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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Lições de Marilena.

A biografia de Marilena Chaui é inspiradora! Algumas lições...

1.     O pensamento não se separa da vida coletiva.

2.     Ideologia é manter as relações sociais tais como estão. Ela “cega” social, política e culturalmente o indivíduo. Ela consegue isso por ocultar as contradições e, ao fazer isso, preservar as relações de Poder ali existentes, para o “bem” e para o “mal”.

3.     O Brasil tem uma fábrica de produção de violência operante porque: sua estrutura histórica transforma suas diferenças em desigualdades, e essas desigualdades em hierarquias, ou seja, relações sociais baseadas em mando e obediência. O discurso supostamente democrático que encoberta isso é mero arranjo institucional.

4.     A democracia de fato existe e opera quando direitos são criados, vividos e praticados pela sociedade. E o papel do Estado é o de garantir aquilo que já foi exigido e construído coletivamente. Logo, democracia não se resume ao voto.

5.     Filosofia não é mera prática restrita à academia. É modo de vida e intervenção no mundo!

A força do social.

 O social existe, está dividido, mas tem força instituinte.

Historicamente, existem 03 perspectivas predominantes na esquerda brasileira que precisam ser reformuladas. Por mais que se esforcem e tenham “boas intenções”, desejam fazer as coisas “do Alto”. Vejamos:

03 perspectivas predominantes na esquerda brasileira:

1ª – O Estado como protagonista: explica e narra a história do Brasil tendo apenas o Estado como personagem principal. A ideia é a de que o Estado é anterior à sociedade, institui essa sociedade e determina todos os acontecimentos. A História como história feita pelo Alto (Estado e burguesia).

2ª – Teoria da dependência: foi elaborada por FHC e Enzo Faletto. A intepretação do Brasil e demais países dependentes é assentada sobre um tripé: Estado, capital nacional e capital internacional. São esses três os protagonistas sociais, políticos e históricos. Estão ausentes a classe trabalhadora e as camadas populares em geral. Assim como a anterior, também pensa a política e a história como ação do Alto (Estado e burguesia).

3ª – Política como ação de uma Vanguarda: essa concepção está presente em formas variadas das múltiplas tendências da esquerda brasileira. De um lado, funda-se em uma ideia pedagógica da política como educação das massas por um partido que tomaria o Estado; e de outro lado, na direção política das massas por uma vanguarda, portadora da consciência de si e para si, capaz de decifrar o sentido da história. Novamente, a política e a história se fariam referidas ao Alto, ao Estado.

 

Como reformular tudo isso?

Um grupo de esquerda forte será formado também por intelectuais, vindos de diversas tendências de esquerda: movimento operário e sindical, trabalhadores rurais, movimentos sociais urbanos, cultura popular, violência e marginalidade, Igreja em suas relações com os movimentos populares, partidos políticos e ideologia. Precisam formar centros de estudos, sobretudo com a intenção de refletir sobre o Brasil atual, consolidando espaços para a realização de pesquisas e debates sobre aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais da realidade brasileira, com ênfase especial na problemática das classes populares. Repare: a referência não é o Estado, mas a sociedade. Isto é, o papel dos movimentos sindicais, sociais e populares como os sujeitos da política e da história.

O Brasil tem uma tradição de grupos de resistência, muitos produzidos na época da Ditadura Militar: movimento sindical ou o novo sindicalismo, movimentos sociais urbanos e rurais, Comunidades Eclesiais de Base inspiradas na Teologia da Libertação, movimentos estudantis, grupo Tortura Nunca Mais, famílias de presos e desaparecidos políticos sob a proteção da Comissão de Justiça e Paz, comissões de fábricas com a conquista do direito à greve e a organização independente dos trabalhadores, os loteamentos clandestinos nas cidades e as ocupações no campo como início da reforma agrária, os movimentos contra o custo de vida, por transporte, creches, escolas e hospitais, pela urbanização das favelas, contra o racismo e as discriminações de gênero, contra a tortura e o desaparecimento de presos políticos, contra os assassinatos de lideranças populares pelas forças policiais e pelo Esquadrão da Morte, e por aí se vai...

