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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 7 de junho de 2026

05 grandes aflições...

 05 grandes aflições da Sociedade Brasileira: 

1.     As grandes desigualdades e exclusões;

2.     Ausência de direitos;

3.     O autoritarismo social (todas as relações sociais buscam assumir a forma da relação entre um superior que manda e um inferior que obedece);

4.     Ausência de pensamento (adesão completa ao que é veiculado e difundido pelos meios de comunicação);

5.     O controle da IA e outros aparatos tecnológicos pelos senhores do capital e da guerra.

Sobre a Universidade Pública...

 

A Universidade Pública deveria ser uma instituição social, não uma organização pautada no modelo de empresa.

Uma organização empresarial é caracterizada por uma estrutura de gestão e de arbitragem de contratos, avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível, com estratégias e programas de eficácia organizacional e, portanto, pela particularidade e instabilidade dos meios e dos objetivos.

No curso da história, a universidade foi sofrendo brutalmente os ataques do capitalismo e do neoliberalismo. Nos anos 1970, foi pressionada a ser uma universidade voltada para o mercado de trabalho (funcional); em 1980, uma universidade voltada para as empresas (de resultados); em 1990, uma universidade voltada apenas para si mesma (operacional).

Onde ficou aquela universidade clássica, voltada para o conhecimento e a formação intelectual? O que fizeram com o tempo e o espaço para a reflexão, a crítica, o exame de conhecimentos instituídos, sua mudança ou sua superação? A atividade cognitiva enquanto pesquisa está sendo potencializada ou evitando sua realização?

Por uma universidade que entenda a investigação de algo que nos lança na interrogação; que nos pede reflexão, crítica, enfrentamento com o instituído, descoberta, invenção e criação; entenda o trabalho do pensamento e da linguagem para pensar e dizer o que ainda não foi pensado nem dito; por uma visão compreensiva e totalidades e sínteses abertas que suscitam a interrogação e a busca; enfim, por uma ação civilizatória contra a barbárie social e política. Por uma Universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade!

Enfim, atualmente temos uma Universidade apanhada pela IA, que promete assumir de uma vez por todas a gestão e a organização do conhecimento. Se o papel do professor for tão somente o de oferecer respostas certeiras, a IA está aí para dizer que já não precisaremos mais de professores. Assim, qual o papel da IA e que tipo de formação precisa o/a professor/a frente a ela?

A tragédia da cultura popular.

“Só sei que nada sei”...  

Embora pareça consciente da sua condição de exploração, por que o povo continua votando em políticos exploradores ou lendo a cartilha dos dominantes? Por que reforça em vez de combatê-los?

Porque essa suposta “consciência” é trágica. Isto é, os sujeitos “sabem” ou compreendem perfeitamente sua existência e a desigualdade e exclusão sociais, mas ao mesmo tempo “não sabem que sabem”. Ou seja, não é uma sabedoria consolidada porque ainda não têm as condições intelectuais e materiais para operacionalizar. Por isso são levados pela ideologia dominante a não reconhecer que sabem e a interpretar o que sabem com as ideias dos dominantes, parecendo, portanto, que nada sabem.

Como se libertar disso? Com luta social por direitos. Somente na luta social, ou seja, no embate entre a experiência vivida para a experiência compreendida que esse saber se reconhecerá a si mesmo. O que tem de especial nos movimentos sociais é que, no ato do conflito, os sujeitos realizam autonomamente uma reflexão sobre seu próprio saber.

Enfim, a autonomia de consciência não vem de fora, trazida por um outro, ela nasce de dentro do próprio sujeito na companhia dos outros. Marx sabia disso ao dizer: “Trabalhadores, uni-vos!”.

Ideologia ≠ Pensamento crítico.

 A liberdade é obra dos próprios trabalhadores graças à consciência de classe. 

A experiência vivida é aquilo que está aqui e agora, pedindo para ser visto, falado, pensado e feito. Quando se acolhe essa experiência vivida no intuito de atingir o campo da experiência compreendida, saímos da ideologia e passamos para o pensamento e a crítica.

Logo, o exercício do pensamento crítico é a tomada das coisas que nos parecem óbvias com espanto e admiração. De tal modo que, existe obra do pensamento quando ele se debruça sobre a experiência como um não-saber dado que precisa ser transformado em saber, mudando a experiência dada em conhecimento.

