"Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem.
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final" (Caetano Veloso).
Eu não vejo a destruição da família, como muitos dizem. Vejo é a construção de novos modelos, mais inclusivos.
Quando dizem assim: “homem com homem não dá filho, mulher com mulher também não dá filho”. Então penso: nos casais heterossexuais em que o marido é infértil ou a mulher já entrou na menopausa, tampouco produzem filhos também. E aí? Isso os invalida como células familiares ou os torna efetivamente estéreis?
Há quem seja profundamente evangélico ou católico, mas fez um aborto quando jovem e aprontou muito.
Mas, essas contradições nos impedem de
nos respeitarmos? Claro que não! Divergir e contestar argumentos, encontrar
suas contradições, não invalida o ser de um e a forma de existir de outros.
Precisamos aprender com isso a fortalecer a ideia de que o diálogo é a forma
mais eficaz de vencer preconceitos e de conviver com diferenças.
Num campo mais minado, como o da política, veja o populismo, ele é eleitoral, ou seja, aceita a derrota vinda das urnas. Quem não aceita a alternância de poder são os regimes ditatoriais. Nesse aspecto, o que é o bolsonarismo? Há um temor de que seja um fenômeno de outro tipo, um populismo de tipo iliberal – com corrosão gradual das instituições democráticas – ou pior, um movimento que aponta diretamente para uma ditadura. O fanatismo bolsonarista não reconhece a legitimidade de qualquer outra expressão política que não seja Bolsonaro e aprece disposto a abandonar a via eleitoral se for preciso. O descrédito deles ao sistema eleitoral não ataca apenas a urna eletrônica, mas os institutos de pesquisa e a própria Justiça Eleitoral. Quando critica o jornalismo profissional, não critica a correção de uma determinada reportagem ou a posição editorial de um determinado veículo. Critica a imprensa como um todo em prol de uma dieta informacional à base de comentários no YouTube e boatos no Telegram. Ele está criando um exército de idiotas à base de especulação de áudios anônimos num aplicativo de mensagens, como o WhatsApp. E para materializar toda essa barbárie, a ideia de armar a população que vai para além do direito de defesa pessoal – uma milícia de apoiadores fanáticos armados para se insurgirem contra a pluralidade política e o poder do Estado fora do comando direto de Bolsonaro.
Enfim, de todas as discussões em família, a mais ideológica e complexa de resolver é esclarecer de uma vez por todas o que de fato é o bolsonarismo que muitos defendem e conflitam dentro e fora da família. Se for um populismo de direita, até é compreensível algum arcabouço tenso dentro da democracia liberal, mas, controlando sempre seus excessos. Talvez assim caiba dentro de um espectro democrático. Se for isso, nunca deveria ter demorado tanto de reconhecer a derrota eleitoral nem bloqueado rodovias e fazendo agitação ridícula na porta dos quartéis.
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