Passagens...
Não há coisas boas ou
más, e bom e mau, além de não serem coisas, não são valores em si nem correspondem
a qualidades que existiriam nas próprias coisas.
Bom é tudo que aumenta a força de nosso desejo (conatus); mau, tudo que a
diminui.
O movimento do desejo aumenta ou diminui conforme a natureza do desejado, e conforme este seja ou não conseguido, havendo ou não satisfação. Assim, como explicar a variação da intensidade da força vital do corpo e da mente?
Os três afetos primários (dos quais nascem todos os outros):
1. Alegria: sentimento que temos do aumento
de nossa força para existir e agir, ou da forte realização de nosso ser;
- A alegria é a passagem do homem de uma perfeição menor a uma
maior.
2. Tristeza: o sentimento
que temos da diminuição de nossa força para existir e agir, ou da fraca
realização de nosso ser;
- A tristeza é a passagem do homem de uma perfeição maior a uma
menor.
3. Desejo: o sentimento que nos determina
a existir e agir de maneira determinada.
- O desejo que nasce da alegria, em igualdade de circunstâncias, é mais forte do que o desejo que nasce da tristeza.
Enfim, alegria e tristeza não são
perfeição ou imperfeição, mas atos nos quais passamos a uma perfeição maior ou
menor, ou seja, atos pelos quais a potência de agir de um homem aumenta ou
diminui.
Nem o corpo comanda a mente (na paixão)
nem a mente comanda o corpo (na ação).
A mente vale e pode o que vale e pode seu
corpo.
O corpo vale e pode o que vale e pode sua mente.