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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

A tirania das massas.

"Onde todos pensam da mesma forma, ninguém pensa muito." — Walter Lippmann.

Há uma longa tradição da psicologia e da sociologia que diz: quando indivíduos se fundem em uma multidão, a razão tende a ser substituída pelo contágio emocional. O pensamento crítico é frequentemente abandonado em prol de certezas absolutas, dogmas e do apego cego a figuras de autoridade. Essa inaptidão para o pensamento autônomo quando em rebanho faz surgir a “mentalidade de massa”.

Assim, diferentes vertentes procuraram explicar esse fenômeno, tais como:

Psicanálise (Sigmund Freud): Em seu clássico estudo "Psicologia das Massas" e "Análise do Eu", Freud aponta que a participação em um grupo reduz a responsabilidade individual. O sujeito passa a agir por contágio, priorizando ilusões, identificação com o líder e pertencimento em vez da lógica.

Sociologia (José Ortega y Gasset): Em "A Rebelião das Massas", o filósofo descreve o "homem-massa" como aquele que abdica do esforço de pensar e rejeita a complexidade, exigindo apenas que o mundo se adapte às suas opiniões pré-concebidas.

Literatura Política (George Orwell): Em obras como "1984", Orwell explora como as massas são privadas de padrões de comparação, tornando-se incapazes de refletir sobre a própria realidade.

Enfim, a dinâmica de grupo costuma anular a autonomia reflexiva. Essa passividade não é uma incapacidade biológica ou natural, mas um produto da indústria cultural e das estruturas de poder. O antídoto para a dissolução do pensamento no coletivo permanece sendo o constante exercício da reflexão e a educação crítica.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Como nasce a consciência de classe?

 

A formação da classe trabalhadora – o contexto.

A classe trabalhadora foi formada de baixo para cima. Nasceu de uma ferida aberta – a luta de classes em países capitalistas que se industrializavam. Sua “consciência” proveio de suas experiências cotidianas e sua cultura específica – diversas influências religiosas e culturais em sentido amplo formavam as pautas de experiências compartilhadas e depois discutidas na capela, na taberna e nos bares, espaços sociais de interação dos trabalhadores e artesãos. Logo, é uma classe trabalhadora do capitalismo industrial.

A origem da consciência...

Da “experiência vivida” para a “experiência compreendida”, isto é, das experiências compartilhadas e articuladas de maneira consciente foram construindo, paulatinamente, a ideia da necessidade de defesa dos interesses comuns de todos os trabalhadores. E um alvo comum surgiu: uma estrutura de exploração e opressão da classe senhorial, agora percebida como opressora e injusta, não mais como benevolente ou merecedora de privilégios.

A consciência de classe não é um produto mecânico e automático do desenvolvimento de forças produtivas. A consciência de classe é uma construção autóctone de uma “economia moral” baseada nos costumes, ao ponderar o que é justo ou injusto (E. P. Thompson). Assim são produzidas as associações de trabalhadores e os sindicatos, isto é, a radicalidade dos trabalhadores organizados. Mas, para crescer, é preciso de RECONHECIMENTO. É por isso que costumam apagar o brilho da luta como fruto de conquistas sindicais ou trabalhistas. Só o reconhecimento da crescente contribuição social das classes trabalhadoras provocará uma pressão política intestina à sociedade, no sentido de ampliação de representatividade e garantias de direitos dos trabalhadores (civis, políticos, sociais, econômicos...).

A disputa pelo poder de Estado.

Sabemos que o Estado tem o poder legítimo de exercer a força, tanto por suas leis quanto pelas suas armas – forças legítimas. As classes dominantes não só procuram ocupar e controlar os altos escalões do Estado, como seu grande temor é o de que a classe trabalhadora organizada tome esse poder. Afinal, sem o Estado e sem usar a “violência supostamente legítima do Estado” em seu próprio benefício, é impossível manter a dominação social injusta. 

Eu sou um liberal-socialista...