Uma reinvenção ou inovação do coletivo, que agora também precisa lidar com os novos desafios do século: bolhas das redes sociais, IA, novas tecnologias dos meios de produção, retóricas refinadas das mídias, desalento distópico dos tempos atuais...

Um coletivo assim, não surge do nada nem da cabeça de alguns intelectuais. Pelo contrário, o que o torna possível é a existência de uma ação social como resistência (ao autoritarismo, à exclusão, à retirada ou negação de direitos), como luta pela liberdade. AÇÕES DE CRIAÇÃO E AFIRMAÇÃO DE DIREITOS, UMA INVENÇÃO DEMOCRÁTICA!

“Um grupo que estuda e se engaja profundamente nas greves, tomando parte delas, fazendo debates e discussões com os trabalhadores, dando entrevistas a jornais, rádios e televisões e escrevendo artigos em defesa das comissões de fábrica, do direito à greve e da legitimidade das ações. É uma verdadeira experiência de formação política e de compreensão da ação democrática não apenas como luta de classes, mas sobretudo como participação direta nas práticas políticas para uma nova sociedade. Tudo o que escrevermos sobre democracia, sobre cultura popular, sobre crítica da ideologia da competência precisa nascer nessa experiência extraordinária e única, na qual, em vez de um partido político ou uma vanguarda que imaginam poder levar a consciência aos trabalhadores, dar-se exatamente o contrário: nós é que aprendemos com os trabalhadores” (Marilena Chuai, p. 57). 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A politização do Réveillon.

Em nosso tempo polarizado, tudo ficou mais escandaloso e descontraído.

Pé direito, não (conservador)! Calcinha vermelha, pode (esquerdista)? Artimanha comunista de sedução? Vermelho, vermelhusco, vermelhaço, vermelhão atrai sexo ardente ou moeda na sua bolsa ou as duas coisas? Kkk E tomar um banho de ervas, seria coisa de usuário ou prática de candomblé? E sexo, ficar por cima ou embaixo, quem pode e quem obedece? E a folha de louro na carteira, chamariz de dinheiro ou racismo? E o prato com aves, essas coitadas tão gostosas o ano inteiro e canceladas na ceia pelo fato de ciscarem para trás? Só não pode é virar o ano pulando 07 marolinhas com o pé direito. Fala sério!?

E que tal o “tudo de bom” do moto-uber que pilota feito um louco no corredor dos carros e ao final do trajeto deseja ao passageiro assustado um “feliz ano novo ao senhor e a todos os seus”?! Seria cômico se não fosse trágico! Kkk

Enfim, então vamos manter a tradição mesmo. Melhor! Na virada, vamos comer apenas frutos do mar, seres capazes de nadar contra todas as correntes, para que todos os leitores percebam nisso uma provocação de gastronomia ideológica – uma mensagem subliminar, justo na virada de um ano de eleição, para que o prato à mesa seja, por mais 04 anos, LULA!

Nobel de Literatura – 2025.

 O fim das ilusões...

Literatura contemporânea... Apocalíptica, misteriosa, preocupante, longa e sinuosa, expressão de sentimentos indescritíveis, inquietante...

O autor? László Krasznahorkai (húngaro, 71 anos). Com frases longas e parágrafos extensos, com estilo denso e único, o autor cria uma atmosfera pesada e obsessiva, numa obra complexa e visionária, com alegoria profunda, olhar irônico e apocalíptico sobre o colapso social e a fragilidade das esperanças humanas. Tudo isso sob a capa de uma história aparentemente simples.

A personagem? O retorno do barão de Wenckheim (tradução de Zsuzsanna Spiry). Falido por jogo e exilado na Argentina, o cara retorna à Hungria, cansado, buscando apenas reencontrar um amor antigo de juventude (a Marika) e reconciliar-se com o mundo. Mas... Sua cidade, afundada em poeira, desespero e ressentimento, projeta nele a esperança de quem vai trazer redenção e prosperidade.  

