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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 3 de julho de 2023

As melhores de 2023.

 

·       5G – TELECOM e conectividade. Faz 1 ano que a Internet 5G chegou ao Brasil. Mais de 8 milhões de usuários já têm acesso à tecnologia. Mas, ainda é preciso avançar muito no país e melhorar o sinal onde ela já está disponível. Cerca de 30% dos municípios brasileiros estão com a faixa liberada para receber o 5G. Brasília foi a primeira cidade do país a usar. A ANATEL já autorizou 1.610 municípios a receberem esse sinal, mas, até agora, apenas 150 têm a tecnologia disponível para uso. São as cidades maiores, que juntas reúnem 43% da população brasileira. O aparelho tem que está compatível com essa tecnologia (já há 126 modelos no mercado) e proximidade a uma antena 5G. 

·       Uso de celular ao volante, infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira. Número de motoristas flagrados mexendo no celular ao volante cresceu 30% neste ano, em relação ao ano passado. Foram mais de 60 mil multas (só de janeiro a março). O celular já é considerado a maior distração no trânsito, causando uma série de acidentes. São quase 700 flagrantes por dia! O uso do celular atrapalha o trânsito, pode pesar no bolso e ainda coloca outras vidas em risco. Mexer no celular enquanto dirige aumenta o risco de acidentes em +400%. 23 segundos de distração a 60 km/h é o equivalente ao deslocamento de 380 metros ou 3 campos de futebol (é muita distância como se não tivesse vendo nada). Enfim, dá para acontecer muita coisa ruim. Se o motorista receber uma ligação conectada ao som do carro ou usar o fone de ouvido, comete infração média: R$ 130 de multa e 4 pontos na carteira. Enfim, o motorista tem que se desconectar, pois o privilégio de usar o celular dentro do carro em movimento é do passageiro. Os estados que mais realizam essas multas são: SP, MG e GO.

Dízimo não tem ideologia.

A falta de votos nas urnas e a Justiça jogaram Bolsonaro no ostracismo.

É isso o que acontece quando os truques cansam a plateia e deixam de receber ibope.

Bolsonaro: perdeu a eleição apesar de estar no cargo, do uso indiscriminado dos instrumentos de estado em benefício próprio e da distribuição de verbas sob critérios escusos. Grande parte do Centrão eleito deve-se aos recursos do orçamento secreto. E agora? Bolsonaro como cabo eleitoral? Bolsonarismo sem Bolsonaro? Com a ajuda do aparato estatal e se viu derrotado.

No pós-Bolsonaro, a caminho de ele ser um corretor de imóveis, especula-se sobre herdeiros. Assim como, na ditadura, também pensou-se numa direita de terno em lugar da farda. Uma direita proativa, empreendedora, do tipo que joga tênis. E que faz obras e combate a corrupção. Sempre em defesa dos pés descalços. Deu em Collor cassado e transformado num político municipal. Depois no Maluf em prisão domiciliar. Agora em Bolsonaro, uma piada voltada contra o humorista. Ao contrário de magnatas russos, que suspeitamente despencam de prédios, tal direita teve um pouco mais de sorte.

Enfim, tal episódio histórico jamais ocorrerá novamente. Basta acompanhar a fé indelével dos evangélicos no futuro do capitão. Em breve, Lula será o líder deles, nada lhes faltará, apostam. 

Ação eleitoral da PRF.

 

·       De todos os veículos parados em blitzes da PRF no segundo turno das eleições do ano passado, 31,6% (um terço ou 1 em cada 3) eram do Nordeste, reduto do presidente Lula, e região que tem somente 17,6% da frota nacional.

·       Comparando, se a gente olhar para o Sudeste, onde circulam 47,8% da frota brasileira, a PRF parou bem menos.

·       Nota: a Bahia teve o maior número de veículos parados entre os 9 estados do Nordeste (1.082). Além de nós sermos o maior colégio eleitoral da região, com 11,2 milhões de eleitores, fomos o 2º estado que mais deu voto proporcional a vô Lula no 1º turno (atrás apenas do Piauí).

