Focada no que nos separa, a direita não se permite ao que nos une. Já passou da hora de o Estado brasileiro agir para remediar de maneira estrutural a desigualdade!
Essa é a queixa do momento: “Lula deu declarações que frustraram quem imaginava uma gestão da economia semelhante à de seu primeiro mandato”. Por isso, o Mercado não quer permitir o que chama de “waiver” ou permissão excepcional – a “PEC da Transição” no valor de R$ 175 bilhões para financiar o novo programa de ajuda aos mais pobres: pagar o Bolsa Família de R$ 600,00 nos próximos 4 anos, reajustar o salário mínimo e atender a demandas como recompor verbas do Farmácia Popular.
Então, para dificultar, está se servindo de dois argumentos:
1)
Não
basta dá o benefício, é preciso ter critério de destino e distribuição, dando
foco a quem de fato precisa. “Não faz sentido um único cidadão receber R$ 600,00 e
uma família com quatro pessoas ganhar o mesmo valor. A ideia de distribuir R$
150,00 por criança reduz a discrepância, mas não a elimina. É preciso reduzir o
valor pago a um indivíduo para poder aumentar o dos demais”.
2) Trata-se de um aumento contratado nos gastos de quase 2% do PIB. De onde sairão recursos para financiá-lo? Não se sabe. É preciso evitar a explosão da dívida pública, da inflação e dos juros.
Enquanto a esquerda se preocupa com os
mais pobres, a direita luta contra a esquerda. Esse é o ponto central que torna
os dois lados profundamente distintos. Carecemos de uma visão conjunta de
futuro que privilegia a luta contra a desigualdade em suas diversas facetas. Depois
da distribuição de renda, do combate à fome e as desigualdades, há outros
pontos igualmente urgentes que deveriam nos unir: a defesa da democracia, a
preocupação com a
questão climática, que pode vir a se transformar num ativo social e
econômico do país. E tem também a demarcação das terras indígenas e a proteção dos povos
originários, entre outros.
O que se elegeu foi paixão, defesa da democracia ou cansaço de Bolsonaro. Goste-se ou não, foi Lula e o PT. Ainda vamos
tentar fazer uma frente ampla, mas quem lidera somos nós. Vocês queriam o quê?
Perder e ainda ficar na dianteira? Vai delirando aí...

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