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“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sábado, 12 de novembro de 2022

Somos 8 bilhões!

 O que significa atingir a marca de 8 bilhões de pessoas no Planeta? Que tem espaço e comida para todo mundo, isso se as desigualdades sociais não concentrassem tantos recursos nas mãos de poucos!

Em vez de celebrar a queda no crescimento populacional como saída para os problemas sociais do globo, o capitalismo selvagem e as nações mais desenvolvidas, que dele se valeu, deveriam refletir sobre o seu padrão de consumo para além do que a natureza foi e é capaz de oferecer para se tornar sustentável. 

“Somos, no final da vida, um reflexo de nossos hábitos e comportamentos – que, por sua vez, 

dependem de oportunidade para que eles sejam mais saudáveis”. 

O que significam 8 bilhões de pessoas no Planeta?

- exigirá cuidado com o meio ambiente;

- o desafio da garantir comida a todos;

- superar a miséria;

- populações com uma expectativa de vida maior;

- lidar com uma população urbana crescente (demanda por transporte, habitação, acesso à saúde, educação e segurança);

- lidar com polos crescentes de violência e favelização;

- evitar que a realidade repita roteiros distópicos;

- demanda por energia, que precisa ser renovável e sustentável;

Enfim, trata-se do futuro da humanidade, logo uma questão de sobrevivência imediata da espécie. É preciso garantir uma evolução demográfica sem traumas, onde as cidades se tornem espaços saudáveis de convívio democrático, em equilíbrio com o meio ambiente. 


Detalhando... 

Apesar do número alto, o ritmo de crescimento da população mundial diminuiu. As projeções indicam essa tendência até 2080, quando passará a inverter de vez em boa parte do mundo.

O planeta registrou o primeiro 1 bilhão de habitantes no ano de 1800, e de lá para cá só acelerou, chegando agora aos 8 bilhões. Os extraordinários avanços tecnológicos promoveram ganhos expressivos de produtividade para alimentar todo mundo sem a necessidade de impor o controle de natalidade na maior parte dos países, mas as desigualdades sociais, que concentram muito nas mãos de poucos, nos impõem outra realidade.

A elite mundial está só preocupada e desejosa de um mundo sempre mais próspero. Sua preocupação está voltada para a menor quantidade de braços que movimentarão as máquinas. Isso mesmo, a escassez de mão de obra e a dificuldade para sustentar benefícios sociais (a redução da força de trabalho é decorrente do envelhecimento e da baixa natalidade, com mais idosos do que jovens e crianças, como já acontece em nações como Portugal, Grécia, Itália, Japão e Coreia do Sul). Essa elite não deseja repartir seus recursos num planeta mais igual, mas diminuir a quantidade de pessoas para alimentar, para assim ter mais vagas em sistemas de saúde e de ensino, e menor pressão sobre os desfalcados recursos naturais que ela tanto depredou para enriquecer. Há, portanto, uma dívida histórica com os países mais pobres que lutam agora na COP27 por reparações justas a fim de enfrentar os desafios impostos pelo aquecimento do planeta e as mudanças climáticas.

“Todo progresso humano ocorreu à custa da exploração de recursos naturais. Precisamos alterar essa rota já!” É preciso estabelecer uma relação harmoniosa entre desenvolvimento e avanço populacional!

Está ocorrendo uma revolução silenciosa no mundo, chamada de transição demográfica. Ela obedece dois princípios:

1.     Queda na mortalidade: a concentração nas áreas urbanas eleva a expectativa de vida das pessoas graças ao aumento da renda, à melhoria da educação e da alimentação, aos progressos da medicina e à ampliação das redes de saneamento básico.

2.     Redução da natalidade: na equação moderna, filhos passam a pesar no bolso mais do que antes. Os custos econômicos de manter descendentes nas cidades são um desestímulo aos nascimentos. Também a maior aceitação de métodos contraceptivos e a inserção da mulher no mercado de trabalho.

Vale destacar que uma saída mais imediata para a reposição da população nos países desenvolvidos tem sido a entrada de imigrantes.

1.     Estamos vivendo mais.

- A Covid reduziu a expectativa de vida global em quase dois anos (1,8 ano: de 72,8 para 71 anos).

- a mortalidade infantil caiu (menores de 5 anos): morrem 37 a cada mil nascidos vivos (há 70 anos, eram 143 a cada mil e no ano 2000 eram 76).

- está nascendo menos bebês e morrendo menos pessoas, os adultos estão envelhecendo mais. 

- Estima-se que o Brasil atinja seu pico populacional em 2049, com 231,1 milhões. A proporção de idosos, hoje em torno de 15,5%, dobrará até 20250.

- O número de aposentados cujo sustento depende do trabalho de outras pessoas só faz crescer desde 2014, em uma trajetória de envelhecimento sem retorno que se desenrola antes de o país enriquecer. 

- A ONU projeta que seremos 9 bilhões em 2037 em 2058 teremos 10 bilhões e, na década de 2080, alcançaremos o pico de 10,4 bilhões. Só daí em diante, lá para 2087, que começará a reduzir em 61 países, sobretudo na Europa, nas Américas e na China, com exceção dos países subsaarianos 

- a China ficou duas décadas mergulhada na mais radical experiência de controle populacional, a política do filho único, que vigorou até 2015. Calcula-se que a interferência direta do governo no tamanho da família impediu o nascimento de 400 milhões de crianças. O corte foi tão fundo que a mais populosa de todas as nações vive hoje sob a inimaginável sombra de um declínio radical de habitantes, previsto para começar em 2023, levando à perda de metade do contingente chinês até 2100. 

