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O que a
filosofia não é?
- A filosofia
não é ciência: é uma reflexão sobre os fundamentos da
ciência, isto é, sobre procedimentos e conceitos científicos.
- Não é
religião: é uma reflexão sobre os fundamentos da religião, isto é, sobre as
causas, origens e formas das crenças religiosas.
- Não é arte: é
uma reflexão sobre os fundamentos da arte, isto é, sobre os conteúdos, as
formas, as significações das obras de arte e do trabalho artísticos.
- Não é
sociologia nem psicologia, mas a interpretação e avaliação crítica dos conceitos e métodos da sociologia e da
psicologia.
- Não é
política, mas interpretação, compreensão e reflexão sobre a
origem, a natureza e as formas do poder e suas mudanças.
- Não é
história, mas reflexão sobre o sentido dos acontecimentos enquanto inseridos no
tempo e compreensão do que seja o próprio tempo.
- E por aí (não) vai...
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O que é
Filosofia? "
1. Um saber verdadeiro que deve ser usado em benefício dos
seres humanos para que vivam numa sociedade justa e feliz (Platão).
2. É o estudo da sabedoria, conhecimento
perfeito de todas as coisas que os humanos podem alcançar para o uso da
vida, a conservação da saúde e a invenção das técnicas e das artes com as quais
ficam menos submetidos às forças naturais, às intempéries e aos cataclismos
(Descartes).
3. É o conhecimento
que a razão adquire de si mesma para saber o que pode conhecer, o que pode
fazer e o que pode esperar, tendo como finalidade a felicidade humana (Kant).
4. Marx declarou
que a Filosofia havia passado muito tempo apenas contemplando o mundo e que se
tratava, agora, de conhecê-lo para transformá-lo, transformação que traria justiça, abundância e felicidade para todos.
5. A Filosofia é um
despertar para ver e mudar nosso mundo (Merleau-Ponty).
6. A Filosofia é um
caminho árduo e
difícil, mas que pode ser percorrido por todos, se desejarem a
liberdade e a felicidade (Espinosa).
7. A decisão de não aceitar como naturais, óbvias e evidentes as
coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de
nossa existência cotidiana; jamais aceitaá-los sem antes havê-los investigado e
compreendido (Marilena Chaui).
8. Busca do fundamento (princípios, causas e
condições) e do sentido (significação e finalidade) da realidade em suas
múltiplas formas, indagando o que essas formas de realidade são, como são e por
que são, e procurando as causas que as fazem existir, permanecer, mudar e desaparecer.
9. Indagações.
As
principais (fundamentais) são (segundo Kant):
- Que podemos saber? É a pergunta sobre o conhecimento,
isto é, sobre os fundamentos do pensamento em geral e do pensamento científico
em particular;
- Que podemos fazer? É a pergunta sobre a ação e a expressão humana, isto é, sobre os fundamentos da ética, da
política, das artes, das técnicas e da história;
- Que podemos esperar? É a pergunta sobre a esperança de uma outra vida após a morte, isto é, sobre os fundamentos da religião.
10. Argumentar e demonstrar por meio de princípios e regras necessários e universais, apreender pelo pensamento a unidade real sob a multiplicidade percebida ou, ao contrário, apreender pelo pensamento a multiplicidade e diversidade reais de algo percebido como uma unidade ou uma identidade.
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Para que
Filosofia?
1. Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações;
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Quando a
Filosofia surge?
1. Quando os seres
humanos começam a exigir provas e justificações racionais que validem ou
invalidem as crenças cotidianas.
2. A Filosofia
começa quando admitimos que não sabemos o que imaginávamos saber. Começamos a
buscar o conhecimento quando somos capazes de dizer: “Só sei que nada sei”
(Sócrates).
3. A Filosofia
começa com a admiração (Platão).
4. A Filosofia começa com o espanto (Aristóteles). Aquele que se coloca uma dificuldade e se espanta reconhece sua própria ignorância e para fugir dela. “Nós nos espantamos quando, por meio de nosso pensamento, tomamos distância do nosso mundo costumeiro, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, por que somos e como somos”.
5. É uma instituição cultural tipicamente grega que, por razões históricas e políticas, veio a tornar-se, no correr dos séculos, o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura europeia ocidental da qual, em decorrência da colonização europeia das Américas, nós também fazemos parte – ainda que de modo inferiorizado e colonizado.
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Qual a ocupação
da Filosofia?
“Como fundamentação teórica e crítica, a Filosofia ocupa-se com os princípios,
as causas e condições do conhecimento que pretenda ser
racional e verdadeiro; com a origem, a forma e o conteúdo dos valores éticos, políticos, religiosos, artísticos e
culturais; com a compreensão das causas e das
formas da ilusão e do preconceito no plano individual e coletivo; com os
princípios, as causas e condições das transformações
históricas dos conceitos, das ideias, dos valores e das práticas humanas”
(Chaui, p. 23).
- a ocupação da filosofia ocorre com três coisas: analisar, refletir e criticar.
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Qual a utilidade
da Filosofia?
“Se abandonar a
ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias
dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar
compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil;
se conhecer o sentido das criações humanas nas
artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa
sociedade os meios para serem conscientes de si e de
suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos
for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes
de que os seres humanos são capazes” (Chaui, p. 24).
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