A obra? Um romance monstruoso. Narra o regresso de um aristocrata falido (Béla Wenckheim) à sua cidade natal (na Hungria). Ali, os habitante o recebem como um salvador messiânico (tem festa de recepção, ciganos são expulsos e uma crescente expectativa de que o barão resolverá os problemas locais, tanto materiais quanto espirituais). A partir disso, são explorados temas de declínio, esperança e loucura. Ou seja, a população acredita que ele é rico e trará prosperidade (o cara cheio de dívidas rsrs); e ainda acredita mais, que suas origens nobres trará uma renovação moral, eliminando todos os excessos indesejáveis (o cara está perdido, interessado em rever um amor de juventude kkk). Enfim, é uma história de ilusões e expectativas rompidas, com destaque para a violência - a síndrome da bestialidade pretensiosa com agressividade de idiotas grosseiros e desejos de vingança ardilosa. 

O que tem de novidades? A inventividade: 1) desequilíbrio entre aquilo que acontece (os "fatos") e as reações geradas por esses eventos (sempre na ordem do excesso); 2) um traço de escrita em que a narração entra e sai da consciência dos personagens; 3) existe uma indistinção entre aquilo que acontece no pensamento e aquilo que acontece na realidade - as frases misturam os dois registros; 4) liberdade de movimento que dá o ar muito singular da poética do autor; 5) o modo como as diferentes tramas se atravessam e se complementam. 

O contexto? O livro é uma continuidade de Sátántangó (Hungria, 1985), outro romance visionário, implacável e fascinantemente sombrio. Imagine um lugar com habitantes desajustados e enlouquecidos (camponeses esfarrapados; um médico alcoólatra observando obsessivamente seus vizinhos; jovens perdidas num moinho destroçado; uma garota com deficiência tentando matar seu gato, uma gangue de motociclistas fascistas, um professor recluso que observa o mundo em colapso com ironia e terror (o melhor personagem do romance), enfim, vigaristas de toda ordem). Essa gente acredita que em algum dia chegará um homem (Irimiás) com poderes extraordinários para salvá-los daquela realidade (pilhas de lixo e o colapso total).

As entrelinhas? Ao fugir de suas dívidas de jogatina em Buenos Aires, e voltar para sua cidade de origem também para encontrar um amor do passado, encontra personagens perdidos e afim de redenção. 1) a partir da pequena cidade do barão, o aturo fala da Hungria; 2) a partir do relacionamento tenso dos personagens, fala também do gênero humano em geral, e de forma bastante pessimista. 

A crítica? De braço dado com Kafka, o cenário é e não é a Hungria sob o comunismo – sob a fé depositada na aparição de um líder salvador, com assombrosa atualidade. Paraíso? Inferno? Mundo do além? Bobagem. Nesse delírio em que se enfiou a contemporaneidade, a extrema-direita explorou para lançar seus líderes políticos nos EUA, na Argentina, em Israel, no Chile e aqui no Brasil. Em todo o mundo...

O que pode acontecer quando a linguagem é levada além das regras que ela própria estabelece? Distopia: riso, vertigem e devastação em uma polifonia de vozes do nosso tempo. Uma reflexão sobre o pertencimento e sobre o nacionalismo. É muito difícil atravessar indiferente essa leitura. Afinal...

Aqui estamos!

domingo, 28 de dezembro de 2025

Gosto de doces, mas...

 

O “Imposto Seletivo” foi criado na reforma tributária de 2024 e tem um objetivo inequívoco: desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Entre eles, bebidas alcoólicas, derivados de tabaco, ultraprocessados e um de que gosto muito – as bebidas açucaradas.

Nisso a OMS também concorda. De acordo com ela, uma das políticas públicas mais eficazes para a redução de consumo de produtos nocivos à saúde pública é justamente a tributação mais alta.

Todavia, minha razão precisa escrever mais alto do que pedem meus desejos pecaminosos (risos). A literatura científica é certeira e cruel:

·       O consumo de refrigerantes eleva o risco de obesidade, leva a diabetes, doenças cardíacas e outras;

·       As crianças brasileiras consomem mais de 88 litros de bebidas açucaradas por ano!

