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Em defesa da Soberania!
"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988; & Artigo 3º, inciso II, da LDB - Lei nº 9.394/1996).
"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138). "Não existe revolução real sem esclarecimento do público pelos especialistas" (Jessé Souza, p. 123).
“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).
“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).
01. O governo quer combater o abandono escolar e ajudar na permanência dos jovens na sala de aula. Por isso, em 2027, Lula deseja ampliar o incentivo financeiro do Pé-de-Meia para todos os alunos do Ensino Médio da rede pública. O Pé-de-Meia garante uma poupança para alunos com bom desempenho na escola e a frequência mínima exigida nas aulas. Desde que começou, em 2024, o Pé-de-Meia vem ajudando a manter os estudantes dentro da sala de aula. Entre 2022 e 2025, a reprovação dos estudantes do Ensino Médio na rede pública caiu 62% e o abandono escolar, 61%. A taxa de abandono chegou ao menor nível da série histórica: 2,5%. Revolução na Educação é a Obsessão!
06. O Pix MEI, que faz parte do pacote Prospera
MEI. Um incentivo financeiro direto de até R$ 5 mil para
microempreendedores individuais investirem no próprio negócio (como compra de
equipamentos ou melhorias estruturais). Não é empréstimo: O recurso é a
fundo perdido (não reembolsável), ou seja, não precisa ser devolvido ao
governo. Público-alvo e prioridade: A proposta tem a expectativa de
atender cerca de 1 milhão de empreendedores, com prioridade para mulheres
empreendedoras com menor faturamento.
07. Canetas
emagrecedoras no SUS:
O uso análogo de
GLP-1, como semaglutida e liraglutida seguirá critérios clínicos rigorosos (sem
fins estéticos), com foco em pacientes
na fila de espera para cirurgia bariátrica, pessoas com obesidade grave
associada a outras comorbidades (como problemas cardíacos ou diabetes tipo 2) e
em casos específicos, como mulheres com histórico de câncer de mama em que o
uso ajude a reduzir o risco de recorrência.
08. Transporte público gratuito nos fins de
semana e feriados: A PEC
para instituir a tarifa zero (passe livre) no transporte público aos sábados,
domingos e feriados em todas as cidades brasileiras que possuem sistema de
transporte coletivo permitirá que os trabalhadores e suas famílias utilizem os
dias de folga para lazer, cultura, visitas e descanso, especialmente agora com
a redução da jornada de trabalho ou o fim da escala 6x1.
Claro que, por trás de propostas eleitorais um tanto excêntricas, há uma estrutura profissional de campanha. Mas, fala sério...
01. Donald Trump prometeu dar US$ 5 mil (mais de R$ 25 mil) para cada norte-americano, se o partido dele (Republicanos) vencer as eleições de meio de mandato (em novembro) para o Congresso. Para honrar essa promessa, o gasto superaria US$ 1 trilhão (mais do que se gasta em defesa por lá). Kkkkk Sim, trata-se de um ato de desespero diante da reprovação recorde do aloprado. Um truque desastroso para as finanças públicas, ainda que a promessa de Trump fosse considerada apenas de campanha e compreendida no bom sentido de criação de um benefício social ou à redução de impostos (que poderia ser dito de outra forma). O Governo Federal dos EUA tem um déficit de quase US$ 2 trilhões por ano. A dívida pública passa de US$ 40 trilhões (está vendo que a dívida do Brasil está dentro da curva?). Endividamento recorde, juro alto e tensão causada pelo presidente só elevam desconfiança sobre ativos americanos. Sondagens mostram que o partido Democrata é o favorito para reconquistar a Câmara; e o Senado está por um fio. Que a Democracia cuspa tudo o que a prejudique. Enfim, US$ 5 mil para cada cidadão levaria a mais inflação e juros altos. Além do mais, insinuação de suborno e compra de votos é ilegal, mesmo anunciando o pagamento após a eleição. Disparate desses é só mais uma oferta mirabolante que se junta às outras promessas vazias do “dividendo Trump” e seus asseclas (por lá e por aqui)!
