Seguradoras: lucros e sobrevivência.
Enquanto as pessoas tentam sobreviver, as seguradoras tentam lucrar mais. E não só! Agro, indústria de energia, construção civil, etc. Eles recorrem a climatologistas para melhorar análises de risco (quem realmente entende de cenários climatológicos, ameaças e vulnerabilidades). Executivos compram alianças de cientistas para desenvolver novos e futuros modelos de mercado mais adequados à crise do clima. Enfim, é a Universidade a serviço das demandas do Mercado.
“Queremos desenvolver um instrumental que calibre os modelos de risco e seja útil tanto para o planejamento financeiro das empresas como para desenvolver os produtos”.
Representantes do setor de seguros buscam grandes climatologistas do país (na USP) para saber como negócios no ramo podem alavancar e lucrar com as mudanças climáticas. O interesse é inovar e se planejar para alguma resiliência aos negócios e às pessoas.
As empresas estão interessadas nos estudos dos institutos de pesquisa, a fim de transformar o conhecimento em produtos estratégicos. Os modelos climáticos do “novo normal” de previsão desastres, trabalhando com as pressões do aumento do nível do mar, ondas de calor, raios, secas, geadas, incêndios, chuva ácida, deslizamentos e força dos ventes, etc.
O que os cientistas geram e podem oferecer, e o que eles precisam? As empresas desejam previsões, frequência de atualização e os graus de incerteza de investimentos. Por exemplo, há muito interesse em entender os riscos par áreas agrícolas, com secas, e crises hídricas que criam problemas para hidrelétricas, mas também que tipo de seguro poderia existir para pequenos agricultores, etc.
- “é perfeito
para dar alguma resiliência aos negócios e às pessoas”.
- mas há uma
falta enorme de instrumentos para se lidar com o desafio climático.
- com parâmetros
hoje precários para estimar riscos diante das mudanças climáticas e dos eventos
extremos observados pelo mundo, inclusive no Brasil.
- 1) já existem
modelos que dão previsão e materialidade a algumas ameaças climáticas; 2) essas
previsões precisam ser ajustadas, em tempo e espaço, para as necessidades do
setor; 3) a intenção das seguradoras de construir com os cientistas um
instrumento que seja útil a todo o setor.
- A crise do clima está deixando a indústria de seguros com parâmetros hoje precários para fazer a gestão de riscos aqui e no mundo.
Veja um exemplo recente: existem 50 milhões de brasileiros com planos de saúde e 17 milhões que têm suas residências asseguradas. As fortes chuvas que causaram a tragédia de abril/maio no RS causaram R$ 6 bilhões em sinistros avisados (aqueles comunicados às empresas pelos segurados) até 20 de setembro. Foram mais de 18 mil automóveis, quase 30 mil residências, mais de 2.100 propriedades rurais. Há cálculo que chega a R$ 8 bilhões os avisos de sinistros, muito menos de 10% das estimativas dos danos, que beiram os R$ 100 bilhões. Isso coloca uma carga enorme no setor público.
Além do RS, hoje já são mapeados 1.133
municípios e chegarão a 1.942 no Brasil todo. A crescente imprevisibilidade
climática, os efeitos dessas mudanças nos padrões de chuvas, temperatura e no
nível dos oceanos, marés, e a maior frequência e intensidade dos desastres
naturais são uma chamado gritante para ação – e já estamos atrasados. Como
sempre, o mercado sai na frente. Primeiro os negócios, depois as vidas.

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