Autossuperação caminha de mãos dadas com construção coletiva. Vivo preocupado com a proteção constitucional das maiorias e seus direitos individuais, os quais devem ser protegidos inclusive da ação da própria maioria. Afinal, Democracia é método: regra da maioria, e tutela da minoria. Os direitos individuais devem estar salvaguardados inclusive da “tirania da maioria”. Nesse campo, entendo a esquerda como a busca por mais igualdade, enquanto a direita aceita e legitima as desigualdades.

Enfim, LULA não seria o que ele é hoje, não fosse a experiência SINDICAL, somada à sua experiência pessoal de vida. Não fosse sua capacidade de ponderar o que é justo ou injusto. Não fossem as VIRTUDES produzidas em sua vida e trajetória que ele acopla no PODER e na POLÍTICA que faz. É o menos pior, por isso é O MELHOR! 

O poder simbólico das Elites.

 “As massas são inaptas a pensar por si mesmas” (Walter Lippmann).

As invasivas da elite dominante nascem do poder do dinheiro. A elite do dinheiro age do lucro e pelo lucro. São super-ricos forjados em nações imperialistas ou em qualquer outro ponto do globo alimentado pelas classes sociais. É uma elite ávida, provinciana e medíocre.

Agem assim:

1.     por meio da publicidade e da indústria cultural, tenta domesticar o trabalhador aguerrido, rebaixando-o de cidadão a consumidor (bons salários, uma casa e um carro na garagem – em troca de votos domesticados). Foi essa estratégia que manteve e mantém o controle do Estado nas mãos firmes da elite norte-americana, por exemplo;  

2.     tenta pregar a percepção do ser humano definida por sua produtividade no trabalho, bens e posses, bem como uma aparência física que exala status e ostentação;

3.     se muito ceder, seria apenas a passagem do capitalismo para o socialismo burocrático e produtivista, o que seria apenas mais do mesmo problema;

4.     ela usa a polícia contra os trabalhadores organizados ou “paga” pela lealdade e submissão da classe trabalhadora;

5.      os ricos se uniram em uma guerra declarada contra a esfera pública esclarecida, o conhecimento crítico e a informação plural e sua capacidade criadora de resistência das atuais e novas gerações. Uma guerra contra a inteligência pública para fazê-la regredir à barbárie, com seu fascismo e suas guerras de saque;

6.     é quem patrocinou e vem patrocinando a extrema-direita no Brasil e mundo afora. Veja a crise do banco Master e do Digimais;

7.     tudo de efetivamente importante que acontece aqui foi desenhado lá fora, quase sempre nos Estados Unidos, o verdadeiro dono deste quintal chamado Brasil. É uma inevitável influência norte-americana de impedir há séculos os brasileiros de ter vida própria;

8.     é impossível compreender o Brasil e o que se passa nele sem examinar as amarras que o imperialismo norte-americano construiu para deixá-lo eternamente pobre e subdesenvolvido;

9.     as máscaras mudam e assumem sempre um novo aspecto de modo a preservar um domínio cuidadosamente travestido de liberdade;

10. Elas pensam e acreditam que as sociedades sempre se digladiam com a separação entre elite e massa. Cabe às elites exercer o poder, por contar com os indivíduos mais aptos, e às massas caberia a obediência, pela suposta incapacidade de refletir autonomamente, inovar ou exercer um controle direto sobre os governos. As massas eram vistas como passivas e sem a capacidade de promover mudanças significativas sem a orientação das elites. Assim, a política seria definida pelo jogo de troca de poder entre as diferentes elites, com novos líderes surgindo e substituindo os antigos;

11. Acreditam que as massas não são racionais o bastante para gerir a via pública, daí a necessidade dos mais capazes líderes selecionados a partir dos pares, não do público. E o bom líder é aquele que serve ao país e não a si mesmo (Max Weber);

12. a democracia é pensada de modo independente do esclarecimento do público; aceita-se, dessa maneira, a desinformação como regra e pressuposto teoricamente inevitável, e passamos a ter eleições nas quais os candidatos são vendidos como se vendem sabonetes;

13. fascismo: quando a massa de trabalhadores é cindida pelo apoio de muitos trabalhadores a uma causa supostamente nacionalista. A luta contra o imperialismo (marca do comunismo internacionalista) é substituída pelo próprio apoio ao imperialismo nacional (fascismo e nazismo);

