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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

A História como erro/acerto.

Um script não é suficiente para viver.

“A vida é vivida para frente, mas compreendida para trás” (Søren Kierkegaard).

Os fenômenos psicológicos sociais estão todos à nossa volta. É preciso (re)conhecê-los de modo o mais preciso possível. Não é tão simples quanto parece – é o comportamento social. São pessoas pensando, influenciando e se relacionando umas com as outras. É o significado de uma expressão facial, o convencimento de alguém a fazer alguma coisa ou se podemos considerar alguém amigo ou inimigo.

Em nosso cotidiano não esperamos que algo aconteça até que acontece. Depois, subitamente vemos com clareza as forças que ocasionaram o evento e não sentimos surpresa. Além disso, também podemos lembrar incorretamente nossa visão anterior. Aí vem os erros combinados ao julgar a previsibilidade do futuro como os do recordar nosso passado para criar o “viés de retrospectiva” ou fenômeno do “eu sabia o tempo todo” (a tendência a exagerar/generalizar, depois de saber de um desfecho ou nossa capacidade de ter previsto como algo aconteceria – quando nem sempre acontece). É por isso que quase qualquer resultado de um experimento psicológico pode parecer senso comum – só depois que você sabe o resultado. Em retrospectiva, os eventos parecem óbvios e previsíveis.  

“Dia após dia cientistas sociais saem pelo mundo. Dia após dia eles descobrem que o comportamento das pessoas é quase o que você esperaria” (Cullen Murphy, 1990).

(???)

Diante do acervo e do arsenal de experiências corriqueiras, qualquer resultado científico não será surpreendente para a percepção do senso comum. Se você dividir um grupo de pessoas em duas partes, para uma metade contar uma descoberta psicológica e para a outra metade o resultado contrário, depois da posse dos resultados todos dirão: “É óbvio!”. Os dois grupos de pessoas terão boas explicações para os dois resultados opostos. Há um estoque de ditados para fazer qualquer resultado ter sentido, e ambos dirão que “não é surpreendente”.

Vejamos:

1.     Foi descoberto que, seja ao escolher amigos ou se apaixonar, somos mais atraídos a pessoas cujas características diferem das nossas.

2.     Foi descoberto que, seja ao escolher amigos ou se apaixonar, somos mais atraídos a pessoas cujas características são semelhantes às nossas.

Uma metade dirá, por exemplo: “Os opostos se atraem”. A outra metade dirá: “Diga-me com quem andas e direi-te quem és”.

Outro exemplo:

1.     A separação intensifica a atração romântica.

2.     A separação enfraquece a atração romântica.

Uma metade dirá, por exemplo: “Longe dos olhos, perto do coração”. A outra metade dirá: “Quem não é visto não é lembrado”.

Contra o passado (história) há o futuro (pós-história). Desfechos são mais “óbvios” depois que os fatos são conhecidos. Esse viés de retrospectiva ou “eu sabia o tempo todo” muitas vezes torna as pessoas excessivamente confiantes sobre a validade de seus juízos e previsões (para não dizer arrogantes em seus poderes intelectuais). Quando tudo parece previsto, somos mais propensos a culpar (e condenar) os tomadores de decisão (pelo que em retrospectiva são más escolhas ‘óbvias’ do que elogiá-los por boas escolhas, que depois também parecem “óbvias”).

Mais um exemplo:

1.     Soldados com melhor nível de instrução sofrem mais problemas de adaptação do que aqueles com menor nível de instrução. Logo, intelectuais estão menos preparados para as tensões das batalhas do que pessoas com experiência de rua.

2.     Soldados brancos estão mais ávidos por promoção do que soldados negros. Logo, anos de opressão têm um efeito adverso na motivação para realização.

Todas as conclusões desses problemas parecem óbvias. Porém, descobertas apontam que todas essas afirmativas são exatamente o contrário do que foi de fato descoberto.

É muito impasse, não é? Filósofos, romancistas e poetas observaram e comentaram sobre o nosso comportamento social. Eis a força (e um grande problema) do senso comum – o invocamos depois de conhecer os fatos. Por que fazemos isso? Porque os eventos são muito mais “óbvios” e previsíveis em retrospectiva do que de antemão (planejado ou previsto futuramente). Mas, e sob a perspectiva mais precisa da Ciência? 1) documentar ou formalizar o trivial e o óbvio; 2) realizar descobertas rigorosas que podem ser usadas para conscientizar ou manipular as pessoas.