·       Se o critério não foi o tamanho da frota, por que não aconteceu o mesmo no Centro-Oeste e no Sul? Os dados mostram que houveram ações coordenadas para prejudicar a circulação de veículos em cidades que registraram mais votos em Lula. Enfim, blitz não, impedidos de votar!

Programa$ Exclusivo$.

 

Dinheiro é para ser ganho honestamente e gasto, também! Investir o dinheiro em coisas exclusivamente exageradas pode ser algo descabido e questionável. Porém, a exclusividade virou um negócio caro, ilógico, insano e procurado. Trágico!

A verdade é que, neste mundo que mudou do milhão para o bilhão, exclusividade deixou de ser exceção, para virar mercado. Veja o submersível implodido a caminho de outro catástrofe náutica centenária que foi o Titanic. Sinceramente, acho que ninguém tem o direito de fazer o que fizeram esses desavizados quando resolveram torrar dinheiro alugando um submarino para ver os destroços do azarada Titanic. Essa atitude exibicionista e cretina, que misturou esnobismo com curiosidade mórbida, feriu a sensibilidade de muita gente. Foi um crime. Com castigo. E o que dizer da moda dessas viagens espaciais? Nem vou falar mais nada... Ah, vou sim!

O capital em seu estado puro é bruto e fatal. Nesse novo mundo repleto de exclusividade e cada vez mais cheio de gente de contrastes sociais, surgem os exóticos e absurdos.

Enfim, prefiro rever o filme Titanic pela TV do sofá de casa do que ir lá no fundo do Atlântico com um submersível ver os destroços do navio. Além de mais barato, é mais seguro! Francamente, acho que a grandeza da ideia brilha mais que o dinheiro investido. Do jeito que a vida devia ser sempre, mas nem sempre é.

A reinvenção da direita brasileira.

A ambição da direita depois do projeto bolsonarista fracassado é edificar instituições liberais. Afinal, foi o TSE que o nocauteou, mas, antes, foram as instituições democráticas que deram sinal de alguma vivacidade e funcionamento.

Aqui no Brasil, o que tivemos/temos são “ilhas liberais”. Logo, mais do que se reinventar, a direita precisa se inventar. Afinal, ou as expressões do liberalismo se restringiram a farsas deletérias (Fernando Collor ou Bolsonaro) ou a soluções de compromisso de uma social-democracia esclarecida (FHC). Com curtos estoques de tempo e popularidade, Michel Temer rompeu com o Estado social.

O fenômeno social que atrai a direita brasileira é a descoberta de que, ao redor dessas ilhas liberais, há um conservadorismo difuso na sociedade, que com o movimento evangélico ganha força (mas também toques de obscurantismo), e um conservadorismo amorfo na arena política (que muitas vezes só serve à conservação de privilégios elitistas e paroquiais).

Só agora com o fracasso do projeto da barbárie e a inelegibilidade do inominável que a direita fala em “direita civilizada”, ou seja, que houve uma aposta na barbárie como um “Nossa, que espetáculo horrível! Vamos assistir!”. Só que o show acabou, e agora a direita diz que precisa depurar valores conservadores e liberais e concretizá-los em um movimento cívico.

Esses valores-chave do liberalismo ou da identidade liberal seriam:

1.     A sociedade deve ser plural: um espaço de conflitos politicamente canalizados a uma competição de ideias frutuosa;

2.     É preciso progredir por reformas, não rupturas.

3.     A desconfiança da concentração do poder:

4.     A defesa dos direitos pessoais, políticos e de propriedade.

CONCLUSÃO: a renovação não passa por desconstruir esses valores, mas empregá-los como alicerces na construção de um contrato social liberal adaptado ao século 21.

O calcanhar de Aquiles do Governo Lula.3 é a governabilidade frágil. É por esse ponto fraco que a direita partirá. Afinal, até onde Lula deve ceder para governar? Que valores serão sacrificados em nome da governabilidade? Há limites para o realismo político?