Assim como na Democracia, que existe enquanto participação-reflexão, o pensamento precisa se debruçar sobre experiências novas, ele precisa pensar o que ainda não foi pensado e dizer o que ainda não foi dito (do contrário, se tentar explicar as experiências novas com o que já foi pensado e já foi dito, ele não será pensamento, e sim ideologia).

É por isso que ninguém pode “levar” a consciência aos outros. A consciência é despertada em si e por si mesmo na ação concreta de resistência e luta com os outros. Ela é independente enquanto atitude pessoal (no sentido de autônoma ou que vem de dentro), mas é interdependente enquanto condição social (conquistada pelos próprios sujeitos sociais e culturais em conflitos de criação). Depende do eu, do outro e do nós tanto no trabalho do pensamento quanto na luta.

Enfim, isso é formação: ação-reflexão...

sábado, 6 de junho de 2026

A cultura como direito.

 

O Estado não é produtor de cultura, e sim a sociedade. Portanto, a cultura é um direito dos cidadãos não só de ter acesso aos bens culturais, mas sobretudo de produzir cultura.

Visto assim, a cultura é uma expressão democrática que lida aberta e livremente com a informação, a igualdade e a criação de direitos. Logo, cultura não é apenas a prática das sete artes liberais (dança, música, teatro, cinema, escultura, literatura e pintura), mas todas as práticas humanas de criação de valores e símbolos, indo da culinária, do vestuário, da linguagem, da memória até as artes, do cotidiano até as grandes criações (sentido antropológico e filosófico).

Enfim, nos aspectos dessa definição, nem o Estado burocrático, muito menos a indústria do espetáculo e a empresa devem intervir. Até mesmo a Secretaria de Cultura não existe para usurpar a capacidade criadora, senão criar condições para que as culturas sejam produzidas e não apenas consumidas.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Self Ocidental & Self Oriental.

 “Onde quer que você vá, lá está você!”

 “Onde quer que você vá, lá estamos nós!”

A psicologia cultural trata de tornar familiar o estranho e estranho o familiar. Assim, quando se trata de funcionamento psicológico, o lugar importa! Importa porque existem outros modos de viver além dos que cada um de nós conhece bem. 

Vejamos:

Self norte-americano: Ocidental. Quem cresce na cultura Ocidental pode ter um Self mais independente, isto é, se expressa pelas escolhas que faz, pelos produtos que compra, por suas tatuagens ou piercings. A linguagem serve mais para autoexpressão e as escolhas são expressão de si mesmos – as mais favoráveis que dão mais valor à singularidade. Vejam os comerciais: destacam a escolha pessoal e a liberdade. Diga-se logo, é uma cultura individualista, a autoestima é mais pessoal e menos relacional. Na maior parte da América do Norte (temos muitas exceções na América Latina) as pessoas tendem a ser afetadas mais diretamente, pois qualquer contrariedade ameaça mais a identidade pessoal (as faz sentir mais zangadas e tristes) do que a identidade coletiva. Aqui as pessoas persistem mais quando estão sendo bem-sucedidas, porque o sucesso eleva a autoestima. Aqui, o autoconceito é mais estável e dependente das condições e entre situações – das esferas de atividade. Individualistas ocidentais gostam de fazer comparações com pessoas que aumentem sua autoestima. A felicidade vem com emoções desvinculadas – sentir-se efetivo, superior e orgulhoso. O self ou a noção de si mesmo é mais desvinculada ou descolada dos outros. Enfim, aqui os indivíduos são expostos a promoções baseadas no desempenho individual, com exortações a acreditar em suas próprias possibilidades – heroico e sozinho consegue tudo, apesar da interferência dos outros.

