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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 1 de março de 2026

Formação Nº 03: A tecnologia é serva.

 A tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.

A humanidade testemunhou muitas mudanças tecnológicas que alteraram o curso da civilização. A inteligência artificial (IA) está no mesmo patamar do fogo, a escrita, a eletricidade e a internet. Mas, com a IA, mudanças que antes levavam décadas podem ocorrer em semanas e impactar o planeta inteiro. Ela está tornando as máquinas inteligentes, mas é ainda mais um multiplicador de forças para a intenção humana.

É preciso colocar o bem-estar humano no centro da conversa global sobre IA. A infraestrutura pública digital precisa chegar a todos. Dos pagamentos digitais à vacinação contra a Covid-19, até a agricultura, segurança, assistência a pessoas com deficiência e ferramentas para a população multilíngues.

Os seres humanos jamais devem se tornar meros pontos de dados ou matéria-prima para máquinas. Em vez disso, a IA deve se tornar uma ferramenta para o bem global, abrindo novas portas para o progresso no Sul Global. A governança da IA precisa estar centrada no ser humano, em valores humanos no século XXI, pois a tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.

O futuro da IA deve assentar sobre a base da confiança. Seus princípios precisam ser: 1) sistemas morais e éticos; 2) governança responsável; 3) soberania nacional; 4) acessível e inclusiva; 5) válido e legítimo. A inteligência coletiva é a maior força da humanidade. Logo, precisa ser compartilhada adequadamente.

Como as sociedades democráticas enfrentam riscos de deepfakes e desinformação, além do excesso de conteúdos gerados por sistemas generativos, soluções precisam ser tomadas:

1.     Criar padrões comuns para marcas d´água e verificação de origem;

2.     Exigir legalmente a rotulagem clara de conteúdo gerado sinteticamente;

3.     Os sistemas de IA devem ser construídos com salvaguardas que incentivem o envolvimento responsável e guiado pela família, refletindo o mesmo cuidado que dedicamos aos sistemas educacionais em todo o mundo;

4.     Humanos e sistemas inteligentes irão cocriar e coevoluir. Profissões novas surgirão;

5.     Incentivar e capacitar os jovens, promovendo a requalificação e o aprendizado ao longo da vida;

6.     O ambiente ideal para a inovação inclusiva é o da diversidade, da democracia e do dinamismo demográfico. Projete e desenvolva! Entregue ao mundo. Entregue à humanidade!


Uso de IA na Universidade.

Benefícios e riscos.

Das 69 universidades federais brasileiras, quase metade já tem código ético para IA. A regulação de seu uso na educação desafia governos do mundo todo, afinal, a ferramenta tem capacidade de ler e interpretar textos. Vejamos alguns dos riscos e benefícios:

1)     Regras prezam por transparência e proteção de dados.

2)     Guias com normas de uso para alunos, professores e pesquisadores.

3)     Comissões institucionais sobre o tema.

4)     A necessidade de transparência na utilização.

5)     O cuidado no compartilhamento de informações.

6)     A utilização de IA em avaliações sem autorização configura “plágio ou cola”.

7)     Tecnologia é usada para burlar trabalhos e exames.

8)     A IA tem enorme potencial para ajudar alunos e professores a dar às regiões hoje periféricas e menos assistidas do país acesso a conteúdos e conhecimentos ainda restritos às mais privilegiadas.

9)     Nem sempre os sistemas de IA são confiáveis, e no fim deve caber ao usuário – professores e alunos – distinguir o certo do errado, dos pontos de vista técnico e ético.

10) Ela promete acelerar e aprimorar o aprendizado nas escolas e universidades.

11) A IA tem se tornado uma ferramenta usada por estudantes para confeccionar trabalhos ou mesmo burlar exames e avaliações.

12) Seja para corrigir testes de múltipla escolha ou usada na formulação de planos de aula, toda produção com seu auxílio precisa ser identificada (notificar de que a IA foi empregada na produção de conteúdos).

13) É preciso proteger a integridade acadêmica.  

14) Adotar normas em todas as esferas de governo para garantir integridade dos dados, transparência e defesa da privacidade.

O avanço da IA na educação é um dos raros momentos em que países de todos os níveis de desenvolvimento estão no mesmo estágio. O Brasil não pode perder a oportunidade de trocar informações em escala global. Poderá, ao mesmo tempo, ajudar e ser ajudado.

Enfim, é preciso fazer uma regulação eficaz da IA, levando em conta os impactos éticos e jurídicos dessa nova tecnologia. Um dos princípios plausíveis é atribuir ao usuário a responsabilidade pelo seu uso. É preciso treinar professores e trabalhar na produção de guias e manuais instrutivos. O ato de pensar sempre prevalece, acompanhado de muita conscientização.