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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Contas públicas em debate.

"A decisão unânime do STF determinando, em relação a emendas parlamentares, que o Congresso respeite regras constitucionais de transparência e o direito de acesso à informação, representa um glorioso momento de alento em prol da verdade". 

·       Posição da mídia: “O governo só pensa naquilo”. Ao tornar a propor aumento da tributação para compensar a desoneração da folha, o governo ignora a necessidade de rever gastos para reequilibrar o Orçamento de forma estrutural. Lula só consegue enxergar as contas públicas pela lente da arrecadação, jamais pelo corte efetivo e estrutural de gastos. Entende isso? 

·       No mesmo dia em que enviou a proposta de Orçamento ao Congresso, o Executivo protocolou também um projeto de lei para elevar a tributação dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) e as alíquotas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – em 1 ponto percentual (p.p.) para todos os setores e em 2 p.p para o setor financeiro. Ou seja, a filosofia de Lula/Haddad é taxar os mais ricos! O problema está na resistência do Congresso conservador. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), fez questão de expor sua contrariedade à proposta. Segundo ele, aprová-la é quase impossível. A estratégia do governo é contar com receitas vindas dos mais ricos (portanto, incertas) para cumprir a meta fiscal (kkk, uma piada de bom gosto).

·       Big, a raposa, sabe muitas coisas, mas Felino, o gato raiz, sabe uma única grande coisa (Arquíloco, poeta grego do século 7º a.C., parafraseado). 

·       Despesas obrigatórias ‘sugam’ fôlego do Orçamento de 2025. Governo terá mais espaço para gastos, mas apenas uma pequena parcela estará livre para investimentos.

·       Seca vai elevar conta de luz em até 13% e impactar inflação. A prolongada seca em regiões do país afetou o nível dos reservatórios e var encarecer a conta de luz. A projeção é que a alta fique entre 10% e 13%. Há previsão também de que o problema impacte a inflação já neste mês. 

·       Dos R$ 143,9 bilhões previstos para gastar em 2025, destes, R$ 132,2 bilhões serão usados para pagar os benefícios da Previdência e salários do funcionalismo público. Das despesas discricionárias, como investimento e custeio da máquina, o governo terá só R$ 11,7 bilhões.

·       Proposta do Orçamento 2025. Governo manteve a previsão de déficit zero, mas com base em medidas que visam aumentar a arrecadação, como renegociação de dívidas tributárias e cobrança extra de impostos: taxação de Big techs. Quase toda a folga do orçamento será consumida por despesas obrigatórias.

·       O Governo pretende a arrecadação de R$ 168,2 bilhões. Destes, R$ 121,5 bilhões virão de atos administrativos; já os restantes R$ 46,7 bilhões precisam de aprovação do Congresso.

·       Para as emendas parlamentares, as que o Governo é obrigado a pagar, as reservas são recordes: R$ 38,9 bilhões em emendas impositivas.

·       Existe ação estruturante para combate a fraudes. A previsão de economia com os pentes finos é de quase R$ 26 bilhões. 

·       O projeto do governo estima arrecadar R$ 166,2 bilhões em receitas extras no ano que vem, das quais R$ 46,8 bilhões dependem da aprovação do Congresso para entrar em vigor, enquanto prevê um corte de despesas bem menor, da ordem de R$ 25,9 bilhões, boa parte por meio da revisão do cadastro de benefícios sociais e assistenciais. Para 2025, espera-se arrecadar R$ 28,5 bilhões, bem menos que os R$ 54 bilhões esperados para este ano, mas muito acima dos ínfimos R$ 87 milhões efetivamente gerados pela medida até julho.

 

·       A pergunta é: por que a própria direita estaria causando prejuízos para si própria, provocando enchentes no RS e queimadas no Norte? Porque sangrar o PIB força o governo a não contar com mais arrecadações para bancar os programas sociais, impondo a Lula cortar investimentos ou ser forçado a optar pela lógica perversa de dividir as migalhas de pão, isto é, tirar da boca de pobre para dar aos mais pobres. A direita sabe que está perdendo dinheiro agora, mas usa a lógica para perder agora para ganhar mais depois (o que seria um investimento na crise ou no “quanto pior, melhor”. A gente investe na maldade para ter lucros, não são ruins eticamente, são ruins financeiramente, estrategicamente econômicos). É como se dissessem assim: se for pra gente fazer algum investimento, que seja na crise e no desastre agora para colher fortunas mais tarde. É o chamado “Capital de Desastres”. Veja só: com previsões mais otimistas que as do mercado para o crescimento do PIB e para a inflação, o governo consegue projetar receitas maiores e despesas menores no papel. O PIB está na forca. Qualquer mudança nesse cenário gera a necessidade de bloqueios e contingenciamento de gastos para não ultrapassar o limite de despesas e cumprir a meta fiscal, o que impõe dificuldades na execução do Orçamento. 

