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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

“Penduricalhos” no Serviço Público.

A estratégia do “troco a mais”.

Vamos falar aqui de exageros da extrema-direita (aqueles definidos por resoluções, normas, portarias e outros expedientes), não dos benefícios concedidos por lei.

A direita sabe como pautar da pior forma aquilo que deseja destruir. De modo paralelo, nunca abandonou a ideia de (des)Reforma Administrativa, que pretende diminuir os servidores públicos e, com isso, enfraquecer o Estado e seus serviços sociais, em prol das privatizações.

Sabendo que a proposta será engavetada porque não é do interesse do Governo Lula, encontrou na Câmara (Congresso e Assembleias de todas as instâncias) o jeito paralelo de pautá-la – ironizando excessos. Trata-se da multiplicação anômala de verbas indenizatórias que turbinam vencimentos do funcionalismo, fora do Teto e da Lei, pagas pelos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) de União, estados e municípios a servidores e funcionários.

Os chamados “penduricalhos em excesso” são verbas indenizatórias, como supostos auxílio-paletó, auxílio-panetone, auxílio-peru, auxílio-Iphone, entre outros (até os tipos de nomes afrontam o decoro das funções públicas), que complementariam os ganhos de agentes públicos, sobre os quais não incide Imposto de Renda. Isto é, a natureza é claramente remuneratória e não de indenização. Nessa lista também se encaixam alguns excessos de:

- licenças compensatórias convertidas em dinheiro;

- gratificações por acúmulo de funções exercidas na mesma jornada;

- auxílios diversos sem comprovação de despesas;

- conversão recorrente de férias e licenças em pecúnia.

"Por este caminho, certamente será mais eficaz e rápido o fim do império dos penduricalhos, com efetiva justiça remuneratória, tão necessária para a valorização dos servidores públicos e para a eficiência e dignidade do serviço público" (Flávio Dino, Ministro do STF). 

O teto do funcionalismo é o equivalente ao salário de um ministro do STF (hoje em R$ 46.366). Apenas parcelas indenizatórias expressamente previstas em lei podem ficar fora do teto, conforme entendimento já consolidado pelo STF. Fora isso, supostos benefícios esdrúxulos só servem para arruinar o debate e manchar a reputação de servidores, sob alegação de fura-teto.

O Ministro Flávio Dino determinou revisão e suspensão de todos eles. Assim, órgãos de todos os níveis da Federação têm até 60 dias para passar um pente fino nessas verbas e suspender todas aquelas que não possuírem base legal. O Congresso Nacional deverá também editar uma Lei definindo a regulamentação de quais verbas indenizatórias são efetivamente admissíveis como exceção do teto.

Enfim, é preciso superar a Escala 6x1 e melhorar a qualidade de vida do trabalhador. Valorizar os servidores pela melhoria dos salários e das condições dignas de trabalho. Mas, com essas estratégias de excessos e “troco a mais” para pautar a questão da pior forma possível, não pavimentará a opinião pública.

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