14. aponta o caminho norte-americano, quando o mesmo desafio é respondido pela manipulação da classe trabalhadora de modo a tornar possível a transformação do cidadão em consumidor – a solução americana é apontada como tendência a ser universalizada;

15. Distorce muito “a forma” como a democracia é percebida pela massa (e para isso se serve da imprensa, da publicidade e de comunicadores). Vale dizer, manipula a opinião pública ao impor limitações da percepção individual da mídia e a fabricação de consentimento público;

16. Servem-se da mídia, que processa os fatos e entrega narrativas parciais. Os indivíduos não experienciam o complexo mundo social exterior de forma direta e imediata; mas interagem com uma representação mental subjetiva, simplificada e frequentemente enviesada desse mundo. É desviada a atenção dos objetos do mundo externo para as precondições subjetivas ancoradas no próprio sujeito (as representações midiáticas acabam sendo uma amálgama de experiências pessoais com estereótipos culturais) – um mundo de imagens, histórias e símbolos que se interpõe entre o indivíduo e a realidade objetiva, moldando sua percepção e, consequentemente, suas ações. Desse modo, as pessoas respondem não aos fatos objetivos, mas a realidades construídas; não à informação genuína, mas à persuasão dirigida - está fabricado o consentimento;

17. Os meios de comunicação de massa e as normas sociais desempenham um papel central e ativo na construção do “falso ambiente” e estereótipos, imagem distorcida, “pontos cegos” do público vulnerável e passivo. Atuam como “guardiões”, selecionando quais eventos e questões merecem atenção. A representação que os indivíduos fazem do mundo social advém da eficácia da pregação midiática controlada pelo dinheiro que perpetuam concepções errôneas e limitam a compreensão. O trabalhador aguerrido é domesticado e transformado em um consumidor passivo. Liberdade e participação política são trocadas por segurança material;

18. Enfim, criam uma infinidade de obstáculos ao pensamento crítico, uma apreensão calara da realidade e ao seu julgamento racional;

19. A mesma manipulação descarada e cínica usada para vender mais produtos, é transferida e também é utilizada na arena política. É o que hoje chamamos de “fake news”. A propaganda bem-construída pode criar novos estereótipos de comportamento que guiam de forma inconsciente e pré-reflexiva (sem defesa consciente possível) o comportamento do grande público;

20. Elas usam a ciência, as ideias, a arte e a imaginação (as matérias-primas da esfera simbólica) como aspectos principais para sua perpetuação e sua capacidade de convencimento do público, expressão do próprio capitalismo;

21. Elas atuam de forma conjunta e coordenada para tornar as esferas simbólica das sociedades modernas, ao mesmo tempo, uma fábrica de novos negócios e uma fábrica de consentimento de um público indefeso;

22. SEM DOMINAÇÃO SIMBÓLICA NÃO EXISTE CAPITALISMO. Por isso, as elites fazem funcionar as engrenagens da cadeia produtiva de bens simbólicos: a) a ciência, acima de tudo, como instância que cuida da verdade e do conhecimento, formando todas as elites universitárias mundiais de acordo com um paradigma veladamente racista e comum; b) a indústria cultural e de entretenimento, desenvolvendo clichês e estereótipos racistas e xenófobos, além de fórmulas escapistas e conformistas de expressão artística em escala mundial; c) a esfera da propaganda e da imprensa comercial, colonizando os sonhos e ansiedades do público de modo a transformá-lo em consumidores dóceis e manipulados;

23. É o capitalismo baseado na produção do consentimento por meio da manipulação consciente – o cinismo típico de quem sabe exatamente o que está fazendo, orgulhoso e envaidecido por seu trabalho de manipulação bem-realizado;

24. Inundando o mundo financeiro e o mundo político com propaganda/imprensa. É a “elite do cinismo” que comanda a política e os negócios;  

Enfim, as elites metropolitanas não mandam apenas em seus respectivos países. Essas mesmíssimas estratégias buscam enfraquecer e confundir a resistência de seu próprio povo, utilizadas por essas elites e pelas elites nativas, que como “capitães do mato” das elites americanas ganham um soldo, a sua parte no butim, para manter o saque comum e a ordem interna, garantindo, assim, a obediência e a lealdade das massas espoliadas do Sul global.

