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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 23 de março de 2026

O "não-Ser".

 

Já era o “solucionismo tecnológico”. Já é “ceticismo tecnológico”. Já vem o “acelerismo tecnológico”?

A humanidade não tem nada de especial, sobretudo quando deparada com a existência da morte, o que mostra que somos limitados. Seu destino é ser substituído por tecnologias inteligentes.

O capitalismo em si é a primeira forma de inteligência artificial. Ao avançar, toma decisões para perpetuar a si próprio, sem apego nenhum ao ser humano, suas tradições e instituições. Tudo é consumível no seu movimento prometeico.

O que se mostra hoje é que o capitalismo não precisará mais do trabalho humano. A Inteligência Artificial vai eliminar 75% dos empregos. Será capaz de produzir e avançar sozinho, tornando os humanos finalmente supérfluos. Isso é aceleracionismo.

Então, a principal forma de agência humana não seria justamente sua oposição ao capitalismo? A humanidade não é central? Ou a nossa salvação passará a vir daquilo que só o diabo pode oferecer?

Arquivos...

 A persistência da memória... 

A preservação da memória e o acesso a informação são bases para a construção de um futuro mais auspicioso para o País.

Arquivos são centros de cidadania, transparência e memória.

Preservar a memória é condição indispensável para a vivacidade de uma sociedade democrática. Até hoje, por exemplo, o país peleja para lidar com as cicatrizes de seu passado autoritário e imensurável. Sofremos não só o risco do esquecimento, mas também da distorção oportunista da verdade factual, a depender das vontades dos poderosos de ocasião.

Não formam uma nação os cidadãos que são incapazes de chegar a consensos mínimos sobre sua história e objetivos comuns, baseados em fatos reconhecidos como tais por todos.

Enfim, em tempos de revisionismos convenientes e ampla disseminação de desinformação, é fundamental existir e modernizar órgãos de Arquivos Públicos. É preciso assegurar a integridade e a acessibilidade dos registros históricos. Afinal, o futuro de uma sociedade que maltrata sua própria memória jamais será promissor.

Colocações cirúrgicas!!!

 

·       Avanço da tecnologia para realizar transações financeiras, como o Pix, e a redução de custos eliminam 37% das agências bancárias em 10 anos. Introdução de instrumentos como Pix (que revolucionou o mercado de pagamentos) e redução de gastos dos bancos fazem com que 48% das cidades não tenham mais unidades físicas, onde 27% dos pagamentos são realizados. Hoje, há pouco mais de 14 mil estabelecimentos do tipo no país. São 48% dos municípios nessa situação, o que afeta o equivalente a 9% da população. Culpados são os bancos, que buscaram maximizar lucros em detrimento do atendimento à população, particularmente os mais pobres e idosos, que tendem a usar mais serviços físicos. Nos EUA, por exemplo, a rede bancária física segue em expansão devido ao menor entusiasmo com os serviços digitais. 

·       Sobre o Banco Master. É importante frisar que a investigação das irregularidades no Banco Master foi aberta pelo atual Governo Lula. Veja o montante de desvio de aposentadorias do INSS que o governo buscou investigar a raiz e o ressarcimento dos prejudicados. E tudo começou lá atrás, nas doações de campanha feitas pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Isso explica a crise de liquidez do Banco, com R$ 127 milhões em obrigações de curto prazo a vencer, mas apenas R$ 4 milhões em caixa, sem falar dos R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios em atraso. Ora, como um banco de R$ 80 bilhões que deveria ter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa?  

·       A escassez hídrica não decorre apenas de fatores climáticos, mas principalmente a partir de sucessivas omissões em seu enfrentamento. Os dados mostram, em SP, que a perda de água entre as estações de tratamento e as torneiras da população continua acima de 35%. E os reservatórios, em níveis críticos. Urgem providências em todos os sentidos, porque sem água a vida se precariza terrivelmente. 

·       Aprovação geral de Trump atingiu o menor nível desde o segundo mandato: 38%. O ex-presidente Obama tem toda razão!

·       O Estado democrático só é possível se há confiança dos cidadãos nas instituições. É justamente essa confiança que más condutas individuais põem em risco. 

