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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Marketing Político.


“Existem vários cases no mundo corporativo, de influenciadores digitais que nascem de algo completamente improvável. Através de um celular, eles criam uma linguagem e formam uma audiência própria".

Acreditam que um bom marqueteiro político é capaz de eleger um candidato fraco assim como um candidato forte perderia uma eleição sem uma boa estratégia de marketing. Entretanto, o marqueteiro não é um bruxo todo poderoso. Ela também é falho e apresenta limitações. A missão é: a obrigação de aumentar a capacidade de comunicação do cliente, fazer com que ele saia da campanha com uma capacidade maior do que entrou.

·       Votar é um processo muito mais emocional do que racional. É preciso falar com o coração do eleitor; hoje é preciso falar não com o cérebro do eleitor, mas com o coração dele. Por isso, é tarefa nossa identificar a comunicação que intencionalmente pode despertar o tipo de sentimento que você quer.

·       É um processo emocional, ou seja, acontece através da emoção que você tem por um determinado projeto, uma determinada candidatura (o candidato constrói uma conexão com o coração do eleitor);

·       Rastreador ocular ou “eye tracking”: a área de retenção do seu olhar. Apresentar um estímulo e você responder sobre ele. Mas, é preciso afastar varáveis, tipo: responder influenciado pela presença de outra pessoa ou por querer impressionar me dando uma informação que, necessariamente, na hora da escolha, não é o que está no seu coração. Onde foi sua área específica de retenção? Fazer uso desses recursos da ciência com o objetivo da assertividade. A neurociência está aí para isso!

·       Muita pesquisa quantitativa e qualitativa. O que faz diferença não é só a capacidade de captação desses dados, mas de quem os analisa. E, mais importante do que se passa na mente do eleitor, é identificar o que está em seu coração.

·       As pesquisas qualitativas não têm a pretensão, nem a capacidade de levantar dados estatísticos. Ela levanta hipóteses, que precisam ser confirmadas. E elas são confirmadas através das pesquisas quantitativas. O objetivo é conhecer os adversários, é saber junto a população qual é o perfil ideal de um candidato, qual é o próximo prefeito que a população está buscando, quais são os atributos que ele precisa ter. Tem que saber o que perguntar e, depois, interpretar esses dados;

·       Não é papel do marqueteiro criar um personagem fake, pois uma hora a máscara cai;

·       É preciso ter “inteligência política”. Seus pilares definidores são:

- explorar as conexões entre o marketing político, a estratégia (posicionamento político) e a comunicação (talento criativo);

- diagnóstico multidisciplinar de imagem e posicionamento do candidato;

- discurso desenvolvido para o projeto;

- potencialidades e vulnerabilidades do candidato;

- qual é o papel do estrategista, do marqueteiro? Não é criar uma personagem fake. Mas, conhecendo o candidato, suas potencialidades e vulnerabilidades, aumentar a capacidade dele de comunicação;

- como posso comunicar a mesma coisa de jeito diferentes?

- na comunicação, às vezes é uma palavra colocada da forma certa. Não adianta só você saber fazer a coisa certa. Você tem que fazer a coisa certa, do jeito certo, no tempo certo.

·       A troca de acusações sempre fez parte da disputa política (é algo que existe nas campanhas). Porém, é preciso diferenciar o que é fake news de desconstrução do adversário. Ao mesmo tempo que existe um trabalho de construção, de fortalecimento, de dinamizar o projeto do seu cliente, no embate eleitoral. Nesse quesito, o passado lhe condena, ou seja, existe um trabalho profissional de desconstrução do adversário que vai buscar algo verdadeiro em seu histórico para desgastá-lo frente à sociedade.

·       O que define o vencedor de um debate? Debate é avaliação da performance, infelizmente. A galera fica ali observando quem vence ou quem perde, isto é, ficam observando as atitudes, de como o candidato se comporta diante das provocações, qual é a capacidade dele de comunicação. O conteúdo é secundário. Um candidato com segurança do conteúdo ele consegue as duas coisas – boa performance e bom nível de conhecimento.

·       Cada eleição é o prenúncio da seguinte e cada eleição é única;

·       Hoje, você não tem como pensar numa campanha eleitoral bem sucedida sem uma estratégia definida para o digital, que já faz parte de todo o escopo dela, desde a pré-campanha até a campanha propriamente dita. Houve uma transição do analógico para o digital. Agora, a gente vê a chegada mais forte da inteligência artificial. Isso não é uma tendência, veio para ficar;

·       A chegada do smartphone mudou por completo a forma das pessoas se comunicarem. Nas comunidades mais distantes, a informação começou a chegar. E as pessoas começaram a perceber que também poderiam produzir conteúdo. Isso teve um impacto muito grande;

·       Por um lado, essa chegada do mundo digital fortalece o eleitor, que é capaz de verificar em tempo real se aquilo que o candidato diz é verdade ou mentira. Por outro, temos o enfraquecimento das mídias profissionais;

·       Há aí um capital grande: capacidade de arrecadação de recursos e de articulação da comunidade;

·       Há muito viés de informação nas redes sociais. Pela ação do próprio algoritmo, as pessoas começam a receber notícias que só corroboram a visão que já têm do mundo. Esse aspecto contribuiu para o clima de guerra visto nas últimas eleições, o fenômeno da polarização;

·       Embora a gente tenha uma democracia muito jovem ainda, ela precisa fazer uso dos fatos, aprender a se desenvolver e não querer mais aquilo que não foi bom para a sociedade. Um bom debate é respeitar as divergências, mesmo que sejam de lados opostos. Ao invés da gente estimular um debate de ódio, a gente poderia certamente trazer para pauta informações da agenda do dia a dia do cidadão comum. Mas de uma forma inteligente. Visando o melhor de cada um e não somente estimular sentimentos que são prejudiciais para a própria sobrevivência humana;

A eleição de vereador acaba sendo a porta de entrada para a vida política. Mas a questão financeira inviabiliza muitas potenciais candidaturas. Infelizmente, as campanhas no Brasil são muito caras. De certa forma, o sistema favorece os grupos de elite. O modelo que está aí favorece pessoa que já possui estrutura. Isso não gera uma representatividade real. Nós temos várias lideranças invisíveis, ou seja, que têm condições do ponto de vista de conteúdo de defender suas pautas. Hoje, ter um celular, uma boa ideia, participação e olho na sua realidade, já é um bom ponto de partida. Defenda uma bandeira e faça sua campanha do seu jeito!

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