O mais importante teórico das elites é Max Weber. Para ele, o principal mecanismo da política é a “seleção de líderes”, forjando e selecionando os mais capazes. Ao focar no significado e na racionalização, exerce extraordinária influência em toda a ciência política “pragmática e realista” posterior, que vai abdicar do esclarecimento das massas em favor da inevitabilidade do domínio pelas elites mais capazes de comando e dominação.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Os Senhores das Guerras.

 A guerra como estratégia...

Entramos em uma era em que conflitos armados são provocados para favorecerem uma classe de investidores, bancos e seguradoras. Incorporadas em seus cenários de riscos e benefícios, “as guerras intencionais” são colocadas ao lado das “catástrofes quase naturais”.

No xadrez geopolítico atual, são mais de 100 países envolvidos em conflitos externos (um número que dobrou de 2008 para cá). O impacto econômico dessas guerras alcançou quase US$ 22 trilhões, ou mais de 10% do PIB global.

Essas guerras (des)favorecem os preços do petróleo até o custo dos financiamentos imobiliários, da venda de armas até a mudança de rotas de mercadorias e cadeias de suprimentos, a depender de onde e como são causadas. São “tarifaços bélicos” medidos com algoritmos de risco em cenários de guerra, tipo à moda Trump (orçamento anual militar dos EUA: US$ 1,1 trilhão). Ou será que a guerra no Irã não teve data e hora marcada? Será que a captura de Nicolás Maduro na virada de ano não foi projetada? E a derrubada de Bashar al-Assad na Síria? O que poderá acontecer com a gente ou de que modo ações específicas podem alterar probabilidades bélicas, como sanções econômicas, bloqueios comerciais, iniciativas diplomáticas ou apoio à sociedade civil?

O controle das guerras exige domínio de dados históricos e uma boa avaliação de riscos geopolíticos. Também problemas econômicos combinados com um histórico de instabilidade política. O amadurecimento da visão prospectiva e preditiva das consultorias especializadas está aí para isso, com pegada retrospectiva e prospectiva da ciência de dados. Não só! Temos a IA e os algoritmos de aprendizado de máquina para estimar a probabilidade de um país entrar em guerra nos 12 meses seguintes (os investimentos em IA podem alcançar US$ 1 trilhão até 2028! A demanda é inevitável, um rali difícil de ficar de fora!!! São produtos e modelos eficientes e autônomos, isto é, sem depender de instruções humanas a todo momento). Os modelos são treinados com conjuntos de dados políticos, econômicos e sociais de determinado período, histórico de confrontos militares, similaridades entre regimes políticos, proximidade geográfica e até opiniões agregadas de pessoas que não são especialistas para projetar cenários futuros, etc. O resultado é mais precisão e alvo certeiro! 

As empresas vêm confirmando que o emprego e uso de IA vem promovendo ganhos quantitativos de retorno sobre investimento, aumento de produtividade, crescimento de receita ou redução de custos. E os maiores consumidores de chips, capacidade computacional e data centers são, em sua maioria, de empresas privadas. Ora, os governos estarão preparados para lidar com isso? Será que esses modelos já estão sabendo lidar com os fatores greves, manifestações sociais e distúrbios ou revoltas civis? Não sei! Só sei que ferramentas desse tipo estão se tornando a nova cartada para profissionais do mercado financeiro que precisam operar em um mundo fragmentado e multipolar, em que a lógica baseada na eficiência impulsionada pela globalização está perdendo força. O que de fato é um temor crescente é o da guerra.

Enfim, prometeram para nós um novo-normal pós-pandemia. E aí veio toda essa volatilidade geopolítica com mudanças cada vez mais rápidas, ruins para o povo e as democracias, mas muito boas para as elites.  O que os cálculos da IA já previram para o Brasil nessa matéria (com um orçamento anual militar de US$ 24 bilhões)? Bem, depende do tipo de “guerra”. Se a guerra for comercial, ideológica ou eleitoral, já começou!

Quando um não quer, dois não brigam. Mas, quando um quer muito ele provoca. Então, vamos inverter e elaborar melhor a pergunta: 


Enfim...

