“... e aconteceu uma coisa muito estranha:
parece que vivemos na mente de um ansioso patológico.
O terror é mainstream!”.
Tal como um reboco de maquiagem na cara que entrega outra imagem, a realidade também recebe as suas máscaras. A principal delas é o horror, com suposta alegria, a linguagem mais presente do momento.
Ao primeiro susto, imaginamos o absurdo e o horror. Imaginamos qualquer outra coisa sinistra que não seja a realidade. Ou vice-versa, quando a realidade é uma pilha de mortos de guerra ou chacinas e um transtornado em forma de presidente, passamos a achar normal, quase natural. E nos transportamos para um mundo de fantasias, com direito a ET’s, espetáculos reluzentes, IA, ficção científica...
Onde ficou a realidade? Cadê o fim da Escala 6x1? Cadê a escandalosa corrupção do mercado financeiro bancando a extrema-direita, travestidos de Faria Lima e Banco Master? E a ameaça dos EUA nas eleições brasileiras? E os terrivelmente evangélicos? E o racismo? E os medos e traumas? E os jogadores gays metamorfoseados em chuteiras cor-de-rosa? O horror comeu! Irrompeu daí e a tudo levou! Esse tipo de alegria é aterrozante!
Até ontem vivíamos em uma realidade, da noite para o dia tomada pela misantropia. Em um passe de mágica esquecemo-nos do sério e abraçamos o absurdo. Nossos problemas reais viram fantasmas, crianças mutiladas e mendigos aterrorizantes. E os nossos traumas históricos, como a violência, a ameaça de ditadura, o racismo e a insegurança política e social se transformam em literatura viva. É psicologicamente neurótico, esquizofrênico, aparentemente normal e insuportável!
Precisamos de narrativas que reflitam nosso medo e o estresse que sentimos. Não sabemos nem mais o que é verdade e o que não é. Precisamos pensar...
Enfim, os próprios EUA que fazem guerras
brutais, tomam soberanias e expulsam imigrantes, de uma hora para outra vira um
grande palco mundial e “It, o Trump”, uma figura naturalizada. Não estou
animado com a Copa. Estou obcecado! A Fifa e os patrocinadores são imorais. É
imoral a Copa nos Estados Unidos! E é isso que realmente me dá muito medo, medo do futuro
(no sentido político, social e econômico).





