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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 19 de junho de 2023

O padrão de evasão escolar mudou.

 

Antes, as maiores taxas de evasão escolar estavam no Ensino Fundamental. As etapas de transição eram as mais críticas (5º e 9º ano). Hoje, a realidade é outra.

A maioria (57%) dos brasileiros de 14 a 29 anos que não conseguiram concluir o Ensino Médio só foi desistir da escola aos 17 anos ou mais. Isso significa que o pico da evasão hoje está concentrado no Ensino Médio (na primeira série desta etapa, chega a 8,2% dos alunos. Na série seguinte, são 7,9%. O 9º ano do fundamental também registra taxas altas (4,7%), mas, no restante do fundamental, as proporções são sempre inferiores a 3%.

O lado bom desses números é que, hoje, o brasileiro permanece mais tempo na escola. A taxa de jovens de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio deu um salto de 14% para 75% entre 1985 e 2022. Já o lado ruim é o de que o retrato do presente segue preocupante e insatisfatório, se considerarmos que 1 em 4 brasileiros dessa faixa não frequenta a etapa adequada, estando alguns ainda atrasados no fundamental, e outros já evadidos.

As causas da evasão também mudaram. Diferentemente do que ocorria no passado, a falta de vagas não é mais o principal obstáculo (respondendo em 2022 por apenas 3% das razões). A mais citada hoje é:

·       A necessidade de trabalhar, maior para homens do que para as mulheres;

·       O desinteresse pelo estudo, em geral, sem grande diferença por sexo;

·       A gravidez ou necessidade de cuidar de pessoas e afazeres domésticos.

Melhorar a qualidade do ensino é relevante, mas, para combater a evasão, é preciso pensar em ações multissetoriais. Os dados mostram uma profunda desigualdade de gênero, sendo necessárias políticas públicas focadas para combatê-las. Combater a evasão escolar implica evitar o ingresso precário no mercado de trabalho, reduzir a gravidez precoce não planejada, oferecer alternativas de conciliar estudo e trabalho ou cuidados domésticos para quem ainda não têm outra opção.

Enfim, a escola é muito importante, mas não basta olhar apenas para ela.

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