Vamos analisar mais provérbios reais e seus opostos (duelo):

Outros exemplos:

1.     “O medo é mais forte do que o amor”. Ou “Quem caiu não pode ajudar quem está no chão”.

2.     “O amor é mais forte do que o medo”. Ou “Quem caiu pode ajudar quem está no chão”.

DUELOS DE PROVÉRBIOS

Ditados Concorrentes

É mais verdade que

Ou que

 

Cozinheiros demais entornam o caldo.

A inteligência supera a força.

Cavalo velho não pega andadura.

O sangue fala mais alto.

Quem hesita está perdido.

Um homem prevenido vale por dois.

 

 

Duas cabeças pensam melhor do que uma.

Gestos valem mais do que palavras.

Nunca é tarde para aprender.

Muitos parentes, poucos amigos.

Antes que cases, vê o que fazes. 

Não sofra por antecipação.

A felicidade vem de saber a verdade ou de preservar ilusões? De estar com os outros ou de viver em tranquila solidão? Opiniões é o que não faltam. Em geral, o censo comum é válido e está certo (depois do fato). Fica bem compreensível porque Sócrates chegou à conclusão de que “Só sei que nada sei”. Nós facilmente nos ludibriamos pensando que sabemos e sabíamos mais do que de fato sabemos e sabíamos. Não importa o que viermos a descobrir, sempre haverá alguém que o previu. Nesses duelos de ideias concorrentes, cabe ao pensamento crítico e científico encontrar aquela que corresponda melhor à realidade.

Ambas as formas (invertidas) são verdadeiras. São verdadeiras?

Último exemplo:

1.     “Os sábios fazem provérbios e os tolos os repetem” (Autêntico).

2.     “Os tolos fazem provérbios e os sábios os repetem” (Contrapartida inventada).

Tudo é verdade e pode não ser. Depende das condições e dos contextos complexos, inclusive aqueles que ainda nem existem (estão lançados no futuro). Isso é psicologia social. O que parece claro em retrospectiva raramente está claro no lado da frente da história (um diagnóstico ou prognóstico não é tão fácil). As decisões de médicos e júris não são tão simples de serem tomadas. Para evitar erros, é preciso descartar pilhas de “ruídos de informação”, considerar os sinais ou os raros retalhos de informações realmente úteis, ser seletivo ao decidir o que considerar e ligar os pontos. E é exatamente por isso que precisamos da ciência para nos ajudar a separar a realidade da ilusão e as previsões genuínas da retrospectiva fácil. Afinal, o que parece ser óbvio para nós agora não o era naquele momento – isso é pensar se colocando num futuro que logo vai embora. Isso também serve para não sermos nem muito duros conosco mesmos nem arrogantes, pois do outro lado de retrospectiva existe a difícil antecipação. 

Enfim, um script não é suficiente para viver sempre de modo assertivo...

“É fácil ser inteligente depois do acontecido” (Sherlock Holmes).

“Tudo que é importante já foi dito antes” (Alfred North Whitehead).

“Adão foi a única pessoa que, quando dizia uma coisa boa, sabia que ninguém a havia dito antes” (Mark Twain). Kkkk

Pesquisadores e teorias.

 Necessitamos de pesquisadores e teorias com vieses diferentes para realizar a análise científica. Afinal, a própria ciência tem seu lado subjetivo, já que é inevitável que as crenças e os valores prévios influenciem as escolhas e decisões dos próprios cientistas.

Entretanto, a observação e a experimentação sistemáticas nos ajudam a limpar as lentes através das quais vemos a realidade. Então, vamos conhecer alguns pesquisadores e suas descobertas que assim o fizeram.

1.     Brett Pelham: Tese do “egoísmo implícito” – a predisposição de gostarmos daquilo que associamos a nós mesmos.

2.     Mathias Mehl e James Pennebaker: Quantificação do comportamento social. Os relacionamentos representam uma parte considerável do ser humano (uns 30% são só conversação).

3.     Stanley Milgram (1974): Tese da “obediência à autoridade”: pessoas comuns obedecem a ordens de figuras de autoridade, mesmo que isso envolva prejudicar outros. Revela a influência do contexto social na moralidade individual.