·       A democracia deixou de se apoiar em consensos tácitos e passou a depender de atenção contínua, cooperação institucional e reconhecimento social ativo. As eleições de 2026 são um teste silencioso de sustentação democrática. Além de se defender dos ataques explícitos às instituições, é preciso, sobretudo, preservar a legitimidade do processo eleitoral. Isso equivale a atravessar ambientes com ruído informacional constante, fadiga institucional acumulada e disputas recorrentes sobre o significado de autoridade, verdade e derrota política. Lutar contra a reconfiguração narrativa, a diluição de responsabilidades, a relativização da gravidade dos ataques, o questionamento de decisões judiciais, a fragilidade da autoridade legítima, a dúvida sobre resultados eleitorais verídicos, a disseminação coordenada de desinformação (destaque para ferramentas de IA generativa que produz maciçamente conteúdos sintéticos capazes de simular documentos, imagens e falas), discursos de ódio e campanhas de deslegitimação institucional, falsidades pontuais, fragmentação da própria ideia de realidade compartilhada, ameaças como cotidiano político e as manobras do vocabulário ambíguo da conciliação. A democracia brasileira enfrenta esses desafios a partir de suas próprias fragilidades históricas, desigualdades persistentes e déficits de confiança institucional.  Enfim, o maior perigo democrático é o da erosão progressiva da confiança pública. Por isso, é preciso fortalecer seus mecanismos de autoproteção, preservando sua legitimidade num ambiente de desgaste contínuo. 

·       A economia brasileira enfrenta desafios colossais, dos efeitos do clima na agricultura às incertezas associadas a Donald Trump.

·       Não pode haver dúvidas sobre a correção dos dados do PIB porque são eles que: definem juros, avaliam investimentos, definem salário mínimo, desenham políticas públicas. Medir geração de riqueza é uma questão de natureza intrinsecamente técnica. Logo, técnicos precisam de independência para trabalhar com isenção. 

·       Veja só, “civilização” depende de cidades. Não só. Depende também de escrita operante, como as encontradas na egípcia, mesopotâmica, chinesa, maia ou alfabética. Leis e direitos. Civilização implica superar preconceitos e orgulhos, tais como esses que vêm nas tentativas de localizar as origens do mundo moderno muito profundamente apenas na história europeia ou só pensar no mundo moderno como algo que só pessoas com deficiência de melanina poderiam fazer. 

·       Esses candidatos encenam “boas e más” ações nas pastas que comandaram para delas se valer como influência eleitoral. O uso da máquina pública para autopromoção é abusivo. Cada suposto gesto social é um comício. Situação e oposição fazem uso do mesmo expediente infrator e, talvez por isso, nem se acusem mutuamente, pois todos se tornam parceiros na transgressão. É o uso e o abuso do poder no exercício dos cargos. Nem existe mais constrangimento em desobedecer a Constituição, quando o quesito é separar atividades administrativas e ações eleitorais. Cadê a Justiça Eleitoral?

·       Maus-tratos e negligência ficam ainda piores num serviço público ou privado, pois se tornam violência institucional. O que está na Constituição não cabe dificultar, constranger, interrogar ou agir como polícia. Isso só serve para constatar que uma vida também é esmagada por causa da engrenagem de moralismo e incompetência, graças às bancadas conservadoras. Aquela que troca a legalidade por métodos de coerção e de controle.

·       A Lei 9.605/98, que trata de crimes ambientais, estabelece detenção de 03 meses a 01 ano, além de multa, a quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados. Quando se trata de cão ou gato, a pena é maior: reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. A internet está cheia de fotos e vídeos de animais maltratados deliberadamente, imagens repugnantes feitas para atrair audiência dos insensíveis.

·       As negociações políticas não podem destruir a reputação dos partidos. Estes, precisam ser confiáveis e genuinamente dedicados ao bem público. Ter 20 partidos e poucos com diferencial? Cidadãos de bem, confiáveis e competentes, longe de serem atraídos para a carreira eletiva, passaram a vê-la como uma substância pegajosa, que suja a biografia de quem nela se mete. Onde deveria haver partidos, há um agrupamento informe de mediocridades e de espertalhões interessados apenas em abocanhar pedaços do erário.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Percepção distorcida.