02. Apesar de André Mendonça ser o relator do inquérito sobre o pedido de financiamento de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro e de todo o caso Master, Mendonça prefere outra linha apuratória: a relação do colega da Corte Alexandre de Moraes com o banqueiro. Essa postura jogou o STF em uma crise sem precedentes. Nem a elite brasileira nem os EUA querem o Lula na Presidência da República. Há uma clara interferência externa, por meio das redes sociais. É uma operação do establishment, que não quer a reeleição com Lula, que se estende até o STF e mira no Senado. A crise no STF foi aberta e será explorada nos bastidores para favorecer a corrida do PL ao Senado e a candidatura de senadores que defendem o impeachment de ministros da Corte (que já enxerga no bolsonarismo um risco à democracia e ao próprio tribunal). Colocar um cabresto no Judiciário é uma prática da extrema-direita na atualidade (Flávio Dino). O domínio absoluto desse tema no noticiário, com insistência monocórdica da mídia, tira visibilidade do debate de ideias. O que eles querem levar é uma bancada majoritária no Senado, e também o Pix, as terras-raras, o petróleo. Querem privatizar tudo! Se Lula vencer as eleições e houver um golpe, o STF e a PF não estarão organizados para enfrentar os reveses, caso não se arrume a bagunça institucional produzida por Mendonça.
03. Ainda precisamos lidar com a proteção do processo eleitoral 2026, e reduzir a margem para uma eventual interferência da Casa Branca: 1) é preciso convencer governos democráticos e aliados a fazer declarações de apoio ao vencedor; 2) garantir observadores internacionais nas eleições no Brasil que confiram ao processo chancela de legitimidade e aprovação. É preciso levar em conta o alinhamento de direita de diferentes governos latino-americanos, como Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Paraguai, Bolívia, Equador e diversos países da América Central, com a atual administração norte-americana e sua política Donroe.
Após o 1º turno das Eleições de 2026, já se projeta a nova configuração da Câmara e do Senado Federal. Mais conservadores ou plurais, dependerá também do 2º turno.
Vistos pelo ângulo de reorganização da extrema direita, ficariam assim:
Entretanto, nem toda (centro) direita votaria em impeachment ou PEC à Constituição, por exemplo. Ainda temos uma chance. Só um Executivo forte poderia reorganizar as casas assim:
Enfim: com Lula, o embate será grande para
evitar golpes e traições extremistas. Sem Lula, viveremos à beira do abismo.
CRÉDITO: Composição da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), pós-Eleição 2026:
O Zumbi africano.
A origem do zumbi está na África Ocidental e no folclore do Haiti, ligada às religiões de matriz africana e ao trauma da escravidão. Tanto que a palavra vem do kimbundo ndzumbi ("fantasma" ou "espírito que atormenta os vivos").
Com o tráfico de escravizados para as Antilhas (especialmente no Haiti, na época colônia francesa de Saint-Domingue), essas tradições espirituais se fundiram com o catolicismo, dando origem ao vodu haitiano. O Zumbi Haitiano Original (Vodu) ou o feiticeiro (bokor) não era um cadáver que saía devorando as pessoas, mas sim uma pessoa supostamente morta que era "trazida de volta à vida" por meio de rituais ou venenos por um feiticeiro chamado bokor. Esse corpo reanimado ficava sob o controle total do feiticeiro, funcionando como um escravo sem consciência ou autonomia.
Portanto, para os negros escravizados, a figura do zumbi representava o maior pesadelo: continuar trabalhando à força após a morte, tendo perdido a liberdade e a própria alma. Era uma metáfora da escravidão.
O Zumbi norte-americano.
Durante a Ocupação Americana no Haiti (1915–1934), relatos sobre rituais e mortos-vivos começaram a fascinar jornalistas e escritores norte-americanos. Vale ressaltar que o Haiti foi a primeira república negra independente do mundo, depois de uma longa guerra revolucionária. E tudo que é rebelde, o opressor busca estratégias para submeter, seja pelas armas físicas ou simbólicas, como a distorção cultural.
Assim, começou a transformação por Hollywood. No
começo, os zumbis ainda eram figuras controladas por feitiçaria e misticismo,
mas diretores de filmes reinventaram o conceito e, como tudo que é
norte-americanizado perde sua essência original, foi abandonada a magia do vodu
e transformou o zumbi em um cadáver reanimado por causas
científicas/apocalípticas que se levanta para devorar carne humana, criando a
base para o terror moderno que vemos em séries e jogos hoje.
Enfim, fiquemos com o zumbi africano. Aquele que faz lembrar "Zumbi dos Palmares".
O que mata a esquerda?
Irracionalizar a racionalidade ética do mundo.
Se
ninguém contou quem é o inimigo nem como ele age, o povo vai se contrapor a
quem? Quem retira prazer de sua situação humilhante e vexatória?
São várias punhaladas! Mas, a maior delas: é fazer acreditar que a culpa é do voto, da política e do Estado, nunca das nossas sagradas elites do dinheiro.
A direita tem em mãos a mídia tradicional, as redes sociais controladas e uma histórica cegueira política da esquerda que lhe confere um imaginário social sob controle, tudo fácil para ser colonizada!