4.     Hazel Markus (2005): “As pessoas são, acima de tudo, maleáveis”. Adaptamo-nos a nosso contexto social. Nossas atitudes e comportamentos são moldados por forças sociais externas.

5. Abraham Maslow (1943): “Os seres humanos buscam realizar seu pleno potencial (autorrealização), mas precisam atender às necessidades mais básicas primeiro para evoluir”. É a “Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas” ou "Pirâmide de Maslow" – as ações humanas são motivadas pelo desejo de satisfazer necessidades organizadas hierarquicamente, da mais básica para a mais elevada. 1) um nível de necessidade só precisa ser relativamente satisfeito para que o indivíduo foque no nível seguinte; 2) foco no que dá certo nos seres humanos e na sua busca por crescimento (psicologia humanista), ao contrário de focar apenas na doença ou disfunção...

A Pirâmide (da base para o topo):

1.     Fisiológicas: Alimentação, sono, respiração, sexo.

2.     Segurança: Emprego, saúde, propriedade.

3.     Sociais (Amor/Pertencimento): Amizade, família, intimidade.

4.     Estima: Autoestima, respeito, status.

5.     Autorrealização: Realização do potencial, criatividade.

domingo, 26 de abril de 2026

Sem alma?

 Silêncio Cósmico: sem alma, sem espírito, sem propósito...

E se retirássemos a armadura que nos reveste? Não estou me referindo apenas aos músculos, carnes, ossos e crânio, mas toda a carapaça de crenças dogmáticas que revestem os fascínios do Corpo e do Universo. 




domingo, 12 de abril de 2026

Sutilezas da inteligência.

Existem outras formas de vida inteligente, 

mas a verdade é que os cérebros egóicos não curtem essa ideia ou possibilidade.  

Ainda acreditamos no dogma de que só existe inteligência num roteiro de neurônios biológicos produzindo imagens mentais e consciência. É a ideia pré-copernicana de Universo guiado pela Terra ou a centralidade humana como pressuposto para a existência de inteligência.

Pensar não é pré-requisito para ser inteligente. Nem inteligência é só o critério de “nossa imagem e semelhança”. A inteligência está longe de ser um constructo estável e uma propriedade só humana – linguagem, sistema nervoso centralizado, presença inafiançável de neurônios e intenção explícita.

Você sabe o que são Planárias? Elas aprendem por associação (se distanciam de locais não seguros e a resposta aprendida reaparece no novo cérebro regenerado quando se perde o primeiro). Borboletas passam a evitar os riscos que correu quando ainda eram lagartas (as informações ficaram guardadas em seu sistema nervoso). Se você extrair o RNA dos tecidos de animais treinados e injetar em espécimes não treinadas o resultado será compatível à experiência original. Também há memória na reconstrução de partes de organismos regenerativos (tudo o que está no estado fisiológico da criatura antes de sofrer um corte reaparece depois dele). Até em reações químicas oscilantes o sistema exibe memória, isto é, o estado futuro depende de sua história (processamento de informação sem um “alguém aí”). A reação química tem um quê de aprendizado porque os recursos moleculares de que este emerge precedem a própria vida. Não estamos vendo nenhum neurônio aqui, mas outras redes celulares também capazes de filtrar ruídos e orientar condutas, ainda que de maneira mais lenta e menos especializada. O princípio é o mesmo, só o substrato que varia.

É o que também acontece no debate recente sobre inteligência artificial (IA), em que ainda é verdade o fato da “máquina não pensar”, mas isso não a impede de “ser inteligente”. Levamos na cara o monte de coisas que estão aprendendo a fazer muito melhor do que nós. IAs aprendem, generalizam e corrigem erros. Acima de tudo, usam o passado para se orientar ao futuro, ainda que não tenham a menor ideia do que isso significa.

Enfim, não confunda posição funcional com privilégio ontológico. A inteligência está mais para uma coleção de gambiarras extraídas das propriedades do mundo do que para uma condição existencial de seres assim ou assado. Existem outras formas de vida inteligente, mas a verdade é que os cérebros egóicos não curtem essa ideia ou possibilidade. 

sábado, 11 de abril de 2026

Novo transporte: foguetes.

Novo mapa: espaço sideral.

