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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 11 de junho de 2023

A função do espaço distorcida.

 

Ao se tornar geográfico, o espaço ganha um sentido, um significado humano. A partir daí estão dados os limites e as possíveis infrações. Veja um exemplo:

No Rio de Janeiro, a praia de Copacabana tem um calçadão e uma ciclovia que recebem famílias, amigos e turistas, principalmente nos finais de semana e feriados. A função daquele espaço para essa gente é transitar no limite de 20 km/h, isto é, realizando exercícios moderados ou passeando com vista para o mar. Onde era para acontecer caminhada, uma corrida ou pedalada de leve virou uma pista para as scooters, ciclomotores de duas ou três rodas que podem chegar a 60 km/h.

Seja por moda ou exibição, praticidade ou economia, as scooters elétricas tomaram o espaço dos transeuntes, expondo-os a riscos de acidentes e infrações de trânsito. Elas são mais potentes que as bicicletas e não são simplesmente complementares à mobilidade naquele espaço. O conflito gerado vem da disputa de velocidade anunciada pelas buzinas e os riscos de acidentes e infrações de trânsito. Um espaço que deveria ser para relaxar se torna mais um ambiente competitivo, gerador de estresse e conflitos.

Há algo que alimenta o uso indevido da novidade – o aluguel irregular desses ciclomotores. O passeio de 60 minutos chega a custar R$ 120. Uma volta de meia hora, R$ 80. O sistema é invasivo, seja pela força da necessidade ou da ganância, ele sempre encontra meios de lucrar. O comércio hoje entra sem bater. Na praia, ambulantes. No filme, na novela ou no jornal, propagandas. Na vestimenta, a estampa das empresas. E por aí vai...

O exemplo serve para mostrar que o espaço se torna geográfico quando ele ganha regras e funções de uso. Seja o trânsito ou nosso quarto, uma praça pública ou um local sagrado, um espaço de festas ou a escola, uma empresa ou em parque, uma fazenda ou uma floresta, uma área de lazer ou um terreno privado, uma área de proteção ambiental ou um território indígena, um grupo de WhatsApp ou o meu próprio corpo, o espaço geográfico é essa porção local ou global humanizada e delimitada por funções específicas. Ora, e o que dizer do Planeta Terra? Qual é a função dele para nós humanos e como a gente vem transitando nele?

Enfim, quando a função do espaço é distorcia, ou se combatem os infratores ou sai da frente! Mais do que regulamentação e repreensões, o conhecimento e a consciência sobre as regras. Mais do que bom-senso, punições e multas, respeito. Depois da preservação, a convivência é o grande desafio dos/nos espaços geográficos. Uma coisa está atrelada à outra. 

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