Virar a geopolítica de cabeça para baixo tem o propósito de esvaziar os bolsos dos adversários...
O jogo da
extrema-direita consiste em investir no caos. Depois, valer-se do desgaste e do
desregramento gerados por ele para impor agenda caótica. Da Ucrânia à
Venezuela, passando pelo Brasil até chegar na guerra tarifária. É como se Trump
sentasse em uma bola de demolição – o planeta.
Seu estilo é
iconoclasta. Ele põe em marcha seu plano de desorganização do sistema de regras
internacionais vigentes desde o pós-guerra, assentado no papel dos EUA como
fiador do equilíbrio global. Por isso que ele corteja autocratas e promove uma
nova categoria de isolacionismo e uso desabrido da força.
Resultado? Retrocedeu
mais de um século no comércio global e instituiu uma guerra em que tarifas de
importação se tornaram meios de combate político, como provam os casos indiano
e brasileiro. Sabe aquelas tréguas frágeis em Gaza? Foram obtidas na busca de
um Nobel da Paz que felizmente não veio (risos). E a obsessão pela suposta paz
entre Rússia e Ucrânia? Muito calor e pouca luz até aqui. E ainda tem o
desengajamento da Europa, que por décadas acostumou-se ao guarda-chuva
norte-americano. Acabou? Não! Acena à rival China, apontando latino-americanos como
alvo e a Venezuela de cobaia.
Enfim, seu caráter é
mercurial e seu ego, descomunal. Que os EUA voltem os olhos para seu quintal e
negue o multilateralismo é da natureza errática da extrema-direita; que ameacem
destituir governos a bel-prazer, e fortes interesses, é só Imperialismo reeditado
e muito retrocesso!