Do turismo espacial em larga escala à mineração da Lua e de asteroides. Hoje vemos países se digladiarem por reservas de terras raras por aqui. Amanhã, poderão estar disputando esses mesmos recursos em solo lunar. Sem falar em outras aplicações como geração de energia limpa a partir do espaço (H-3) e mesmo a colonização.

¼ do século XXI, foguetes reutilizáveis abrem o Sistema Solar à humanidade. Uma nova tecnologia para reuso rápido e prático de lançadores de foguetes viabiliza novas aplicações do equipamento (os ônibus espaciais), o que pode tornar o voo ao espaço algo quase tão comum quanto viajar de avião nos próximos 25 anos.

Entenda, depois de um lançamento exitoso e sua finalidade alcançada (como colocar satélites em órbita), a corrida agora é por um estágio de volta ou pouso reutilizável. Também aumentar a capacidade de carga. Se lançar é difícil, pousar em seguida é ainda mais. Enfim, cumprir seu objetivo na ida, mas também na volta – a tentativa de pouso sem os prejuízos de se espatifar. Os foguetes reutilizáveis vieram para ficar. Há uma disputa desenhada entre China e EUA pelo controle do espaço cislunar, e o ano de 2026 pode acabar com um ente chinês, privado ou público, dominando também essa tecnologia essencial.

Foguetes não é tecnologia nova. Até recentemente, eram enormes e caríssimos para sua construção, descartados após um único uso, pois suas partes eram descartadas ao longo do voo. Combinados por propulsão por combustão química e esquema de estágios, obtiveram uma base de razoável efetividade. No século passado, graças aos trabalhos de Konstantin Tsiolkovsky, davam sinais de que viabilizariam viagens espaciais. Virou realidade com os V-2 suborbitais, desenvolvidos por Wernher Von Braun para a Alemanha nazista, em 1944, como arma de guerra – foram os primeiros foguetes a atingir o espaço. Mais tarde, consolidaram seu uso dual, também útil para fins pacíficos.

Assim foram desenvolvidos nos anos 1970 os ônibus espaciais, lançados pela primeira vez ao espaço em 1981 – subiam como foguetes e desciam como aviões. A ambição da Nasa era inseri-los na dinâmica da aviação, mas em 1986 viria a acontecer a tragédia de Challenger, o ônibus espacial que explodiu pouco após a decolagem matando os 7 astronautas a bordo. Depois ainda teve o acidente fatal com o Columbia, em 2003. Ainda assim, a Nasa os manteve em operação até 2011, a fim de concluir a construção da Estação Espacial Internacional.

Exigindo muita manutenção e trazendo tantos riscos, os foguetes espaciais eram mais caros do que voos com os convencionais foguetes descartáveis. Em 2004, a SpaceShipOne, projeto do engenheiro Burt Rutan com financiamento de Paul Allen, cofundador da Microsoft, foi o primeiro grupo privado que conseguiu desenvolver um veículo suborbital (capaz de voo espacial, mas sem atingir velocidade orbital). Também o Jeff Bezos e sua Blue Origin, tentou o que parecia impossível: além da decolagem, realizar o pouso também na vertical, usando propulsão.

Na era da exploração espacial, enquanto um foguete suborbital só sobe até a beirada do espaço (100 km de altitude) e desce de volta, atingindo quando muito uns 5000 km/h, um foguete que impulsionará um veículo até a órbita precisa atingir uma velocidade muito maior, cerca de 27 mil km/h. Isso implica desafios maiores quando um estágio desse foguete precisa reentrar na atmosfera e guiar-se para um pouso vertical controlado. Mas, a combinação de poder computacional de processamento rápido e a grande quantidade de sensores embarcados estão aí para isso. E a IA está pronta para gerir!

Informações extras:

·         O primeiro foguete a realizar um pouso vertical controlado após impulsionar uma cápsula ao espaço foi o New Shepard, em 23 de novembro de 2015;

·         O foguete Starship (com 123m de altura), da SpaceX do Elon Musk, vive decolando da Starbase, no Texas (EUA). Foram 11 voos de teste de 2023 até 2025. Ela realizou o pouso vertical com o foguete Falcon 9 (com alguns avanços, depois da New Shepard). A empresa de Musk é líder absoluta de lançamentos comerciais no mundo todo;

·         O New Glenn (98m de altura) da Blue Origin, também de dois estágios, de Jeff Bezos, realizou a estreia do veículo em janeiro de 2025 e fez um segundo voo em novembro, quando pousou o primeiro estágio em uma balsa no mar;

