“Uma cidade segura para crianças é segura (em todos os níveis) para todos” (Francesco Tonucci).
-
Situar a infância e a adolescência com prioridade nos debates das eleições
municipais é uma agenda urgente e inadiável;
- A
Constituição estabelece papel fundamental para os municípios na implementação
das políticas que garantem os direitos dessa parcela da população e fomentam o
desenvolvimento local.
-
É nas cidades que a população tem acesso a grande parte dos direitos e serviços
públicos. Por isso o aprimoramento da educação básica, dos serviços de saúde,
da assistência social, do transporte e da zeladoria urbana encontram nos municípios
um espaço precioso de debate e construção coletiva;
- Do
ponto de vista da infância e da adolescência, é preciso considerar que são
períodos cruciais para o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional, social e
cultural. No Brasil, além da Constituição, são diversos os marcos legais que
amparam promoção e defesa de seus direitos, como o Estatuto da Criança e do
Adolescente e o Marco Legal da Primeira Infância.
-
Essa não é apenas uma escolha ética e responsável com milhões de meninas e
meninos, mas uma oportunidade para que os novos prefeitos e prefeitas estejam à
frente de uma gestão comprometida com a superação dos ciclos de pobreza
intergeracional, enfrentando desigualdades sociais, econômicas, raciais, de
gênero e território.
-
No entanto, ser criança e adolescente no Brasil é um enorme desafio. Essa
parcela da população, quase ¼ dos brasileiros, é destaque nos indicadores que
evidenciam desnutrição, pobreza, racismo, capacitismo, violências e
desigualdades. São também os que mais sofrem as consequências do eventos
climáticos extremos.
1.
60% das crianças e adolescentes estão expostos a mais de um risco
climático e ambiental no país (Unicef);
2.
61,6% das vítimas de estupro em 2023 tinham entre 0 e 13 anos
(Anuário Brasileiro de Segurança Pública);
3.
De 5.565 municípios, 3.505 tinham mais da metade da população
morando em domicílios sem coleta de esgoto em 2022. Jovens, negros e indígenas
eram os mais desassistidos;
4.
No ano de 2022, o Brasil tinha 1,9 milhão de crianças e adolescentes
com 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil (IBGE);
5.
No mesmo ano, praticamente metade dos brasileiros com até 14 anos
era pobre no período;
Enfim, como se nota, a realidade de crianças e adolescentes no Brasil não deixa dúvidas de que estamos diante de um quadro insustentável, com impactos sistêmicos em absolutamente todos os campos: humano, social, econômico, político e ambiental. Que possamos, assim, compreender as eleições municipais como oportunidade de fazer da vida de nossas crianças e adolescentes não apenas uma saída para nosso futuro, mas uma oportunidade para o presente. Não há como adiar ainda mais esse compromisso.
NOTA*: A Agenda 227 é um movimento apartidário que defende os direitos
das crianças e dos adolescentes. Ela produziu um documento com a contribuição
de mais de 400 organizações da sociedade civil. O texto aborda 22 áreas
estratégicas para a efetivação dos direitos de crianças e adolescentes. É um
direcionamento fundamental para o próximo ciclo das gestões municipais,
contemplando toda a diversidade da população infanto-juvenil.
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