Pior do que não cumprir promessas é a perda gradual e contínua de identidade política. Isso explica a força de Lula – “i-den-ti-da-de política”. Lula se tornou protagonista lastreando-se na proteção da dignidade humana, dos direitos sociais, dos direitos das mulheres, na luta pela integridade e transparência. Foi isso que deu certo e é isso que a direita quer copiar à sua moda. Leva tempo. Requer uma história. Por isso o desafio é grande. Seria preciso um Geraldo Alckmin travestido de Lula para isso. É preciso olhar os amigos que se tem, e deles tirar proveito ou cuidado.   

Enfim, fala se de uma direita ainda mais astuta e camuflada, isto é, uma direita capaz de fazer exame de consciência, supostamente capaz de reconhecer sua complacência com as desigualdades sociais e energizar seus compromissos com a responsabilidade individual, a liberdade econômica e a distribuição do poder para demonstrar convincentemente que estes são os meios mais eficazes para reconstruir uma sociedade inclusiva, justa e próspera.


Outros pontos de análises pertinentes:

·       Bolsonaro é um feroz antiesquerdista, mas nunca foi conservador nem liberal, só um demagogo nostálgico da ditadura e hostil ao ecossistema democrático da Constituição de 88;

·       O conservadorismo da extrema direita é hostil à globalização e às minorias. É um “espantalho neoliberal” que nada mais é do que um darwinismo social;

·       A única coisa maior do que as oportunidades abertas é a montanha de desafios;

·       O aventurismo militar da Rússia e o expansionismo diplomático da China têm ambições autocráticas. Ambos buscam reconstruir uma ordem mundial adaptada a essas ambições.

·       Em todo o mundo, as democracias liberais estão na defensiva. Medo e sedução a modelos de crescimento ou defesa das tradições. Dentro, há uma crise de identidade. A “nova esquerda” tem um identitarismo divisivo e autoritário.

·       Em vez de rupturas, reformas. O que isso significa na reinvenção da direita? Que não se trata só de depurar essa massa crítica para esculpir no ideário político valores conservadores e liberais. É preciso concretizá-los articulando um partidarismo de direita no melhor sentido do termo. Isso implica reverter a lógica do populismo. Não oferecendo programas tecnocráticos de cima para baixo, muito menos se embrenhando na disputa por um novo “salvador da pátria”, ou seja, jogando o jogo do culto à personalidade.

·       A leitura atual da direita é: Lula se beneficiou da sujeira tucana e bolsonarista, porque ela neutralizou o ponto mais sensível do PT: a corrupção. Ao sabotar a vacinação na pandemia e trocar o combate à cleptocracia por fantasias sobre as urnas, sempre amparado por seus “influenciadores” diversionistas, Bolsonaro foi além, como o maior cabo eleitoral de Lula. Sua inelegibilidade abre espaço para uma oposição de verdade. Que oposição direitista é essa?

·       O erro da direita seria insistir na estratégia de desmoralização dos eleitores de Lula ou Bolsonaro.

·       O que fazer, direita? Conselho: “falta de nomes não é o maior problema da direita pós-Bolsonaro; falta projeto de País”. É preciso humildemente ouvir esses eleitores diferentes, construir com eles compromissos de baixo para cima e comunicá-los com paixão, a fim de dinamizar uma mobilização cívica inspirada nas grandes articulações políticas. A direita precisa se edificar pelas próprias mãos, e não continuar a se organizar pelas mãos de seus adversários ou usurpadores.

Mas, vamos falar só um pouco da qualidade de gastos com cartões corporativos de Bolsonaro... Felino apurou que descobriram não só grandes volumes de recursos financeiros, mas voltados para refeições servidas a centenas de pessoas no contexto de uma daquelas famigeradas motociatas, em movimentos preparatórios da campanha fracassada à reeleição. Enfim, o que é comido nem sempre é esquecido. 

Enfim, quem de fato elegeu Lula foi o salvacionismo democrático. A gente estava cavando o fundo do poço com Bolsonaro e quisemos voltar à superfície democrática, uma frágil vida real que ainda precisamos aprender a viver. A gente precisa ser menos animal e mais gente. Não dá para ser o tempo todo só um, nem outro. Mas, no convívio social, um pouquinho mais de humanidade, por favor!

domingo, 2 de julho de 2023

Democracia constitucional.