·       Mais de 700 mil delas estão com sobrepeso ou obesidade;

·       O cuidado com obesidade e outras doenças provocadas pelo consumo de bebidas açucaradas chega a R$ 3 bilhões por ano para o SUS.

Enfim, reduzir o consumo desses produtos é passo fundamental para evitar a incidência de doenças crônicas e melhorar a saúde da população, economizando recursos para o SUS. Ainda que EU, a indústria de refrigerantes e seus beneficiados não gostem dessa ideia amarga, tributar e conscientizar é preciso!

🧠 Quando o cérebro entra em estado de fadiga, ele passa a buscar fontes rápidas de energia para manter suas funções básicas ativas.

🍬 A principal fonte de energia do cérebro é a glicose, que vem principalmente dos carboidratos consumidos na alimentação.

🧠 Em períodos de estresse mental, excesso de tarefas, noites mal dormidas ou sobrecarga emocional, o consumo de glicose cerebral aumenta.

🍫 Por isso, o corpo envia sinais que costumam ser interpretados como vontade intensa por doces e alimentos açucarados.

🧠 O açúcar provoca uma elevação rápida da glicose no sangue, gerando sensação imediata de alívio e energia.

🍪 Esse efeito acontece porque o consumo de açúcar estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à recompensa.

🧠 O problema é que esse alívio é temporário e costuma ser seguido por uma queda brusca de energia.

🍩 Após essa queda, o cérebro tende a pedir mais açúcar, criando um ciclo de cansaço e busca por doce.

🧠 Esse comportamento não significa falta de controle, mas um sinal de que o organismo está sobrecarregado.

🍫 Muitas vezes, a vontade por doce está mais ligada à exaustão mental do que à fome real.

🧠 Falta de descanso adequado, alimentação pobre em nutrientes e excesso de estímulos contribuem para esse padrão.

🍪 Sono de qualidade, refeições equilibradas e pequenas pausas ao longo do dia ajudam a reduzir esse impulso.

🧠 Entender esse mecanismo permite escolhas mais conscientes, sem culpa ou exageros.

🍫 Comer doce ocasionalmente não é o problema, mas usá-lo como solução constante para o cansaço pode agravar a fadiga.

🧠 Quando o corpo descansa melhor, a mente tende a pedir menos estímulos rápidos.

Nota sobre o cérebro.

 O cérebro humano é o objeto mais complexo de que se tem conhecimento no Universo! Ele abriga 86 bilhões de neurônios, todos dissemelhantes, conectados a milhares de outros neurônios que, por sua vez, transmitem sinais uns aos outros através de 100 trilhões de sinapses.

Entretanto, enquanto o cérebro é obra da Biologia, é a vida que transforma o cérebro em mente. E lá se vão 5 mil anos desde que poetas e filósofos, doutores de divindades e da medicina se debruçam sobre esse mistério. É na imensa vastidão da mente humana, com sua história, arte, literatura, religião, filosofia, poesia, música, mitos que se construiu a humanidade passada e se formarão nossos pares humanos do futuro.

Enfim, o trabalho do cérebro consiste em receber presentes; a arte da mente está em desembrulhá-los. Que saibamos desembrulhar com o devido zelo o que nos foi dado de presente: a vida!

“Imagine o cérebro como aquele lustroso monte de vida, um parlamento acinzentado de células, uma fábrica de sonhos, um pequeno tirano dentro de uma bola de osso, aquele amontoado de neurônios comandando todos os lances [...], muitos ‘eus’ entupidos no crânio como roupas demais enfiadas num saco de ginástica. O neocórtex tem cumes, vales e dobras porque o cérebro continua a se remodelar, mesmo no espaço apertado. Consideramos normal o fato, à primeira vista ridículo e ainda assim inegável, de que cada pessoa carrega no alto do corpo um universo completo em que trilhões de sensações, pensamentos e desejos se escoam-se em muitos níveis, alguns dos quais nem percebemos – melhor assim” (Diane Ackerman, “Uma alquimia da mente”). 

Criminosos na Política.

 Fé, Milícia e Política. 

