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“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Direita x Esquerda: as origens.

Direita x Esquerda: as origens.

Como surgiu essa polarização ideológica? Quais são as vertentes filosóficas que deram base para os dois lados? Por que esse antagonismo não é, definitivamente, uma disputa entre o bem e o mal?


COMO SURGIU ESSA POLARIZAÇÃO IDEOLÓGICA

Foi um motivo bastante circunstancial que se fez ouvir falar, pela primeira vez, em posicionamentos políticos de direita e de esquerda. Como nas torcidas de futebol, ou seja, por uma questão de afinidades e força de grupo, o impacto da Revolução Francesa na Monarquia do século XVIII rachou a composição dos agrupamentos políticos bem diversos que passaram a formar as primeiras Assembleias Constituintes da época. Os que defendiam a manutenção da autoridade da Monarquia (a autoridade do Rei) se juntaram em um dos lados do Parlamento, à DIREITA do presidente da Assembleia. Os que lutavam por transformações mais profundas e rápidas, esvaziando o poder real e os privilégios da nobreza, se agruparam à ESQUERDA. Nascia naquele momento o conceito de “esquerda e direita”. Porém, as noções de “progressista” e “conservador” variam conforme o contexto, o tempo e o lugar. Poderia ter sido ao contrário, mas foi assim. Enfim, estava posto o alvorecer a polarização entre progressismo (esquerda progressista) e conservadorismo (direita conservadora), que provocaria debates acalorados entre alguns dos mais importantes pensadores da história.

Os revolucionários identificados com o lado esquerdo foram ganhando mais e mais espaço. Isso culminou no rei destronado, a instauração da República e a derrocada de opositores da elite. Nasceu a esquerda da revolução. No meio dessa história toda, vale destacar o jornalista Gracchus Bebeuf, um socialista antes que existisse socialismo, que incomodou os dois lados da política com suas ideias de coletivização das terras, compartilhamento dos bens e ataques à iniciativa privada. Foi ainda um precursor do anarquismo ao defender com veemência que, se não podiam interferir na vida política, os pobres também não estariam obrigados a cumprir a lei. Ele foi guilhotinado na época. Anos mais tarde, Babeuf seria uma inspiração para Karl Marx e seu Manifesto Comunista.

Na outra ponta, os “conservadores” e os “reacionários”. Os conservadores têm raiz no Edmund Burke, o pai do conservadorismo moderno. Rejeitava o culto ao progresso e as ideias inéditas. Dizia que um conjunto de leis deveria se basear na tradição, na experiência acumulada ao longo dos séculos. Ou seja: na “conservação” dos melhores valores que a sociedade produziu. Era favorável à liberdade de comércio, à propriedade privada e aos direitos herdados. Já os “reacionários” são uma linhagem mais radical, de que se alimenta a extrema-direita no mundo. Seu referencial é o filósofo Joseph de Maistre, que tinha uma interpretação autoritária do conservadorismo, baseada em “trono e altar”. Nada de Estado laico: para ele, os governos deveriam ser conduzidos por uma Constituição cristã, uma teocracia, e o poder do papa estaria acima de tudo. Enfim, conservadores e reacionários não são a mesma coisa. Os primeiros querem que as leis se baseiem na experiência da sociedade. Os segundos tendem ao radicalismo.

 

Vejamos então QUAIS SÃO AS VERTENTES FILOSÓFICAS QUE DERAM BASE PARA OS DOIS LADOS:

Direita

·       Adam Smith (1723-1790), teórico da economia de mercado.

·       John Locke (1632-1704), fundador da filosofia do liberalismo econômico.

·       Edmund Burke (1729-1797), fundador do conservadorismo moderno.

·       Joseph de Maistre (1753-1821), ícone do pensamento reacionário.

·       Milton Friedman (1912-2006), pesquisador da análise do consumo e da história monetária.

·       Franklin Roosevelt (1882-1945), presidente dos EUA, pai do New Deal.