·         Toda essa redução radical no custo dos lançamentos permitiu à SpaceX realizar uma megaconstelação de satélites em órbita baixa para fornecimento de sinal de internet rápida de baixa latência em escala global (capacidade acima de governos). Lançando seus satélites às dúzias com os foguetes Falcon 9, a companhia já tem mais desses artefatos no espaço do que o resto do mundo combinado. São neste momento cerca de 8.000 satélites da rede em órbita, mais de 65% do total em operação hoje. Com isso, a empresa literalmente inventou um novo mercado de exploração do espaço;

·         A Amazon tem sua própria iniciativa semelhante a SpaceX, com o Projeto Kuiper;

·         Os chineses também planejam suas megaconstelações em órbita baixa.

Enfim, a correria espacial é tanta que já há grandes preocupações sobre o sobreuso da região do espaço. Não satisfeito com a poluição do planeta e o consequente aquecimento global e suas crises climáticas decorrentes, agora estão jogando lixo em excesso também no espaço sideral.

Cemitério de Filósofos.

 Teses de intelectuais de direita do Brasil:

1) O Brasil é um cemitério de filósofos.

2) País onde é impossível qualquer atividade que siga um método e uma prática racionais.

3) O sucesso no Brasil é reservado aos bandidos, aos canalhas e aos répteis.

4) Um dos grandes filósofos assassinados no Brasil é Montesquieu, conhecido pela defesa da separação entre os 3 Poderes (não só não há separação entre os Poderes no Brasil, como os próprios Poderes só servem para destruir os brasileiros).

5) O STF declara (um reconhecimento legal) que há “racismo estrutural” no Brasil e que medidas devem ser tomadas.

6) O Brasil fica, cada vez mais, refém de juízes, promotores e advogados.

7) Outro filósofo assassinado no Brasil é o Immanuel Kant (pois não há maioridade no país: o estado  em que uma pessoa introjeta a lei moral racional universal, superando a necessidade de contenção externa, ou seja, já com a lei no coração, sem necessidade da espada no pescoço).

8) tocando nas condições materiais e históricas de existência do povo, jamais alguém agirá de acordo com a lei moral de modo natural, assim como respira.

9) Cada vez que você for fazer algo, se pergunte antes “todo mundo poderia fazer a mesma coisa?”. Se a resposta for não, você não estaria sendo ético. Aqui, ninguém faz essa pergunta. E se fizesse, a resposta seria “não”. O “imperativo categórico” ou “ser ético” é uma piada no Brasil.

10) Oficialmente, há um déficit de prática moral baseada no imperativo categórico no Brasil e medidas urgentes devem ser tomadas a fim de resolver esse déficit. Esse tipo de autocontenção deve ser praticado pelo próprio STF e outras cortes Brasil a fora.

11) Desejar feliz Ano-Novo no Brasil é uma piada de mau gosto. Aqui, nunca há Ano-Novo. 

12) Eles tentam matar o Karl Marx de novo, todos os dias!

Túmulo de Karl Marx: Cemitério de Highgate, norte de Londres, Inglaterra.

Marx foi originalmente enterrado em 1883 em um local mais simples, mas seus restos mortais (junto com os de sua esposa, Jenny von Westphalen, e familiares) foram trasladados para a atual localização em 1954. O monumento, inaugurado em 1956, apresenta um grande busto de bronze sobre um pedestal, financiado pelo Partido Comunista da Grã-Bretanha, tornando-se um local de peregrinação. Contém frases como "Workers of all lands unite" (Trabalhadores de todos os países, uni-vos) e "The philosophers have only interpreted the world, in various ways; the point is to change it" (Os filósofos apenas interpretaram o mundo, de várias maneiras; a questão é transformá-lo).

sábado, 28 de março de 2026

A origem das Cidades.

Por que vivemos tão juntos? 

As pessoas são simples, mas vão se tornando complicadas. Por quê? Porque vão se misturando. A convivência torna-nos mais complexos! Vivemos em cidades porque isso facilita a nossa vida, mas também cria um monte de problemas.

No início, as pessoas viviam em pequenos grupos que andavam por aí caçando animais e colhendo plantas. Com o tempo, a tendência foi de a maioria parar quieta e começar a plantar e criar animais. E as pequenas comunidades se transformaram nas cidades que conhecemos hoje.