· O contexto atual é, umbilicalmente, antiesquerda. Ele consiste em fragmentar e eliminar a possibilidade de narrativas alternativas amplas e abstratas o bastante a fim de permitir o conhecimento real da causalidade social, propiciando, na consciência do sujeito, a compreensão do seu lugar no arranjo social dominante. Logo, não existe esquerda real. Quando aparece, é fatídica, pontual e momentânea. Logo, não consegue se fazer permanentemente, algo necessário para conscientizar seu público. É isso que leva a uma morte anunciada, ainda que lenta, da esquerda. Sem um discurso consistente nem alternativo que dispute o imaginário popular, a vitória total da extrema direita em todos os lugares é mera questão de tempo.
·
A
esquerda foi atacada em duas frentes: 1) externa: pela extrema direita crescente;
2) interna: pelo cavalo de Troia do neoliberalismo
progressista;
·
A direita tem vantagens não só materiais, mas também as de
espírito, delas decorrentes. Ninguém nasce com capacidade de concentração e de
pensamento abstrato, hábito de leitura ou pensamento prospectivo que
possibilitem enxergar o futuro além do presente imediato. A classe média e a
elite “herdam” essas vantagens desde o berço, com exemplos práticos cotidianos,
o que é decisivo para o aprendizado dessas disposições de comportamento. O que
leva a concluir que: disposições de comportamento fundamentais, que permitem a
compreensão do mundo, são diferencialmente distribuídos pela clivagem de
classes sociais.
·
A
esquerda foi crescentemente tomada por uma pauta, ao fim a ao cabo inócua, da ascensão meritocrática e
individual de alguns poucos representantes
dos setores oprimidos;
·
Como
servir aos trabalhadores e ao mesmo tempo ser cooptado pelo capital financeiro?
Ora, outra punhalada veio/vem da “desilusão” ou
“ressentimento” para não dizer “frustração”
com políticas fracassadas que prometeram “tudo”, de partidos (PT) que
haviam historicamente representado os interesses populares. Agora, são os ressentimentos e humilhações provocados pela grande desapropriação do capital infofinanceiro
que impulsionam a extrema direita, que também mimetiza o comportamento da velha
esquerda, fingindo agora representar os humilhados e ofendidos contra o sistema
de poder;
·
Manipulando um público indefeso, sem educação de
qualidade e sem informações isentas, algo mais fácil de se fazer dentro das bolhas autorreferidas, uma criação suprema dos algoritmos;
·
Com
polarização, criada pela extrema direita
para provocar um efeito: encaminhar os partidos de esquerda para o centro do espectro político em praticamente todos os lugares, inclusive no
Brasil;
·
A
produção de crises, a aplicação de golpes e as privatarias com
base na “moralidade”. Exemplos: 1) a elite produziu a crise do mensalão no
primeiro governo Lula e 2) o golpe midiático-parlamentar de 2016 que destituiu
Dilma Rousseff (no intuito de transferir renda da
população para os mais ricos via
endividamento e baixos salários e destruir a última instância de soberania
popular do sistema político brasileiro – controlar
o Executivo é comandar a única
instância de poder em que projetos alternativos de nação podem ser confrontados
sobre o orçamento público), uma balela da corrupção apenas da política para
travestir o saque das riquezas e do orçamento público, realizada com o aval da
classe média branca, em suposta defesa da moralidade pública; 3) o Banco
Central “independente” e as Emendas Parlamentares obrigatórias ou “Orçamento
Secreto”;
·
O
interesse por trás do assassinato da esquerda é capital, dinheiro. São as isenções fiscais bilionárias e o saque financeiro que motivam seu homicídio (o Estado perde foco e
capacidade de executar políticas públicas transformadoras);
·
A
imprensa corporativa é o seu maior instrumento de manipulação e de
sistemático engano da população. A elite do mercado rouba e a imprensa mente –
esse é o resumo da dominação social, política e econômica no Brasil há mais de
cem anos!