 Vivemos um perigosíssimo teste de fogo. Sobrevivemos a um presidente que nutriu forte desprezo pelo não semelhante: agindo como se leis fossem para otários e normas políticas existissem apenas para perdedores. Tivemos que conviver com seguidores da nação-mito se comprazendo com o desdém do líder pelas normas democráticas. Um líder que não era líder porque exercia o poder presidencial como se estivesse em revolta permanente contra o cargo para o qual foi eleito. Enfim, sob o lema “Deus, pátria, família e liberdade”, um imbecil com o propósito de perverter, pois conscientemente não tem amarras nem constrangimentos.

Conseguimos sobreviver a quatro anos de anarquia presidencial de índole destrutiva e incivilizada, ao negacionismo de Estado no combate à Covid-19 e à cooptação para o ilícito de mais de um punhado de militares aventureiros. E tudo transformado em manchetes televisivas, digitais e impressas por uma mídia ilusionista fascistoide que hipnotiza espectadores do povo e os submete a papéis humilhantes. Um verdadeiro desassossego cívico e moral, geral, aspectos fundamentais da mentalidade que propiciou o alastramento do fascismo!

Bolsonaro teve/tem atitudes cruéis, mas conseguiu disfarçá-las por ser um obscuro ilusionista que tem como performance aterrorizar e humilhar seu público. Em um ataque direto à dignidade humana do brasileiro, tentou submeter o outro às suas vontades pessoais. Enfim, o fascismo faz o mal brincando. O humor malicioso é capaz de disfarçar o ódio, a irritabilidade e a raiva. Passamos por tudo isso!

Embora vivos, ainda estamos muito machucados. Nosso emocional, nosso psicológico, nossa saúde física, mental e social ainda está fragilizada. As instituições precisam ser avivadas. Afinal, o eleitor brasileiro já fez a sua parte – foram 60,3 milhões de votos soberanos, legais e legítimos para Lula, contra 58,2 milhões também soberanos, legais e legítimos para o “mito”. A cada um seu cada qual. O TSE também fez o que lhe competia – pela primeira vez na História do país, um ex-presidente da República tornou-se impedido de disputar cargo público, por 8 anos (por abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação – em 18 de julho de 2022, na condição de chefe da nação, Bolsonaro convocara embaixadores estrangeiros ao Palácio da Alvorada para atacar o sistema eleitoral do país sob seu governo).

O Brasil teve direito a um grande momento educativo em sua formação democrática, da pior forma. Se o que não nos mata, nos fortalece, precisamos de fato nos reerguer.

Enfim, eu sinceramente acredito que Deus botou a mão sobre o Brasil. Deu-nos a chance de abrir os olhos e falar o que queremos. De todo mundo se conscientizar que temos que jogar dentro das quatro linhas da Constituição. E quem tiver jogando fora, ou tem que vir para dentro e se adequar às normas democráticas conquistadas ou sentirá o peso da Lei.

A consciência de perverter.

A Justiça pode ser cega, mas não é tola.

A “consciência de perverter” é uma expressão cunhada pelo jurista italiano Francesco Carnelutti (1879-1965), e define a conduta de quem sabe não ter razão, mas age como se a tivesse.

Enfim, lembremos, todo poder tem limites.

1º Semestre do ‘Lula.3’.

Erros, dificuldades, apostas...

Em seu primeiro semestre de governo, o presidente Lula tem...

·       Dificuldades para furar bolha, de arrefecer resistência de quem não votou nele, como os segmentos evangélico (só 29% avalia ótima ou boa a gestão Lula, contra 37% do total da população) e do agro.

·       Lula está focado na produção de alimentos e no combate à fome. Aliás, lançou o Plano Safra orçado em R$ 364,2 bilhões;

·       Lula vê com urgência a construção de uma pauta social consistente direcionada aos evangélicos de direita da classe baixa. Até o momento, o gesto do governo foi se afastar de pautas identitárias e, ainda que haja a avaliação de que as fricções hoje são menos do que durante a disputa contra Bolsonaro, ainda existem fortemente;

·       Aposta na boa expectativa da economia, calcada na aprovação do arcabouço, no avanço da reforma tributária e em retomar investimentos;

·       Implementar programas novos e de abrir diálogo.

