inédito patamar.
- A estiagem comum no inverno tem sido mais intensa e prolongada;
- Rios enormes como o Madeira e o Paraguai têm níveis baixíssimos;
- Neste ano, o número de focos de incêndio no Brasil já é o dobro do registrado no ano passado.
- As fumaças das queimadas seguem se espalhando pelo país;
- A estimativa atual é que 60% do território nacional esteja sob cinzas;
- No Pantanal e na Chapada dos Veadeiros, o panorama é especialmente grave.
- Como consequência, a qualidade do ar em metrópoles como São Paulo chegou a níveis de risco para a saúde pública.
- Uma empresa suíça que mede o nível de poluição em 120 grandes cidades do mundo botou pela primeira vez São Paulo no topo do ranking mundial.
- A seca reduziu drasticamente a vazão de água no Rio Pinheiros, na capital paulista, e a proliferação de algas fez sua coloração ganhar um tom esverdeado.
27. Primeiro você causa um racha para depois se unir. O intuito é pautar. Por exemplo: “Ato de 7 de Setembro agrava racha entre Marçal e o Bolsonarismo”. Aliados fazem circular vídeos, memes e imagens, os jornais aliados pautam em manchetes e matérias, charges e notícias nas diferentes redes... Enfim, a corrida eleitoral se torna pano de fundo de disputa pelo protagonismo da direita, por exemplo.
28. Quadrilha de Fake News. Propaganda política Fake começa 7 meses antes da propaganda oficial. RJ: operação da PF. Quadrilha espalhava notícias falsas em Eleições Municipais. Lugares como ponto de ônibus eram os preferidos para espalhar informações falsas. Influenciaram pontos em pelo menos 13 cidades no Estado do RJ durante quase 10 anos. As mentiras precisavam ser bem contadas, tanto que atores amadores passavam por treinamento, faziam provas, para ver se estavam preparados para divulgar o conteúdo criminoso. Cada um recebia R$ 2 mil por mês para fazer o serviço, e os coordenadores ganhavam um pouco mais: R$ 5 mil. Difusão de informações falsas via internet deixam marcas, é rastreável. Já a difusão em campo, gera mais credibilidade e não deixam marcas. Os atores amadores tinham que entregar relatórios sobre o número de eleitores abordados, e mais, precisavam indicar quantos prometiam mudar o voto. Partido do União Brasil estava no bolo. Atenta contra o Estado e a Democracia, ferindo as urnas e a vontade popular.
29. Paulistanos: renda e voto.
- Até
2 salários mínimos: 3 em 10 paulistanos.
- De 2 até 5 salários mínimos: 4 em 10 paulistanos. Renda média.
4 + 3 = 7. Ou seja, 7 em 10 paulistanos dependem mais dos serviços prestados pela prefeitura e poder público. Importa menos se o prefeito é de direita/esquerda e mais os benefícios sociais (somados com muita campanha e propaganda, mais os puxadinhos). Ou seja, a entrega (que vem reforçada com muita propaganda no rádio e na TV e no corpo a corpo). A pergunta que pesa é: “fui beneficiado?”.
Outro ponto que pesa nessa classe de renda média é no jogo da direita. Como faz? Tipo os servidores públicos, a direita (Calmon) atrai ela do Centro para a Direita, e vai empurrando a Esquerda bem para a esquerda, isto é, vai esmagando a esquerda na parede.
Enfim, é a base da pirâmide de renda do eleitorado quem acaba decidindo as eleições.
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