Logo, a origem da cidade está no mercado. Enquanto as pessoas conseguiam viver com o que elas mesmas faziam, dava para morar longe e sozinho. Mas o mundo foi ficando mais complicado, e passou a fazer mais sentido dividir as tarefas. Eu planto arroz, você planta feijão e o fulano descola o frango. Nesse novo cenário, a gente pode até morar separado, mas precisa de um lugar para ir trocar nossas coisas.


Resultado: 08 em 10 pessoas do planeta vivem em grandes centros urbanos, cidades menores ou vilarejos. No Brasil, são quase 9 a cada 10.

Com o desenvolvimento da agricultura e da pecuária pelos nômades, esses povos passaram a ser sedentários e deram origem as primeiras vilas. As primeiras cidades foram construídas há cerca de 7 mil anos. Uma delas, datada de 6.700 anos, a cidade de Çatal Hüyük (atual Turquia), foi feita com tijolos de barro e as pessoas entravam nelas pelo teto, por meio de escadas. Seus habitantes praticavam o comércio e, nas proximidades, a agricultura e a criação de animais. 

Os sumérios também construíram algumas das cidades mais antigas, como Ur (5.800 anos atrás, atual Iraque).


Assim:

1.     As cidades reúnem as pessoas. Fica mais fácil resolver as coisas que dependem dos outros se a gente estiver morando todo mundo perto;

2.     As pessoas começam a se reunir umas com as outras para trocar suas coisas. Se você morar no campo, você vai produzir alguma coisa e levar para a cidade, onde vai poder vender e comprar outras coisas;

3.     Não são só as pessoas que vão ficando mais “complicadas”. Suas “coisas trocadas”, também! As indústrias surgiram para isso. Antes, se vivia com o dinheiro da colheita das plantações, então as pessoas não precisavam estar sempre nos mesmos lugares. As fábricas mudaram tudo;

4.     Juntar para dividir o trabalho. Pessoas e fábricas ficaram mais juntas para trabalhar (as fábricas fizeram as cidades crescer);

5.     Antes, uma pessoa ou pequeno grupo ganhava dinheiro vendendo um produto que produzia do começo ao fim. Mas, no modo de produção capitalista, isso o fragmentou internamente por partes de produção, e externamente, em uma rede de fábricas. Perdeu-se a verdade do todo, por causa da fragmentação;

6.     Qualquer pessoa pode influenciar como as coisas funcionam na cidade. A cidade vira cidade pelas pessoas, que chefiam representantes políticos para decidir o que é feito em cada canto dela;

7.     Todos nós somos uma força para produzir e organizar as cidades. O que muda é o poder que cada um de nós tem;

Mas, nem tudo funciona na cidade como deveria. Vivemos juntos, mas nem todo mundo vive bem. Onde e como as pessoas moram?

1.     Nas favelas, por exemplo, a cidade é construída de forma paralela ao modo como a Lei manda. O sistema capitalista separa os que têm dos que não têm. Sem condições e excluídas, muitas pessoas constroem suas casas, ao longo do tempo, por conta própria e sem autorização da prefeitura. Muitas até pagam pelo espaço, mas não por vias oficiais;

2.     Como é a qualidade da habitação? Há pessoas que não têm onde morar ou moram em más condições. E existe a questão de onde ficam as casas, se tem água tratada, iluminação pública, esgoto e coleta de lixo;

3.     Há o crime organizado: pessoas que se juntam para quebrar leis. Essas pessoas às vezes ocupam regiões da cidade e tomam decisões que, em teoria, deveriam ser dos políticos;

4.     Como é a qualidade do transporte? Se as pessoas não conseguem morar perto do trabalho, elas precisam ir até onde há serviço. Isso também vale para hospitais, escolas, cinemas e teatros, parques e tudo mais. Daí surgirem o trânsito, os ônibus e metrôs abarrotados, etc.;

5.     As mudanças climáticas e o Aquecimento Global vão mudar o jeito de viver nas cidades. A temperatura do mundo está aumentando por causa da poluição humana. Isso faz com que problemas que já existiam, como enchentes e secas, piorem. Ter um morro ali não é um desastre natural. O desastre é colocar alguém para morar no morro. Isso também vale para a ocupação de espaços que já são dos rios (várzeas).