·       Programa Minha Casa, Minha Vida, “reciclado” de gestões petistas anteriores foi uma das apostas do primeiro semestre.

·       As principais metas são aprovar a reforma tributária no Congresso e usar obras de infraestrutura, como as previstas no novo PAC, para gerar empregos;

·       O Planalto quer mirar eleitores que consideram a gestão regular – jovens, negros, mulheres, trabalhadores informais, adultos sem filhos e desempregos;

·       Lula tem cobrado novos projetos insistentemente dos ministros, com quatro prioridades listadas: saúde pública, emprego, educação e segurança;

·       O presidente deve manter no 2º semestre a rotina de viagens ao exterior, mas há a expectativa de que o ritmo seja menos intenso do que o verificado até agora;

·       Lula passa a se dedicar mais às articulações políticas internas para mergulhar, enfim, no contato direto com os parlamentares. A ideia é investir em encontros informais visando aproximar deputados e senadores;

·       Diante do perfil dos congressistas eleitos no ano passado e do fim do orçamento secreto, auxiliares de Lula reconhecem que só uma elevação da popularidade do presidente, puxada por melhora nos números da economia, pode dar ao petista mais capital político para negociar com os parlamentares;

·       Melhorar na comunicação, com mais “profissionalismo” dos auxiliares ao divulgar o que o governo vem fazendo;

·       O presidente Lula trouxe de volta programas imprescindíveis para a população, resgatou o prestígio internacional e está fazendo o Brasil voltar a crescer. Daqui para a frente, vamos ter mais entrega na ponta;

·       Auxiliares entendem que as notícias negativas são hoje mais produzidas por integrantes do próprio governo do que pela oposição. Assim, há uma preocupação dentro do Planalto de maneirar as falas do presidente;

·       Para o 2º semestre, além da expectativa de que reforma tributária e o novo PAC possam alavancar os indicadores econômicos, o governo quer levar adiante um texto que altere a cobrança sobre a renda. Vem aí a implementação do Plano de Transição Ecológica, o “pacote verde”;

·       Enquanto tenta avançar com pautas econômicas, o governo deixou de lado promessas de campanha e bandeiras mais ligadas à esquerda. Uma delas foi a criação de um ministério específico para a Segurança Pública, para se aproximar de policiais, pauta da qual o PT se afastou nos últimos anos.

sábado, 1 de julho de 2023

Propósito eleitoral.

 Encontro com a Justiça.

Sobre os ombros de Bolsonaro, pesam diversas acusações, a reunião com os embaixadores era apenas uma. Além da ação proposta pelo PDT (uma segunda ação sobre o mesmo episódio foi proposta pelo PT) que levou o ex-presidente à inelegibilidade, ele também é alvo de outros 15 processos que ainda tramitam no Corte. Todos poderiam, a exemplo da ação atual, levar Bolsonaro a ficar impedido de se candidatar nos próximos pleitos.

Era previsível a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que condenou, por 5 x 2, o ex-presidente JB por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, no episódio em que reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada, em 18 de julho do ano passado, para atacar o sistema eleitoral brasileiro e impulsionar sua candidatura à Presidência. Diante do desprezo pelas instituições e do vale-tudo para derrotar o petista Lula, não havia outro desfecho possível. Nem o próprio Bolsonaro, nem seus advogados, nem seus mais fiéis aliados imaginavam que ele fosse escapar de ficar inelegível por 8 anos.

Vale destacar:

·       Comparando o Brasil aos EUA, onde a inexistência de uma Corte eleitoral permite que o ex-presidente Donald Trump, mesmo respondendo a 37 acuações na Justiça (Bolsonaro ainda é alvo de mais 15 ações na corte, com o mesmo poder de inelegibilidadee já tendo sido denunciado em uma, concorra novamente à Presidência com chance real de voltar à Casa Branca. É um absurdo!

