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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 18 de junho de 2023

As formas de PODER.

 

De La Boètie (no Renascimento), a M. Foucault (na França dos anos 1970), da Escola de Frankfurt (nos anos 1930), a J. Habermas (nos dias atuais), a humanidade tem se perguntado de diversas maneiras: por que uns mandam e outros obedecem? Por que existe o poder?

Essa questão nos remete à organização do Estado. E tanto sua administração pública quanto a sua estrutura de poder, estão ligadas a interesses de classe. Ou seja, não há um Estado “neutro e bonzinho”. O Estado antigo estava ligado à aristocracia, assim como o Estado imperial brasileiro estava conectado aos interesses dos proprietários de terras e de escravos. Os Estados atuais não podem ser explicados apenas com análises restritas à fórmula stalinista Estado capitalista = administração dos negócios da burguesia”. O Estado não é só um simples gerente administrativo do capitalismo. É isso, e muito mais!

Um dos aspectos do Estado contemporâneo é o seu caráter de classe. Isto é, a existência de um campo de batalhas e negociações entre classes sociais. Isso quer dizer que, para além do aspecto capitalista, há as diversas formações políticas. Veja um exemplo: o governo da Frente Popular na França de 1936 pôde limitar a jornada de trabalho apesar dos protestos do empresariado e também instituiu as férias pagas. E sabe o que aconteceu nessa época? Inventaram o óleo de bronzear. Isso só nos ajuda a perceber o quanto o cotidiano, a economia e a política estão interligados...

As relações de poder não se dão apenas entre o Estado e os indivíduos (súditos ou cidadãos). É preciso reconhecer os micropoderes no cotidiano: o poder disciplinar na escola, no presídio, no quartel, na fábrica, nas relações homem/mulher, nos preconceitos de raça, na opção sexual, na cultura...

Enfim, é preciso estudar a micropolítica.


NOTA MINHA. Em sua genealogia, o poder tem duas dimensões: 1) O poder (imanente/inerente = que nos eleva de forma vertical, é o tornar-se) nasce da nossa capacidade de inventar e criar (as invenções deram aos seres humanos mais chances de sobrevivência). Nossa inventividade torna-nos exclusivos. 2) O poder (emanente/transborda = vem para o exterior e nos eleva de forma horizontal, é o exercer-se) descobriu que essa capacidade que nos eleva de forma vertical pode ser ampliada e controlada pelo próprio uso e posse dos instrumentos que construímos, de forma horizontal (sobre os demais) - aqui chegamos no campo da filosofia política. Então, há aí uma potência ou capacidade de criar instrumentos (coisa boa!). E também nossa capacidade de posse e uso desses instrumentos voltados para ampliar essa nossa própria capacidade (coisa boa!). Mas, também, o controle do trabalho como forma de subsistência e manutenção do privilégio de inventar/criar (coisa ruim!). Dominação, diria Marx. 

Enfim, se você compartilha o poder e a riqueza, há mais possibilidade de igualdade social. Do contrário, se você os concentra, surgem as diferenças sociais. De modo que, hoje, essas desigualdades sociais nada mais são do que diferenças de riqueza e de poder. Estão dadas as classes sociais!

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