Antes, as maiores taxas de evasão escolar estavam no Ensino Fundamental. As etapas de transição eram as mais críticas (5º e 9º ano). Hoje, a realidade é outra.
A maioria (57%) dos brasileiros de 14 a 29 anos que não conseguiram concluir o Ensino Médio só foi desistir da escola aos 17 anos ou mais. Isso significa que o pico da evasão hoje está concentrado no Ensino Médio (na primeira série desta etapa, chega a 8,2% dos alunos. Na série seguinte, são 7,9%. O 9º ano do fundamental também registra taxas altas (4,7%), mas, no restante do fundamental, as proporções são sempre inferiores a 3%.
O lado bom desses números é que, hoje, o brasileiro permanece mais tempo na escola. A taxa de jovens de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio deu um salto de 14% para 75% entre 1985 e 2022. Já o lado ruim é o de que o retrato do presente segue preocupante e insatisfatório, se considerarmos que 1 em 4 brasileiros dessa faixa não frequenta a etapa adequada, estando alguns ainda atrasados no fundamental, e outros já evadidos.
As causas da evasão também mudaram.
Diferentemente do que ocorria no passado, a falta de vagas não é mais o
principal obstáculo (respondendo em 2022 por apenas 3% das razões). A mais
citada hoje é:
·
A
necessidade de trabalhar, maior para homens do que para as mulheres;
·
O
desinteresse pelo estudo, em geral, sem grande diferença por sexo;
· A gravidez ou necessidade de cuidar de pessoas e afazeres domésticos.
Melhorar a qualidade do ensino é relevante, mas, para combater a evasão, é preciso pensar em ações multissetoriais. Os dados mostram uma profunda desigualdade de gênero, sendo necessárias políticas públicas focadas para combatê-las. Combater a evasão escolar implica evitar o ingresso precário no mercado de trabalho, reduzir a gravidez precoce não planejada, oferecer alternativas de conciliar estudo e trabalho ou cuidados domésticos para quem ainda não têm outra opção.
Enfim, a escola é muito importante, mas
não basta olhar apenas para ela.
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