 

A taxa de desemprego está em nível historicamente baixo. A inflação claramente desacelerou no Brasil nos últimos meses, também reduziu o preço dos alimentos. O PIB brasileiro cresceu três anos seguidos acima dos 3% até 2024. No ano passado, 2025, cresceu honroso 2,3%, com ganhos reais da renda do trabalho.

PIB e renda em alta, inflação e desemprego em baixa. Apesar das melhorias, por que ainda há um abismo entre os indicadores macroeconômicos e a percepção da população?

Porque a ordem do capital é hierárquica, ascendente e pautada entre pêndulo de comparações. Quem tem, quer sempre ter mais. A referência é sempre um passo à frente (nunca ao lado ou em modo satisfação). Não há percepção que fique satisfeita em um sistema econômico pautado na ganância. Por mais que melhoremos de vida, nossa percepção moldada pela mídia e pela propaganda do consumo vai sempre dizer que não temos o suficiente e precisamos de mais.

A percepção distorcida é um fenômeno psicológico onde a realidade é interpretada de forma enviesada ou irreal devido a fatores emocionais, cognitivos ou neurobiológicos. Envolve padrões de pensamento disfuncionais, ansiedade, ou traumas que alteram como fatos, tempo ou autoimagem são processados, frequentemente gerando sofrimento e interpretações exageradas ou falsas do mundo.

Ora, como a mídia faz isso? A) expõe eventos de forma exagerada: "tudo ou nada", "catastrofização";  B) Autoimagem drasticamente diferente da realidade; C) produzindo a ansiedade patológica faz o cérebro focar em ameaças, interpretando situações neutras como perigosas (muito medo); D) Sensação de que o tempo passa rápido ou devagar demais, dificultando o planejamento; E) Ativando gatilhos ou traumas, que visam dificultar a separação entre memórias dolorosas de situações atuais seguras.

Enfim, os índices macro mostram o bom estado geral da economia. A percepção da população, distorcida pela mídia e pelo capital, capta a situação real de cada um. O bode expiatório ronda o preço dos alimentos, a aquisição da casa própria e o poder de compra dos brasileiros. Cuidado, é isso que influencia a decisão de voto!

domingo, 15 de março de 2026

Formação Nº 04: educação de meninos.

 

O combate a discursos e comportamentos violentos contra a mulher se tornou um imenso desafio da educação – em casa e nas escolas.

Como educar meninos nessa questão?

·       Desconstruir a noção tradicional de masculinidade;

·       Os casos diários da brutalidade de homens no assassinato de mulheres revelam o quanto eles são incapazes de suportar a rejeição feminina, muitas vezes após relações marcas por violência.

·       Há uma dimensão histórica e subjetiva em jogo, que mexe com questões econômicas e de subsistência, bem como do poder delas advinda. Desde as décadas de 1960 e 1970, o empoderamento feminino rompeu com a tradição patriarcal que confinava as mulheres às posições de esposa e mãe, como se fossem propriedade masculina. A autonomia feminina desestabilizou uma ordem secular. Para alguns homens, essa transformação é vivida como perda intolerável de poder e identidade. O que se abala é a fantasia da onipotência patriarcal. Socializado como superior, o homem experimenta a recusa como humilhação narcísica e ameaça ao seu lugar simbólico.  

·       A identidade masculina tradicional constrói-se sobre uma expectativa de privilégio, forjada desde as primeiras relações afetivas. Quando, na vida adulta, esse lugar imaginário parece ruir, a frustração pode converter-se em ódio e violência. Assim, o feminicídio revela não apenas desigualdade social, mas uma crise na própria forma como a masculinidade foi historicamente construída. Seu enfrentamento exige punição rigorosa – mas não só. Impõe transformação cultural profunda, começando pela educação e pela estrutura familiar, para que meninos não sejam formados sob a lógica de superioridade, mas sob a experiência do limite, da diferença e da igualdade.

·       O que significa ser homem hoje com H maiúsculo? Deveria significar ser grande e forte o suficiente para aceitar limites, conviver com diferenças e permitir a igualdade. Mas, se ainda significar dominar, possuir ou não tolerar a recusa, continuaremos produzindo tragédias silenciosas e repetidas. Enquanto a vida das mulheres e de todos os mais vulneráveis permanecer ameaçada, nossa democracia seguirá incompleta. 

