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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 26 de abril de 2026

Sem alma?

 Silêncio Cósmico: sem alma, sem espírito, sem propósito...

E se retirássemos a armadura que nos reveste? Não estou me referindo apenas aos músculos, carnes, ossos e crânio, mas toda a carapaça de crenças dogmáticas que revestem os fascínios do Corpo e do Universo. 




domingo, 12 de abril de 2026

Sutilezas da inteligência.

Existem outras formas de vida inteligente, 

mas a verdade é que os cérebros egóicos não curtem essa ideia ou possibilidade.  

Ainda acreditamos no dogma de que só existe inteligência num roteiro de neurônios biológicos produzindo imagens mentais e consciência. É a ideia pré-copernicana de Universo guiado pela Terra ou a centralidade humana como pressuposto para a existência de inteligência.

Pensar não é pré-requisito para ser inteligente. Nem inteligência é só o critério de “nossa imagem e semelhança”. A inteligência está longe de ser um constructo estável e uma propriedade só humana – linguagem, sistema nervoso centralizado, presença inafiançável de neurônios e intenção explícita.

Você sabe o que são Planárias? Elas aprendem por associação (se distanciam de locais não seguros e a resposta aprendida reaparece no novo cérebro regenerado quando se perde o primeiro). Borboletas passam a evitar os riscos que correu quando ainda eram lagartas (as informações ficaram guardadas em seu sistema nervoso). Se você extrair o RNA dos tecidos de animais treinados e injetar em espécimes não treinadas o resultado será compatível à experiência original. Também há memória na reconstrução de partes de organismos regenerativos (tudo o que está no estado fisiológico da criatura antes de sofrer um corte reaparece depois dele). Até em reações químicas oscilantes o sistema exibe memória, isto é, o estado futuro depende de sua história (processamento de informação sem um “alguém aí”). A reação química tem um quê de aprendizado porque os recursos moleculares de que este emerge precedem a própria vida. Não estamos vendo nenhum neurônio aqui, mas outras redes celulares também capazes de filtrar ruídos e orientar condutas, ainda que de maneira mais lenta e menos especializada. O princípio é o mesmo, só o substrato que varia.

É o que também acontece no debate recente sobre inteligência artificial (IA), em que ainda é verdade o fato da “máquina não pensar”, mas isso não a impede de “ser inteligente”. Levamos na cara o monte de coisas que estão aprendendo a fazer muito melhor do que nós. IAs aprendem, generalizam e corrigem erros. Acima de tudo, usam o passado para se orientar ao futuro, ainda que não tenham a menor ideia do que isso significa.

Enfim, não confunda posição funcional com privilégio ontológico. A inteligência está mais para uma coleção de gambiarras extraídas das propriedades do mundo do que para uma condição existencial de seres assim ou assado. Existem outras formas de vida inteligente, mas a verdade é que os cérebros egóicos não curtem essa ideia ou possibilidade. 

sábado, 11 de abril de 2026

Novo transporte: foguetes.

Novo mapa: espaço sideral.

Do turismo espacial em larga escala à mineração da Lua e de asteroides. Hoje vemos países se digladiarem por reservas de terras raras por aqui. Amanhã, poderão estar disputando esses mesmos recursos em solo lunar. Sem falar em outras aplicações como geração de energia limpa a partir do espaço (H-3) e mesmo a colonização.

¼ do século XXI, foguetes reutilizáveis abrem o Sistema Solar à humanidade. Uma nova tecnologia para reuso rápido e prático de lançadores de foguetes viabiliza novas aplicações do equipamento (os ônibus espaciais), o que pode tornar o voo ao espaço algo quase tão comum quanto viajar de avião nos próximos 25 anos.

Entenda, depois de um lançamento exitoso e sua finalidade alcançada (como colocar satélites em órbita), a corrida agora é por um estágio de volta ou pouso reutilizável. Também aumentar a capacidade de carga. Se lançar é difícil, pousar em seguida é ainda mais. Enfim, cumprir seu objetivo na ida, mas também na volta – a tentativa de pouso sem os prejuízos de se espatifar. Os foguetes reutilizáveis vieram para ficar. Há uma disputa desenhada entre China e EUA pelo controle do espaço cislunar, e o ano de 2026 pode acabar com um ente chinês, privado ou público, dominando também essa tecnologia essencial.

Foguetes não é tecnologia nova. Até recentemente, eram enormes e caríssimos para sua construção, descartados após um único uso, pois suas partes eram descartadas ao longo do voo. Combinados por propulsão por combustão química e esquema de estágios, obtiveram uma base de razoável efetividade. No século passado, graças aos trabalhos de Konstantin Tsiolkovsky, davam sinais de que viabilizariam viagens espaciais. Virou realidade com os V-2 suborbitais, desenvolvidos por Wernher Von Braun para a Alemanha nazista, em 1944, como arma de guerra – foram os primeiros foguetes a atingir o espaço. Mais tarde, consolidaram seu uso dual, também útil para fins pacíficos.

Assim foram desenvolvidos nos anos 1970 os ônibus espaciais, lançados pela primeira vez ao espaço em 1981 – subiam como foguetes e desciam como aviões. A ambição da Nasa era inseri-los na dinâmica da aviação, mas em 1986 viria a acontecer a tragédia de Challenger, o ônibus espacial que explodiu pouco após a decolagem matando os 7 astronautas a bordo. Depois ainda teve o acidente fatal com o Columbia, em 2003. Ainda assim, a Nasa os manteve em operação até 2011, a fim de concluir a construção da Estação Espacial Internacional.

