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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 9 de novembro de 2022

José Genoino: + esquerda, + radical!

 Gente, que história! Está na Revista Piauí!

“O desencanto pela política você só enfrenta se transformar a política em algo apaixonante. A direita esfola, oprime a gente, e a gente tem que pedir desculpa por existir? Ah, não dá, né, meu! Não quero disputar a institucionalidade, nem ter cargo. Quero experimentar fazer política sem mandato. Quero ser um propagador de causas. Cheguei à seguinte conclusão: o capitalismo não me cabe. O lucro, a competição, a selvageria não me cabem. Quero ser um rebelde desse sistema”.

 “Quando eu saí da prisão na ditadura, em 1977, eu ficava assustado quando via um carro de polícia. Quando saí da prisão em 2015, ficava assustado quando via um carro de televisão. Vivi duas guerras. A guerra da tortura começou no corpo e chegou na alma. A guerra do mensalão começou na alma e chegou no corpo. Na ditadura, matavam a pessoa na tortura ou no desaparecimento. Na Justiça de exceção, matam pela reputação. Não tem nada pior do que se sentir perseguido. Na prisão eu ficava mais tranquilo. Fui condenado pelo que eu era, não pelo que eu fiz. Precisavam incluir o presidente do PT no processo pra dizer que era formação de quadrilha. Você tem que estabelecer um limite, porque quando você se humilha, você morre. Compreendi que o caminho não é nem o dogmatismo, nem a diluição: não é nem a guerrilha maoísta (à qual aderi sob a ditadura), nem a defesa ingênua da social-democracia (papel que assumi como parlamentar por duas décadas). É uma mistura de ingenuidade e republicanismo achar que as instituições são neutras (desilusão com a política institucional). Minha bandeira é radicalizar a luta, com ampla mobilização de massas pelo triunfo do socialismo” (Genoino).

José Genoino nasceu numa família pobre do sertão semiárido do Ceará (povoado de Encantado, zona rural de Quixeramobim), virou líder estudantil, integrou a Guerrilha do Araguaia, foi preso e torturado, rompeu com o PCdoB, elegeu Deputado Federal, conhecia o regime da Câmara melhor do que os burocratas mais especializados, negociador hábil, foi presidente do PT e liderava uma tendência marxista-leninista. Passou por sérios problemas de saúde, teve aneurisma, foi condenado e preso na Papuda no caso de mensalão (em junho de 2005, o então deputado federal Roberto Jefferson denunciou que o governo vinha comprando votos no Congresso em troca de uma mesada – o chamado “mensalão”. Hoje em dia, com um orçamento secreto distribuindo bilhões de reais anonimamente em troca de votos, o mensalão parece coisa de batedor de carteira, mas, naquela época, foi tratado como um grande escândalo). Genoino foi condenado pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha (deste último, foi inocentado pouco depois pelo STF). Foi condenado por falsidade ideológica na Justiça de MG, cumpriu parte da pena na Papuda e outra parte domiciliar, ficou recluso e deprimido em casa. Hoje, todos os processos foram encerrados. Ele evita falar o nome Joaquim Barbosa e Bolsonaro; e agora voltou mais marxista do que antes!

“Eu achava que o programa de transformação do Brasil passaria pela institucionalidade. Mas, mesmo me especializando nisso, chegou o momento em que ela se mostrou limitada. As ruas, os direitos, o conflito, a contradição, as nossas exigências não cabem numa burguesia que por natureza o autoritarismo, o escravismo, o patriarcalismo e a violência. Por incrível que pareça, tirei uma lição em comum da experiência da guerrilha e do Parlamento: ou a gente organiza e mobiliza uma resistência popular, com enfrentamento, pressionando a burguesia, ou não vamos mudar esse país – nem através da ação armada, nem através da mera institucionalidade. Se o povo não entrar na história, se você não aposta no enfrentamento, por mais maleável que você seja, na hora H os caras te cortam – como fizeram conosco. Eu acreditava que, por meio do diálogo, a classe dominante ia ceder, e o PT conseguiria fazer seu projeto de transformação. Foi uma visão equivocada! Fui contrário à união com Alckmin desde o início. Não me oponho a fazer aliança ao centro, mas isso tem que ser ponto de chegada, não ponto de partida. Não podemos perder o discurso antissistema”.

O cara fez um chamado à luta revolucionária contra o capitalismo! “Não passa pela minha cabeça imaginar um processo de transformação do Brasil que não seja através do PT. Mas, defendo que o partido radicalize. Lula, o Nelson Mandela entrou na cadeia como radical e saiu como grande negociador. No seu caso, tem que ser o contrário: você entrou na cadeia como grande negociador, tem que sair como radical”.

Enfim, magnífico texto na Revista Piauí!


“Meu filho, tem quatro coisas que não entendi até agora. Primeiro, você queria ser doutor e a política o tirou da universidade. Segundo, você não queria trabalhar na roça, mas depois voltou pra roça pra fazer essa tal de guerrilha. Terceiro, você foi preso, achei que ia morrer, saiu da cadeia, virou deputado famoso e não ficou rico. Quarto, vocês ganharam a questão contra o governo  [ou seja: venceram uma eleição e viraram governo] e você tá nessa situação?” (Pai de Genoino). 

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