·       Margaret Thatcher (1925-2013), primeira-ministra do Reino Unido, a “Dama de Ferro”.

·       Joseph Mccarthy (1908-1957), senador americano, perseguidor de comunistas.

·       Donald Trump (1946-), presidente dos EUA.

·       Roberto Campos (1917-2001), economista, diplomata e político.

·       Angela Merkel (1954-), chanceler da Alemanha.

Esquerda

·       Lenin (1870-1924), líder da Revolução Russa.

·       Mao Tsé-Tung (1893-1976), líder comunista da China.

·       Gracchus Babeuf (1760-1797), precursor do socialismo na França.

·       Karl Marx (1818-1883), autor do Manifesto Comunista.

·       Fidel Castro (1926-2016), revolucionário e ditador cubano.

·       Eric Hobsbawn (1917-2012), historiador marxista.

·       Oscar Niemeyer (1917-2012), arquiteto, militante do Partido Comunista Brasileiro.

·       Paulo Freire (1921-1997), pedagogo, autor de Pedagogia do Oprimido.

·       Carlos Marighella (1911-1969), político e guerrilheiro comunista.

·       Marielle Franco (1979-2018), socióloga e política.

·       Bernie Sanders (1941-), senador progressista dos EUA.


Dois fenômenos merecem destaque: um na Rússia e outro nos EUA. Na Rússia, enquanto a esquerda era associada aos que abraçavam sem questionamento a ideia de uma Ditadura do Proletariado, a direita era composta por aqueles que exaltavam valores patrióticos. Ambas, porém, eram igualmente comunistas. Nos EUA de hoje, mesmo com liberdade plena de pensamento, é parecido – só que ao contrário. Os dois partidos que polarizam a política do país, tanto o Democrata, mais progressista, quanto o Republicano, de tendência conservadora, vestem a camisa do capitalismo. Aliás, defender o socialismo numa campanha eleitoral americana é suicídio político (o Bernie Sanders que o diga!). Entretanto, crises vividas no país abalaram a vibrante economia de mercado, que fizeram autoridades ampliarem a intervenção do Estado na economia – uma bandeira associada à esquerda.


POR QUE ESSE ANTAGONISMO NÃO É, DEFINITIVAMENTE, UMA DISPUTA ENTRE O BEM E O MAL?

Com a Segunda Guerra Mundial, EUA e URSS propagaram uma disputa geopolítica furiosa entre americanos e soviéticos, dissipando ações para conquistar mais territórios e impor suas ideologias ao mundo – sempre com o intuito de criar blocos comerciais que garantissem uma abundância de recursos para cada um dos lados. A Guerra Fria, na América, gerou uma paranoia contra o comunismo. Ora, isso tem provocado muitos exageros cruéis, como uma caça às bruxas anticomunista. Algo muito mais político do que religioso.

Por isso, esquerda x direita, não travam uma disputa entre o bem x mal, como radicais de ambos os lados dão a entender. São exemplos extremos que nada têm a ver com indivíduos que defendem uma maior participação do Estado em políticas sociais e econômicas ou a relação com cidadãos que consideram o mercado livre e impostos baixos como pilares para a criação de riqueza. A divisão, no fundo, é aquela inicial da origem dos termos “progressista” e “conservador”. Um lado pede mudanças rápidas, a começar pela intervenção do Estado para a redução da desigualdade. O outro entende que certos valores fizeram a sociedade chegar até aqui, como o livre mercado, e que mexer com eles é um retrocesso. Olhando para os dois lados, mas se situando mais à esquerda, daí há mais elementos para o bem comum e vez do bem apenas individual. Para além do obscurantismo, o fundamental é o humanismo dentro de cada um.

Enfim, seja do lada de lá ou do lado de cá, para reconhecer uma ditadura, observe a liberdade de pensamento – não existe! “A utopia é provavelmente um dispositivo social necessário para gerar os esforços sobre-humanos sem os quais nenhuma grande revolução é alcançada” (Eric Hobsbawm).

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