Afinidades políticas e (des)afetos ao STF.
“Quando o STF condena
Bolsonaro e absolve Lula, os eleitores do PT passam a confiar mais no STF, e os
eleitores de Bolsonaro, por outro lado, passam a desconfiar mais. O inverso
também é verdadeiro, quando o STF absolve Bolsonaro e condena Lula. Ou seja,
decisões sobre políticos importantes podem reduzir ou ampliar a confiança dos
cidadãos nas cortes. Já os eleitores que não votam em Lula nem em Bolsonaro não
modificam a confiança no STF em função da sua decisão de condenar ou absolver
Lula ou Bolsonaro. A percepção de que o STF é politicamente motivado também
obedece à mesma lógica. Apoiadores de Lula e Bolsonaro acreditam firmemente na
integridade dos seus preferidos, mesmo quando ele é condenado”. Ou seja, lá se
foi o senso de Justiça no país, onde o (des)afeto fanático parece falar mais
alto!
·
O
papel das afinidades políticas em determinar atitudes dos cidadãos diante de
decisões judiciais sobre corrupção envolvendo políticos. A variação de percepção que os políticos fazem das decisões
do STF também é observada entre os eleitores. A confiança dos eleitores brasileiros
no STF varia de acordo com a sua decisão de condenar ou de absolver os líderes
políticos que odeiam ou amam. Os mesmos juízes que foram criticados ao condenar
um político são elogiados quando, mudando de posição, absolvem esse mesmo
político, e vice-versa. Se as decisões de alguns ministros do STF não fossem
tão díspares entre si nos mesmos casos, talvez a percepção do cidadão fosse
diferente. Decisões envolvendo políticos importantes podem reduzir a confiança
dos cidadãos nas decisões judiciais. Enfim, a confiança dos eleitores no STF
varia de acordo com decisões contra líderes políticos que odeiam ou amam. Lá se
foi o senso de Justiça! Quando a decisão judicial é consistente com a
preferência eleitoral do consultado, ele tende a acreditar na decisão da Corte,
e vice-versa. Os resultados demonstram que a afinidade com determinado
candidato influencia a tendência a aprovar uma decisão, revelando que os
cidadãos tendem a querer que a Corte puna os candidatos que eles não apoiam. Os
cidadãos chegam a esperar que as Cortes impeçam de disputar eleições políticos
que eles não apoiam. Ou seja, o grau de confiança nas decisões judiciais é
definido significativamente pela preferência política dos cidadãos quando estão
em questão acusações de corrupção. Indivíduos que apoiam outro candidato que
não seja o que está sendo julgado revelam um grau de confiança elevado na
decisão da Justiça, independente de quem esteja em julgamento. Cidadãos sempre
criticam quando seu político preferido é condenado por corrupção, devido ao
fato de que ambos os lados consideram seus líderes políticos inocentes,
priorizando a imagem anterior que sempre tiveram, sem levar em conta a acurácia
da acusação. Tudo isso é muito delicado na
situação do Brasil, no auge de sua polarização política, onde o Judiciário é
considerado ineficiente e leniente com os acusados. Estamos falando que, a
percepção popular e a opinião pública sobre aquele que guarda a Constituição é
basicamente motivada por (des)afetos.
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