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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 13 de novembro de 2022

Lula acena ao Agro.

Garantia de preço e crédito...

O plano do Governo Lula.3 é se reaproximar do agronegócio com uma nova política agrícola de abastecimento e crédito, setor que não lhe deu apoiou majoritário na eleição e que responde por mais de 1/4 do PIB do país.  

Lula tentará apoio da bancada ruralista, a maior e mais organizada do Congresso, ainda que a maioria caminhe para a oposição. Ele pretende manter a promessa de priorizar a questão ambiental, e isso também vai refletir na política agrícola. Seu objetivo será convencer os produtores de que nenhuma ação ambiental ferirá interesses internos, mostrando que o Agro só tem a ganhar com a produção sustentável (chave para o acesso a mercados com a União Europeia e o Mercosul, China e países árabes, favorecendo as exportações).

Principais pontos do Plano Lula.3 para o Agro:

·       Trata-se de um plano de financiamento, garantia de preços mínimos e expansão;

·       Cobrança de juros menores para agricultores com produção ambientalmente sustentável (os juros atuais são de 11,5% ao ano);

·       Ampliação do atual Plano Safra, orçado em R$ 341 bilhões para a safra 2022/2023 (recursos públicos para financiar o plantio e a comercialização da produção);

·       Retomada dos estoques reguladores de alimentos, usados pelo setor público para melhorar preços para produtores e até combater a inflação (produtos como arroz, feijão, café, milho, trigo, algodão, açúcar e farinha de mandioca podem ficar armazenados ou estocados em locais públicos ou privados para melhorar a rentabilidade do produtor);

·       Conversão de áreas de pastagem degradadas em zonas de cultivo para a agricultura, visando frear o desmatamento;

·       Reposicionar a produção brasileira no mercado internacional, ampliando os destinos das exportações e aumentando o valor agregado de produtos enviados a parceiros tradicionais, como China, Europa e países árabes (a China é a maior importadora da soja brasileira, e pode ser também do farelo de soja com as novas negociações). Enfim, estimular a diversificação dos destinos das exportações brasileiras;

·       Fazer investimentos em infraestrutura e diminuir os juros do crédito rural;

·       Incentivar práticas sustentáveis com melhores condições de acesso aos empréstimos;

·       Estimular a recuperação de áreas degradadas (se o Brasil planta 40 milhões de soja e tem 30 milhões de hectares de pastagens que poderiam ser convertidos em plantações sem desmatar, há potencial para quase dobrar a produção);

·       Lula reafirma o compromisso com o desmatamento zero da Amazônia e lançará a proposta de o Brasil sediar a conferência do clima de 2025, ou seja, a COP30 no Brasil. Que tal? Uma tentativa do país se reposicionar no cenário internacional, posição destruída por Bolsonaro;

·       Trabalhar muito a questão jurídica, ponto preocupante para o produtor que deseja estrutura legal de propriedade de terras, mas com um olhar protetivo para os sem-terra, as reservas ambientais e as terras dos povos originários. Será um desafio reduzir ou acabar com os conflitos no campo, agora mais armados.

Embora uma boa parte dos produtores aderiu a Bolsonaro, a maior parte do agronegócio brasileiro quer produzir com sustentabilidade para evitar barreiras comerciais lá fora. Quem é favorável à exploração ilegal de minérios e às queimadas na Amazônia é uma minoria. É preciso acabar com o confronto criado artificialmente entre o agro e o meio ambiente. O confronto é com a ilegalidade, que nada tem a ver com o produtor rural.

O mundo vai precisar de mais e mais toneladas de alimentos, poucos países podem fazer isso. Atingimos a marca de 8 bilhões de pessoas no planeta. O Brasil tem tudo: terra, clima, gente, trator e conhecimento. E temos capacidade de fazer tudo isso, com respeito ao meio ambiente, usando menos agrotóxicos.

A ida de Lula à COP27 é vista como uma chance de melhorar a imagem do país e beneficiar também o setor agrícola. É preciso blindar biomas como a Amazônia de avanço da fronteira agrícola e seguir a cartilha internacional para cumprir metas de redução de emissões de carbono. E tudo isso sem ferir todos os interesses do setor. Ou seja, é muito desafiador! Mas, Lula vai atender aos anseios internacionais e ambientais e reestabelecer o protagonismo internacional que o Brasil sempre teve nos mercados agrícolas.

Enfim, Lula não é “inimigo do agro”, mas da depredação do povo e do meio ambiente. Por isso, resta saber como ficará a reforma agrária e a agricultura familiar no meio dessas negociações todas com o agronegócio. Certeza, não ficarão em vão!

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