O avanço alarmante da criminalidade já há algum tempo dá sinais de infiltração na economia formal e nas instituições da República.

A porta de entrada na vida pública são os partidos (PL, PP, Republicanos), por meio dos quais deve ser barrada a infiltração do crime na política. Imagine só um deputado estadual suspeito de tráfico de armas, drogas e de atuar em favor de uma facção criminosa. É o mínimo! O presidente Jair Bolsonaro, e todo o seu clã supostamente devoto, uma familícia no poder que quase arrastou a nação inteira para o abismo de outra grande Ditadura!

De lá para cá, houve um crescimento em tamanho e sofisticação do crime organizado, que tem superado a capacidade da legislação de conter sua infiltração nas instituições – a começar pelo próprio aparelho de segurança pública.

É urgente e necessária a tarefa permanente dos partidos de filtrar seus candidatos, levando em conta prontuário policial e histórico penal dos postulantes. Já existe a Lei da Ficha Limpa desde 2010, que barra a candidatura de condenados em 2ª Instância em processos penais ou mesmo administrativos. Mas, foi o próprio Congresso Nacional quem afrouxou as regras de inelegibilidade, apesar de vetos do presidente Lula. Um mau sinal que só prova que a Casa já está sendo comandada por milicos.

Nas eleições para prefeito e vereador em 2024, a Ficha Limpa barrou 1.968 candidaturas. Com a frouxidão da Casa para o problema, infelizmente, ela deixará de ter a mesma eficácia daqui para frente, abrindo brechas de que criminosos tentarão se aproveitar.

Enfim, precisamos redobrar nossa atenção ao tema. É imperioso que se ampliem as barreiras. E os partidos políticos têm papel vital nessa missão!

sábado, 27 de dezembro de 2025

Calor-2025; Temporal-2026.

 Verão chega marcando o final de ano com forte Onda de Calor (2025), mas promete iniciar o Ano Novo com temporais perigosos (2026), especialmente no Sudeste.

“O ser humano controla sua temperatura de duas formas. A primeira é por meio dos vasos sanguíneos que se dilatam para levar mais sangue até a pele, para que o calor possa ser irradiado para fora do corpo. O segundo é por meio do suor, que refresca a pele por evaporação. Quando eles não funcionam, morremos”.

A Onda de Calor afeta 08 estados, em nível “grande perigo”. Tem termômetro de rua na capital paulista batendo os 40ºC. Do guarda-chuva para se proteger do Sol até a corrida aos Shoppings para abrigar sob o ar-condicionado. Aumentaram os atendimentos médicos devido ao calor, principais sintomas: tontura, fraqueza, desmaios e queimaduras solares. O calorão também ocasiona pontos de falta de luz e de água. A estiagem e as altas temperaturas derrubam o nível dos mananciais de abastecimento de água, enquanto a tendência de consumo é aumentar (média de 60%) em virtude desse cenário. Aqui no Nordeste, toda a região deve sofrer com chuvas abaixo da média, com destaque para nós, Bahia!

Já o contraste está logo ali na frente, à espreita. Estão previstas chuvas intensas para o estado de São Paulo, inclusive no período de réveillon. A virada de ano deve ser marcada por temporais em várias regiões. Tanto que o governo já instalou um gabinete de crise, inclusive para lidar com eventuais interrupções no serviço de energia elétrica. Mas, não só: enchentes, deslizamentos de encostas, inundações...

As altas temperaturas estão entre os grandes problemas de saúde pública da década no planeta. Morrer de calor não é figura de linguagem: é um risco real! A insolação é um dos principais problemas, que acontece quando a temperatura corporal ultrapassa os 40ºC. O corpo acaba ficando incapaz de controlar a própria temperatura. Os sintomas incluem: elevação da temperatura corporal, pele vermelha, quente e seca, dor de cabeça, tontura, náusea, confusão, e, em casos extremos, perda de consciência. Outro problema é a desidratação. Altas temperaturas também agravam doenças pré-existentes, pois o calor impacta 07 órgãos: cérebro, coração, intestinos, fígado, rins, pulmões e pâncreas.

