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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O que realmente importa?

Enquanto o BBB-2026 entretém a galera, e polêmicas pontuais distraem as Redes Sociais, o presidente da Câmara, Hugo Motta, disputa pautas de efeito eleitoral para driblar pecha de "inimigo do povo" e protagonizar tramitação de projetos. 

Mas, o que realmente interessa para o Ano Eleitoral de 2026?

·       A regulamentação do trabalho por app;

·        Como salvar os Correios e fortalecer as Estatais do Brasil?

A situação dos Correios.

A empresa que perdeu mercado...  

Não há mais cartas e telegramas e entregar. Nem mesmo os bancos e as empresas repassam correspondência via Correios. Os boletos vêm pelo WhatsApp. E já não dá para competir em entregas de produtos encomendados online com gigantes globais como Amazon, Mercado Livre e Shopee. As mudanças dos novos tempos, o apetite do mercado e as privatizações têm impactos ruins em cadeia para as empresas estatais e o povo brasileiro.

No ano passado, os Correios tiveram prejuízos de –R$ 10 bilhões. A previsão para este ano é de mais um déficit de –R$ 9,1 bilhões. Bancos socorreram os Correios com empréstimos de R$ 12 bilhões. Mas, é empréstimo...

Com 80 mil funcionários, os Correiros enfrentam mais de 75 mil processos na Justiça do Trabalho, em decorrência de más administrações e de descumprimento de acordos trabalhistas. As possíveis condenações implicarão em indenizações e multas. Assim, em quantos mais bilhões afundarão as finanças da empresa?

O atual processo de reformulação prevê dispensa de 10 mil funcionários neste ano de 2026 e de outros 5 mil em 2027, pelo regime de Plano de Desligamento Voluntário.

Das 10 mil agências que tem, a atual administração planeja fechar mil em situação deficitária. E há o leilão de 60 imóveis, a maioria desativada e/ou deteriorada, que pouco interesse vem despertando no mercado.

Enfim, o que pode ser feito para evitar que nossa empresa, símbolo nacional, se desintegre e caminhe para a irrelevância?

Fazendo as conta$...

 Responsabilidade social precede responsabilidade fiscal, mas é preciso estar atento à saúde financeira.

Em 2020, quando eclodiu a pandemia de Covid-19, a contração do PIB foi de 4,1%. Após a pandemia, o regime fiscal do país mudou. No caso de Estados e municípios, houve um crescimento extraordinário da despesa.

Queda de arrecadação e elevação dos gastos às vésperas de ano eleitoral, possibilitada pela renegociação das dividas com a União, explicam.  

No cheque especial... 06 Estados e o DF iniciam 2026 sem dinheiro para quitar dívidas e assumir novos compromissos: Minas Gerais (caixa negativo: R$ 11,3 bilhões), Rio Grande do Norte (está negativo em R$ 3 bilhões; e gastou 56,41% de sua receita com folha de pagamentos; limite é 49%), Alagoas, DF (negativo em R$ 876,6 milhões), Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre

·       Pela legislação, governadores não podem assumir novas despesas sem recursos disponíveis e deixar dívidas para seus sucessores neste último ano de mandato. Para evitar infringir leis, governadores têm de neste último ano segurar gastos, adiar pagamentos e até cancelar serviços.

·       Sem dinheiro, máquina pública não para na hora, mas há risco de colapso. Políticas públicas e serviços sociais não podem ser impactados.

·       O Paraná é o Estado em melhor situação. O segredo? O dinheiro em caixa é resultado de um ajuste fiscal feito depois da crise enfrentada em 2014, crescimento da arrecadação após a pandemai de covid-19, melhor gestão da dívida e reformas internas para segurar gastos, recuperar a capacidade de pagamento com a União e priorizar investimentos. Com o recurso sobrando, o governo prepara a criação de um fundo soberano para mitigação de desastres naturais, quer manter o equilíbrio fiscal no longo prazo e ainda estuda criar um fundo de investimento estratégico para atrair capitais, além de investir em obras.

No período 2019-2025, governos regionais aumentaram seus gastos em cerca de R$ 500 bilhões anuais; já a União, R$ 140 bilhões. Essas despesas dos entes subnacionais incluem cerca de R$ 200 bilhões em recursos da União repassados a Estados e municípios. 

A economia brasileira superou os impactos diretos da pandemia, mas enfrenta o desafio de manter um crescimento sustentável e de longo prazo.

É por essas e outras que não está fácil ampliar os programas sociais de médio e longo prazo como merecem. Olhando à frente, os Estados vão ter uma despesa obrigatória muito maior, sendo que boa parte do vento de cauda que os ajudou a recompor a receita não vai existir.