Self chinês, japonês: Oriental. Quem cresce na cultura Oriental pode ter um Self mais interdependente. A linguagem serve para a comunicação com os outros e se dá mais valor à tradição e às práticas compartilhadas. Comerciais mostram as pessoas juntas e há maior senso de pertencimento. As pessoas não perdem facilmente as conexões sociais porque essas conexões definem quem elas são (não são pessoas desarraigadas, isoladas da família, dos colegas e dos amigos leais). Não tem uma, mas muitas identidades: com os pais, no trabalho, com os amigos. O self interdependente está embutido em afiliações sociais. A conversa é mais polida e a busca é mais por aprovação social. Em vez de a meta ser realçar a identidade individual, a meta é a vida social, harmonizar e apoiar a comunidade. A autoestima nas culturas coletivistas se correlaciona mais de perto com o pensamento coletivo (o grupo e os outros). O autoconceito é mais maleável e ligado ao contexto. As pessoas persistem mais nas tarefas quando estão fracassando (porque não querem ficar aquém das expectativas dos outros). Coletivistas orientais fazem comparações (geralmente ascendentes, com os que estão se saindo melhor) de modo que facilitem o autoaperfeiçoamento. A felicidade vem com o engajamento social – sentir-se próximo, amigável e respeitoso. O self ou a noção de si mesmo são mais carregadas de vínculos ou coladas nos outros, no ambiente, nas inter-relações.  Enfim, as pessoas agem juntas para ajudar umas às outras.

Enfim, a maior parte da psicologia, da economia, da cultura e outras áreas foi produzida por profissionais em ambientes norte-americanos brancos de classe média e ainda estudando sujeitos norte-americanos brancos de classe média. Ora, em outros contextos socioculturais, podem haver ideias e práticas diferentes sobre como ser uma pessoa e como viver uma vida significativa, e essas diferenças podem ter uma influência sobre o funcionamento psicológico, social, cultural, econômico, etc.

Até a própria história pessoal pode influenciar a visão de si mesmo. O conflito em culturas coletivistas com frequência ocorre entre grupos; culturas individualistas geram mais conflito (e crimes e divórcios) entre indivíduos. Veja só como estamos?! O self independente reconhece as relações COM os outros, mas o self interdependente está mais profundamente engastado NOS OUTROS. 

A Copa já é nossa!

 

1.     Devastação caiu -17% no Cerrado e -23,5% na Amazônia no ano passado (2025). É o menor no país desde 2019! (Fonte: MapBiomas).

2.     PIB cresceu +1,1% no 1º trimestre. No acumulado em quatro trimestres, alta é de +2%, graças às boas medidas do Governo. Isenção de IR, salário mínimo, mercado de trabalho aquecido, novo consignado, serviços, indústria e outras medidas de incentivo puxaram consumo das famílias. 

3.     O Governo Federal lançou um plano para melhorar a qualidade de vida, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), que devem ser alcançados até 2030. E vem avançando... Tabagismo e consumo de bebidas açucaradas, por exemplo, têm estimativas de queda a níveis até menores do que os almejados.

4.     Criação da Unind (Universidade Federal Indígena), primeira instituição de ensino superior do Brasil concebida para e pelos povos originários. Tem sede em Brasília e estrutura multicêntrica para alcançar diferentes regiões do país. Seu início está previsto para 2027. Uma universidade para mudar a universidade, pois não se trata de incluir indígenas em modelos universitários coloniais, mas dar-lhes a autonomia de decidir seu próprio currículo no ensino superior. Afinal, é estratégico doutorar os filhos indígenas, ocupar as universidades e travar a luta por direitos com a caneta, como a formação de advogados indígenas e outras profissões. Enfim, o conhecimento indígena é também contemporâneo e político: produz ciência na gestão territorial, na prevenção de queimadas, na fitoterapia, no manejo da biodiversidade, na governança comunitária.

5.    “Reforma Casa Brasil”: Programa do Governo que oferece crédito para reformas de casas e já financiou R$ 1,3 bilhão em obras só nos seis primeiros meses de operação. Fechou 76 mil contratos entre novembro e maio, e vem turbinando o programa. O limite de renda familiar mensal para acesso ao programa passou de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil e a taxa de juros total caiu para 0,99% ao mês – antes, o piso de juros era 1,17%. O prazo máximo de financiamento, por seu turno, saltou de 60 para 72 meses (Dados: Caixa).

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Comparações sociais.

 “É preciso cultivar o espírito de sacrificar o eu menor para obter os benefícios do eu maior(Provérbio Chinês).

Grande parte da vida gira em torno de comparações sociais, que podem ser ascendentes (olhar para quem está melhor) e descendentes (olhar para quem está em situação inferior).