A Copa já é nossa!

 

1.     Devastação caiu -17% no Cerrado e -23,5% na Amazônia no ano passado (2025). É o menor no país desde 2019! (Fonte: MapBiomas).

2.     PIB cresceu +1,1% no 1º trimestre. No acumulado em quatro trimestres, alta é de +2%, graças às boas medidas do Governo. Isenção de IR, salário mínimo, mercado de trabalho aquecido, novo consignado, serviços, indústria e outras medidas de incentivo puxaram consumo das famílias. Ou seja, nossa economia está mais aquecida!

3.     O Governo Federal lançou um plano para melhorar a qualidade de vida, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), que devem ser alcançados até 2030. E vem avançando... Tabagismo e consumo de bebidas açucaradas, por exemplo, têm estimativas de queda a níveis até menores do que os almejados.

4.     Criação da Unind (Universidade Federal Indígena), primeira instituição de ensino superior do Brasil concebida para e pelos povos originários. Tem sede em Brasília e estrutura multicêntrica para alcançar diferentes regiões do país. Seu início está previsto para 2027. Uma universidade para mudar a universidade, pois não se trata de incluir indígenas em modelos universitários coloniais, mas dar-lhes a autonomia de decidir seu próprio currículo no ensino superior. Afinal, é estratégico doutorar os filhos indígenas, ocupar as universidades e travar a luta por direitos com a caneta, como a formação de advogados indígenas e outras profissões. Enfim, o conhecimento indígena é também contemporâneo e político: produz ciência na gestão territorial, na prevenção de queimadas, na fitoterapia, no manejo da biodiversidade, na governança comunitária.

5.    “Reforma Casa Brasil”: Programa do Governo que oferece crédito para reformas de casas e já financiou R$ 1,3 bilhão em obras só nos seis primeiros meses de operação. Fechou 76 mil contratos entre novembro e maio, e vem turbinando o programa. O limite de renda familiar mensal para acesso ao programa passou de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil e a taxa de juros total caiu para 0,99% ao mês – antes, o piso de juros era 1,17%. O prazo máximo de financiamento, por seu turno, saltou de 60 para 72 meses (Dados: Caixa).

6. Analfabetismo no Brasil cai para 4,9%, menor taxa da série histórica (IBGE). 

7. Mercado aquecido, melhoria de emprego. Mais brasileiros pedem demissão em busca de um emprego melhor. Mais de 9 milhões de trabalhadores solicitaram desligamento em 12 meses até abril. A maioria deles trocou de emprego. 

8. Possível superávit comercial de US$ 75 bilhões da balança comercial neste ano de 2026, apesar dos tarifaços de Trump! Exportações brasileiras aos EUA recua ao menor nível em 30 anos após tarifaço (em 31 de julho de 2025, com tarifas que chegaram a 50% para alguns itens), com quase todos os Estados (24 dos 27) sentindo queda nas vendas. A fatia dos EUA nas vendas brasileiras recuou para 9,3% (ante 12,4% e já ficou em 26%) do total exportado pelo país (entre agosto de 2025 e maios de 2026). Nunca a parcela americana para esse período de 10 meses foi tão pequena (desde 1997). E virão mais: se forem aplicadas e se acumularem, as tarifas médias sobem para 18,2% - 8,6 pontos a mais do que as atuais, e a nova tarifa atingiria 21% das exportações aos EUA. Ainda assim, o Brasil buscou outros parceiros, e o resultado agregado da balança comercial poderá ser de US$ 75 bilhões em superávit comercial neste ano de 2026 (acima dos US$ 68,1 bilhões em 2025)! Puxado por petróleo, que deve ser o principal item exportado pelo país, sob influência da guerra no Oriente Médio. Enfim, e o Brasil busca mais acordos para reequilibrar seu comércio.