“O que se espera é que em 2026 haverá, em razão das eleições, expansão fiscal da União e dos Estados. Toda a gordura que ainda existe será queimada neste ano. A condição inicial para 2027 vai ser um caixa mais magro e mais despesas obrigatórias”.

·       Em 2019, o governo estadual de Goiás devia duas folhas e meia em salários a servidores e tinha débitos com 4,6 mil fornecedores. A situação afetava o atendimento em hospitais e a oferta de merenda nas escolas. O Estado devia a 246 municípios as transferências constitucionais de educação e saúde;

·       Assim como Goiás, também: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro,

·       A melhora nas contas desses estados foi favorecida por: maior transferência de recursos da União aos estados e municípios (IPI, Fundeb, Lei Kandir, emendas Pix...);

·       Exemplo: os repasses do Fundeb, com recursos para a educação, subiram de R$ 23 bilhões em 2019 para R$ 59 bilhões em 2025;

·       É um crescimento real de 30% em três anos, ou 10% ao ano, em média. Após a pandemia, o regime fiscal do país mudou. No caso de Estados e municípios, houve crescimento extraordinário da despesa. A perspectiva para as contas de Estados e municípios é de deterioração.

·       Nas contas de especialistas do Mercado Financeiro, o Brasil precisa de um ajuste fiscal de 2% do PIB, mais de R$ 200 bilhões, para estabilizar a dívida. Um choque para reduzir o endividamento em 02 anos exigiria esforço grande a curto prazo, difícil para qualquer governo aprovar. A pressão do Mercado Financeiro é previsível já para o próximo governo de 2027: desacelerar gasto/investimentos e apresentar plano crível para estabilização da dívida/PIB; mudar a regra do salário mínimo e endurecer o acesso ao BPC; reforma administrativa e uma nova reforma da Previdência. Quem faz conta estima que a dívida crescerá até 2035 e passará de 100% do PIB. É situação de risco grave!

Enfim, para o Mercado, 4 coisas nunca saem de moda: ajuste fiscal, controle de gastos, regulação para investimentos de boa qualidade e mecanismos de formação de poupança. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A força do Behaviorismo.

Psicologia antiga: Watson, Pavlov e Skinner.

O termo behavior” significa “comportamento”, isto é, qualquer resposta ou atividade observável realizada por um ser vivo.

Escola de pensamento fundada no início do século XX por John B. Watson (1878-1958), o behaviorismo é uma orientação teórica baseada na premissa de que a psicologia científica deveria estudar apenas o comportamento observável.

Foi assim que Watson tornou a Psicologia uma ciência do comportamento. Os psicólogos podem estudar qualquer coisa que as pessoas fazem ou dizem (como fazer compras, jogar xadrez, comer, cumprimentar um amigo), mas não podem estudar cientificamente os pensamentos, desejos e sentimentos que acompanham esses comportamentos. Watson propunha que os psicólogos abandonassem totalmente o estudo da consciência e focassem exclusivamente os comportamentos diretamente observáveis (o que a psicologia científica deveria estudar).

Também o fisiologista russo Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) provou a ideia de “condicionamento clássico”. Demonstrou como comportamentos e reflexos aprendidos podem ser gerados pela associação entre um estímulo neutro (ex: som) e um estímulo incondicionado (ex: comida). Animais e humanos podem ser condicionados a responder a estímulos anteriormente irrelevantes, influenciados por hábitos e reações automáticas. Ele mostrou que estímulos neutros, se pareados repetidamente com um estímulo natural (comida), passam a eliciar a mesma resposta automática (salivação), chamada de resposta condicionada. O sistema nervoso associa eventos externos com respostas fisiológicas. Seu famoso experimento foi o de treinar cães para salivar ao som de uma sineta, que era tocada toda vez antes de receberem alimento.

“Nossa evidência é de que não temos nenhuma evidência real sobre a herança de traços. Eu me sentiria perfeitamente confiante quanto ao resultado final favorável da criação cuidadosa de um bebê saudável e bem formado, descendente de uma longa linhagem de trapaceiros, assassinos, ladrões e prostitutas” (Watson).

