“As
massas são inaptas a pensar por si mesmas” (Walter Lippmann).
As invasivas da elite dominante nascem do poder do dinheiro. A elite do dinheiro age do lucro e
pelo lucro. São super-ricos forjados em nações imperialistas ou em qualquer
outro ponto do globo alimentado pelas classes sociais. É uma elite ávida,
provinciana e medíocre.
Agem assim:
1. por meio da publicidade e da indústria cultural, tenta domesticar o trabalhador aguerrido,
rebaixando-o de cidadão a consumidor (bons salários, uma casa e um
carro na garagem – em troca de votos domesticados). Foi essa estratégia que manteve
e mantém o controle do Estado nas mãos firmes da elite norte-americana, por
exemplo;
2. tenta pregar a
percepção do ser humano definida por sua produtividade no trabalho, bens e
posses, bem como uma aparência física que exala status e ostentação;
3. se muito ceder,
seria apenas a passagem do capitalismo para o socialismo burocrático e
produtivista, o que seria apenas mais do mesmo problema;
4. ela usa a
polícia contra os trabalhadores organizados ou “paga” pela lealdade e submissão
da classe trabalhadora;
5. os ricos se uniram em uma guerra declarada
contra a esfera pública esclarecida, o conhecimento crítico e a informação
plural e sua capacidade criadora de resistência das atuais e novas gerações.
Uma guerra contra a inteligência pública para fazê-la regredir à barbárie, com
seu fascismo e suas guerras de saque;
6. é quem
patrocinou e vem patrocinando a extrema-direita no Brasil e mundo afora. Veja a crise do banco Master e do
Digimais;
7. tudo de
efetivamente importante que acontece aqui foi desenhado lá fora, quase sempre
nos Estados Unidos, o verdadeiro dono deste quintal chamado Brasil. É uma
inevitável influência norte-americana de impedir há séculos os brasileiros de
ter vida própria;
8. é impossível
compreender o Brasil e o que se passa nele sem examinar as amarras que o
imperialismo norte-americano construiu para deixá-lo eternamente pobre e
subdesenvolvido;
9. as máscaras
mudam e assumem sempre um novo aspecto de modo a preservar um domínio
cuidadosamente travestido de liberdade;
10. Elas pensam e
acreditam que as sociedades sempre se digladiam com a separação entre elite e
massa. Cabe às elites exercer o poder, por contar com os indivíduos mais aptos,
e às massas caberia a obediência, pela suposta incapacidade de refletir
autonomamente, inovar ou exercer um controle direto sobre os governos. As
massas eram vistas como passivas e sem a capacidade de promover mudanças
significativas sem a orientação das elites. Assim, a política seria definida
pelo jogo de troca de poder entre as diferentes elites, com novos líderes
surgindo e substituindo os antigos;
11. Acreditam que
as massas não são racionais o bastante para gerir a via pública, daí a
necessidade dos mais capazes líderes selecionados a partir dos pares, não do
público. E o bom líder é aquele que serve ao país e não a si mesmo (Max Weber);
12. a democracia é
pensada de modo independente do esclarecimento do público; aceita-se, dessa
maneira, a desinformação como regra e pressuposto teoricamente inevitável, e
passamos a ter eleições nas quais os candidatos são vendidos como se vendem
sabonetes;
13. fascismo:
quando a massa de trabalhadores é cindida pelo apoio de muitos trabalhadores a
uma causa supostamente nacionalista.