Dentre os processos restantes, destacam-se: 1) o que analisa o uso de programas sociais em favor de Bolsonaro (iniciativas envolvendo o Auxílio Brasil, principal vitrine eleitoral de Bolsonaro: empréstimo consignado, antecipação do pagamento de parcelas e aumento do total de famílias beneficiadas, configurando abuso de poder político e econômico); 2) o que investiga uma suposta rede de desinformação (uma rede de perfis destinados a difundir informações falsas, com ações coordenadas); 3) uso político do 7 de Setembro (uso eleitoral do desfile do Bicentenário da Independência); 4) viagens oficiais feitas durante a campanha eleitoral; 5) o uso da residência oficial da Presidência na campanha eleitoral com lives e eventos (um dos eventos foi um almoço com artistas e cantores sertanejos no Alvorada, com nomes como Gusttavo Lima, Leonardo, Chitãozinho, Zezé di Camargo e Marrone); 6) investigação de mensagens de apoio enviadas por número do governo do Paraná via SMS, com ameaças ao STF (ao todo, foram enviadas 324 mil mensagens); 7) um sobre suposto tratamento privilegiado da rede Jovem Pan a Bozo; 8) outro que investiga rede paralela de financiamento de campanha (Casa da Pátria) por pessoas jurídicas, organizada por empresários, pastores e entidades religiosas.

·       Além de fortalecer a democracia brasileira, a condenação de Bolsonaro pelo TSE abre perspectivas alvissareiras na política nacional. Sua saída de cena contribui para esvaziar o radicalismo de extrema direita que o cerca e poderá abrir caminho à emergência de uma direita civilizada, capaz de defender o ideário conservador dentro das regras do jogo democrático.

·       É provável também que a ausência de Bolsonaro nas urnas dê espaço a candidatos de centro que hoje não conseguem romper a polarização entre petismo e bolsonarismo.

·       Evidentemente não se deve menosprezar a força política de Bolsonaro, que perdeu a eleição por margem estreita, 1,8% dos votos. Ainda que não seja candidato, será um cabo eleitoral poderoso, capaz de influenciar parte relevante do eleitorado. Não se sabe também até que ponto tirará proveito político do discurso de vitimização. Em qualquer cenário, o realinhamento das forças políticas será saudável para a democracia brasileira, por abrir espaço a outras candidaturas. A conflagrada polarização que marcou as duas últimas eleições divide o eleitorado, degrada a política e não ajuda o país. O pós-TSE trará oportunidade a candidatos que inspirem mais propostas e menos ódio. 

·       Direita e esquerda se reorganizam: a direita se ver obrigada a ser mais “civilizada” (se é que isso é possível); enquanto a esquerda avançará entre eleitores não extremistas de Bolsonaro. A ordem aqui é avançar em cidadelas não extremistas: evangélicos e agronegócio, eleitores de baixa renda que começarão cada vez mais a se beneficiar de programas sociais turbinados, endividados que serão socorridos por programas de crédito e empresários conquistados por agendas como a briga pela queda dos juros e a reforma tributária.

·       O rápido isolamento de JB, tornado inelegível 6 meses depois de deixar o poder, é nítido para quem conversa com seus principais aliados e não se atém a olhar seus posts condoídos de solidariedade.

·       O moedor de carne bolsonarista que já triturou tantos antigos aliados ainda é forte nos submundos do Telegram e nas redes sociais. Deverá se acentuar a pressão da ala bolsonarista mais radical, com os filhos do agora inelegível ex-presidente à frente, para dar as cartas em seu governo. 

Enfim, não faria sentido, depois do festival de ataques à democracia e dos arroubos golpistas, absolvê-lo e permitir que concorresse na próxima eleição. O julgamento no TSE mostra que o Brasil segue na direção certa ao exigir dos candidatos – em especial à Presidência – comportamento compatível com o posto a que almejam.

O fenômeno social do ‘bolsonarismo’.

 Esse fenômeno social acredita que as diferenças não fortalecem o convívio social, mas antes o corrompe, gerando a desordem.

Como definir o bolsonarismo pós-Bolsonaro? Que outro nome será adotado agora que Bolsonaro está impedido de concorrer? Direita “civilizada”? E o vasto capital eleitoral bolsonarista? Quem vai herdar? O que será do bolsonarismo sem Bolsonaro?