Nessa direção seguiu um psicólogo de Harvard, o B. F. Skinner (1904-1990). Skinner não negava a existência de eventos mentais internos (tão caros aos psicanalistas), mas insistia que eles não podiam ser estudados cientificamente (seriam especulação vaga ou opinião pessoal ainda que por conhecimento exato e confiável). Daí surgiu o princípio simples e poderoso de Skinner: os organismos tendem a repetir as respostas que levam a um resultado positivo e a não repetir as que levam a um resultado neutro ou negativo. Assim, podemos exercer extraordinário controle sobre o comportamento de animais por meio da manipulação do resultado à suas respostas (até mesmo treinar animais para apresentar comportamento não natural). Para Skinner, todo comportamento é governado por estímulos externos, isto é, somos todos governados pelo meio em que vivemos, e não por nós mesmos quando acreditamos que nossas ações são o resultado de decisões conscientes. Portanto, o comportamento é determinado de maneira previsível por princípios válidos e o livre-arbítrio ou a liberdade é uma ilusão!

“De acordo com a visão tradicional, uma pessoa é livre... Ela pode, portanto, ser considerada responsável por seus atos e ser justamente punida quando quebra regras. Tal visão e as práticas a ela associadas devem ser reexaminadas quando uma análise científica revelar relações de controle inesperadas entre o comportamento e o meio” (Skinner).

E isso está correto? Não estão “desumanizando” demais? Como assim, as pessoas não serem donas de seus destinos? E onde ficariam as qualidades exclusivas do comportamento humano, como a liberdade e o potencial de crescimento pessoal? Assim como Freud (e sua ideia de que o comportamento é dominado por compulsões sexuais primitivas), Skinner foi alvo de duras críticas. Parte delas, decorrente de interpretações equivocadas e publicadas na imprensa popular. Por exemplo, suas análises do livre-arbítrio eram frequentemente interpretadas como um ataque ao conceito de uma sociedade livre – que não era. Apesar da polêmica e das desinformações, aqui estamos. Se somos ou não joguetes da nossa herança animal ou de circunstâncias ambientais, cabem ao nosso humanismo desmistificar, à nossa consciência dizer ou as terapias modernas desmascararem. O humano tem potencial e capacidade de crescimento, resta saber se o suficiente para lidar com as forças constantes dos estímulos-respostas.    

“Não tenho uma visão de Poliana da natureza humana... Contudo, uma das partes mais interessantes e estimulantes de minha experiência é trabalhar com [meus clientes] e descobrir as tendências direcionais fortemente positivas que existem neles, como em todos nós, nos níveis mais profundos” (Rogers).

Enfim, esses princípios descobertos por Watson, Pavlov e Skinner nas pesquisas com animais podiam ser aplicados também a comportamentos humanos complexos. Claro que uma visão tão desconcertante da natureza humana foi impactante, mas os caras cravaram o estabelecimento da psicologia como uma disciplina científica respeitada nas instituições de ensino. Hoje, são amplamente aplicados em fábricas, escolas, presídios, hospitais para doentes mentais e em uma variedade de outros ambientes. O próprio Watson se tornou um dos mais proeminentes profissionais da indústria da propaganda. Ele foi o pioneiro a apelar ao medo, aos testemunhos, à venda da “reputação” de produtos e à promoção de estilo sobre a substância, elementos que permanecem princípios básicos no marketing moderno.  

Sexo fatal.

 Canibalismo sexual...

Louva-deus fêmea come o macho depois do sexo para ficar mais fértil. O sacrifício conjugal do macho ajuda a propagar seus genes. Isto é, além do material ejaculado pelo macho (aumenta o esperma), a fêmea também usa a cabeça ou o corpo inteiro do finado para aumentar a produção de seus ovos. Fêmeas que comem os parceiros botam em média 88 ovos — 50 a mais do que as que não comem. O canibalismo post coitum do louva-deus não é uma regra geral: algo como 72% dos machos escapam.  E 60% das tentativas de cópula terminam com eles devorados – e sem sexo: as fêmeas só almoçam, mesmo. É por isso que os machos atacam preventivamente para imobilizar as fêmeas antes do ato (os que são dóceis morrem sem cópula). Mas, esses que viram refeição têm uma glória: aumentam bastante o número de descendentes — já que deixam mais ovos. Perdem a vida, mas propagam os seus genes.

Além do inseto louva-deus, o canibalismo sexual também ocorre entre alguns tipos de aracnídeos (aranhas e escorpiões). No ato sexual da aranha australiana Latrodectus hasselti, o macho posiciona seu abdômen junto à mandíbula da fêmea como se o oferecesse a ela. Esse suposto suicídio livraria o macho dessa espécie de uma existência difícil, já que normalmente o órgão sexual masculino se parte dentro da fêmea em pleno acasalamento.

Enfim, sexo nada frágil!


Outras curiosidades...


Mito x Filosofia.

 

1.     Mito: explica o presente através de um passado imemorial maluco.

Filosofia: explica o presente, o passado e o futuro em sua totalidade lúcida.

2.     Mito: é feito com narrativas de origem pautadas em rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas, pessoais.