·       Romper com padrões históricos e culturais;

·       Combater discursos e a violência de gênero;

·       Formar rompendo estereótipos: de virilidade, de controle/poder/dominação, de invulnerabilidade emocional e ameaçadora, de masculinidade tóxica e abusiva;

·       Conscientização sobre o respeito às mulheres;

·       Um processo educativo baseado em respeito, equidade e responsabilidade social;

·       Incentivar a proteger e a cuidar, entregando homens íntegros à sociedade;

·       Desnaturalizar a agressividade e a violência;

·       Discutir igualdade de gênero, respeito e convivência;

·       Romper com a ideia de que, se meninos demonstrarem tristeza, medo ou fragilidade, pode ser sinal de fraqueza, o que só favorece a repressão emocional. Daí, quando emoções como frustração, rejeição ou insegurança não encontram formas saudáveis de expressão, eles podem se manifestar com raiva, agressividade ou necessidade de reafirmação de poder, especialmente em relações afetivas;

·       Comportamentos violentos e machistas muitas vezes são ensinados ainda na 1ª infância, com comentários que parecem inocentes e sem pretensão;

·       Lidar com as pressões sociais para criar meninos de forma “mais dura” ou “menos sensível”;

·       Por um discurso na criação de filhos de empatia e respeito;

·       Desconstruir a cultura machista na educação doméstica;

·       Fazer o exercício constante de gerar reflexão sobre o que se escuta: é correto? É admissível? Está dentro da Lei?

·       Realizar trabalhos onde os estudantes precisam pesquisar sobre: atletas brasileiras, poesia de mulheres negras brasileiras, discutir sobre os Direitos Humanos, práticas de debates e rodas de conversa sobre igualdade de gênero, respeito e violência contra a mulher.

·       Saber lidar com a resistência por parte dos pais e da comunidade escolar quando o assunto é igualdade de gênero ou educação sexual – muitas vezes permeadas por crenças culturais e/ou religiosas;

·       Realizar um diálogo aberto sobre a necessidade de orientar os mais jovens sobre esses assuntos, sempre trazendo evidências da importância desses temas para o desenvolvimento saudável;

·       Assegurar a educação em Direitos Humanos, com temas integradores como relação de gênero e sexualidade;

·       Ampliar o pensamento crítico da comunidade escolar através de dinâmicas pedagógicas que questionem as normas sociais geradoras da desigualdade de gênero;

·       Com projetos, oficinas e rodas de conversas, além da formação de professores;

·       Respeito envolve responsabilidade afetiva, obediência e aprender a ser;

·       Prevenção à violência contra meninas e mulheres e à inclusão socioprodutiva;

·       Romper com a ideia de que os homens devem ter autoridade sobre as mulheres. As mulheres têm autonomia para recusar uma relação ou impor limites, e isso não é uma ameaça à identidade dos meninos;

·       Mudanças na socialização dos meninos;

·       As meninas precisam saber a reconhecer o que é problemático – o que não deve aceitar e como merece ser tratada;

·       Os pais precisam monitorar o uso da Internet pelos filhos, pois os meninos estão sujeitos a conceitos de comunidades como as do movimento Red Pill (grupo online que dissemina ódio contra mulheres, as tratando como inimigas ou inferiores).

Enfim, os homens fazem parte desse debate e precisam se responsabilizar, fazer parte da luta! Afinal, o número de processos criminais sobre violência doméstica no Brasil bateu o recorde na década. De 2016 a 2025, foram registrados ao todo 6,5 milhões de processos, uma média de 01 caso por minuto. Somente no ano passado foram 780 mil ações. A maioria das ações judiciais trata de medidas protetivas, mecanismo previsto na Lei Maria da Penha. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

O sexto campo de batalhas.

 Guerras cognitivas.

Há um novo domínio em que são travadas as guerras. Além dos tradicionais terra, mar e ar e dos recentes espaço e ciberespaço, também tem o “domínio cognitivo”.

A guerra cognitiva é um conflito que se trava a cada momento na difusão da informação. A mente humana é seu principal campo de batalha. 

