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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

REDAÇÃO, 2026.

Ao 02 de Julho... 

Independência é projeto de igualdade e liberdade. 

A Independência do Brasil não é uma espada levantada ou um simples grito entoado há 204 anos atrás. Com retrocessos, permanências e avanços, ela é um projeto contínuo de liberdade e revoluções.

O que se comemora no dia 07 de setembro na verdade foi uma aliança de interesses entre realeza e elite dirigente, com disposição autoritária e absolutista de um lado, e comércio livre e capitalista do outro. Rompeu-se com o monopólio e a dependência política de Portugal, mas deixou o Brasil vulnerável a interesses hegemônicos da Inglaterra e outras nações. Herdamos uma estrutura hierárquica comandada por comerciantes, grandes proprietários rurais, traficantes de escravos e funcionários de alto prestígio, sem falar do legado cultural e simbólico, presentes não só no racismo estrutural como também no forte preconceito contra o trabalho manual, tido como desonroso e ocupação de desclassificados.

O País rompeu seus vínculos com Portugal, porém, manteve reformada sua perversa estrutura social. Mantém a escravidão, o latifúndio, o analfabetismo, a concentração de riquezas... Manteve uma mesma elite brasileira que continua mandando no “Brasil Independente”, recusando não só o pagamento justo e equitativo de impostos, mas equidade e a justiça social. É a ostentação e a soberba dos costumes brasileiros, com distinções de poder e honra, autoridade, hierarquia, presunção e o orgulho tolo, mesmo sobre tarefas simples do cotidiano. A memória da Independência do Brasil ainda é construída em cima de indivíduos especiais e heroicos, mas sabemos que sua verdadeira consolidação só se dará como obra coletiva de lutas e avanços sociais.

Aliás, seria incompleto falar sobre a Independência do Brasil sem destacar o papel da África nesse processo. Foram mais de três séculos fornecendo mão de obra escrava e garantindo a produção colonial na América. De cada lado do Atlântico, o tráfico negreiro nos portos, os interesses comerciais e as vinculações familiares tornaram possível a montagem desse cenário produtivo, monopolizado e comercial pela então elite dirigente. Foi essa elite quem comandou o processo de independência, impôs sua dominação sobre as demais regiões, alijou setores sociais subalternos da participação política e garantiu a manutenção da escravidão. Os “homens da Independência” nada mais foram que agentes políticos argumentando e se empenhando no encaminhamento de uma política de acomodação dos interesses divergentes, para possibilitar a formação de um Estado monárquico-constitucional e a consequente continuidade de edificação de um poderoso império.

Segundo dados de historiadores e especialistas, o Brasil de 1822 tinha aproximadamente 4,5 milhões de habitantes e 99% dessa população era analfabeta, com 5% apenas de idosos e expectativa de vida de 25 anos! Hoje, no século XXI, passamos dos 212 milhões de habitantes, com menos de 10% de analfabetos e chegaremos a 40% de idosos, com expectativa de vida de 76 anos. Estaríamos assim hoje sem revoluções de resistência pela autonomia e emancipação política, econômica e social?  

Tudo isso mostra que é preciso fortalecer a consciência nacional ou a identificação definida da soberania brasileira. Nenhuma Independência ocorre sem o desenvolvimento da autoconsciência política, econômica, cultural e ideológica, acompanhada da reivindicação de autodeterminação delas. Sem isso, a história revela aglutinações internas ou movimentos separatistas que acabam lutando pela substituição de um tirânico por outro, tornando a independência um fenômeno social incompleto. É preciso ir além, e avançar essa espiral de liberdade e democracia. Afinal, só a autonomia crítica aliada ao desenvolvimento social reunirão as gerações do caboclo, do sertanejo, do indígena, da mulher, do branco pobre e do negro marginalizado em novas e originais resistências para evitar neocolonizações.

Ou seja, só não lutamos mais e melhor por falta de condições e permissões. Afinal, todo soldado, assim como todo cidadão, precisa de capacitação intelectual e instrumental para vencer as batalhas da vida e entregar bons resultados à nação. Em vez de reformas e imitações conjunturais, mudanças estruturais e invenções genuínas. No dia em que tivermos essa vontade, a participação política popular colocará fim aos privilégios socioeconômicos das elites brasileiras e se transformará em um povo verdadeiramente empoderado, livre e independente. Desse modo, o exercício do poder se legitimará por um ato de vontade da maioria ou por uma delegação política baseada no princípio da igualdade. Tornaremo-nos livres dessa herança dinástica assentada sobre privilégios seculares, como esses atuais na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. 

Enfim, independência não é pacto político com tempero tropical de um príncipe absolutista e uma elite escravista e liberal. Não pode ser um acordo restrito e centralizado apenas aos grupos partidários dominantes. É pelo passado e pelo presente que a independência é um projeto contínuo de igualdade e liberdade do povo, movido por um sentimento nacional coletivo. Esse projeto só terá futuro se for uma arte da educação e da não violência de todos nós, o que implica engajamentos e superações - de "tarifaços", do comércio injusto, da concentração de riquezas e privilégios, da extrema direita, do neofascismo, da depredação do meio ambiente e da fome.

Como anda a Lei nº 15.100/2025 ?

 Como anda a Lei nº 15.100/2025 que restringiu o uso dos dispositivos nas escolas?

- Após 1 ano da lei, 1/3 das escolas ainda tem dificuldades para barrar os celulares;

- é difícil, mas já surtiu efeito: há maior participação dos estudantes nas atividades em classe, maior concentração nas aulas, socialização presencial entre os alunos e queda em conflitos e agressões física e digitais, como o ciberbullying; também ampliaram as atividades manuais e artísticas nas escolas, além de impulsionar atividades pedagógicas fora das salas de aula e reduzir a ansiedade dos estudantes.

- 92% dos colégios implementaram legislação; maior parte (62%) relata que aparelho fica guardado na mochila do próprio estudante;

- 31% dos gestores apontam dificuldade de fiscalizar a aplicação da lei durante as aulas e os intervalos.

- 39% indicam dificuldade de garantir infraestrutura para armazenamento e guarda dos aparelhos;

- Há dificuldade alta para conquistar adesão dos alunos à regra;

- 67% dos gestores dizem que a maior prioridade para garantir a eficácia da lei é que haja parceria com as famílias para estabelecer limite de tempo de tela.

- 61% indicam a necessidade de formação dos professores em mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar.

- o que as escolas fizeram a respeito: a) sanções para quem desrespeita a proibição (66%); b) recolhem os aparelhos na secretaria ou na recepção da escola (33%); c) 1/5 admite que o celular continua na posse do estudante. Outras sutilizam caixas e armários.

- 06 em cada 10 diretores indicam a necessidade de estruturar espaços de lazer, com reforma de pátios e áreas de convivência.

04 em cada 10 escolas têm dificuldade para barrar celular. Mas...

É preciso direcionar a tecnologia para melhorar a vida das pessoas. Não transformá-la em inimiga da humanidade. Não demonizar nem romantizar o seu uso, inclusive dos celulares. O objetivo sempre foi restringir o mau uso e conscientizar pelo bom uso. Enfim, a tecnologia na educação precisa ser usada de forma equitativa, escalável e sustentável.