Existem 27 formas pelas quais o calor pode ser fatal! São cinco mecanismos fisiológicos que podem ser deflagrados pela temperatura elevada: isquemia (redução ou interrupção da irrigação sanguínea), citotoxidade (envenenamento das células), inflamação, coagulação intravascular disseminada (formação de trombos que podem destruir órgãos) e rabdomiólise (síndrome causada pela destruição das fibras musculares).

Para piorar, alguns medicamentos, como os anti-histamínicos, os antidepressivos, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio de diuréticos (entre outros usados para tratar problemas coronários), aumentam o risco de doenças relacionadas ao calor. Esses remédios usados para tratar doença cardíaca, alergia, pacientes renais e depressão também podem afetar o fluxo sanguíneo, a capacidade de reter água e até a transpiração, que são respostas essenciais do corpo às altas temperaturas.

Ninguém está imune aos efeitos prejudiciais do calor extremo, mas obesos (a gordura retém mais calor), mulheres (têm maior composição de gordura), crianças (o sistema de regulação da temperatura é imaturo), idosos (o mesmo sistema começa a ter falhas), diabéticos, cardíacos e pacientes renais são mais sensíveis. O mesmo pode ser dito de profissionais que trabalham expostos ao sol.

Enfim, por um lado, é preciso fazer o uso consciente da água, priorizando alimentação e higiene pessoal e evitando desperdícios para fins não essenciais, como lavar calçadas, carros e encher piscinas. Por outro lado, é preciso preparo, prevenção e planejamento para as tempestades que prometem se suceder. Por fim, também vale manter suas condições médicas crônicas subjacentes bem controladas.

Bem-vindos ao Verão!

Ética e Liberdade.

 

O grande tema da ética, desde que ela se tornou questão filosófica é: o que está e o que não está em nosso poder? Até onde se estende o poder de nossa vontade, de nosso desejo, de nossa consciência? Até onde alcança o poder de nossa liberdade? Podemos mais do que o mundo ou este pode mais do que nossa liberdade? O que está inteiramente em nosso poder e o que depende inteiramente de causas e forças exteriores que agem sobre nós?

Filosoficamente, a questão da liberdade se apresenta na forma de dois pares de opostos:

1.     O par “necessidade-liberdade”: Possuem leis causais (da natureza) e normas-regras obrigatórias (da cultura), o necessário é aquilo que acontece por si mesmo, sem nossa intervenção ou interferência; é o que não depende de nós para ser tal como é (o todo da realidade, existente em si e por si, que age sem nós e nos insere em sua rede de causas e efeitos, condições e consequências).

- nesse par encaixam termos religiosos: fatalidade-liberdade (forças transcendentes superiores); e termos científicos: determinismo-liberdade (homem determinado pelas leis e causas químicas, biológicas, etc.).

2.     O par “contingência-liberdade”: Contingência ou milagre, vontade sobrenatural, força divinizada ou desconhecida, acaso, boa e má sorte, acidental, indeterminado (a realidade é imprevisível e mutável).

Ambos os pares opostos impossibilitam deliberação e decisão racionais, definidoras da liberdade. Aí parece que todos os possíveis foram fechados para o humano, que ficará anestesiado, impotente, resignado, conformado, passivo e omisso. Ou existe saída? Como escreveu Sartre, o que importa não é saber o que fizeram de nós e sim o que fazemos com o que quiseram fazer conosco. Onde fica o campo da liberdade possível?

Do ponto de vista ético, a liberdade só será ética quando o exercício da vontade estiver em harmonia com a direção apontada pela razão. Outra constatação importante: há uma tensão entre nossa liberdade e as condições – naturais, culturais, psíquicas – que nos determinam (a liberdade como possibilidade objetiva).

O farol abriu, siga: buscar eliminar a violência na relação com o outro, manter a fidelidade a nós mesmos, a coerência de nossa vida e a inteireza de nosso caráter. Não desaprender a linguagem com que os homens se comunicam, deixar o coração crescer para sermos mais nós mesmos quanto mais formos capazes de reciprocidade e solidariedade.