Nas últimas décadas, viemos assistindo aspectos psicossociais de cada sociedade e a manifestação diária nos diversos meios de comunicação, que ganharam velocidade com o advento da internet e se tornaram a cada dia mais insidioso com a inteligência artificial (IA).

Podemos citar três exemplos em que essa guerra cognitiva se materializa, de forma explícita:

1)     Cotidianamente nas redes sociais, onde circulam conteúdos fraudulentos para atingir todo tipo de adversário, sejam indivíduos, países, empresas ou instituições;

2)     Nos países democráticos, onde a população vota periodicamente, o choque entre diversos discursos para convencer o eleitorado;

3)     A baixa qualidade da educação no Brasil deixa a maior parte da população vulnerável à enxurrada de desinformação que circula pela internet. Está em jogo não apenas uma disputa política, mas o controle da mente numa sociedade desigual também na capacidade de discernimento diante do que é verdade ou mentira. Por isso investir em educação não é essencial apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a defesa nacional e para a preservação das liberdades e da democracia.

Nesse campo da “guerra mental”, travam-se disputas em que se busca para o MAL: aguçar a polarização nas sociedades, minar a confiança em governos, manipular o discurso público, influenciar eleições e desestabilizar regimes democráticos por meio de campanhas de desinformação. São ameaças híbridas que visam a espalhar desinformação por meio de manipulação digital.

Por outro lado, o ângulo do BEM: a arma mais eficaz é a formação dos cidadãos. A Educação tornou-se crítica para defesa nacional e preservação da democracia. A melhor defesa é o preparo das mentes atingidas, através da formação. Só uma população bem instruída é capaz de se proteger contra manipulações que, em última análise, podem colocar em risco seu projeto nacional de perpetuar a democracia. 

domingo, 1 de março de 2026

Formação Nº 03: A tecnologia é serva.

 A tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.

A humanidade testemunhou muitas mudanças tecnológicas que alteraram o curso da civilização. A inteligência artificial (IA) está no mesmo patamar do fogo, a escrita, a eletricidade e a internet. Mas, com a IA, mudanças que antes levavam décadas podem ocorrer em semanas e impactar o planeta inteiro. Ela está tornando as máquinas inteligentes, mas é ainda mais um multiplicador de forças para a intenção humana.

É preciso colocar o bem-estar humano no centro da conversa global sobre IA. A infraestrutura pública digital precisa chegar a todos. Dos pagamentos digitais à vacinação contra a Covid-19, até a agricultura, segurança, assistência a pessoas com deficiência e ferramentas para a população multilíngues.

Os seres humanos jamais devem se tornar meros pontos de dados ou matéria-prima para máquinas. Em vez disso, a IA deve se tornar uma ferramenta para o bem global, abrindo novas portas para o progresso no Sul Global. A governança da IA precisa estar centrada no ser humano, em valores humanos no século XXI, pois a tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.

O futuro da IA deve assentar sobre a base da confiança. Seus princípios precisam ser: 1) sistemas morais e éticos; 2) governança responsável; 3) soberania nacional; 4) acessível e inclusiva; 5) válido e legítimo. A inteligência coletiva é a maior força da humanidade. Logo, precisa ser compartilhada adequadamente.

Como as sociedades democráticas enfrentam riscos de deepfakes e desinformação, além do excesso de conteúdos gerados por sistemas generativos, soluções precisam ser tomadas:

1.     Criar padrões comuns para marcas d´água e verificação de origem;

2.     Exigir legalmente a rotulagem clara de conteúdo gerado sinteticamente;

3.     Os sistemas de IA devem ser construídos com salvaguardas que incentivem o envolvimento responsável e guiado pela família, refletindo o mesmo cuidado que dedicamos aos sistemas educacionais em todo o mundo;

4.     Humanos e sistemas inteligentes irão cocriar e coevoluir. Profissões novas surgirão;

5.     Incentivar e capacitar os jovens, promovendo a requalificação e o aprendizado ao longo da vida;

6.     O ambiente ideal para a inovação inclusiva é o da diversidade, da democracia e do dinamismo demográfico. Projete e desenvolva! Entregue ao mundo. Entregue à humanidade!