Filosofia: é feita com explicação e produção natural das coisas por 04 elementos naturais primordiais e impessoais (água/úmido, fogo/quente, terra/seco, ar/frio), e seus movimentos de combinação, composição e separação.

3.     Mito: não se importa nem um pouco com contradições, incompreensões e fabulações – vale tudo, o plano é lunático (Kkkk). Afinal, a confiança e a crença vêm da autoridade do perfil do narrador (quem fala, não o que fala).

Filosofia: não admite nada disso, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional. A confiança e a crença brotam da autoridade da explicação (não na pessoa, mas na razão, que é a mesma em todos os seres humanos).

4.     Mito: é infantil, inocente, no sentido de jogar com o poder da imaginação/encantamento e criar mundos paralelos à realidade (encantamentos e certezas).

Filosofia: é adulto, maduro, no sentido de se infiltrar na realidade para conhecer, não acreditar (incertezas e desafios).

5.     Mito: presença de pais, físicos ou divinos, que preenchem e satisfazem a existência (sobre a morte, por exemplo).

Filosofia: vazio ou ausência de figuras terceirizadas, tem que lidar com as incertezas reais da existência.

Enfim, qual deles é mais confortável, meu povão?

Carnaval de Salvador, 2026.

Abadás x Pipocas.

684 trios elétricos, totalizando quase 1.600 horas de apresentações, com um público de 12 milhões de visitantes, passaram pelo Carnaval 2026 de Salvador, formado por três circuitos principais: Circuito Barra-Ondina (Dodô): mais turístico e elitizado; Circuito Campo Grande: mais tradicional e popular; Circuito Pelourinho: com mais manifestações culturais e blocos afros.

Com tanta gente e dinheiro circulando, o maior desafio é o de evitar que uma das maiores festas populares seja elitizada. A elitização do carnaval começa pelos abadás personalizados, idealizados por empresários que estão por trás dos principais blocos que capturam foliões endinheirados, oferecendo espaços pagos e serviços privilegiados, separados por cordas e mais próximos do trio.

“Alguns empresários se consideram os donos da fila e alugam as vagas a quem tem mais dinheiro” (Armandinho Macêdo).

Na resistência, seguem as Pipocas, os foliões que acompanham o cortejo de fora do espaço delimitado. Uma das artistas que arrasta esses foliões é Daniela Mercury.

“Temos uma história linda, muito clara, toda noticiada, documentada. A única que ficou de lá até aqui desfilando, 30 anos, apesar de tudo, fui eu. Então, por que a turma está antes de mim?” (Daniela Mercury).

Relacionando experiências individuais a contextos sociais, alcançamos uma visão mais ampla. Divertir-se no Carnaval é mais do que ir a uma simples festa. Essa diversão, aparentemente individual, conecta-se com tradições históricas, hierarquias sociais, expressões de resistência política e toda uma economia do entretenimento.

Enfim, o carnaval é um fenômeno social complexo. A festa popular que nasceu para unir, não pode segregar. A elite não se contenta em acumular riquezas, também se mete na alegria do povo. Não pode!

Aí vai um pouco de imaginação sociológica sobre o Carnaval...

A essência do Carnaval.

Metalinguagem carnavalesca.

Por que a escola de samba Viradouro levou a vitória do Carnaval carioca de 2026? Porque foi bem no alvo da festa: exaltou o seu mestre de bateria, a essência do Carnaval.

A pontuação foi perfeita, sem ter um décimo sequer descontado.

O tributo a Moacyr da Silva Pinto, o mais velho mestre de bateria vivo e ainda na ativa há 16 anos na escola, levou para a avenida o principal de tudo o que estava acontecendo ali – a própria cultura carnavalesca.

Para que esperar a saudade para cantar? Ora, quem venceu não foi apenas o sambista. Venceu o próprio Carnaval!

Enfim, “Para cima, Ciça!”. E foi!!!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Psicologia Social.

Como o pensamento dirige nosso comportamento? O que leva as pessoas a se agredirem ou a se ajudarem? Por que há conflitos sociais e de que forma podemos revertê-los? Como podemos transformar punhos cerrados em mãos cooperativas? Os grupos nos fazem mal? Quanto de nosso mundo social está somente em nossas cabeças? As pessoas seriam cruéis se assim ordenássemos? Ajudar? Ou se servir? Que situações fazem as pessoas serem prestativas ou gananciosas? Como os psicólogos sociais buscam explicações do pensamento social, da influência social e das relações sociais? E como eu e você poderíamos usar esses instrumentos analíticos para pensar de maneira mais inteligente?