Sentimo-nos bonitos quando os outros parecem feios, inteligentes quando os outros parecem burros, carinhosos quando os outros parecem insensíveis. Quando testemunhamos o desempenho de um colega, não podemos resistir a uma comparação implícita conosco. Podemos, portanto, intimamente sentir prazer com o fracasso de um colega, em especial quando acontece com alguém que invejamos e não nos sentimos vulneráveis a essa má sorte. Aqui corremos o risco de sermos mais mesquinhos e cruéis.

Quando as pessoas pensam bem de nós, isso nos ajuda a pensar bem de nós mesmos. Crianças ou pessoas que são rotuladas pelos outros como talentosas, esforçadas ou prestativas tendem a incorporar essas ideias em seus autoconceitos e comportamento. Do contrário, se pessoas de grupos minoritários se sentem ameaçadas por estereótipos negativos de sua capacidade ou se são ameaçadas por baixas expectativas, elas podem se “desidentificar” com o que vinham mostrando afinidade. Em vez de combater esses pré-julgamentos, elas podem identificar seus interesses em outra parte. Aqui, os rótulos têm efeitos construtivos e destrutivos. 

E tudo isso pode voltar contra nós mesmos. Podemos acabar usando o que achamos que os outros pensam de nós como um espelho para percebermos a nós mesmos, tanto para o bem quanto para o mal (é o self do espelho). Importamos para nossos autoconceitos não como os outros realmente nos veem, mas o modo como imaginamos que eles nos vejam. Só que pesquisas mostram que as pessoas geralmente se sentem mais livres para elogiar do que para criticar (elas tendem a expressar mais seus elogios e refrear suas zombarias). Assim, podemos, portanto, superestimar a avaliação dos outros, inflando demais nossas autoimagens.

E ainda tem o peso cultural. Existe mais autoinflação do ego e seu individualismo aqui nos países ocidentais industrializados do que nos orientais. Veja a tendência do Donald Trump... Nos EUA, são mais frequentes as muitas palavras de elogio que os amigos oferecem uns aos outros do seu clã (todos os dias). No Japão não é assim (seriam em 4 dias). Por lá, as pessoas são socializadas menos para sentirem orgulho de suas realizações pessoais e mais para sentirem vergonha por faltarem com os outros (os indivíduos do leste asiático pensam mais holisticamente – percebendo sobre objetos e pessoas em relação uns aos outros e a seu ambiente).

Com as Redes Sociais e as plataformas digitais a comparação foi potencializada. Como as pessoas expõem apenas seus melhores momentos e vidas filtradas, o efeito de comparação social fica desfavorável, aumentando os riscos de ansiedade e frustrações.

Tudo isso causa impactos bons e ruins na autoestima, essa medida psicológica pela qual monitoramos e reagimos a como os outros nos avaliam. E isso tem a ver com aspectos evolutivos. O destino de nossos antepassados dependia do que os outros pensavam deles. Sua sobrevivência aumentava quando eram protegidos por seu grupo. Quando percebiam a desaprovação de seu grupo, havia uma sabedoria biológica em seu sentimento de vergonha e baixa autoestima. Hoje, nós, como seus herdeiros, tendo uma necessidade arraigada de pertencer, sentimos a dor da baixa autoestima quando enfrentamos exclusão social.

Enfim, o sensato é não fazer muitas comparações! Se tiver que fazer, saiba fazer. Quem está no alto pode ser inspirador (motivando-nos a crescer) ou frustrante (causando inveja). Quem está no baixo, serve para proteger a autoestima e gerar alívio, mas pode levar à arrogância. 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O pensamento crítico - fundamentação.

 A crítica é a atitude de permanência na busca por melhores formulações, sem estancar em uma opção, ao invés disso, corrigindo incessantemente as elaborações já alcançadas. Está sempre em movimento dialético de conscientização sobre a impossibilidade de causa externa para a gênese do saber humano. 

O pensamento crítico é mais fiscalizador do que regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentados à experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos... 

Na época atual e no contexto brasileiro, a religião é o elemento em que a crítica se faz mais fortemente necessária. 

·       Crítico” é um dos traços indispensáveis do pensamento filosófico.

·       Para ser “crítico” precisa sustentar o rigor racional, isto é, ser contra as tentações insistentes de desistência ou afrouxamento desse rigor.

·       A crítica filosófica não se resume a atacar e encontrar defeitos em tudo, muito menos pode ser relacionada a uma postura contrária ao que está sendo analisado.