9. A luta pela manutenção de jovens na escola avançou bastante nos últimos anos (Pnad Contínua, 2025)! Foram adotadas boas iniciativas para recompor a aprendizagem, com conteúdo capaz de estimular interesse e autoestima. No ano passado, foi lançado pelo MEC o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens e o novo PNE, com metas até 2036 (com muitos direcionamento, apoio técnico e material pedagógico). Enfim: 1) temos a presença de 99,5% das crianças de 6 a 14 anos na escola; 2) a quantidade de jovens de 15 a 29 anos sem o ensino médico completo e que não frequentam a escola caiu de 10,95 milhões (em 2019) para 7,85 milhões (em 2025). Apesar dos avanços, os desafios persistem: são mais de 7 milhões de jovens de 14 a 29 anos que não completaram o ensino médio e estão fora da escola; e cerca de 2 milhões dessa faixa etária que abandonaram a escola e ainda afirmam não ter interesse em estudar. Pouco mais de 8 milhões de pessoas de 15 a 29 anos não estudam nem trabalham.

10. Nossa camisa é 10! Brasil volta a fazer parte das 10 maiores economias do Mundo! E ainda poderá avançar para a 8ª posição até 2030!

11. 24 milhões de brasileiros saíram do Mapa da Fome. 


12. Diversos programas sociais...




STALKER: fatos estranhos...

 

1. Alertas de nível extremo (partiram de contas de 02 agentes da Defesa Civil do Pará): “misantropia” e “ataque alienígena”. Direcionados a 6 capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco), cidades de 03 Estados (SP, RJ, MS) e DF. Tudo indica ataque Hacker. Enfim, “falso” alerta da Defesa Civil não é bom para a confiabilidade da população. O episódio pode abalar a credibilidade pela fragilidade do Sistema. Resultado das eleições 2026 na mira? 

domingo, 21 de junho de 2026

(Des)fazendo a realidade...

 “... e aconteceu uma coisa muito estranha:

parece que vivemos na mente de um ansioso patológico.

O terror é mainstream!”.

Tal como um reboco de maquiagem na cara que entrega outra imagem, a realidade também recebe as suas máscaras. A principal delas é o horror, com suposta alegria, a linguagem mais presente do momento.

Ao primeiro susto, imaginamos o absurdo e o horror. Imaginamos qualquer outra coisa sinistra que não seja a realidade. Ou vice-versa, quando a realidade é uma pilha de mortos de guerra ou chacinas e um transtornado em forma de presidente, passamos a achar normal, quase natural. E nos transportamos para um mundo de fantasias, com direito a ETs, espetáculos reluzentes, IA, ficção científica...

Onde ficou a realidade? Cadê o fim da Escala 6x1? Cadê a escandalosa corrupção do mercado financeiro bancando a extrema-direita, travestidos de Faria Lima e Banco Master? E a ameaça dos EUA nas eleições brasileiras? E os terrivelmente evangélicos? E o racismo? E os medos e traumas? E os jogadores gays metamorfoseados em chuteiras cor-de-rosa? O horror comeu! Irrompeu daí e a tudo levou! Esse tipo de alegria é aterrorizante! 

Até ontem vivíamos em uma realidade, da noite para o dia tomada pela misantropia. Em um passe de mágica esquecemo-nos do sério e abraçamos o absurdo. Nossos problemas reais viram fantasmas, crianças mutiladas e mendigos aterrorizantes. E os nossos traumas históricos, como a violência, a ameaça de ditadura, o racismo e a insegurança política e social se transformam em literatura viva. É psicologicamente neurótico, esquizofrênico, aparentemente normal e insuportável - histeria coletiva ou paranoia digital?

Precisamos de narrativas que reflitam nosso medo e o estresse que sentimos. Não sabemos nem mais o que é verdade e o que não é. Precisamos pensar... 

Enfim, os próprios EUA que fazem guerras brutais, tomam soberanias e expulsam imigrantes, de uma hora para outra vira um grande palco mundial e “It: o Trump”, uma figura naturalizada. Não estou animado com a Copa. Estou obcecado! A Fifa e os patrocinadores são imorais. É imoral a Copa nos Estados Unidos! E é isso que realmente me dá muito medo, medo do futuro (no sentido político, social e econômico). 

O caso Master e a Política.

