A guerra como estratégia...
Entramos em uma era em
que conflitos armados são provocados para favorecerem uma classe de
investidores, bancos e seguradoras. Incorporadas em seus cenários de riscos e
benefícios, “as guerras intencionais” são colocadas ao lado das “catástrofes
quase naturais”.
No xadrez geopolítico
atual, são mais de 100 países envolvidos em conflitos externos (um número que
dobrou de 2008 para cá). O impacto econômico dessas guerras alcançou quase US$
22 trilhões, ou mais de 10% do PIB global.
Essas guerras
(des)favorecem os preços do petróleo até o custo dos financiamentos
imobiliários, da venda de armas até a mudança de rotas de mercadorias e cadeias
de suprimentos, a depender de onde e como são causadas. São “tarifaços bélicos”
medidos com algoritmos de risco em cenários de guerra, tipo à moda Trump (orçamento anual militar dos EUA: US$ 1,1 trilhão). Ou
será que a guerra no Irã não teve data e hora marcada? Será que a captura de Nicolás
Maduro na virada de ano não foi projetada? E a derrubada de Bashar al-Assad na
Síria? O que poderá acontecer com a gente ou de que modo ações específicas
podem alterar probabilidades bélicas, como sanções econômicas, bloqueios
comerciais, iniciativas diplomáticas ou apoio à sociedade civil?
O controle das guerras
exige domínio de dados históricos e uma boa avaliação de riscos geopolíticos. Também
problemas econômicos combinados com um histórico de instabilidade política. O
amadurecimento da visão prospectiva e preditiva das consultorias especializadas
está aí para isso, com pegada retrospectiva e prospectiva da ciência de dados.
Não só! Temos a IA e os algoritmos de aprendizado de máquina para estimar a
probabilidade de um país entrar em guerra nos 12 meses seguintes (os investimentos em IA podem alcançar US$ 1 trilhão até 2028! A demanda é inevitável, um rali difícil de ficar de fora!!! São produtos e modelos eficientes e autônomos, isto é, sem depender de instruções humanas a todo momento). Os modelos
são treinados com conjuntos de dados políticos, econômicos e sociais de
determinado período, histórico de confrontos militares, similaridades entre regimes
políticos, proximidade geográfica e até opiniões agregadas de pessoas que não
são especialistas para projetar cenários futuros, etc.
As empresas vêm
confirmando que o emprego e uso de IA vem promovendo ganhos quantitativos de
retorno sobre investimento, aumento de produtividade, crescimento de receita ou
redução de custos. E os maiores consumidores de chips, capacidade computacional
e data centers são, em sua maioria, de empresas privadas. Ora, os governos
estarão preparados para lidar com isso? Será que esses modelos
já estão sabendo lidar com os fatores greves, manifestações sociais e
distúrbios ou revoltas civis? Não sei! Só sei que ferramentas desse tipo estão
se tornando a nova cartada para profissionais do mercado financeiro que
precisam operar em um mundo fragmentado e multipolar, em que a lógica baseada
na eficiência impulsionada pela globalização está perdendo força. O que de fato
é um temor crescente é o da guerra.
Enfim, prometeram para
nós um novo-normal pós-pandemia. E aí veio toda essa volatilidade geopolítica
com mudanças cada vez mais rápidas, ruins para o povo e as democracias, mas
muito boas para as elites. O que os
cálculos da IA já previram para o Brasil nessa matéria (com um orçamento anual militar de US$ 24 bilhões)? Bem, depende do tipo de
“guerra”. Se a guerra for comercial, ideológica ou eleitoral, já começou!











