“O impacto em hospitalização e óbitos depende da cobertura vacinal
e de quando a pessoa tomou a última dose” (Julio Croda).
Hoje, a variante Ômicron do coronavírus corresponde a praticamente 100% dos casos confirmados submetidos a sequenciamento genômico no mundo!
Da Ômicron ocorreram diversas mutações. Uma delas é a sublinhagem apelidada dramaticamente de Cérbero, referência ao mitológico cão de três cabeças que pertencia ao deus grego Hades e que tinha por função guardar a porta do mundo dos mortos. Na denominação científica, é chamada de BQ.1.
O que está ocorrendo não é uma surpresa, mas é a primeira vez que o mundo experimenta o que é conviver com um vírus que veio para ficar. Dificilmente aparecerá uma cepa que leve a outra interrupção das atividades cotidianas, mas, de quando em quando, surgirão variantes ou sublinhagens mais ou menos barulhentas, capazes de provocar surtos como o atual. Isso significa que, mais do que nunca, a realidade impõe, em nossa rotina, a mudança de comportamento. Também será uma exigência o acompanhamento da doença por parte das autoridades de saúde, a exemplo do que se faz (ou deveria fazer) com outras doenças.
Assim, o uso de máscaras volta a ser recomendado no país para a população em geral (em locais fechados e mal ventilados, como transportes públicos e ambientes abertos com aglomerações). Mais ainda, o uso da proteção é recomendado principalmente para pessoas do grupo de risco do agravamento da doença: idosos, gestantes, imunossuprimidos e indivíduos com comorbidades (e pessoas com sintomas respiratórios). O uso da máscara é importante para que a medida funcione como proteção coletiva, mais efetiva do que o uso apenas como autoproteção. Só para se ter um ideia, na cidade do Rio de Janeiro, 92% das pessoas agora internadas com a doença na rede pública não tomaram todas as doses.
A ciência continua tendo ações imprescindíveis neste grave momento: 1) Uma é o estabelecimento de uma rede de monitoramento do coronavírus para que nenhuma alteração genética escape aos sistemas de detecção, pois informações desse gênero são fundamentais para o desenvolvimento de vacinas; 2) A outra é que surtos deixarão de ser sustos quando tivermos um calendário vacinal seriamente definido, especialmente com a segunda nova geração de vacinas com proteção mais ampla.
Enfim, é
compulsório que todos mantenham a vacinação em dia com as que temos. Afinal,
Cérbero está ativo!
“Por mais que 80% da população tenha tomado as duas primeiras doses, as adicionais engatinham. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 69 milhões de pessoas ainda não buscaram a 1ª dose de reforço e mais de 32 milhões não receberam a 2ª dose adicional. Outro gargalo é a imunização das crianças com mais de 6 meses e menos de 5 anos. As primeiras doses ainda estão chegando ao Brasil, e o ministério determinou que, por enquanto, fossem destinadas apenas ao público pediátrico com comorbidades”.
NOTA: Quem cuida dos pequenos brasileiros?
A vacina pediátrica da Pfizer foi autorizada pela ANVISA para uso desde setembro/2022, sem qualquer restrição. Enquanto o Brasil tem 13 milhões de crianças entre 6 meses a 4 anos de idade (IBGE), o Ministério da Saúde do Verme encomendou só pouco mais de 1 milhão de doses. Além de pouca quantidade, ainda houve demora na distribuição, e até agora só 14 capitais iniciaram a vacinação dos bebês.
Para as crianças de 3 e 4 anos seriam necessárias 12 milhões de doses para o esquema vacinal completo delas aqui no país, mas até agora só saíram 2 milhões de imunizantes. Por essa e outras que em vários locais a vacinação está sendo suspensa ou nem sequer iniciou.
O que faz uma pessoa procurar uma vacina, seja ela qual for, é a percepção de risco. É entender que a doença é perigosa para ela. Quando a gente fala de criança muito pequena, são os pais que assumem essa demanda.
Enfim, falta informação,
falta coordenação, falta responsabilidade! Cadê as campanhas públicas mais efetivas
de incentivo à vacinação para os pequenos, Marcelo Queiroga?
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