“A esquerda tem que encontrar um caminho para retomar território, voltar à juventude, trabalhar com as redes e atualizar a nossa mensagem”.
Estamos entrando em um período de águas turbulentas. Caos. Nos próximos anos, uma praga de desordem descerá sobre a América, e talvez sobre o mundo, abalando tudo. Se você odeia a polarização, espere até experimentarmos a desordem global. Mas no caos há oportunidade para uma nova sociedade e uma nova resposta ao assalto político, econômico e psicológico. Estes são tempos que testam as almas das pessoas, e veremos do que somos feitos.
A esquerda se perdeu em pautas identitárias (gerando em si mesma uma crise de respeito), e a direita mergulhou fundo na guerra de classes e ganhou uma maioria multirracial da classe trabalhadora. Seu apoio aumentou entre trabalhadores negros e hispânicos.Os insatisfeitos são facilmente manipuláveis, e os semeadores do Caos sabem se aproveitar muito bem disso.
A praga da desordem cairá sobre a
América. Esquerda e Centro não souberam dialogar com os trabalhadores, que
estão frustrados. Direita não representa trabalhador, mas sabe manipulá-lo até
certo grau. O caos vai partir do abandono dos mais frágeis na primeira esquina.
A esquerda foi picada pelo desejo de se tornar elitista. A extrema direita
percebeu o declínio e humilhação de grande parte da classe média americana e se
aproveitou disso. Haverá muito estrago e destruição, incerto sobre o que
sobrará. Não está "endereçado" de forma legítima as expectativas dos
que buscam melhores condições de vida. O que poderemos fazer contra a
desinformação em escala industrial de Musk (do X) o que poderiam fazer os
adversários? Tanto nos EUA como aqui os que se pensam esquerda, abandonaram as
classes baixas. A
esquerda até pode abraçar pautas identitárias (racismo, lgbt, aborto, metoo,
etc), mas sua essência é a luta de classes. Ela não pode cancelar OS SEUS que
pensem diferente sobre essas pautas. Rejeição e cancelamento não ajudam no
quesito credibilidade. Enquanto isso, a direita abraçará definitivamente o
proletariado e todo o povo em geral, e estará mais forte pois já sabe, e
aprendeu, com o Trump 1 e Bolsonaro 1.
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Esquerda,
e mesmo sociais-democratas, precisa repensar ligação com eleitor, bem como
posições desconectadas do mundo, com novas reivindicações da sociedade.
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A esquerda virou uma posição elitista, vista por grande parte dos
cidadãos, seja no Brasil, seja nos EUA, como instrumento de opressão social da
elite.
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Hoje, os
eleitores já não procuram o “pai dos
pobres”, mas aquele que mostrará o caminho da redenção social, que pode levá-los
a um mundo onde terão oportunidade de melhorar de vida. Aí está o
perigo: pode ser um coach (como Pablo Marçal), um milionário populista (como o
Trump), um capitão sem papas na língua que se veste com camisa de clube de
futebol (como o Bozo).
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Melhora da economia no Brasil não é percebida pela população (“vibecession”
= descompasso entre os indicadores e o que a população de fato sente no dia a
dia). Há a necessidade de melhorar a percepção das pessoas sobre a economia,
que não acompanha o bom desempenho do governo em indicadores macroeconômicos.
Precisamos melhorar a avaliação entre os que hoje consideram o governo regular,
e conquistar quem avalia como negativo. Superar a “vibe” e “recessão” = suposto
clima de crise econômica, apesar de os números dizerem o contrário.
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Lula não vê a percepção econômica melhorar, mesmo com o PIB
surpreendendo, inflação controlada e desemprego baixo. A inflação dos pobres,
do feijão, do arroz, da carne, subiu. Não adianta fazer o discurso de números
se as pessoas não acham que a vida está melhorando.
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Há uma mudança no comportamento do eleitorado no mundo todo, com
novos temas em jogo e convicções mais consolidadas. Nos EUA, os componentes que
entraram em cena foram migração e aborto.
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A direita se organizou no mundo todo e a esquerda não tem conseguido
acompanhar.
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A economia será decisiva em 2026, sobretudo inflação e poder de
compra. A pressão sobre os preços já vem sendo utilizada pela oposição para
atacar o governo Lula.
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Houve um “efeito moral”
favorável para a direita, que também resultou na vitória de Trump. A ótica
econômica tem principal peso, mas não só. Existem outras questões, tais como: migração,
segurança, “woke”, etc. Além dos aspectos econômicos, também muitos aspectos
comportamentais. O voto ficou mais complexo.
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A eleição de 2022 não terminou. As redes sociais, hoje, fazem as
campanhas não terminarem.
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Lula precisa saber mostrar indignação com o que não funciona no
Estado, algo difícil para quem é governo.
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Reeleição não é mais regra. Ela pode não vir. Uma demonstração de
insatisfação com governos.
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No Brasil, PT e governo vão ter que disputar a narrativa da economia
e do que não funciona.
· Saímos do mundo do voto meramente econômico e da “gratidão”, da lógica de que eu melhor a economia e recebo o voto em troca, para uma era da identidade. As pessoas querem entender que fazem parte dos projetos.
Uma
das heranças malditas da pandemia é a inflação, que no período disparou. Apesar
de ter estabilizado, é sentida até hoje. Ou seja, é verdade que os preços
estabilizaram, mas lá em cima. Houve um aumento de preços lá atrás, a maior
inflação de 50 anos (nos EUA), e hoje os preços não crescem, mas também não
caem. E a renda não acompanha, apesar do índice de desemprego baixo.

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