Se o Estado não chegar logo na Amazônia, o Mercado vai pegar primeiro!
Em vez
do Ministério do Desenvolvimento, precisamos ter ministérios do Envolvimento
chamando empresas, estados, municípios e sociedade a envolver-se com uma
economia que promova a justiça social e ambiental. Os organismos de
financiamento, assistência técnica, pesquisa e tecnologia devem se “harmonizar”.
Todo mundo junto!
“A humanidade exige a preservação da Amazônia, mas muitas vezes esquece que há 28 milhões de humanos que vivem na região e anseiam por melhor qualidade de vida” (Lula).
Modelos extremados e equivocados para a gestão da maior floresta tropical do planeta...
1.
Há
os que defendem “passar a boiada”, afrouxando o combate ao desmatamento e
estimulando um modelo histórico e predador, ideologia capitaneada pelo governo
Bolsonaro nos últimos 4 anos;
2. E há aqueles que, sem entender a dimensão socioambiental, propõem fechar a Amazônia numa redoma intransponível a qualquer atividade econômica, mantendo assim a situação atual de carência do povo que mora na região.
Deve ser motivo de reflexão o voto maciço que houve em parte da região Norte pela continuidade da permissividade e do conluio com crimes ambientais. A maioria dos amazônidas foi levada a acreditar que a defesa do meio ambiente impedirá o crescimento econômico. Essa é uma tremenda fake news potencializada na campanha eleitoral de 2022, o que fez Lula perder na região.
Aliás, o mundo entendeu a importância do
Brasil e sabe que, sem Amazônia, não tem futuro. Mas o Brasil entende a
Amazônia? E os 28 milhões ou os 13% de brasileiros que vivem na Amazônia entendem? A
julgar pelas eleições, temos problemas. Enquanto o Nordeste garantiu a vitória
de Lula, dando uma chance à democracia e ao meio ambiente, igualmente
ameaçados, nos estados amazônicos, com exceção de Pará e Amapá, a vitória foi
de Bolsonaro, com grande vantagem nos municípios do “arco do desmatamento”,
dominados pela nova “corrida do ouro”.
A verdade é que a região pode crescer, gerar emprego e renda, melhorar as condições de infraestrutura, produzir do minério de ferro ao açaí, sem ameaçar nem unidades de conservação nem terras indígenas, mantendo e regenerando a floresta em pé, além de cumprir a Constituição. Entretanto, essa pauta tem de partir dos próprios amazônidas, o que implica um processo de mobilização social e conscientização.
A indústria 4.0 comprometida com o meio ambiente aposta num novo tipo de industrialização, pautada no modelo de “Zonas Francas Verdes”. Ela faz parte da bioeconomia – sistema que reúne as atividades produtivas baseada em recursos naturais renováveis, com alta agregação de tecnologia e ampla aplicação em alimentação, fármacos, cosméticos, indústria química e energia limpa. Por exemplo, já se produz madeira com certificado internacional de boas práticas de manejo em Unidades de Conservação de Uso Sustentável.
Em outras palavras, se o Estado não chegar logo na Amazônia, o Mercado vai pegar primeiro! Há necessidade de se investir em infraestrutura sustentável por lá: rodovias, portos, aeroportos, energia elétrica, comunicações, condições urbanas dos municípios e saneamento básico. Ou seja, é fundamental reforçar qualitativa e quantitativamente a presença do Estado na Amazônia. Trata-se de equipar e ampliar a estrutura, o pessoal e as condições para monitorar com inteligência e fazer cumprir a lei na região. A Amazônia tem que voltar a ser parte da solução para os desafios climáticos da humanidade, um bom debate para a COP27.
Enfim, não só é possível, como urgente e imprescindível, conciliar desenvolvimento e meio ambiente. A Amazônia pode gerar emprego e renda sem deixar de ser Amazônia!
O
futuro precisa ser verde.
A crise climática é uma ameaça existencial a nosso futuro, empregos, alimentos, filhos, lares e ao planeta. Encontrar soluções requer uma cooperação global. Temos a grande oportunidades, e muitos motivos, para nos unirmos diante de um problema real que afeta, e afetará mais ainda, a todos! Devemos intensificar a ação global para reduzir as emissões de carbono e nos adaptarmos aos impactos climáticos, cumprindo e ampliando as metas anteriores. A cooperação pela conservação da biodiversidade na Amazônia tem o poder de reunir instituições governamentais, sociedade civil e setor privado. As estratégias para o crescimento econômico devem estar focadas na sustentabilidade e no apoio a esforços climáticos mais amplos. Podemos todos contribuir no combate à crise climática com a criatividade, visão e liderança climática de empresas brasileiras, sociedade civil, universidades, comunidades indígenas e governos.
Ousadia e inovação. Temos que cuidar de
20% da biodiversidade e de 12% da água doce do planeta e não conseguiremos com
uma população faminta, educação sucateada, tecnologia atrasada, infraestrutura
inadequada e gestão político-econômica feita em gabinetes e escritórios a 3 mil
quilômetros de distância. Será preciso inovar para superar esses atrasos, nada
menos que inventar o desenvolvimento sustentável, que ainda não existe.
O novo Código Florestal está aí, ansioso
por se tornar realidade, buscando esse diálogo entre produção e preservação,
produtores rurais e ambientalistas. Com ele, o novo governo Lula poderá
reassumir a liderança do Brasil no mundo!

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