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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

O pensamento crítico - fundamentação.

 A crítica é a atitude de permanência na busca por melhores formulações, sem estancar em uma opção, ao invés disso, corrigindo incessantemente as elaborações já alcançadas. Está sempre em movimento dialético de conscientização sobre a impossibilidade de causa externa para a gênese do saber humano. 

O pensamento crítico é mais fiscalizador do que regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentados à experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos... 

Na época atual e no contexto brasileiro, a religião é o elemento em que a crítica se faz mais fortemente necessária. 

·       Crítico” é um dos traços indispensáveis do pensamento filosófico.

·       Para ser “crítico” precisa sustentar o rigor racional, isto é, ser contra as tentações insistentes de desistência ou afrouxamento desse rigor.

·       A crítica filosófica não se resume a atacar e encontrar defeitos em tudo, muito menos pode ser relacionada a uma postura contrária ao que está sendo analisado.

·       Crítico ≠ Cético. Porém, ambos não podem se desvencilhar da dúvida.

- o crítico caminha com a dúvida porque precisa permanecer fiel à razão, em abertura de pensamento à possibilidade de explicações melhores. Para o crítico, o termo “para mim” ao final de uma discussão filosófica é um verdadeiro fracasso do filosofar.

- o cético caminha com a dúvida porque se permite dirigir pelo subjetivismo, duvidando da própria possibilidade de se alcançar consensos racionais (imparciais e universais). Acaba admitindo o termo “para mim” ao final de uma discussão filosófica (sobre a verdade, a justiça, a beleza, etc.). Às vezes, chega ao ponto de tentar derrubar a estrutura lógica inevitável do pensamento.

·       É impossível o pensamento crítico na ausência de um bom e familiar trânsito com os objetos criticados.

·       A exaltação inconsequente da crítica irrestrita ou o ataque sem sentido contra tudo e qualquer coisa (não do pensamento crítico) pode nos jogar em uma trágica ignorância ou matar a própria filosofia (essa desgraça aconteceu no século passado). Assim o fizeram teorias discursivas, sociais e psicológicas que adestram o pensamento para moldar um aluno ou futuro profissional. Nessa linha, não se chega jamais ao estudo de coisas, fenômenos e eventos, mas apenas às suas “desconstruções” – a crítica da história vem antes da história, a crítica do comportamento vem antes do desenvolvimento cultural que origina aquele comportamento específico, a crítica psicológica vem antes do estudo atento do fenômeno apresentado, e assim por diante. O resultado acaba sendo mais um “produto contra” do que “um estudo sério de seu alvo”.

·       Pensamento crítico tem a ver com superar: o reducionismo, o cientificismo ou a autoridade científica, o racionalismo ou o intelectualismo, as posições absolutas, a consciência quase mágica, a falácia genética, aos relativistas, à acomodação de visões indeterministas e indiferentistas, ao determinismo, as posições dogmáticas, ou metafísicos dogmáticos, ainda que assumidas como “científicas”, “antropológicas” ou alguma outra corrente ou ideologia da moda que nos empurra para a arrogância modernista/pós-modernista ou o debruçar-se sobre objetos mal explorados e rapidamente julgados e enquadrados em esquemas ideológicos prévios, redutivos e simplificadores, à incapacidade para o diálogo ou sequer a apreciação de perspectivas alheias, a valoração maniqueísta que abandona a minha e despreza ou condena a perspectiva dos outros... Ao apego de uma teoria ou uma visão de mundo desaconselhadas pelos fatos (ausência de crítica na ciência); ao risco do partidarismo e nas ideologias sociopolíticas que nos impedem de avaliar o caso e o problema com imparcialidade (ausência de crítica na política); o sectarismo (que é a ausência de crítica na religião).

·       Pensamento crítico tem a ver com: resgatar a habilidade humana de abstração de significações simbólicas, despertar a consciência, francos defensores da espontaneidade da consciência, de considerar o amadurecimento do pensamento construído, uma erudição mínima, a história do problema, a apreensão a fundo das questões, a evocação de um conceito forte (substantivo) de liberdade ou de racionalidade... Faz uma apologia da dúvida que não deixa de questionar a si mesma e dá também espaço ao saber, tem o ceticismo como uma de suas ferramentas fundamentais e indispensáveis, preza com força e insistência a honestidade intelectual e a boa vontade ou boa-fé intelectual e a resiliência intelectual em nome de um ideal de verdade ou do progresso das ideias.

·       Toda leitura é tendenciosa porque está condicionada pela carga subjetiva daquele que lê e de como ele sente e interpreta as palavras e conceitos apresentados, permitindo perversões do sentido original pretendido (pressuposto hermenêutico). Assim, para além da posição dos próprios autores, é preciso fazer uma leitura histórica que busque a coerência interpretativa que o tempo e a cultura presentes possibilitam sobre o texto.

·       Pensadores críticos são invariavelmente liberais (a favor da liberdade, do livre curso das coisas ou ideias porque sabe da provisoriedade dos juízos e conhecimentos) e libertários (afirma normativamente ou dá condições concretas para que se aja e pense livremente). Ou seja, o entendimento e a ação humana devem ser essencialmente ativos, produzindo sentenças e princípios, legislando e deliberando sem serem determinados por influência exterior ao próprio órgão avaliativo, a razão.

·       Seria impróprio condenar um pensamento como não crítico por seu conteúdo; semente a forma, o procedimento da investigação e seus objetivos podem classificar como mais ou menos crítico um modelo filosófico.

·       A crítica, como o ceticismo, tem essência por demais negativa para propiciar um senso claro de progressão. Elas estão muito voltadas a dizer o que está errado em um argumento. A pensar o fundamento e os critérios das demais atividades do pensamento, a crítica desvela não mais do que problemas e perigos em todos os caminhos possíveis, conduzindo-nos a um regresso infinito, pois toda a busca por fundamento, coerência e validade de discursos e elementos ideativos resulta da necessidade de sempre, e cada vez mais, voltar atrás na busca de fundamentos.  

·       Pensamentos lógicos simples dominam os demais e não são dominados por nenhum, porque não há posição intelectual que possamos ocupar para, a partir daí, vasculhar esses pensamentos sem pressupô-los. Eis por que eles são imunes ao ceticismo: eles não podem ser postos em questão por um processo imaginativo que conta essencialmente com eles.

·       Para o pensamento crítico, é crucial a tomada de consciência quanto à ordenação dos elementos do pensamento em cada processo do pensar. O pensamento crítico é mais fiscalizador do que regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentado à experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos...

·       Enfim, o criticismo é uma atitude constitutiva essencial da filosofia.