“[...] há um jeito mais fácil de extinguir a corrupção. Como, para existir corrupção, tem de haver um corrupto e um corruptor, e como o corruptor, de maneira geral, é aquele que tem dinheiro para corromper [EMPRESÁRIO], basta então que este indivíduo não corrompa a outros. Do ponto de vista operacional, não é difícil. Se o empresário é aquele que possui dinheiro e a corrupção é feita com esse capital, não o utilize para fazer isso e a corrupção acaba. Pode parecer óbvio, mas o espanto é grande, porque sempre se supõe que o processo de higiene política tem de ser feito num outro lugar que não aquele em que estou” (POLÍTICA para não ser idiota, Cortella: p. 47).

São 08 celulares nas mãos dos investigadores. O que veio à tona até agora foi de apenas 01 celular, que já é uma delação premiada!

·       Sabe o senador Ciro Nogueira, presidente do partido Progressistas (PP)? Empresário Vorcaro pagava mesada a ele de R$ 300 mil, depois reajustada para R$ 500 mil, fora as muitas viagens e hospedagens. O que se sabe até o momento já é suficiente para abertura de processo de cassação. É basicamente a venda de um mandato parlamentar!

·       E o Hugo Motta (Republicanos-PB, mesmo partido de Tarcísio de Freitas), presidente da Câmara? Também tem viagens de jatinho e hospedagens pagas por Vorcaro, além de pedido por liberação de crédito à empresa de uma cunhada... O presidente da Câmara pode receber vantagem de alguém com interesses em projetos na Casa?

·       O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, foi outro que tratou com reles negociação privada, no fim do ano passado, a cobrança de milhões de dólares feita por ele a Vorcaro – à época já tido e havido como o responsável pelo maior crime financeiro da história do País – para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro.

·       Tinha até “milícia armada” a seu favor, com policial federal infiltrado (Anderson Wander).

A política republicana sustenta-se sobre um primado elementar: um mandatário tem o DEVER de impedir que interesses privados conspurquem sua independência. Aqueles investidos de PODER PÚBLICO o exerçam em benefício da coletividade. Afinal, o PODER, assim como a POLÍTICA, quando dissociado da VIRTUDE, corrompe. É por isso que os princípios da administração pública são: PROBIDADE, MORALIDADE, IMPESSOALIDADE.

Soberania em construção é aceitável. Inaceitável é tirania.

sábado, 20 de junho de 2026

A dinheirama nas eleiçõe$...

Uma regra aprovada pelo Congresso, a contragosto do Executivo...

Estados e capitais reservam R$ 15,4 bilhões para emendas neste ano de eleições. Deputados estaduais e vereadores das capitais carimbaram esse montante nos orçamentos dos estados e dessas cidades para Emendas 2026. Do total, R$ 13,46 bilhões serão distribuídos por meio das Assembleias Legislativas (emendas de deputados estaduais), 13% acima de 2024! O valor restante (R$ 1,98 bilhão) será destinado pelos vereadores.

20 estados incorporaram as chamadas “Emendas Pix” (que asseguram aporte direto de recursos nos cofres municipais e estão sujeitas a menor controle). Sabemos que essas emendas dão aos parlamentares controle direto sobre uma fatia do orçamento público. Na União, essa parcela já soma R$ 50 bilhões! Pegando essa carona no mau exemplo do Congresso, legisladores estaduais e municipais dão mais controle do orçamento público.

Essa lógica mostra o verdadeiro problema das Emendas impositivas Parlamentares: deixou de ser uma peculiaridade do Congresso Nacional e já chegou nas Câmaras Municipais, corroendo o planejamento público e capturando recursos para interesses paroquiais. 06 em cada 01 municípios brasileiros já têm ou estudam adotar emendas obrigatórias para vereadores. Em 47% dos municípios os vereadores já possuem emendas impositivas, e outros 24% discutem adotá-las. Em 35% dos municípios que têm emendas individuais já existem também emendas de bancada – uma reprodução quase caricata do modelo federal. O vereador, esse ser que deveria conhecer os bairros, fiscalizar a prefeitura, participar da elaboração do orçamento, fazer cumprir pisos constitucionais de saúde e educação, manter folha de pagamento, previdência, contratos continuados, captar recursos, abrir espaço para planejamento e investimentos, garantir serviços essenciais e representar a população... Qual é o sentido dele vereador dispor de uma emenda “municipalista” dentro do próprio município? Trata-se de poder. Uma crescente transferência de poder orçamentário do Executivo para o Legislativo. Em vez de discutir quais obras são mais importantes para a cidade, discute-se qual vereador ficará com os méritos da obra. Em vez de planejamento, pulverização. Em vez de políticas estruturantes, uma coleção de inciativas pontuais de elevado retorno eleitoral. Enfim, isso é boa ou má ideia? 

