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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Os Senhores das Guerras.

 A guerra como estratégia...

Entramos em uma era em que conflitos armados são provocados para favorecerem uma classe de investidores, bancos e seguradoras. Incorporadas em seus cenários de riscos e benefícios, “as guerras intencionais” são colocadas ao lado das “catástrofes quase naturais”.

No xadrez geopolítico atual, são mais de 100 países envolvidos em conflitos externos (um número que dobrou de 2008 para cá). O impacto econômico dessas guerras alcançou quase US$ 22 trilhões, ou mais de 10% do PIB global.

Essas guerras (des)favorecem os preços do petróleo até o custo dos financiamentos imobiliários, da venda de armas até a mudança de rotas de mercadorias e cadeias de suprimentos, a depender de onde e como são causadas. São “tarifaços bélicos” medidos com algoritmos de risco em cenários de guerra, tipo à moda Trump. Ou será que a guerra no Irã não teve data e hora marcada? Será que a captura de Nicolás Maduro na virada de ano não foi projetada? E a derrubada de Bashar al-Assad na Síria? O que poderá acontecer com a gente ou de que modo ações específicas podem alterar probabilidades bélicas, como sanções econômicas, bloqueios comerciais, iniciativas diplomáticas ou apoio à sociedade civil?

O controle das guerras exige domínio de dados históricos e uma boa avaliação de riscos geopolíticos. Também problemas econômicos combinados com um histórico de instabilidade política. O amadurecimento da visão prospectiva e preditiva das consultorias especializadas está aí para isso, com pegada retrospectiva e prospectiva da ciência de dados. Não só! Temos a IA e os algoritmos de aprendizado de máquina para estimar a probabilidade de um país entrar em guerra nos 12 meses seguintes (os investimentos em IA podem alcançar US$ 1 trilhão até 2028! A demanda é inevitável, um rali difícil de ficar de fora!!! São produtos e modelos eficientes e autônomos, isto é, sem depender de instruções humanas a todo momento). Os modelos são treinados com conjuntos de dados políticos, econômicos e sociais de determinado período, histórico de confrontos militares, similaridades entre regimes políticos, proximidade geográfica e até opiniões agregadas de pessoas que não são especialistas para projetar cenários futuros, etc.

As empresas vêm confirmando que o emprego e uso de IA vem promovendo ganhos quantitativos de retorno sobre investimento, aumento de produtividade, crescimento de receita ou redução de custos. E os maiores consumidores de chips, capacidade computacional e data centers são, em sua maioria, de empresas privadas. Ora, os governos estarão preparados para lidar com isso? Será que esses modelos já estão sabendo lidar com os fatores greves, manifestações sociais e distúrbios ou revoltas civis? Não sei! Só sei que ferramentas desse tipo estão se tornando a nova cartada para profissionais do mercado financeiro que precisam operar em um mundo fragmentado e multipolar, em que a lógica baseada na eficiência impulsionada pela globalização está perdendo força. O que de fato é um temor crescente é o da guerra.

Enfim, prometeram para nós um novo-normal pós-pandemia. E aí veio toda essa volatilidade geopolítica com mudanças cada vez mais rápidas, ruins para o povo e as democracias, mas muito boas para as elites.  O que os cálculos da IA já previram para o Brasil nessa matéria? Bem, depende do tipo de “guerra”. Se a guerra for comercial, ideológica ou eleitoral, já começou!