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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 19 de junho de 2023

E cadê a Covid-19?

Maior fator de não vacinação contra Covid-19 é econômico. 

As desigualdades socioeconômicas do Brasil têm impacto forte na taxa de vacinação, mesmo em campanhas com aplicação gratuita. Durante os últimos 2 anos de imunização para Covid-19, os municípios com pior cobertura da campanha foram aqueles mais pobres, com menor escolaridade média e maior população negra.

As mulheres se vacinam com mais frequência que os homens, e os idosos (grupo mais vulnerável ao coronavírus) se vacinou melhor que os adultos mais jovens.

A Covid-19 permitiu mostrar um problema de base no programa de vacinação do país. Ela é uma nova doença, com uma estratégia de vacinação muito complexa (tem a sequência de doses em períodos e por faixa etária), e nessa situação as desigualdades de acesso tendem a se reproduzir de forma magnificada. Daí o tamanho do desafio para o PNI (que tem como diretor Eder Gatti), presente em todas as regiões do país e que teoricamente deveria alcançar todo o público. Essas disparidades entre locais com diferentes gruas de desenvolvimento comprometem a universalidade do programa.

Ou seja, além do combate ao negacionismo científico, os ataques do movimento antivacina e a um maior reconhecimento do Estado no papel da vacinação, ainda tem esse problema de base das desigualdades. O acesso à vacina, ou seja, o acesso ao serviço de saúde, é muito sensível a determinantes sociais. Infelizmente o nosso país é muito desigual. O sistema deveria ser equânime, mas a desigualdade coloca os mais pobres em desvantagem. Além do Zé Gotinha, o problema terá que ser enfrentado com um desenho de estratégias diferenciadas, um desafio para gestores de saúde planejarem a cobertura dessas lacunas. Isto é, os municípios precisam ter ferramentas de planejamento. Com elas é possível elaborar estratégias de vacinação que fazem com que o serviço de saúde chegue até o não vacinado, incluindo vacinação fora do sistema de saúde e busca ativa de não vacinados.

O problema em muitos casos não é de disponibilização da vacina por si só, mas de planejamento. Envolve administração de doses fracionadas, logística, transporte e comunicação para fazer populações chegarem até o posto de saúde para vacinação no dia certo, ou alcançá-las com postos móveis. Sobretudo em áreas rurais – tudo isso é muito difícil. Infelizmente, essa é uma realidade brasileira que ficou mais crítica nos últimos anos. No médio e longo prazo, é preciso uma reestruturação da atenção primária, que envolve valorização de profissionais de saúde, financiamento e estruturação.

Enfim, tudo isso é muito pior que a ideologia. Em um país ainda surtado com o bolsonarismo, precisamos de menos foco às falsas ideias e nos encontrar nas boas ações. Afinal, não são poucos os municípios mais pobres, com menor escolaridade e maior população negra precisando de assistência de toda sorte.

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