Ora, se as cidades produzem problemas, também podem produzir soluções. Os especialistas estão aí para isso, como os urbanistas, que são treinados para pensar em como as cidades são e podem funcionar. Que tal uma “cidade-esponja” capaz de utilizar grandes parques para absorver a água das chuvas e evitar alagamentos (como Curitiba, cidades da China e dos EUA)? Ou um ótimo BRT, tipo de corredor de ônibus que faz com que eles funcionem quase como um metrô a céu aberto? Etc.

Viajar é legal, não só para alcançar outro destino, mas reparar como outros lugares foram construídos, como se organizam e as pessoas dali vivem. Cidades inusitadas, que propõem diferentes maneiras de viver junto:

1.     Veneza: surgiu dos romanos fugindo das invasões bárbaras (séc. V), que encontraram em uma grande laguna (lagoa rasa de água do mar) o melhor refúgio (norte do mar Adriático). Ali fincaram milhares de troncos e fizeram uma base para soerguer as construções. Em vez de avenidas, canais de água; em vez de carros, são os barcos que cruzam de um lado para o outro. Atualmente, a cidade recebe mais de 30 milhões de turistas todos os anos;

2.     Roma: ganhou cara de cidade com os etruscos no ano 600 a.C. que construíram redes de esgotos, estradas, pontes e lugares como o Fórum – onde as pessoas se reuniam para discussões, cerimônias e julgamentos. Foi governada por reis (monarquia), comandada por representantes eleitos pelo povo (república) e potência de impérios. Atualmente, é um grande museu a céu aberto, com a vida moderna convivendo com ruínas milenares (como as do Coliseu, ano 70 d.C.);


3.     Machu Picchu: está em nossa América! Civilizações pré-colombianas como a dos incas, construíram um império do atual Equador até o Chile (1450) – uma cidade de pedras numa montanha a 2.430 m de altitude. Nem precisou Colombo chegar aqui (em 1492) para tudo isso existir. Hoje, Machu Picchu é uma das 7 maravilhas do Mundo Moderno, e recebe 1,6 milhão de turistas todos os anos.

4.     Brasília: construída do zero pelo modernismo brasileiro (em 1950, Juscelino Kubitschek transferiu a capital do Rio de Janeiro para o planalto central de Goiás), foi encomendada sob promessa de evitar o caos das metrópoles, a setorização: Esplanada dos Ministérios (para abrigar prédios do governo), Quadras (grandes quarteirões residenciais), Quadras Comerciais Únicas (para farmácias, outra só para pet shops, o setor hoteleiro, etc.).

5.     Pompeia: cidade inteira soterrada no ano 79, pelo vulcão Vesúvio (Itália). Foi redescoberta só em 1748, por escavações na região.

6.     Pripyat: foi fundada nos anos 1970 para abrigar trabalhadores da usina nuclear de Tchenóbil (Ucrânia). Mas, com o maior acidente nuclear da história em 1986, os quase 50 mil habitantes deixaram tudo para trás, fugindo dos efeitos mortais da radiação. E serão necessários mais 900 anos para voltar a ser habitada novamente com segurança.

7.     Qiddiya: construída em 2017 pela Arábia Saudita (Oriente Médio) para ser a capital mundial do entretenimento (possui a mais rápida montanha-russa do mundo, a Falcon’s Flight, com 195 m de altura e velocidade de 250 km/h). Tudo graças à descoberta de grandes reservas de petróleo, que enriqueceram a região e a transformaram num novo polo de desenvolvimento de negócios e de turismo.

8.     Chongqing: cidade 8D, no sudoeste da China, com geografia montanhosa e prédios gigantescos em vales e alto dos morros (32 milhões de habitantes). Todos são conectados por praças, terraços e trens que os atravessam com se estivessem atravessando túneis.

Enfim, a história da convivência humana em grupos é longa, tão antiga quanto a própria história da humanidade. Seus problemas também trazem oportunidades que perpassam por inovações e esforço político para aplicar soluções aos desafios das cidades (como bons Planos Diretores). É preciso desconstruir a prática segregadora e excludente do capitalismo, e investir em um Estado forte e operante, capaz de construir espaços públicos com equidade. A Constituição está aí, não faltam leis; falta mesmo que elas saiam do papel, sem antes serem devoradas pelas privatizações que não entregam aquilo que prometem – a melhoria dos espaços e seus serviços públicos.