- Em 2023, a Índia será o mais populoso, passando a China. 

- Além da China, 22 maiores economias do mundo apresentam taxas de fecundidade inferior a 2,1 filhos por mulher em idade fértil, o patamar mínimo para reposição da população existente. Isso significa menos adultos produtivos e mais idosos me regiões onde estão 2/3 do total de habitantes da TERRA. 

- As implicações geopolíticas são óbvias: o resto do mundo muito mais envelhecido e imensas populações jovens de países pobres à procura de oportunidades.

2.     Crises como Covid devem ser mais frequentes.

- Há a certeza de que novas pandemias se avizinham.

- a urbanização acelerada nas últimas décadas na África, Ásia e América Latina produziu cidades sem infraestrutura necessária nem redes de saneamento básico (dengue, hantavirose, ebola, coronavírus, varíola dos macacos).

3.     Desigualdade, urbanização e demografia colocam sistemas de saúde à prova.

- as desigualdades sociais foram ampliadas e os sistemas de saúde estão mais fragilizados para cuidar das pessoas.

- A maior parte dos não vacinados no mundo assim estão não por escolha individual ou posicionamento anticiência, mas por falta de doses. Isso é só a ponta da tremenda desigualdade no acesso aos bens de saúde pelos mais pobres.

- quase 800 milhões de pessoas (12% da população mundial) gastam pelo menos 10% dos seus orçamentos familiares em cuidados de saúde. É preciso atingir uma cobertura universal da saúde até 2030. Uma das proposta é uma espécie de “cesta básica” de serviços de saúde. 


Enfim, “espero sinceramente, por amor à posteridade, que a população se contente em permanecer estacionária muito antes que a necessidade a obrigue a isso” (John Stuart Mill).


“Habitação de interesse social não é só prover moradia para quem não tem. É elevar a qualidade de vida de todos. Em uma cidade onde muita gente não mora bem e alguns estão na rua, a cidade toda é doente e vive mal. São Paulo é um exemplo disso”.

·       1 bilhão de pessoas vivem em favelas e moradias precárias no mundo com 8 bilhões. E o crescimento de metrópoles pode agravar o problema ainda mais nos próximos anos (ONU). 85% estão na Ásia e na África. Sem planejamento urbano adequado, muitas metrópoles deixam os pobres sem opção de moradia acessível (na prática, fingem que não veem a criação de favelas e habitação inadequadas nas periferias). São essas pessoas sem moradia adequada que são as mais vulneráveis a eventos extremos como inundações e tempestades.

·       Os países mais populosos do mundo são: China (1,4 bilhão); Índia (perto de 1,4 bilhão); EUA (339 milhões); Indonésia (276 milhões); Paquistão (238 milhões); Nigéria (221 milhões); Brasil (215 milhões); Bangladesh (172 milhões); Rússia (144 milhões); México (128 milhões).

·       A maior parte do crescimento da humanidade previsto para as próximas décadas se dará nas cidades, onde faltam áreas adequadas para receber mais moradias (as megacidades são conglomerados com mais de 10 milhões de habitantes. As maiores metrópoles globais são: Tóquio (37,4 milhões), Nova Déli (29,3 milhões), Xangai (26,3 milhões) e São Paulo (21,8 milhões));

·       Definição de casas inadequadas: uma que tenha ao menos uma das seguintes condições: é feita de materiais pouco resistentes; não conta com acesso adequado a água potável e esgoto; abriga mais de três pessoas por cômodo (essa situação vinha tendo alguma melhora: caiu de 31,2% para 24,2% dos moradores do planeta do ano 2000 para 2020). A queda foi ainda maior na América Latina (de 31,9% para 17,7%), mas distante da Europa e da América do Norte (apenas 0,7% da população urbana vivem de forma inadequada).

·       Hoje, metade da população global vive em apenas 7 países: China, Índia, Indonésia, Paquistão, Nigéria, EUA e Brasil. A ciência e a saúde pública progrediu no mundo, mas as desigualdades são uma ameaça à estabilidade global. Todos precisam compartilhar juntos a responsabilidade de enfrentarmos os desafios sociais, econômicos e ambientais que vêm com o aumento da população no planeta. 

·       Só 8 países respondem por mais da metade do crescimento populacional: 

·       Planejar: agricultura em menor escala mais perto de casa, com os países ricos apoiando tecnicamente com recursos os que estão no processo, desenvolver matrizes energéticas renováveis, e também com saúde, educação, segurança... 

·       Chega um ponto em que a tendência da população é encolher em zonas desenvolvidas e crescer em zonas subdesenvolvidas:

A) Isso já é observado em grandes conglomerados urbanos europeus e dos EUA: devido ao envelhecimento acelerado, à baixa natalidade e a migração interna em busca de moradias mais baratas;

B) A maior parte do crescimento das cidades se dará no chamado Sul Global: América Latina, África, Oriente Médio e Sudeste Asiático (há um crescimento de baixa qualidade, em regiões sem infraestrutura, devido ao preço da terra que direciona o preço das casas);

C) Os governos dos países ricos precisam transferir recursos para ajudar os do Sul Global, seja como reparação pela colonização ou para ajudar no combate às mudanças climáticas.

A crise econômica gerada pela pandemia de coronavírus tornou o acesso à moradia ainda mais difícil em muitas partes do mundo: fechamento de atividades (muita gente foi despejada ou obrigada a buscar moradias mais baratas porque ficou sem dinheiro para pagar o aluguel), falhas nas cadeias de suprimento e períodos de lockdown (atrasaram a produção de imóveis e a alta de preços). 

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