Interiorizar e Criar.

A ética se move no campo das paixões, dos desejos, das ações e dos princípios, possuindo uma dimensão valorativa e normativa (que são exteriores e anteriores a nós, definidos pela cultura e pela sociedade em que vivemos). Mas, como sujeitos éticos, somos tanto capazes de interiorizar valores e normas existentes como de criar novos valores e normas. Ou seja, com atos de liberdade, interpretamos nossa situação (valores, normas, princípios) e dessa interpretação nasce em nós a aceitação ou a recusa, a interiorização ou a transgressão, a continuação ou a criação.

“Minha liberdade é o poder fundamental que tenho de ser o sujeito de todas as minhas experiências” (Merleau-Ponty).

“A ação mais alta da vida livre é nosso poder para avaliar os valores” (Nietszche).

“O essencial para nossa felicidade é nossa condição íntima e dela somos senhores” (Epicuro).

“A justiça não existe por si própria, mas encontra-se sempre nas relações recíprocas, em qualquer tempo e lugar em que exista entre os humanos o pacto de não causar nem sofrer dano” (Epicuro).

Enfim, o núcleo da vida ética é ser senhor de si (ser autônomo) e ser capaz de philia (reciprocidade, relação intersubjetiva como coexistência e não-violência).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Liberdade Marxista.

 A liberdade como “possibilidade objetiva”.

Quando o limite é a própria possibilidade...

Não posso tudo; nem posso nada. Mas, posso alguma coisa – intervir, e tentar transformar a realidade! 

Escolhemos nosso mundo e nosso mundo nos escolhe. 

 “O mundo já está constituído, porém, não completamente pronto e acabado” (Merleau-Ponty).

 “O grande mundo está crescendo todos os dias pelo fogo e amor dos seres humanos, e o pior seria renunciar a ele por estarmos nele” (Carlos Drummond). 

Sabe aquela ação que acaba fazendo toda a diferença? Ou aquela atitude ou iniciativa que muda o curso e o rumo dos acontecimentos? Pessoas que provocam transformações porque ousaram agir, ainda que sob condições adversas, e às vezes por causa delas, exerceram sua liberdade como possibilidade objetiva inscrita no mundo. Que tipo de liberdade é essa?

É a liberdade como consciência simultânea das circunstâncias existentes e das ações que, suscitadas por tais circunstâncias, nos permitem ultrapassá-las, dando-lhes outro rumo e um novo sentido, que não teriam sem a nossa ação. Logo, essa ação recebe uma qualidade heroica tal, pois abre um futuro novo para muitos outros, mudando o curso do presente, que parecia inevitável.

É uma ação construída de forma inteligente, isto é, ela não brota de forma inexplicável, imotivada ou milagrosa. Seu agente precisa: 1) interpretar as condições e circunstâncias dadas, percebendo que, sem uma intervenção, elas seguiriam um curso que, depois, diríamos ter sido inevitável; 2) foi capaz de perceber alternativas que, pouco visíveis, também estavam presentes e poderiam ser realizadas.

Nosso mundo, nossa vida e nosso presente formam um campo de condições e circunstâncias que não foram escolhidas nem determinadas por nós e em cujo interior nos movemos. No entanto, esse campo é temporal: teve um passado, tem um presente e terá um futuro cujos vetores ou direções já podem ser percebidos ou mesmo adivinhados como possibilidades objetivas. Diante desse campo, poderíamos assumir 03 atitudes:

1.     A ilusão de que temos poder para mudá-lo em qualquer direção que desejarmos (o tudo);

2.     A resignação, que nos leva a dizer que nada podemos fazer (o nada);

3.     A disposição para interpretar e decifrar o que está posto e tentar intervir e transformar (alguma coisa).

A liberdade objetiva mora na atitude 3 – quando o limite é a própria possibilidade. A liberdade como possibilidade objetiva não se encontra na ilusão do “posso tudo” nem no conformismo do “nada posso”. Encontra-se na disposição para interpretar e decifrar as linhas de força e direções do campo presente como possibilidades objetivas, isto é, como abertura de novas direções e de novos sentidos a partir do que está dado.