As muitas perguntas não sugerem qualquer vestígio de preocupação com esse lado selvagem da sociedade. Apenas são realistas a algo que continuará entre nós. O bolsonarismo se tornou um campo político sem órbita. Carente de um novo nome, um novo candidato para 2026, sua morte não está decretada.

Se o ‘bolsonarismo’ dependesse apenas de Bolsonaro, já estaria morto. Embora a pessoa escolhida para liderá-lo tenha levado uma facada democrática, sobreviverá porque é mais do que um conceito linguístico ou expressão eleitoral. Ele é um vigoroso movimento da sociedade que foi formado antes de Bolsonaro e persistirá após ele. É um fenômeno social, e não meramente eleitoral.

Que fenômeno social foi/é esse?

A junção das mobilizações anti-PT, o conservadorismo religioso, a hipocrisia do movimento anticorrupção, o formato editorial de setores conservadores da imprensa brasileira, a cultura juvenil da zoeira e o politicamente incorreto turbinado nas mídias sociais. Tudo isso e mais um pouco montou um fenômeno social, e não meramente eleitoral, uma categoria da ciência política que descreve movimentos com discursos antielites propondo conexão direta com o líder carismático e rejeitando instituições de representação como os partidos. Vamos destrinchar...

As violentas mobilizações anti-Dilma de 2015 e 2016, sem nenhum pudor aos palavrões e aos ataques à presidenta, aglutinava e fazia nascer a candidatura de Bolsonaro em 2018. Isto é, o bolsonarismo foi gestado bem antes e assumiu materialidade depois na chapa do verme. Seu combustível foi a mobilização das igrejas católica e evangélicas em 2014 e 2015 contra o uso do termo “gênero” nos planos de educação (nacional, depois estaduais e municipais) e para toda a campanha contra a “ideologia de gênero” que se estruturou desde então, cujas principais lideranças apoiaram Bolsonaro em 2018. Ou seja, o selvagem e o fanático se fundiram e germinaram a fera.

Podemos olhar também para a formação do movimento anticorrupção, que depois se confunde com o movimento anti-Dilma/anti-PT, e para a onda social de apoio à Operação Lava-jato que começa em 2014. Por fim, olhar para a grande mudança editorial de setores da imprensa brasileira, que abraçaram e deram destaque a ideias conservadoras nos anos 2010, ou para a cultura juvenil da zoeira e do politicamente incorreto, que ganhou projeção nas mídias sociais no mesmo período.

Isso quer dizer que a candidatura de Jair Messias Bolsonaro em 2018 é onde deságuam esses e outros movimentos da sociedade brasileira, em seu nível mais natural, bárbaro, brutal e grotesco. Bolsonaro não os criou nem os liderou, apenas os articulou numa candidatura eleitoral. Agora que estão bem amarrados todos esses movimentos sociais conservadores da sociedade, que outro nome daremos a ele? “Populismo”? Continua o “Bolsonarismo”? Uma categoria “nativa”? “Patriota”? “Conservadorismo”? Seja qual for a expressão, ela não será coerente se denotar algo positivo, elogioso ao patriotismo, civismo, progressismo ou nacionalismo real. Um equívoco, pois, embora os bolsonaristas acreditem estar defendendo o Brasil, certamente não são nacionalistas e não defendem a cultura, os empregos ou a economia nacional coisa alguma!

Enfim, estamos lidando com um movimento de natureza muito complexa, que teve como expressão eleitoral a candidatura de Bolsonaro em 2018 e 2022 e que deverá ter outro candidato em 2026. Que seja a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL Mulher), ou o governador Tarcísio de Freitas (SP, Republicanos), ou o Romeu Zema (MG, Novo), ou até mesmo um dos filhos do ex-presidente. Alguém virá porque as matizes políticas continuarão, alimentadas por fenômenos sociais que, tais como os opostos, ora se repelem, ora se atraem. Direita e Esquerda, duas faces de uma mesma moeda, com centro e extremos. Assim, nosso maior desafio será controlar e superar esse "inominável" que existe em cada um de nós. Democracia, sempre vigilante!