·       Crítico ≠ Cético. Porém, ambos não podem se desvencilhar da dúvida.

- o crítico caminha com a dúvida porque precisa permanecer fiel à razão, em abertura de pensamento à possibilidade de explicações melhores. Para o crítico, o termo “para mim” ao final de uma discussão filosófica é um verdadeiro fracasso do filosofar.

- o cético caminha com a dúvida porque se permite dirigir pelo subjetivismo, duvidando da própria possibilidade de se alcançar consensos racionais (imparciais e universais). Acaba admitindo o termo “para mim” ao final de uma discussão filosófica (sobre a verdade, a justiça, a beleza, etc.). Às vezes, chega ao ponto de tentar derrubar a estrutura lógica inevitável do pensamento.

·       É impossível o pensamento crítico na ausência de um bom e familiar trânsito com os objetos criticados.

·       A exaltação inconsequente da crítica irrestrita ou o ataque sem sentido contra tudo e qualquer coisa (não do pensamento crítico) pode nos jogar em uma trágica ignorância ou matar a própria filosofia (essa desgraça aconteceu no século passado). Assim o fizeram teorias discursivas, sociais e psicológicas que adestram o pensamento para moldar um aluno ou futuro profissional. Nessa linha, não se chega jamais ao estudo de coisas, fenômenos e eventos, mas apenas às suas “desconstruções” – a crítica da história vem antes da história, a crítica do comportamento vem antes do desenvolvimento cultural que origina aquele comportamento específico, a crítica psicológica vem antes do estudo atento do fenômeno apresentado, e assim por diante. O resultado acaba sendo mais um “produto contra” do que “um estudo sério de seu alvo”.

·       Pensamento crítico tem a ver com superar: o reducionismo, o cientificismo ou a autoridade científica, o racionalismo ou o intelectualismo, as posições absolutas, a consciência quase mágica, a falácia genética, aos relativistas, à acomodação de visões indeterministas e indiferentistas, ao determinismo, as posições dogmáticas, ou metafísicos dogmáticos, ainda que assumidas como “científicas”, “antropológicas” ou alguma outra corrente ou ideologia da moda que nos empurra para a arrogância modernista/pós-modernista ou o debruçar-se sobre objetos mal explorados e rapidamente julgados e enquadrados em esquemas ideológicos prévios, redutivos e simplificadores, à incapacidade para o diálogo ou sequer a apreciação de perspectivas alheias, a valoração maniqueísta que abandona a minha e despreza ou condena a perspectiva dos outros... Ao apego de uma teoria ou uma visão de mundo desaconselhadas pelos fatos (ausência de crítica na ciência); ao risco do partidarismo e nas ideologias sociopolíticas que nos impedem de avaliar o caso e o problema com imparcialidade (ausência de crítica na política); o sectarismo (que é a ausência de crítica na religião).

·       Pensamento crítico tem a ver com: resgatar a habilidade humana de abstração de significações simbólicas, despertar a consciência, francos defensores da espontaneidade da consciência, de considerar o amadurecimento do pensamento construído, uma erudição mínima, a história do problema, a apreensão a fundo das questões, a evocação de um conceito forte (substantivo) de liberdade ou de racionalidade... Faz uma apologia da dúvida que não deixa de questionar a si mesma e dá também espaço ao saber, tem o ceticismo como uma de suas ferramentas fundamentais e indispensáveis, preza com força e insistência a honestidade intelectual e a boa vontade ou boa-fé intelectual e a resiliência intelectual em nome de um ideal de verdade ou do progresso das ideias.

·       Toda leitura é tendenciosa porque está condicionada pela carga subjetiva daquele que lê e de como ele sente e interpreta as palavras e conceitos apresentados, permitindo perversões do sentido original pretendido (pressuposto hermenêutico). Assim, para além da posição dos próprios autores, é preciso fazer uma leitura histórica que busque a coerência interpretativa que o tempo e a cultura presentes possibilitam sobre o texto.

·       Pensadores críticos são invariavelmente liberais (a favor da liberdade, do livre curso das coisas ou ideias porque sabe da provisoriedade dos juízos e conhecimentos) e libertários (afirma normativamente ou dá condições concretas para que se aja e pense livremente). Ou seja, o entendimento e a ação humana devem ser essencialmente ativos, produzindo sentenças e princípios, legislando e deliberando sem serem determinados por influência exterior ao próprio órgão avaliativo, a razão.

