“Onde quer que você vá, lá está você!”
“Onde quer que você vá, lá estamos nós!”
A psicologia cultural trata de tornar
familiar o estranho e estranho o familiar. Assim, quando se trata de
funcionamento psicológico, o lugar importa! Importa porque existem outros modos de
viver além dos que cada um de nós conhece bem.
Vejamos:

Self norte-americano:
Ocidental. Quem
cresce na cultura Ocidental pode ter um Self mais independente, isto é, se
expressa pelas escolhas que faz, pelos produtos que compra, por suas
tatuagens ou piercings. A linguagem serve mais para autoexpressão e as escolhas
são expressão de si mesmos – as mais
favoráveis que dão mais valor à singularidade. Vejam os comerciais: destacam a
escolha pessoal e a liberdade. Diga-se logo, é uma cultura individualista, a
autoestima é mais pessoal e menos relacional. Na maior parte da América do Norte (temos muitas exceções na América Latina) as
pessoas tendem a ser afetadas mais diretamente, pois qualquer contrariedade
ameaça mais a identidade pessoal (as faz sentir mais zangadas e tristes) do que
a identidade coletiva. Aqui as pessoas persistem mais quando estão sendo
bem-sucedidas, porque o sucesso eleva a autoestima. Aqui, o autoconceito é mais
estável e dependente das condições e entre situações – das esferas de
atividade. Individualistas ocidentais gostam de fazer comparações com pessoas
que aumentem sua autoestima. A felicidade vem com emoções desvinculadas –
sentir-se efetivo, superior e orgulhoso. O self ou a noção de si mesmo é mais
desvinculada ou descolada dos outros. Enfim, aqui os indivíduos são expostos a
promoções baseadas no desempenho individual, com exortações a acreditar em suas
próprias possibilidades – heroico e sozinho consegue tudo, apesar da
interferência dos outros.
Self chinês, japonês:
Oriental. Quem
cresce na cultura Oriental pode ter um Self mais interdependente. A linguagem
serve para a comunicação com os outros e se dá mais valor à tradição e às
práticas compartilhadas. Comerciais mostram as pessoas juntas e há maior senso
de pertencimento. As pessoas não perdem facilmente as conexões sociais porque
essas conexões definem quem elas são (não são pessoas desarraigadas, isoladas
da família, dos colegas e dos amigos leais). Não tem uma, mas muitas
identidades: com os pais, no trabalho, com os amigos. O self interdependente
está embutido em afiliações sociais. A conversa é mais polida e a busca é mais por
aprovação social. Em vez de a meta ser realçar a identidade individual, a meta
é a vida social, harmonizar e apoiar a comunidade. A autoestima nas culturas
coletivistas se correlaciona mais de perto com o pensamento coletivo (o grupo e
os outros). O autoconceito é mais maleável e ligado ao contexto. As pessoas
persistem mais nas tarefas quando estão fracassando (porque não querem ficar
aquém das expectativas dos outros). Coletivistas orientais fazem comparações
(geralmente ascendentes, com os que estão se saindo melhor) de modo que
facilitem o autoaperfeiçoamento. A felicidade vem com o engajamento social –
sentir-se próximo, amigável e respeitoso. O self ou a noção de si mesmo são mais
carregadas de vínculos ou coladas nos outros, no ambiente, nas inter-relações. Enfim, as pessoas agem juntas para ajudar umas
às outras.


Enfim, a maior parte da psicologia, da
economia, da cultura e outras áreas foi produzida por profissionais em
ambientes norte-americanos brancos de classe média e ainda estudando sujeitos
norte-americanos brancos de classe média. Ora, em outros contextos
socioculturais, podem haver ideias e práticas diferentes sobre como ser uma
pessoa e como viver uma vida significativa, e essas diferenças podem ter uma
influência sobre o funcionamento psicológico, social, cultural, econômico, etc.
Até
a própria história pessoal pode influenciar a visão de si mesmo. O conflito em
culturas coletivistas com frequência ocorre entre grupos; culturas
individualistas geram mais conflito (e crimes e divórcios) entre indivíduos. Veja
só como estamos?! O self independente reconhece as relações COM os outros, mas o
self interdependente está mais profundamente engastado NOS OUTROS.








Sobre a geração atual.
“Quem olha para fora, sonha.
Quem olha para dentro, desperta!”
(Carl Jung).
·
Responder
rápido;
·
Consumir
conteúdos sem parar;
·
Ter
opinião sobre tudo;
·
A
validação é toda externa;
·
Identidades
instáveis;
·
Não
sabe quem é – a identidade virou performance, é montada;
·
Identidades
raras;
·
Vida
social como palco, com obrigação de representar permanentemente;
·
Não
vive para existir, vive para representar – parecer interessante, desejável e
feliz;
·
Está
ficando emocionalmente cansada;
·
Muita
exposição, muita solidão (profundamente invisível);
·
Conversa
muito, escuto pouco, mostra tudo, vive pouco;
·
Sociedades
massificadas: aproximam corpos, afastar consciências;
·
Confunde
visibilidade com presença;
·
O
problema não é usar, mas depender para existir;
·
Mais
perigoso que proibir (o poder pela força, imposição), é moldar silenciosamente:
desejos, comportamentos, nosso reflexo (o poder que se torna verdade e molda os
desejos);
·
Deixa
de escolher porque gosta para escolher para ser validado, aprovado, pertencido;
·
Não
escolhem, obedecem ao algoritmo;
·
Identidades
construídas pela comparação (aparências, relações, dinheiro, viagens, estilo de
vida);
·
Deixou
de viver para passar a performar;
·
Vida
medida pela vitrine dos outros;
·
Vive
silenciosamente sob mecanismos sutis de distinção e hierarquia;
·
Oprime
com expectativas invisíveis – empurra para a competição;
·
Vazio
identitário;
·
Sabe
consumir, publicar e apresentar... Mas, não sabe no que acreditar, o que são
longe da aprovação, o que defendem;
·
Cercados
de comunicação, mas sem escuta interior;
·
Riqueza
de informação, pobreza de significado;
·
Está
em crise: falta de identidade!