O Trump está vencendo na guerra tarifária?
O uso da política comercial como instrumento de coerção parece que veio para ficar. Porém, ele está se tornando mais seletivo e deliberado, conforme os efeitos causados nas vítimas. Felizmente, o Governo brasileiro não se curvou. A ideia era coagir, intimidar e diminuir o país, e continuará contundente.
Trump insiste a todo vapor com sua guerra tarifária, mas até agora são poucos os resultados. Ele anunciou alguns investimentos, mas sua indústria não vive um boom. O déficit do país praticamente não mudou nada. Os EUA são um país de alta renda que dependem muito de impostos sobre importações para arrecadar receitas. As tarifas geraram alguma arrecadação (5% ou US$ 24 bilhões), com a Suprema Corte por lá considerando parte delas ilegal, como de fato é.
Também a opinião pública continua cética: cerca de 06 em cada 10 norte-americanos não confiam em suas decisões em matéria de política comercial. Por aqui a incredulidade é ainda maior!
Enfim, o presidente está tentando prejudicar outros países dando um soco no rosto dos próprios americanos. O poder de intimidação não surtiu muito efeito, mas ele continuará tentando até as urnas darem um "Basta!". Nem todos estão se dobrando às suas chantagens, e nem precisa. Muitos dos seus anúncios jamais se concretizaram. Afinal, Trump mais se parece com um avô resmungão, sacudindo o punho para as nuvens. Tomara que em breve, nem isso!
Cadê a oposição nos EUA? O que a mídia fez com os Democratas?
Tudo
é muito ruim até que gerem lucros. Benefícios ajudam a curar ressentimentos,
esquecer mágoas e apagar memórias funestas. Isso sugere que a atual política
econômica de Trump, tão nefasta para os interesses do resto do mundo, só será
corrigida se produzir grandes estragos internos para a própria economia dos
EUA. Caso contrário, vai passando...
Trump
transformou o Imposto de Importação (tarifa alfandegária), cuja natureza é
regulatória, em taxa arrecadatória. Isso significa que os tarifaços renderam
receita extra. Na secura do Tesouro dos EUA, um possível sucessor de Trump será
capaz de abrir mão desses recursos? Claro que não!
Muita
coisa da política de Trump pode ter vindo para ficar se cifras se mostrarem
resilientes. Trump não age sozinho. A política protecionista não é prerrogativa
dos redutos trumpistas. É pleito mais amplo e mais arraigado nos EUA.
Prova
disso, a administração Joe Biden, que sucedeu em 2021 ao 1º mandato de Trump,
manteve muitas de suas políticas e determinações. Quatro exemplos:
1. As tarifas de importação, de 25%, em 2018,
correspondentes a US$ 50 bilhões anuais, foram mantidas. E ainda foram
aumentadas para setores estratégicos, tais como: veículos elétricos,
semicondutores, painéis para energia solar, aço e alumínio;
2. Biden reforçou as restrições às importações pela
China de chips de última geração e de máquinas para produção de semicondutores,
e ainda prometeu bloquear o acesso da China à tecnologia de ponta;
3. Trump substituiu o Nafta (acordo comercial
EUA-México-Canadá) pelo USMCA, que aumentou as exigências de conteúdo local na
produção de veículos. Tudo foi mantido;
4. Manteve, também, as negociações dos Acordos de
Abraão, destinados a restabelecer os canais diplomáticos entre Israel e países
árabes.
Ora,
alguém no capitalismo pode ser muito detestável e transloucado, mas acabará
sendo aturável enquanto estiver rendendo dividendos e enchendo bolsos. É a
forma de abrir uma exceção para o insuportável. E dessa forma segue Trump
produzindo uma reviravolta na ordem econômica mundial, atirando o livre
comércio a um lado e decretando o intervencionismo do Estado no outro, enquanto
os ganhos o defenderem.