Enfim, o instrumento permite direcionar recursos a obras locais, projetos ou entidades específicas (de olho nos temas, nas prioridades e nos contratos e convênios). Com isso, caberá uma exigência de cidadania maior à população de denunciar se essa dinheirama está sendo materializada nos serviços públicos ou não. Afinal, os repasses precisam ser transparentes e bem alocados, com forte responsabilização em caso de irregularidades. Eis o grande desafio!

Menos imaginação, mais realidade!


Jogar é perigoso?

História 01:

Em 2005, Greg Hogan, aluno do 2º ano de faculdade, alcançou breve notoriedade nacional quando foi preso por um crime. Greg não correspondia à ideia do que as pessoas fazem de um criminoso. Era filho de um pastor batista e líder de sua turma, tocava violoncelo na orquestra da universidade e também trabalhava meio período com o capelão. Por isso, todos que o conheciam ficaram chocados ao saberem que ele fora preso por assalto a banco. Ao que parece, Greg fingiu ter uma arma e conseguiu roubar mais de 2.800 dólares de um banco das redondezas. Sua razão para isso? Em poucos meses, ele havia perdido 5 mil dólares jogando pôquer pela internet. O advogado do rapaz disse que seu hábito de jogar tinha se transformado em um “vício”. Greg foi internado em uma clínica para tratar do problema com o jogo. De certa forma, teve sorte – pelo menos, conseguiu ajuda.

História 02:

Moshe Pergament, de 19 anos, estudante de uma faculdade em Long Island, Nova York, não teve tanta sorte. Ele foi morto com um tiro depois de apontar uma arma para um policial. A arma que carregava era, na verdade, de plástico. No assento da frente de seu carro havia um bilhete que começava assim: “Senhor policial, isso foi parte de um plano. Lamento tê-lo envolvido. Eu só precisava morrer”. Moshe tinha acabado de perder 6 mil dólares apostando na World Series. Sua morte foi o que os policiais chamam “suicídio por um policial”.

Enfim, autoridades públicas e profissionais da saúde mental têm se preocupado com a popularidade dos jogos de azar – desde loterias até pôquer on-line. Está aumentando, principalmente entre os jovens. O que fazer?


Nota: 

Estima-se que 25,2 milhões de brasileiros usem entre 41% e 51% de sites irregulares de apostas ou bets clandestinas. Desses, 11,5 milhões têm 18 anos ou mais. São empresas de um mercado desregulado que não aderem a regras de boa conduta na publicidade e expõe consumidores a riscos, atuam sem pagar ou sonegando impostos e não respeitam o sistema de autoexclusão das casas de apostas (disponível no site do gov.br), gerando concorrência desleal.

Até agora, já foram derrubados 50 mil sites irregulares, com 300 operadores por trás e que utilizaram 37 instituições financeiras para pagamentos. Também foram tirados do ar 800 perfis de redes sociais que divulgavam as bets, como influenciadores e personalidades que anunciavam as plataformas ilegais. Com isso, é preciso fortalecer a arrecadação pública, aumentar a segurança dos apostadores e proteger as empresas que atuam dentro da legislação.

O Governo Lula acerta ao determinar que bancos bloqueiem o dinheiro das bets ilegais. Essas casas de apostas que operam sem autorização (do Ministério da Fazenda) precisam ser contidas, identificando os responsáveis pelas plataformas e bloqueando seus recursos. A Lei Antifacção, o endurecimento das punições, o congelamento ou a asfixia financeira, a regulamentação da responsabilidade solidária de instituições de pagamento que permitirem transações com bets ilegais e a responsabilização de pessoas físicas e jurídicas que divulgarem essas casas de apostas são medidas restritivas certeiras!