Nessa perspectiva histórica, materialista e dialética, com pegada marxista, mas também fenomenológica e existencialista, a liberdade é a capacidade para darmos um sentido novo ao que parecia fatalidade, transformando a situação de fato numa realidade nova, criada por nossa ação. Essa força transformadora, que torna real o que era somente possível e que se achava apenas latente como possibilidade, é o que faz surgir uma obra de arte, uma obra de pensamento, uma ação heroica, um movimento anti-racista, uma luta contra a discriminação sexual ou de classe social, uma resistência à tirania e a vitória contra ela. 

Somos livres não contra o mundo, mas no mundo, pois somente nele meu coração também pode crescer. Não somos livres apesar do mundo, mas graças a ele!

Se nascemos numa sociedade que nos ensina certos valores morais – justiça, igualdade, veracidade, generosidade, coragem, amizade, direito à felicidade – e, no entanto, impede a concretização deles porque está organizada e estruturada de modo a impedi-los, então o que é preciso?

1.     Reconhecer a contradição entre o ideal e a realidade;

2.     Recusar a violência como exercício da liberdade e da vida ética;

3.     Buscar brechas pelas quais possa passar o possível;

4.     Concretizar no real aquilo que a nossa sociedade propõe no ideal;

5.     Ter ou construir o poder para tornar o possível real;

6.     Decisão de agir e da escolha dos meios para a ação;

7.     Realização da ação para transformar um possível num real, uma possibilidade numa realidade.

“Nascer é, simultaneamente, nascer do mundo e nascer para o mundo. Sob o primeiro aspecto, o mundo já está constituído e somos solicitados por ele. Sob o segundo aspecto, o mundo não está inteiramente constituído e estamos abertos a uma infinidade de possíveis. Existimos, porém, sob os dois aspectos ao mesmo tempo. Não há, pois, necessidade absoluta nem escolha absoluta, jamais sou como uma coisa e jamais sou uma pura consciência (...). A situação vem em socorro da decisão e, no intercâmbio entre a situação e aquele que a assume, é impossível delimitar a “parte que cabe à situação” e a “parte que cabe à liberdade”.

Tortura-se um home para fazê-lo falar. Se ele recusa dar nomes e endereços que lhe querem arrancar, não é por sua decisão solitária e sem apoios no mundo. É que ele se sente ainda com seus companheiros e ainda engajado numa luta comum; ou é porque, desde há meses ou anos, tem enfrentado esta provocação em pensamento e nela apostara toda sua vida; ou, enfim, é porque ele quer provar, ultrapassando-a, o que ele sempre pensou e disse sobre a liberdade.

Tais motivações não anulam a liberdade, mas lhe dão ancoradouro no ser. Ele não é uma consciência nua que resiste à dor, mas o prisioneiro com seus companheiros, ou com aqueles que ama e sob cujo olhar ele vive, ou, enfim, a consciência orgulhosamente solitária que é, ainda, um modo de estar com os outros (...). Escolhemos nosso mundo e nosso mundo nos escolhe (...).

Concretamente tomada, a liberdade é sempre o encontro de nosso interior com o exterior, degradando-se, sem nunca tornar-se nula, à medida que diminui a tolerância dos dados corporais e institucionais de nossa vida. Há um campo de liberdade e uma “liberdade condicionada”, porque tenho possibilidades próximas e distantes...

A escolha de vida que fazemos tem sempre lugar sobre a base de situações dadas e possibilidades abertas. Minha liberdade pode desviar minha vida do sentido espontâneo que teria, mas o faz deslizando sobre este sentido, esposando-o inicialmente para depois afastar-se dele, e não por sua criação absoluta (...).

Sou uma estrutura psicológica e histórica. Recebi uma maneira de existir, um estilo de existência. Todas as minhas ações e meus pensamentos estão em relação com essa estrutura. No entanto, sou livre, não apesar disto ou aquém dessas motivações, mas por meio delas, são elas que me fazem comunicar com minha vida, com o mundo e com minha liberdade”.

(Maurice Merleau-Ponty).