Uso de IA na Universidade.

Benefícios e riscos.

Das 69 universidades federais brasileiras, quase metade já tem código ético para IA. A regulação de seu uso na educação desafia governos do mundo todo, afinal, a ferramenta tem capacidade de ler e interpretar textos. Vejamos alguns dos riscos e benefícios:

1)     Regras prezam por transparência e proteção de dados.

2)     Guias com normas de uso para alunos, professores e pesquisadores.

3)     Comissões institucionais sobre o tema.

4)     A necessidade de transparência na utilização.

5)     O cuidado no compartilhamento de informações.

6)     A utilização de IA em avaliações sem autorização configura “plágio ou cola”.

7)     Tecnologia é usada para burlar trabalhos e exames.

8)     A IA tem enorme potencial para ajudar alunos e professores a dar às regiões hoje periféricas e menos assistidas do país acesso a conteúdos e conhecimentos ainda restritos às mais privilegiadas.

9)     Nem sempre os sistemas de IA são confiáveis, e no fim deve caber ao usuário – professores e alunos – distinguir o certo do errado, dos pontos de vista técnico e ético.

10) Ela promete acelerar e aprimorar o aprendizado nas escolas e universidades.

11) A IA tem se tornado uma ferramenta usada por estudantes para confeccionar trabalhos ou mesmo burlar exames e avaliações.

12) Seja para corrigir testes de múltipla escolha ou usada na formulação de planos de aula, toda produção com seu auxílio precisa ser identificada (notificar de que a IA foi empregada na produção de conteúdos).

13) É preciso proteger a integridade acadêmica.  

14) Adotar normas em todas as esferas de governo para garantir integridade dos dados, transparência e defesa da privacidade.

O avanço da IA na educação é um dos raros momentos em que países de todos os níveis de desenvolvimento estão no mesmo estágio. O Brasil não pode perder a oportunidade de trocar informações em escala global. Poderá, ao mesmo tempo, ajudar e ser ajudado.

Enfim, é preciso fazer uma regulação eficaz da IA, levando em conta os impactos éticos e jurídicos dessa nova tecnologia. Um dos princípios plausíveis é atribuir ao usuário a responsabilidade pelo seu uso. É preciso treinar professores e trabalhar na produção de guias e manuais instrutivos. O ato de pensar sempre prevalece, acompanhado de muita conscientização. 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Debates Políticos – 2026.

 

1. “Herança maldita”: Sim, a culpa é da gestão passada de Bolsonaro, por alguns déficits do governo Lula.3. A gestão passada promoveu uma espécie de estupro das contas públicas, o que explica as dificuldades fiscais do Governo. De qualquer modo, o Estado deve ser o motor do crescimento e essa é a direção: benefícios e reajuste do salário mínimo, concessão de renúncias fiscais a Estados e Municípios comprometidos com o social, manutenção e fortalecimento de estatais, incentivo ao crédito, investimento em programas sociais e aumento de subvenções. 

2. Imagine usuários tendo seus dados armazenados por empresas privadas de Tecnologia, como quer o pré-candidato ao Planalto, Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná, ao defender a privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar)? O Ministro Dino acertou de novo ao suspender o ato. Ora, se empresas estatais de tecnologia têm dificuldades em competir com a iniciativa privada, o que precisamos fazer é fortalecê-las, não privatizá-las! Como ficará a proteção de dados dos paranaenses uma vez entregues a empresários? Qual a garantia que se tem do não repasse desses dados pessoais sensíveis a empresas privadas? Se ele pensa assim para o cidadão do Paraná, imagina o que virá para o povo brasileiro?

