Garantia de preço e crédito...
O plano do Governo Lula.3 é se reaproximar do agronegócio com uma nova política agrícola de abastecimento e crédito, setor que não lhe deu apoiou majoritário na eleição e que responde por mais de 1/4 do PIB do país.
Lula tentará apoio da bancada ruralista, a maior e mais organizada do Congresso, ainda que a maioria caminhe para a oposição. Ele pretende manter a promessa de priorizar a questão ambiental, e isso também vai refletir na política agrícola. Seu objetivo será convencer os produtores de que nenhuma ação ambiental ferirá interesses internos, mostrando que o Agro só tem a ganhar com a produção sustentável (chave para o acesso a mercados com a União Europeia e o Mercosul, China e países árabes, favorecendo as exportações).
Principais pontos do Plano Lula.3 para o Agro:
·
Trata-se
de um plano de financiamento, garantia de preços mínimos e expansão;
·
Cobrança
de juros menores para agricultores com produção ambientalmente sustentável (os
juros atuais são de 11,5% ao ano);
·
Ampliação
do atual Plano Safra, orçado em R$ 341 bilhões para a safra 2022/2023 (recursos
públicos para financiar o plantio e a comercialização da produção);
·
Retomada
dos estoques reguladores de alimentos, usados pelo setor público para melhorar
preços para produtores e até combater a inflação (produtos como arroz, feijão,
café, milho, trigo, algodão, açúcar e farinha de mandioca podem ficar
armazenados ou estocados em locais públicos ou privados para melhorar a
rentabilidade do produtor);
·
Conversão
de áreas de pastagem degradadas em zonas de cultivo para a agricultura, visando
frear o desmatamento;
·
Reposicionar
a produção brasileira no mercado internacional, ampliando os destinos das
exportações e aumentando o valor agregado de produtos enviados a parceiros
tradicionais, como China, Europa e países árabes (a China é a maior importadora
da soja brasileira, e pode ser também do farelo de soja com as novas
negociações). Enfim, estimular a diversificação dos destinos das exportações
brasileiras;
·
Fazer
investimentos em infraestrutura e diminuir os juros do crédito rural;
·
Incentivar práticas sustentáveis com melhores condições de acesso aos empréstimos;
·
Estimular
a recuperação de áreas degradadas (se o Brasil planta 40 milhões de soja e tem
30 milhões de hectares de pastagens que poderiam ser convertidos em plantações
sem desmatar, há potencial para quase dobrar a produção);
·
Lula
reafirma o compromisso com o desmatamento zero da Amazônia e lançará a proposta
de o Brasil sediar a conferência do clima de 2025, ou seja, a COP30 no Brasil.
Que tal? Uma tentativa do país se reposicionar no cenário internacional, posição destruída por Bolsonaro;
· Trabalhar muito a questão jurídica, ponto preocupante para o produtor que deseja estrutura legal de propriedade de terras, mas com um olhar protetivo para os sem-terra, as reservas ambientais e as terras dos povos originários. Será um desafio reduzir ou acabar com os conflitos no campo, agora mais armados.
Embora uma boa parte dos produtores aderiu a Bolsonaro, a maior parte do agronegócio brasileiro quer produzir com sustentabilidade para evitar barreiras comerciais lá fora. Quem é favorável à exploração ilegal de minérios e às queimadas na Amazônia é uma minoria. É preciso acabar com o confronto criado artificialmente entre o agro e o meio ambiente. O confronto é com a ilegalidade, que nada tem a ver com o produtor rural.
O mundo vai precisar de mais e mais toneladas de alimentos, poucos países podem fazer isso. Atingimos a marca de 8 bilhões de pessoas no planeta. O Brasil tem tudo: terra, clima, gente, trator e conhecimento. E temos capacidade de fazer tudo isso, com respeito ao meio ambiente, usando menos agrotóxicos.
A ida de Lula à COP27 é vista como uma chance de melhorar a imagem do país e beneficiar também o setor agrícola. É preciso blindar biomas como a Amazônia de avanço da fronteira agrícola e seguir a cartilha internacional para cumprir metas de redução de emissões de carbono. E tudo isso sem ferir todos os interesses do setor. Ou seja, é muito desafiador! Mas, Lula vai atender aos anseios internacionais e ambientais e reestabelecer o protagonismo internacional que o Brasil sempre teve nos mercados agrícolas.
Enfim, Lula não é “inimigo do agro”, mas
da depredação do povo e do meio ambiente. Por isso, resta
saber como ficará a reforma agrária e a agricultura familiar no meio dessas
negociações todas com o agronegócio. Certeza, não ficarão em vão!
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