·       Seria impróprio condenar um pensamento como não crítico por seu conteúdo; semente a forma, o procedimento da investigação e seus objetivos podem classificar como mais ou menos crítico um modelo filosófico.

·       A crítica, como o ceticismo, tem essência por demais negativa para propiciar um senso claro de progressão. Elas estão muito voltadas a dizer o que está errado em um argumento. A pensar o fundamento e os critérios das demais atividades do pensamento, a crítica desvela não mais do que problemas e perigos em todos os caminhos possíveis, conduzindo-nos a um regresso infinito, pois toda a busca por fundamento, coerência e validade de discursos e elementos ideativos resulta da necessidade de sempre, e cada vez mais, voltar atrás na busca de fundamentos.  

·       Pensamentos lógicos simples dominam os demais e não são dominados por nenhum, porque não há posição intelectual que possamos ocupar para, a partir daí, vasculhar esses pensamentos sem pressupô-los. Eis por que eles são imunes ao ceticismo: eles não podem ser postos em questão por um processo imaginativo que conta essencialmente com eles.

·       Para o pensamento crítico, é crucial a tomada de consciência quanto à ordenação dos elementos do pensamento em cada processo do pensar. O pensamento crítico é mais fiscalizador do que regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentado à experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos...

·       Enfim, o criticismo é uma atitude constitutiva essencial da filosofia. 

Educação no Ensino Médio.

O estado do Rio de Janeiro tem o 2º maior PIB do país e lidera o gasto por aluno, mas é o penúltimo no Ideb que mede a qualidade da aprendizagem no país, a cada dois anos.

Goiás ocupa o 1º lugar no ranking de educação básica dos estados e investe R$ 10.704 por aluno ao ano, enquanto o Estado do Rio gasta R$ 19.580 por estudante ao ano (83% mais alto que o de Goiás), mas está em 26º lugar. Outros estados que se destacam junto com Goiás são o Paraná e o Ceará, que desenvolveram políticas públicas nos últimos anos que dão bons resultados, como a Lei do ICMS para ensino, inspirada no estado nordestino. 

Será que o investimento do Rio de Janeiro na Educação chegou na valorização dos professores, na segurança e na estrutura da escola e da sala de aula? O que se tem certeza é a descoberta de funcionários fantasmas recebendo como servidores e o deputado estadual Thiago Rangel (preso) pressionando um diretor para que R$ 200 mil fossem desviados de uma escola do Noroeste do Rio para financiar a campanha de sua filha em 2024. 

Em 5 anos o novo Fundeb reduziu desigualdades, mas ainda enfrenta desvios. 6 em cada 10 reais gastos com educação básica no país vêm do Fundo. Ele é o principal mecanismo de financiamento da educação básica, e reúne parcela de impostos estaduais e municipais, além de complementação da União para localidades que não atingem valor mínimo por aluno. Os recursos são distribuídos conforme número e tipo de matrícula. O Fundo zerou o número de cidades com investimento anual de até R$ 8.000 por aluno (que era realidade de 1/3 dos municípios em 2020 e em 2025 foi para R$ 15.710, incluindo aí salários, manutenção, merenda e transporte), mas ainda há de zerar as transferências irregulares ou os desvios de finalidade para planos de saúde, farmácias, Previdência,  odontológicos e até igrejas (em Rio Largo, AL, a prefeitura efetuou em janeiro de 2023 uma única transferência de R$ 2,5 milhões para a Assembleia de Deus). O Fundo foi renovado em 2020, recebendo aumento escalonado da complementação federal. Passou dos 10% vigentes para 23% neste ano de 2026 (e deve ultrapassar R$ 60 bilhões). Municípios com mais de R$ 15 mil por aluno ao ano passaram de 8% em 2020 para 64% em 2025 (no ano passado, o Fundo alcançou R$ 342 bilhões).

Enfim, o Governo Federal está buscando fazer a parte dele. Resta a Estados e Municípios fazerem a mesma coisa. Afinal, só uma articulação unida das três esferas poderá melhorar a qualidade da educação no país. Ao que parece, corrupção e rachas políticos e ideológicos não deixam.