·       O projeto do governo estima arrecadar R$ 166,2 bilhões em receitas extras no ano que vem, das quais R$ 46,8 bilhões dependem da aprovação do Congresso para entrar em vigor, enquanto prevê um corte de despesas bem menor, da ordem de R$ 25,9 bilhões, boa parte por meio da revisão do cadastro de benefícios sociais e assistenciais. Para 2025, espera-se arrecadar R$ 28,5 bilhões, bem menos que os R$ 54 bilhões esperados para este ano, mas muito acima dos ínfimos R$ 87 milhões efetivamente gerados pela medida até julho. A jogada de Lula/Governo é: obriga o Executivo a aumentar a carga tributária para evitar o descumprimento da meta fiscal. Lula investe em um misto de teimosia, otimismo e enfrentamento para entregar o déficit zero, em vez de aceitar a imposição do mercado financeiro e da mídia de "fatos alternativos para provocar uma dura realidade"

·       "Você sabe quanto o Brasil pagou de juros em 10 anos? R$ 4,7 trilhões. Sabe quanto investiu na saúde nesses mesmos 10 anos? R$ 1,8 trilhão. Educação? R$ 1,6 trilhão. Conclusão: o que é caro neste país é a nossa dívida, é o pagamento de juros, isso que é caro. O juro sozinho consumiu em 10 anos tudo da Educação e da Saúde. Ah, não pode falar porque o mercado não gosta. Eu não fui eleito pelo mercado, acho que eles nunca votaram em mim, então eu não governo para o mercado, eu governo para o povo!" (Lula).  

·       Os recursos públicos, em vez de ajudar os mais pobres, vão na maioria para os 20% mais ricos. E muito disso tem relação com previdência e funcionalismo (Pedro Fernando Nery, Doutor em Economia). 

·       Governo mira mais R$ 21 bi com alta de tributos sobre empresas. Projeto enviado ao Congresso eleva alíquotas da CSLL e do JCP. R$ 166 bi é quanto ele prevê arrecadar a mais em 2025. Enfim, ou são as empresas ou serão os trabalhadores. É o governo tentando transferir renda para os mais pobres!

·       USP, Unicamp e Unesp vão propor a Tarcísio nova regra de financiamento. Com o fim do ICMS, que deixará de existir a partir de 2026, proposta é receber 8,63% da receita tributária líquida estadual (R$ 14 bi em 2024). A USP, berço de excelência e referência mundial em ensino, pesquisa e extensão é, em sua esmagadora maioria, lulopetista. Yes! 

·       Câmara enfraquece a Lei de Responsabilidade Fiscal ao retirar gastos com terceirização do limite de despesas com pessoal de Estados e municípios. Os deputados aprovaram PL complementar que retirou os gastos com terceirização e com organizações da sociedade civil do limite de despesas com pessoal previsto na LRF – um gesto para prefeitos. Contratos terceirizados com empresas e organizações sociais para limpeza urbana e gestão de hospitais – que, por óbvio, incluem a contratação de profissionais para a prestação dos serviços – deverão ser contabilizados à parte por Estados e municípios, como prestação de serviços especializados. Negociações de bastidores com Lula são possíveis. O PL foi apresentado em 2012 e chegou a ser arquivado pela Câmara, mas ressuscitou em abril deste ano já com um requerimento de urgência, pedido que permite pular etapas de tramitação nas comissões e pautar a proposta imediatamente em plenário para discussão e votação. Enfim, o tema não estava no radar de ninguém até ser incluído na ordem do dia nesta semana, mas esse tipo de manobra não ocorre sem acordo. O Governo não fez o menor esforço para barrá-lo. Municípios que ultrapassam os limites de gastos com pessoal têm os repasses de verbas federais e estaduais suspensos e são proibidos de contratar novos financiamentos. Retomá-los reque medidas duras, como a redução de despesas com gastos com cargos comissionados e de confiança e a demissão de servidores sem estabilidade. Tais restrições são essenciais para garantir o cumprimento dos limites. Mas muito mais fácil que cumprir a lei é driblá-la por dentro, ainda que com argumentos risíveis. Não é a primeira vez que o Congresso facilita a vida de administradores, sobretudo em ano eleitoral. Próximo de completar 25 anos, a Lei de Responsabilidade Fiscal é um exemplo de que, no Brasil, existem leis eu pegam e leis que não pegam. Revogá-la seria um escândalo, mas isso não impediu que ela fosse desfigurada. Assim, todos podem ser perdulários sem abandonar a pose de responsabilidade.

·       Orçamento 2025 não prevê reajuste de IR e Bolsa Família. Lula deixou de fora da proposta do Orçamento 2025 a correção da faixa de isenção da tabela do IR e do Bolsa Família. Será preciso nova medida de compensação se limite de isenção for mantido.

·       Lula convida dupla importante para uma conversa institucional sobre a conjuntura econômica e o mercado de crédito no País. Lula recebeu no Planalto:

1.     O presidente da Febrabar: Issac Sidney.

2.     O presidente da CNI: Luiz Carlos Trabuco.

·       12ª alta seguida do PIB. A economia brasileira está crescendo num ritmo anual de +2,5%. O resultado foi puxado pelo consumo das famílias e do Governo, quanto pelo investimento. E se espalhou de forma homogênea por diferentes setores da economia (ou seja, o mercado de trabalho está aquecido: renda 5% maior do que há um ano; taxa de desemprego caiu). Focar no investimento (capacidade instalada) para esse crescimento continuar com baixa inflação. 

·       Tem gente contribuindo com as contas de dentro de casa e até mudando de emprego para melhor.

·       Uma preocupação é a inflação e o impacto na taxa de juros. 




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