A crítica é a atitude de permanência na busca por melhores formulações, sem estancar em uma opção, ao invés disso, corrigindo incessantemente as elaborações já alcançadas. Está sempre em movimento dialético de conscientização sobre a impossibilidade de causa externa para a gênese do saber humano.
O pensamento crítico é mais fiscalizador do que regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentados à experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos...
Na época atual e no contexto brasileiro, a religião é o elemento em
que a crítica se faz mais fortemente necessária.
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“Crítico”
é um dos traços indispensáveis do pensamento filosófico.
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Para
ser “crítico” precisa sustentar o rigor racional, isto é, ser contra as tentações
insistentes de desistência ou afrouxamento desse rigor.
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A
crítica
filosófica não se resume a atacar e
encontrar defeitos em tudo, muito menos pode ser relacionada a uma postura
contrária ao que está sendo analisado.
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Crítico
≠ Cético.
Porém, ambos não podem se desvencilhar da dúvida.
- o crítico
caminha com a dúvida porque precisa permanecer fiel à razão, em abertura de
pensamento à possibilidade de explicações melhores. Para o crítico, o termo “para mim” ao final de uma discussão
filosófica é um verdadeiro fracasso do filosofar.
- o cético
caminha com a dúvida porque se permite dirigir pelo subjetivismo, duvidando da
própria possibilidade de se alcançar consensos racionais (imparciais e
universais). Acaba admitindo o termo “para mim” ao final de uma discussão
filosófica (sobre a verdade, a justiça, a beleza, etc.). Às vezes, chega ao
ponto de tentar derrubar a estrutura lógica inevitável do pensamento.
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É
impossível o pensamento crítico na ausência de um bom e familiar trânsito com os
objetos criticados.
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A
exaltação inconsequente da crítica irrestrita ou o ataque sem sentido contra
tudo e qualquer coisa (não do pensamento crítico) pode nos jogar em uma trágica
ignorância ou matar a própria filosofia (essa desgraça aconteceu no século
passado). Assim o fizeram teorias discursivas, sociais e psicológicas que
adestram o pensamento para moldar um aluno ou futuro profissional. Nessa linha,
não se chega jamais ao estudo de coisas, fenômenos e eventos, mas apenas às
suas “desconstruções” – a crítica da história vem antes da história, a crítica
do comportamento vem antes do desenvolvimento cultural que origina aquele
comportamento específico, a crítica psicológica vem antes do estudo atento do
fenômeno apresentado, e assim por diante. O resultado acaba sendo mais um “produto
contra” do que “um
estudo sério de seu alvo”.
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Pensamento crítico tem a ver com superar: o reducionismo,
o cientificismo ou a autoridade científica, o racionalismo ou o
intelectualismo, as posições absolutas, a consciência quase mágica, a falácia
genética, aos relativistas, à acomodação de visões indeterministas e
indiferentistas, ao determinismo, as posições dogmáticas, ou metafísicos
dogmáticos, ainda que assumidas como “científicas”, “antropológicas” ou alguma
outra corrente ou ideologia da moda que nos empurra para a arrogância
modernista/pós-modernista ou o debruçar-se sobre objetos mal explorados e
rapidamente julgados e enquadrados em esquemas ideológicos prévios, redutivos e
simplificadores, à incapacidade para o diálogo ou sequer a apreciação de
perspectivas alheias, a valoração maniqueísta que abandona a minha e despreza
ou condena a perspectiva dos outros... Ao apego de uma teoria ou uma visão de
mundo desaconselhadas pelos fatos (ausência de crítica na ciência); ao risco do
partidarismo e nas ideologias sociopolíticas que nos impedem de avaliar o caso
e o problema com imparcialidade (ausência de crítica na política); o sectarismo
(que é a ausência de crítica na religião).
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Pensamento crítico tem a ver com: resgatar a habilidade humana de
abstração de significações simbólicas, despertar a consciência, francos
defensores da espontaneidade da consciência, de considerar o amadurecimento do
pensamento construído, uma erudição mínima, a história do problema, a apreensão
a fundo das questões, a evocação de um conceito forte (substantivo) de
liberdade ou de racionalidade... Faz uma apologia da dúvida que não deixa de
questionar a si mesma e dá também espaço ao saber, tem o ceticismo como uma de
suas ferramentas fundamentais e indispensáveis, preza com força e insistência a
honestidade intelectual e a boa vontade ou boa-fé intelectual e a resiliência
intelectual em nome de um ideal de verdade ou do progresso das ideias.
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Toda
leitura é tendenciosa porque está condicionada pela carga subjetiva daquele que
lê e de como ele sente e interpreta as palavras e conceitos apresentados,
permitindo perversões do sentido original pretendido (pressuposto
hermenêutico). Assim, para além da posição dos próprios autores, é
preciso fazer uma leitura histórica que busque a coerência interpretativa que o
tempo e a cultura presentes possibilitam sobre o texto.
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Pensadores
críticos são invariavelmente liberais (a favor da liberdade, do livre curso das
coisas ou ideias porque sabe da provisoriedade dos juízos e conhecimentos) e libertários
(afirma normativamente ou dá condições concretas para que se aja e pense
livremente). Ou seja, o entendimento e a ação humana devem ser essencialmente
ativos, produzindo sentenças e princípios, legislando e deliberando sem serem
determinados por influência exterior ao próprio órgão avaliativo, a razão.
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Seria
impróprio condenar um pensamento como não crítico por seu conteúdo; semente a forma, o procedimento da investigação e seus objetivos podem
classificar como mais ou menos crítico um modelo filosófico.
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A
crítica, como o ceticismo, tem essência por demais negativa para propiciar um
senso claro de progressão. Elas estão muito voltadas a dizer o que está errado em um argumento. A pensar o
fundamento e os critérios das demais atividades do pensamento, a crítica
desvela não mais do que problemas e perigos em todos os caminhos possíveis,
conduzindo-nos a um regresso infinito, pois toda a busca por fundamento,
coerência e validade de discursos e elementos ideativos resulta da necessidade
de sempre, e cada vez mais, voltar atrás na busca de fundamentos.
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Pensamentos
lógicos simples dominam os demais e não são dominados por nenhum, porque não há
posição intelectual que possamos ocupar para, a partir daí, vasculhar esses
pensamentos sem pressupô-los. Eis por que eles são imunes ao ceticismo: eles
não podem ser postos em questão por um processo imaginativo que conta essencialmente
com eles.
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Para
o pensamento crítico, é crucial a tomada de consciência quanto à ordenação dos
elementos do pensamento em cada processo do pensar. O pensamento crítico é mais fiscalizador do que
regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica
objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco
sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação
do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentado à
experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos...
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Enfim, o criticismo é uma atitude constitutiva essencial da filosofia.