3. Entre outras commodities, a soja enriquece muito empresário. Na bancada do Agro no Congresso, ela é bastidor de disputa da categoria. Nas últimas décadas, a soja do Brasil triplicou em produção, mas a logística de transporte não. Quem deve investir em infraestrutura para fazer a carga escoar? Ainda prevalecem os portos do Norte e Nordeste (e a BR-163: Arco Norte). É sabido que 66% de tudo o que é transportado no Brasil acontece em cima de um caminhão (com a guerra no Oriente Médio e os impactos nos combustíveis, a queda na importação do diesel (-60%) faz o preço do combustível ofertado pela Petrobrás disparar, bem no início da colheita da supersafra de soja - entendeu um dos motivos da Petrobras entrar nos debates do Mercado Financeiro?). 2/3 de toda a soja brasileira vão para o exterior (o que sobra para o Brasil e os brasileiros nessa história?). Quase 30% saem só do Mato Grosso. O mundo compra tanta soja porque é a base da alimentação asiática. Ela é matéria-prima para o óleo, farelo de soja pra ração geral, vira emborrachados, presente nos pneus e fertilizantes que compramos de volta. Enfim, gargalos logísticos x prioridades de investimentos estão nos bastidores da política.

4. Preço baixo do cacau preocupa produtores do Sul da Bahia. 1 arroba da amêndoa do cacau agora está em R$150 quando chegava a R$900. Em parte, isso se deve ao grande volume de cacau importado da África (Costa do Marfim e Gana). Ocorre manifestação em Ilhéus contra isso, que afeta o emprego (caem 6 trabalhadores para 1 na área). Qual a real necessidade dessa importação? Competir com o chocolate europeu? Enfim, aqui está um caso que ilustra “a lei da oferta e dea procura” do Mercado.

5. Governo Lula define divisão de R$ 30 bilhões em investimentos em projetos estratégicos para Forças Armadas, como as urgências contratuais dos programas nuclear. O valor está fora da meta fiscal previsto para os próximos 6 anos: Marinha (desenvolvimento de submarinos), Força Aérea Brasileira (caças Gripen) e Exército (blindados). Parecia que não, mas a ampliação dos recursos se faz urgente, sobretudo após a operação conduzida pelos EUA para capturar Nicolás Maduro (Venezuela), algo inédito na região. 

6. O Oscar e o “Agente Secreto", bem como “Ainda Estou Aqui”, levaram a nossa cultura, a nossa língua e a nossa história para o lugar mais alto do cinema global, e com recursos federais de políticas públicas para a cultura. 

7.     Na campanha, o presidente Lula deve focar em divulgação de ações apenas deste ano (Lula.3) ou de toda a sua gestão (Lula.1-2-3)? Nosso Senhor do Bom Começo ou Nosso Senhor do Bom Fim?

8.     Há uma forte expectativa da extrema-direita em atrair atentados terroristas para o Brasil, alimentando células violentas. No Rio de Janeiro, bomba em ponto de ônibus explode e deixa 8 feridos. O intento da mídia é explorar uma agenda de segurança mais dura no país. 

9.     Humor pré-eleitoral: é marcado por insegurança e desânimo. A maioria dos brasileiros se diz insegura (69%), desanimada (61%) e com medo do futuro (61%) quando pensa no país. Receio da extrema-direita retornar ao poder. 

10. Por que o veto a militares da ativa no governo está travado no Congresso desde 2024? Porque o tema deixou de ser prioridade do Centrão, em uma Casa conservadora  e capitalizada, movida por interesses de parlamentares da (extrema) direita. Ora, a tramitação dessa PEC que proíbe militares da ativa de ocuparem cargos civis nos Executivos das três esferas já deveria ter se consolidado. Afinal, o 8 de Janeiro de 2023 já demonstrou a sua necessidade. 

11. É nítida uma direita populista investindo com força contra o STF, tentando minar sua imagem, gerar desconfiança dos brasileiros na Corte e desgastar o Judiciário com o caso Master. 

Formação Nº 02: Violência coletiva.

O ser humano é o animal que mais mata indivíduos da própria espécie. Sim, somos nosso pior inimigo!

Há traços de conflitos gerados na disputa pela predação na pré-história, mas a suposta “selvageria” dos seres humanos pré-históricos é um mito. A violência coletiva se desenvolve com/pela produção e expropriação da propriedade privada, que gerou uma mudança radical nas estruturas sociais e fez surgir as desigualdades econômicas e as classes sociais.

Guerras sempre foram comuns (são pré-históricas) e continuam a nos assolar. Mas, elas pioraram quando deixamos nossa vida nômade de caçadores-coletores, entre 15 mil e 5 mil anos atrás, em diferentes regiões do planeta. Situamo-nos nas épocas que surgiram as cidades e a agricultura.