A luta contra o imperialismo (marca do comunismo internacionalista) é
substituída pelo próprio apoio ao imperialismo
nacional (fascismo e nazismo);
14. aponta o
caminho norte-americano, quando o mesmo desafio é respondido pela manipulação
da classe trabalhadora de modo a tornar possível a transformação do cidadão em
consumidor – a solução americana é apontada como tendência a ser
universalizada;
15. Distorce muito “a
forma” como a democracia é percebida pela massa (e para isso se serve da
imprensa, da publicidade e de comunicadores). Vale dizer, manipula a opinião
pública ao impor limitações da percepção individual da mídia e a fabricação de
consentimento público;
16. Servem-se da
mídia, que processa os fatos e entrega narrativas parciais. Os indivíduos não
experienciam o complexo mundo social exterior de forma direta e imediata; mas
interagem com uma representação mental subjetiva, simplificada e frequentemente
enviesada desse mundo. É desviada a atenção dos objetos do mundo externo para
as precondições subjetivas ancoradas no próprio sujeito (as representações
midiáticas acabam sendo uma amálgama de experiências pessoais com estereótipos
culturais) – um mundo de imagens, histórias e símbolos que se interpõe entre o
indivíduo e a realidade objetiva, moldando sua percepção e, consequentemente,
suas ações. Desse modo, as pessoas respondem não aos fatos objetivos, mas a
realidades construídas; não à informação genuína, mas à persuasão dirigida - está fabricado o consentimento;
17. Os meios de
comunicação de massa e as normas sociais desempenham um papel central e ativo
na construção do “falso ambiente” e estereótipos, imagem distorcida, “pontos
cegos” do público vulnerável e passivo. Atuam como “guardiões”, selecionando quais eventos e
questões merecem atenção. A representação que os indivíduos fazem do mundo
social advém da eficácia da pregação midiática controlada pelo dinheiro que
perpetuam concepções errôneas e limitam a compreensão. O trabalhador aguerrido
é domesticado e transformado em um consumidor passivo. Liberdade e participação
política são trocadas por segurança material;
18. Enfim, criam
uma infinidade de obstáculos ao pensamento crítico, uma apreensão calara da
realidade e ao seu julgamento racional;
19. A mesma
manipulação descarada e cínica usada para vender mais produtos, é transferida e
também é utilizada na arena política. É o que hoje chamamos de “fake news”. A propaganda bem-construída
pode criar novos estereótipos de comportamento que guiam de forma inconsciente
e pré-reflexiva (sem defesa consciente possível) o comportamento do grande
público;
20. Elas usam a ciência,
as ideias,
a arte
e a imaginação
(as matérias-primas da esfera simbólica) como aspectos principais para sua
perpetuação e sua capacidade de convencimento do público, expressão do próprio
capitalismo;
21. Elas atuam de
forma conjunta e coordenada para tornar as esferas simbólica das sociedades
modernas, ao mesmo tempo, uma fábrica de novos negócios e uma fábrica de
consentimento de um público indefeso;
22. SEM DOMINAÇÃO
SIMBÓLICA NÃO EXISTE CAPITALISMO. Por isso, as elites fazem funcionar as
engrenagens da cadeia produtiva de bens simbólicos: a) a ciência, acima de
tudo, como instância que cuida da verdade e do conhecimento, formando todas as
elites universitárias mundiais de acordo com um paradigma veladamente racista e
comum; b) a indústria cultural e de entretenimento, desenvolvendo clichês e
estereótipos racistas e xenófobos, além de fórmulas escapistas e conformistas
de expressão artística em escala mundial; c) a esfera da propaganda e da
imprensa comercial, colonizando os sonhos e ansiedades do público de modo a
transformá-lo em consumidores dóceis e manipulados;
23. É o capitalismo
baseado na produção do consentimento por meio da manipulação consciente – o cinismo
típico de quem sabe exatamente o que está fazendo, orgulhoso e envaidecido por
seu trabalho de manipulação bem-realizado;
24. Inundando o
mundo financeiro e o mundo político com propaganda/imprensa. É a “elite do
cinismo” que comanda a política e os negócios;
Enfim, as elites metropolitanas não
mandam apenas em seus respectivos países. Essas mesmíssimas estratégias buscam
enfraquecer e confundir a resistência de seu próprio povo, utilizadas por essas
elites e pelas elites nativas, que como “capitães do mato” das elites
americanas ganham um soldo, a sua parte no butim, para manter o saque comum e a
ordem interna, garantindo, assim, a obediência e a lealdade das massas
espoliadas do Sul global.
O
mais importante teórico das elites é Max Weber. Para ele, o principal mecanismo
da política é a “seleção de líderes”, forjando e selecionando os mais capazes.
Ao focar no significado e na racionalização, exerce extraordinária influência
em toda a ciência política “pragmática e realista” posterior, que vai abdicar
do esclarecimento das massas em favor da inevitabilidade do domínio pelas
elites mais capazes de comando e dominação.