Nessa semana a Meta demitiu 11 mil funcionários num único deslizar da foice (13% da força de trabalho). A mensagem de Mark Zuckerberg foi: “Desculpas!”.
“Gente, é que durante a pandemia, o uso das plataformas digitais se ampliou muito, e eu acreditei que a mudança seria permanente, mas não foi. Entendi o momento errado. Desculpas!”.
A verdade é que tem mais informação escondida por trás dessa situação. A Meta é uma nau pesada, grande, de difícil manobra. E, nos últimos anos, os acontecimentos não estão colaborando. Vejamos quais:
1. A Meta é um
conglomerado estadunidense de tecnologia e mídia social com sede em Menlo Park,
Califórnia. Foi fundado por Mark Zuckerberg, junto com seus colegas de quarto e
alunos de Harvard. Antes se restringia em ser o Facebook, um popular site de
rede social global, hoje uma das empresas mais valiosas do mundo. É considerada
uma das cinco grandes empresas de tecnologia, juntamente com a Microsoft,
Amazon, Apple e Google. A Meta oferece outros produtos
e serviços além de sua plataforma de rede social Facebook, incluindo Facebook
Messenger, Facebook Watch e Facebook Portal. Também adquiriu Instagram,
WhatsApp, Oculus VR, Giphy e Mapillary, e tem 9,9% de participação na Jio Platforms.
2. O Fecebook tem
2,96 bilhões de usuários ativos mensais. O Instagram, 1,28 bilhão. E o
WhatsApp, 2 bilhões. A holding toca, todos os meses, mais da metade da
população on-line no planeta. 40% de todos nós, humanos! Quantas companhias, na
história da humanidade, podem dizer o mesmo? É difícil
crescer quando se tem esse tamanho, neh não?
3. Foi
assinado recentemente por toda a União Europeia o “Ato dos Serviços Digitais”
que proíbe empresas como a Meta de usar um de seus serviços para beneficiar
outros, o que fecha o espaço para concorrentes. Agora há imensos e novos limites
para o ouso dos dados pessoais de usuários para veicular publicidade digital.
Mesmo os algoritmos que escolhem que posts veremos terão de ser mais
transparentes.
4. A Apple também
impôs mudanças dificultosas. Todos sabem que os iPhones são a porta de entrada
para uma quantidade desproporcional de usuários do Facebook e, desde o ano
passado, a Apple começou a impor restrições pesadas para todo app que coleta
informação pessoal. Nas contas que o Facebook tornou
públicas, só neste ano de 2022 a mudança no sistema dos iPhones custará à
companhia US$ 10 bilhões. Há quem preveja bem mais. Com limitações ainda mais
rígidas agora valendo em todo o território europeu, o prejuízo só ganhará
escala.
5. Há também o
TikTok. A rede chinesa rapidamente chegou à posição de número um no ranking de
uso dos mais jovens – vale para o Brasil, para os EUA, para a Europa e para um
bom naco do mundo. A Meta respondeu a isso tentando
tornar o Instagram mais parecido com o app chinês, mas sem sucesso, e,
simultaneamente, alienando boa parte de seus usuários tradicionais. Face e
Insta estão começando a ficar com cara de velhos. Isso não quer dizer que não
tenha gente lá dentro – porque tem. Ora, tem aos bilhões. Só que não chega
ninguém novo faz um tempo.
6. E aí tem o problema da aposta que Mark Zuckerberg fez no metaverso. Chegou a mudar o nome da holding por isso. O problema é que a tecnologia de infraestrutura necessária para criar ambientes tridimensionais de realidade virtual onde as pessoas possam se encontrar não está pronta. Exige óculos caros, desconfortáveis, necessariamente ligados por cabos ao computador. Pois é: celular, mesmo dos melhores, não aguenta o tranco. Zuckerber talvez contasse que a aposta demoraria menos tempo para se mostrar viável. Mas, por enquanto, está ainda muito longe de atrair público e se tornou uma draga interna de investimento e cérebros.
Enfim, esta
é só a primeira demissão em massa da história inicial da Meta. No inovador Vale
do Silício, sempre que um bando de gente assim perde emprego, funciona como
semente. Dá um ano e startups inovadoras começam a pipocar.
NOTA: A crise não pegou só a Meta.
·
Também
a Amazon, gigante do ‘e-commerce’ planeja
demitir 10 mil funcionários em cargos corporativos e de tecnologia. É o maior
corte de empregos da história da empresa.
·
Também
o Elon Musk reduziu à metade o número de funcionários do Twitter.
·
Lyft, Stripe, Sanp e outras empresas de tecnologia também demitiram nos
últimos meses.
· E o próprio Google também se envolveu em escândalo de rastreamento de localização sem permissão ns EUA e vai pagar US$ 391,5 milhões a 40 estados dos EUA. A empresa andou registrando os deslocamentos dos usuários e repassava os dados. Depois que a Suprema Corte dos EUA voltou atrás em relação ao direito ao aborto, levantou um temor de levantamento de dados de mulheres movimentando clínicas de aborto. O Goolge “registra seus movimentos mesmo quando você explicitamente diz para não fazer isso”. A empresa concordou em pagar o total e de melhorar significativamente a transparência de suas regras de rastreamento de localização a partir de 2023. E fica essa questão no ar para todos nós: como nossos dados estão sendo usados na rede? Quem garante segurança ao nosso histórico de navegação e localização? Nossa privacidade na rede é garantida e segura?
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