Grandes ideias da Psicologia Social que nunca devemos esquecer:

1.     Construímos nossa realidade social e ela também nos constrói. Podemos reagir de maneira diferente a situações semelhantes porque pensamos de maneira diferente.

2.     Nossas intuições sociais e processamento inconsciente de informações com frequência são poderosas, mas às vezes enganosas e até perigosas. O pensamento também ocorre fora do palco, longe dos olhos. Pensamento, memória e atitudes operam em dois níveis: 1) consciente e deliberado; 2) inconsciente e automático. O processamento é dual. Sabemos mais do que sabemos que sabemos.  

3.     Influências sociais moldam nosso comportamento. É o poder da situação sobre nós. Como somos animais sociais, respondemos a nossos contextos imediatos.

4.     Atitudes e disposições pessoais também moldam nosso comportamento. Não somos folhas soltas, simplesmente levadas por este ou aquele caminho pelos ventos sociais. Disposições da personalidade também afetam o comportamento.

5.     O comportamento social é biologicamente enraizado. Nosso comportamento tem bases biológicas mais fortes do que supomos.

6.     Princípios da psicologia social são aplicáveis à vida cotidiana. Existem influências sutis que guiam nossos pensamentos e ações.

Enfim, a psicologia social é o estudo científico de como as pessoas pensam, se influenciam e se relacionam. Seus temas centrais incluem como interpretamos nossos mundos sociais; como nossas instituições sociais nos guiam e, às vezes, nos enganam; como nosso comportamento social é moldado por outras pessoas e por nossas atitudes, personalidade e biologia; e como os princípios da psicologia social se aplicam à vida cotidiana e a vários outros campos de estudo.

Ângulos da Vida.

 

Nem pura natureza, nem pura cultura, nem pura psicologia... Somos uma salada biopsicossocial!

A natureza (inata) e a experiência (adquirida) formam, juntas, quem somos. A biologia e a experiência, juntas, nos criam. O comportamento social é biologicamente enraizado!

Nossa natureza humana nos predispõe a nos comportarmos de modos que ajudaram nossos ancestrais a sobreviverem e a se reproduzirem. Levamos os genes daqueles cujos traços permitiram que eles e seus filhos sobrevivessem e se reproduzissem. A seleção natural pode predispor nossas ações e reações ao namorar e acasalar, odiar e machucar, cuidar e compartilhar. A natureza também nos dota de uma enorme capacidade de aprender a se adaptar a ambientes variados. Somos sensíveis e responsivos a nosso contexto social.

Apressados de plantão afirmam que somos esmagados pela cultura. Que o homem é um produto cultural inexorável, cabendo à Natureza apenas oferecer a matéria e a Cultura moldá-la. Todavia, nosso comportamento tem bases biológicas mais fortes do que supomos. A própria psicologia social do século atual vem trazendo um entendimento cada vez mais forte nessa direção, como a neurociência social: Que áreas cerebrais permitem nossas experiências de amor e desprezo, ajuda e agressão, percepção e crença? Como o cérebro, a mente e o comportamento funcionam juntos como um sistema coordenado? O que os tempos de ocorrência de eventos cerebrais revelam sobre nosso modo de processar informações? Enfim, há uma integração de perspectivas biológicas e sociais que explora as bases neurais e psicológicas dos comportamentos sociais e emocionais. 

Muitos de nossos comportamentos sociais refletem uma sabedoria biológica profunda. Desse modo, todo evento psicológico (todo pensamento, toda emoção, todo comportamento) é simultaneamente um evento biológico. É isso que torna possível examinar a neurobiologia subjacente ao comportamento social. Entretanto, isso não quer dizer que comportamentos sociais complexos (como ajudar e ferir) sejam reduzidos a mecanismos neurais ou moleculares simples. Não, não é isso! Significa que, para compreender o comportamento social, devemos considerar tanto as influências sob a pele (biológicas) como aquelas entre as peles (sociais). A mente e o corpo não é uma coisa contra a outra, mas um grande sistema.

Exemplos:

·       Os hormônios do estresse afetam como nos sentimos e agimos;

·       O ostracismo social eleva a pressão arterial;

·       O apoio social fortalece o sistema imune, que combate doenças.

Enfim, somos organismos biopsicossociais. Refletimos a interação de nossas influências biológicas, psicológicas e sociais. Assim como a soma dos ângulos internos de um triângulo formam 180º, a nossa tríade Bio-Psico-Social forma quem somos. Às vezes, e em determinadas condições, um ângulo pode se abrir ou fechar mais, mas ele nunca anulará ou excluirá os outros ângulos. E é sob a perspectiva de diversos ângulos que devemos entender quem somos e como nos comportamos.