“A função do Estado é reduzir a
desigualdade de oportunidades, o que se consegue mais rápido por meio de uma
política fiscal equilibrada: taxar mais o mais ricos e menos os mais pobres. Só
assim é possível realocar recursos de forma eficiente para reduzir os desníveis
sociais. Existem exemplos particulares que devem ser aplaudidos, mas quantos
tentam e não conseguem? Quantos sofrem todos os dias para tentar conseguir o
básico – alimentação, moradia, saúde, educação? Não é uma questão de
meritocracia. Primeiro eu preciso corrigir a desigualdade de oportunidades, que
leva à desigualdade de renda. Só depois eu posso avaliar a desigualdade de
desempenho, de um indivíduo para o outro” (Carla Beni, economista).
Na década de 1990, os chineses aceitavam a crescente desigualdade do país, na esperança de que teriam oportunidades de ascensão social no futuro próximo. Mas, essa expectativa não se concretizou. Agora, eles mudaram a percepção sobre os motivos que levam as pessoas a serem ricas ou não.
Em 2004, eles acreditavam que a principal razão pela qual as pessoas eram pobres estava ligada à falta de capacidade e esforço. Já os principais fatores de riqueza (o sucesso econômico) seriam habilidades e talento, seguidos pela educação e trabalho duro.
Agora os chineses culpam o sistema e perdem a fé na Meritocracia. A desigualdade é de responsabilidade do sistema econômico, e não a falta de esforço. Os maiores determinantes da riqueza são: 1) nascer em uma família rica; 2) Conexões.
Brasileiro pobre (que está entre os 10% mais pobres da população) precisaria viver 9 gerações ou 180 anos para chegar à classe média do país, considerando as atuais condições de renda, educação, trabalho e saúde. Mobilidade social no Brasil é uma das mais restritas do mundo! O país só perde para a Colômbia (11 gerações). A mobilidade social é desejável e necessária, senão viveremos um sociedade de castas (Fonte: OCDE).
Hoje, temos o “Critério Brasil de Classificação Econômica”, que dividiu a população nas classes A, B, C, D e E. A versão mais recente considera classe A quem tem renda média familiar de R$ 21, mil. Já a renda média mensal das classes D/E está em R$ 900.
Quando o Estado não enfrenta a questão, ele próprio promove a desigualdade. Como eu posso falar em igualdade de oportunidades, por exemplo, se 48% da população não conta com saneamento básico?
Porém, em se tratando de política pública, a principal delas para favorecer a mobilidade social é a educação, a capacitação do indivíduo, que muitas vezes migra do trabalho braçal para o intelectual.
Outro aspecto para se pensar é o de que muita gente pensa que o principal entrave para se lançar em um negócio é o crédito. Mas na verdade é a autoestima. Essas pessoas se sentem completamente despreparadas. É preciso fazê-las enxergar que elas podem ir além do assistencialismo. Junto a com a visão, as condições. A população pobre convive com uma série de desvantagens diariamente que só perpetuam a sua condição e tornam a competição no mercado de trabalho muito desigual. Elas moram longe e mal, ganham pouco, a distância da casa ao trabalho não só prejudica a sua qualidade de vida, como as impede de estudar, porque não têm tempo. Elas não se alimentam corretamente, o que acaba prejudicando a sua saúde, e os serviços de assistência médica são precários. Daí a importância das políticas de ação afirmativa, na tentativa de minimizar, em parte, tamanha desigualdade. É uma saída para impedir que a pobreza se repita, geração após geração.
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