Foi nessa época que os humanos ocuparam territórios determinados e acumularam bens, como depósitos de mantimentos, que atraiam a cobiça de outros grupos. Não mera coincidência, foi bem nessa época que surgiram os exércitos, no início grupos armados, como as quadrilhas de hoje.

·       Há relatos históricos e esqueletos com crânios esfacelados e outras evidências físicas de violência na pré-história, mas não era uma violência coletiva com dimensões de guerras comuns;

·       “Mass graves”: locais onde dezenas ou centenas de corpos com sinais de violência foram enterrados juntos, os ossos empilhados de maneira desordenada, mas nada se compara às covas enormes onde os nazistas depositaram os restos de judeus exterminados durante a 2ª Guerra Mundial;

·       Dezenas de locais como esses já foram encontrados e muito contêm corpos enterrados até milhares de anos antes de Cristo. Nesses túmulos coletivos geralmente são encontrados esqueletos de homens, mulheres e crianças, quando uma vila era dizimada, ou só de homens, quando os mortos eram resultado de uma batalha entre exércitos;

·       As mulheres eram capturadas para fim reprodutivos ou eram escravizadas com as crianças. Causou surpresa a descoberta de um túmulo coletivo no norte da atual Sérvia (próximo da cidade de Gomolava), contendo esqueletos principalmente de mulheres e crianças mortas de forma violenta (um feminicídio 750 a.C.);

·       A violência coletiva surgiu com a sedentarização das comunidades e a transição de uma economia de predação para uma de produção. Diversas razões podem explicar essa ausência de guerras coletivas intensas na pré-história – uma população pequena, um território de subsistência suficientemente rico e diversificado, a falta de recursos e uma estrutura social igualitária e menos hierárquica. Entre esses pequenos grupos de caçadores-coletores nômades, a colaboração e o apoio mútuo entre todos os membros do clã eram necessários para sua sobrevivência. Além disso, um bom entendimento entre eles era essencial para garantir a reprodução e, portanto, a descendência. A suposta “selvageria” dos seres humanos pré-históricos é, assim, apenas um mito;

·       Da predação à produção: vestígios de atos de violência são mais frequentes no período neolítico. Esse período foi marcado por muitas mudanças de natureza diferente. Mudanças ambientais (aquecimento global); econômicas (domesticação de plantas e animas, busca por novos territórios, excedente e armazenamento de alimentos); sociais (sedentarização, explosão da população local, surgimento de castas e de uma elite) e, no final do período, religiosas (deusas deram lugar a divindades masculinas). A mudança na economia (da predação à produção), que levou a uma mudança radical nas estruturas sociais desde o início do período, parece ter desempenhado um importante papel no desenvolvimento de conflitos. Diferentemente da exploração de recursos na natureza, a produção de alimentos permitia a opção de um excedente de alimentos, o que deu origem ao conceito de propriedade – e, consequentemente, ao surgimento de desigualdades.

·       As origens da guerra parecem estar correlacionadas com o desenvolvimento da economia de produção, que desde o início levou a uma mudança radical nas estruturas sociais.

·       A violência não está gravada em nossos genes. Seu surgimento tem causas históricas e sociais – o conceito de “violência primordial (original)” é um mito. A guerra não é, portanto, inseparável da condição humana, mas sim o produto das sociedades e das culturas que geram. Como mostram os estudos das sociedades humanas primitivas, quando confrontados com crises, uma comunidade é mais resiliente se for baseada em cooperação e apoio mútuo, em vez de individualismo e competição.

·       Quanto à realidade da vida de nossos antepassados, ela provavelmente está em algum lugar entre duas visões – ambas míticas – a hobbesiana e a idade de ouro do florescimento humano, imaginada pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.

Enfim, a violência e a coragem de matar pessoas desprotegidas, como mulheres e crianças, não é causada unicamente pelo ambiente em que vivemos nas sociedades atuais. Mas, foi ampliada pelos sistemas de acúmulo e competição que montamos para nelas sobrevivermos. Essa violência faz parte de nossa história profunda e nos persegue desde nossa pré-história. Isso não quer dizer que é impossível combatê-la, mas mostra quão difícil é essa tarefa.