Exigindo muita manutenção e trazendo tantos riscos, os foguetes espaciais eram mais caros do que voos com os convencionais foguetes descartáveis. Em 2004, a SpaceShipOne, projeto do engenheiro Burt Rutan com financiamento de Paul Allen, cofundador da Microsoft, foi o primeiro grupo privado que conseguiu desenvolver um veículo suborbital (capaz de voo espacial, mas sem atingir velocidade orbital). Também o Jeff Bezos e sua Blue Origin, tentou o que parecia impossível: além da decolagem, realizar o pouso também na vertical, usando propulsão.

Na era da exploração espacial, enquanto um foguete suborbital só sobe até a beirada do espaço (100 km de altitude) e desce de volta, atingindo quando muito uns 5000 km/h, um foguete que impulsionará um veículo até a órbita precisa atingir uma velocidade muito maior, cerca de 27 mil km/h. Isso implica desafios maiores quando um estágio desse foguete precisa reentrar na atmosfera e guiar-se para um pouso vertical controlado. Mas, a combinação de poder computacional de processamento rápido e a grande quantidade de sensores embarcados estão aí para isso. E a IA está pronta para gerir!

Informações extras:

·         O primeiro foguete a realizar um pouso vertical controlado após impulsionar uma cápsula ao espaço foi o New Shepard, em 23 de novembro de 2015;

·         O foguete Starship (com 123m de altura), da SpaceX do Elon Musk, vive decolando da Starbase, no Texas (EUA). Foram 11 voos de teste de 2023 até 2025. Ela realizou o pouso vertical com o foguete Falcon 9 (com alguns avanços, depois da New Shepard). A empresa de Musk é líder absoluta de lançamentos comerciais no mundo todo;

·         O New Glenn (98m de altura) da Blue Origin, também de dois estágios, de Jeff Bezos, realizou a estreia do veículo em janeiro de 2025 e fez um segundo voo em novembro, quando pousou o primeiro estágio em uma balsa no mar;

·         Toda essa redução radical no custo dos lançamentos permitiu à SpaceX realizar uma megaconstelação de satélites em órbita baixa para fornecimento de sinal de internet rápida de baixa latência em escala global (capacidade acima de governos). Lançando seus satélites às dúzias com os foguetes Falcon 9, a companhia já tem mais desses artefatos no espaço do que o resto do mundo combinado. São neste momento cerca de 8.000 satélites da rede em órbita, mais de 65% do total em operação hoje. Com isso, a empresa literalmente inventou um novo mercado de exploração do espaço;

·         A Amazon tem sua própria iniciativa semelhante a SpaceX, com o Projeto Kuiper;

·         Os chineses também planejam suas megaconstelações em órbita baixa.

Enfim, a correria espacial é tanta que já há grandes preocupações sobre o sobreuso da região do espaço. Não satisfeito com a poluição do planeta e o consequente aquecimento global e suas crises climáticas decorrentes, agora estão jogando lixo em excesso também no espaço sideral.

Cemitério de Filósofos.

 Teses de intelectuais de direita do Brasil:

1) O Brasil é um cemitério de filósofos.

2) País onde é impossível qualquer atividade que siga um método e uma prática racionais.

3) O sucesso no Brasil é reservado aos bandidos, aos canalhas e aos répteis.

4) Um dos grandes filósofos assassinados no Brasil é Montesquieu, conhecido pela defesa da separação entre os 3 Poderes (não só não há separação entre os Poderes no Brasil, como os próprios Poderes só servem para destruir os brasileiros).

5) O STF declara (um reconhecimento legal) que há “racismo estrutural” no Brasil e que medidas devem ser tomadas.

6) O Brasil fica, cada vez mais, refém de juízes, promotores e advogados.

7) Outro filósofo assassinado no Brasil é o Immanuel Kant (pois não há maioridade no país: o estado  em que uma pessoa introjeta a lei moral racional universal, superando a necessidade de contenção externa, ou seja, já com a lei no coração, sem necessidade da espada no pescoço).

8) tocando nas condições materiais e históricas de existência do povo, jamais alguém agirá de acordo com a lei moral de modo natural, assim como respira.

9) Cada vez que você for fazer algo, se pergunte antes “todo mundo poderia fazer a mesma coisa?”. Se a resposta for não, você não estaria sendo ético. Aqui, ninguém faz essa pergunta. E se fizesse, a resposta seria “não”. O “imperativo categórico” ou “ser ético” é uma piada no Brasil.

10) Oficialmente, há um déficit de prática moral baseada no imperativo categórico no Brasil e medidas urgentes devem ser tomadas a fim de resolver esse déficit. Esse tipo de autocontenção deve ser praticado pelo próprio STF e outras cortes Brasil a fora.

11) Desejar feliz Ano-Novo no Brasil é uma piada de mau gosto. Aqui, nunca há Ano-Novo. 

12) Eles tentam matar o Karl Marx de novo, todos os dias!

Túmulo de Karl Marx: Cemitério de Highgate, norte de Londres, Inglaterra.

Marx foi originalmente enterrado em 1883 em um local mais simples, mas seus restos mortais (junto com os de sua esposa, Jenny von Westphalen, e familiares) foram trasladados para a atual localização em 1954. O monumento, inaugurado em 1956, apresenta um grande busto de bronze sobre um pedestal, financiado pelo Partido Comunista da Grã-Bretanha, tornando-se um local de peregrinação. Contém frases como "Workers of all lands unite" (Trabalhadores de todos os países, uni-vos) e "The philosophers have only interpreted the world, in various ways; the point is to change it" (Os filósofos apenas interpretaram o mundo, de várias maneiras; a questão é transformá-lo).