A tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.
A humanidade testemunhou muitas mudanças tecnológicas que alteraram o curso da civilização. A inteligência artificial (IA) está no mesmo patamar do fogo, a escrita, a eletricidade e a internet. Mas, com a IA, mudanças que antes levavam décadas podem ocorrer em semanas e impactar o planeta inteiro. Ela está tornando as máquinas inteligentes, mas é ainda mais um multiplicador de forças para a intenção humana.
É preciso colocar o bem-estar humano no centro da conversa global sobre IA. A infraestrutura pública digital precisa chegar a todos. Dos pagamentos digitais à vacinação contra a Covid-19, até a agricultura, segurança, assistência a pessoas com deficiência e ferramentas para a população multilíngues.
Os seres humanos jamais devem se tornar meros pontos de dados ou matéria-prima para máquinas. Em vez disso, a IA deve se tornar uma ferramenta para o bem global, abrindo novas portas para o progresso no Sul Global. A governança da IA precisa estar centrada no ser humano, em valores humanos no século XXI, pois a tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.
O futuro da IA deve assentar sobre a base da confiança. Seus princípios precisam ser: 1) sistemas morais e éticos; 2) governança responsável; 3) soberania nacional; 4) acessível e inclusiva; 5) válido e legítimo. A inteligência coletiva é a maior força da humanidade. Logo, precisa ser compartilhada adequadamente.
Como as sociedades democráticas enfrentam riscos de deepfakes e desinformação, além do excesso de conteúdos gerados por sistemas generativos, soluções precisam ser tomadas:
1. Criar padrões comuns para marcas d´água e verificação de origem;
2. Exigir legalmente a rotulagem clara de conteúdo gerado sinteticamente;
3. Os sistemas de IA devem ser construídos com salvaguardas que incentivem o envolvimento responsável e guiado pela família, refletindo o mesmo cuidado que dedicamos aos sistemas educacionais em todo o mundo;
4. Humanos e sistemas inteligentes irão cocriar e coevoluir. Profissões novas surgirão;
5. Incentivar e capacitar os jovens, promovendo a requalificação e o aprendizado ao longo da vida;
6. O ambiente ideal para a inovação inclusiva é o da diversidade, da democracia e do dinamismo demográfico. Projete e desenvolva! Entregue ao mundo. Entregue à humanidade!
Uso de IA na Universidade.
Benefícios e riscos.
Das 69 universidades federais brasileiras, quase metade já tem código ético para IA. A regulação de seu uso na educação desafia governos do mundo todo, afinal, a ferramenta tem capacidade de ler e interpretar textos. Vejamos alguns dos riscos e benefícios:
1)
Regras
prezam por transparência e proteção de dados.
2)
Guias
com normas de uso para alunos, professores e pesquisadores.
3)
Comissões
institucionais sobre o tema.
4)
A
necessidade de transparência na utilização.
5)
O
cuidado no compartilhamento de informações.
6)
A
utilização de IA em avaliações sem autorização configura “plágio ou cola”.
7)
Tecnologia
é usada para burlar trabalhos e exames.
8)
A
IA tem enorme potencial para ajudar alunos e professores a dar às regiões hoje
periféricas e menos assistidas do país acesso a conteúdos e conhecimentos ainda
restritos às mais privilegiadas.
9)
Nem
sempre os sistemas de IA são confiáveis, e no fim deve caber ao usuário –
professores e alunos – distinguir o certo do errado, dos pontos de vista
técnico e ético.
10) Ela promete
acelerar e aprimorar o aprendizado nas escolas e universidades.
11) A IA tem se
tornado uma ferramenta usada por estudantes para confeccionar trabalhos ou
mesmo burlar exames e avaliações.
12) Seja para corrigir
testes de múltipla escolha ou usada na formulação de planos de aula, toda produção
com seu auxílio precisa ser identificada (notificar de que a IA foi empregada
na produção de conteúdos).
13) É preciso
proteger a integridade acadêmica.
14) Adotar normas em todas as esferas de governo para garantir integridade dos dados, transparência e defesa da privacidade.
O avanço da IA na educação é um dos raros momentos em que países de todos os níveis de desenvolvimento estão no mesmo estágio. O Brasil não pode perder a oportunidade de trocar informações em escala global. Poderá, ao mesmo tempo, ajudar e ser ajudado.
Enfim, é preciso fazer uma regulação eficaz da IA, levando em conta os impactos éticos e jurídicos dessa nova tecnologia. Um dos princípios plausíveis é atribuir ao usuário a responsabilidade pelo seu uso. É preciso treinar professores e trabalhar na produção de guias e manuais instrutivos. O ato de pensar sempre prevalece, acompanhado de muita conscientização.