·
Esvaziar e criminalizar o Estado e a
política para
garantir o seu monopólio, a real base de todo o seu poder econômico;
·
Com
fortes ataques da extrema direita, cuja
estratégia é desviar a atenção das questões sociais fundamentais para a “guerra cultural” por uma moralidade agressiva (exemplos:
“voto na direita para meu filho não virar gay na escola da esquerda”; o negro
evangélico que vota na direita por causa da “valorização da família”; o homem
humilhado pelo capital, inseguro e empobrecido, mas que vota na direita (o
pobre de direita) porque sustenta um discurso de que em casa quem manda e
oprime a mulher e os filho é apenas ele, ou seja, o humilhado na rua quer saber
que no seu lar ele pode ter sua desforra; etc.). O
machismo: esse
público masculino, desenraizado e fragilizado, e por conta disso agressivo e
violento, é o verdadeiro motor da extrema direita em todos os lugares;
·
O racismo: outro elemento agregador da
extrema direita (é sentido por todos, mas não pode ser assumido explicitamente,
bem aí mora o suposto “país cordial”). Exemplo: veja o mapa da eleição do 1º
turno. O que temos ali? Os brancos pobres que são maioria na região Sul e em
São Paulo (azul Flávio), o ódio ao nordestino, supostamente “o preguiçoso do
Bolsa Família” (vermelho Lula). Não nos esqueçamos que 80% da população
nordestina é preta ou mestiça! Enfim, praticamente todas as questões sociais e
políticas no Brasil têm um fundo racial reprimido e recalcado;
·
O
fingimento, no sentido do comodismo e da
não-ação: continua aí viva, mas fingindo que morreu. Some, não adere aos atos,
sobe e fica no muro, diz que é neutra;
·
Tomando
decisões por discursos e narrativas.
Logo, se não tem os fatos, criam-se os boatos. Entretanto, sabemos, assim como
os indivíduos, não podemos avaliar uma instituição pelo que ela diz ser, mas
sim pelo que ela realmente é. Afinal, só o comportamento efetivo comprova quem
se é realmente;
·
A
fragilidade de nossa esquerda reside em não assumir
a luta simbólica e cultural como sua maior bandeira. Uma luta muito
bem assumida pelo Capital e pela Direita, que sabem que “sem dominação simbólica não existe capitalismo”.
Por exemplo: a fascinação do pobre com Lula, muito especialmente do nordestino
pobre, tem a ver com processos de identificação imediata e emocional com a
“pessoa” de Lula e de sua trajetória. Não é ruim, mas cria um problema: esse
enorme patrimônio é “pessoal”, baseado em uma liderança “exemplar” (não em um
discurso articulado e coerente). Isso cria uma descontinuidade entre o
getulismo e o lulismo, nos deixando sem um projeto nacional articulado e forte
o bastante para transformar o imaginário social da sociedade brasileira;
·
A
universidade brasileira jamais foi de esquerda, mas sim elitista. E como é ela
que forma todos os quadros de comando da sociedade, também a Ciência, o
jornalismo, a imprensa e toda a indústria cultural nativa é cativa de
envergadura da mesma narrativa. Visto assim, quem
forma academicamente a esquerda nessa usina de ideias elitistas
travestidas de crítica social? Um pensamento feito para fragilizar a política
e, portanto, a participação popular, criminalizando o voto para garantir o acesso irrestrito das elites
ao poder de Estado – fonte real de todos os seus privilégios – ao ser
percebidas como boas, produtivas e honestas. “[...] primeiro, quem
define se existe ou não corrupção é a mídia dominante nas mãos da mesma elite
que corrompe; segundo, aceita-se, implicitamente, que a corrupção é apenas
política, ao mesmo tempo invisibilizando a elite de proprietários como fonte de
toda a corrupção real, de quebra criminalizando a política, o Estado e a
soberania popular” (p. 108).
·
A esquerda não pode assimilar o imaginário de seu inimigo de classe, e ela vem
assimilando. Isso é tomar o veneno da elite que quer combater. Ao compartilhar
o imaginário elitista dominante na sociedade, sabendo ou não, acaba se transformando em marionete da elite, seu
plano B. A esquerda fica
condenada a meramente administrar o capitalismo periférico com um toque de
empatia popular, sem jamais se contrapor a ele e sem ao menos tentar
desconstruí-lo.
·
A
esquerda enfraqueceu porque a direita vem conseguindo dizimar
todas as suas principais lideranças mais combativas sem se conseguir
sequer uma reação mais contundente.
·
Por
que as três grandes questões que assombram os seres humanos de todos os lugares
e épocas distintas (de onde viemos, quem somos e para onde iremos) e que deram
origem a todas as grandes religiões mundiais (budismo, cristianismo, hinduísmo,
confuncionismo, islamismo, judaísmo, protestantismo), a elite escolhe aquela
versão em que se encaixam e se justificam os seus interesses: a explicação
dominante sobre o mundo seleciona e escolhe o rumo da sociedade inteira, a
partir de certas interpretações que ganham o público porque atendem às suas
necessidades fundamentais de sentido e de pertencimento.
· É costume atacar a moralidade do povo, animalizando-o ou taxando-o de primitivo:
“Ora,
quando se ataca a moralidade se destrói o fundamento mesmo do espírito humano e
da humanidade enquanto tal. Negar a moralidade a alguém é, portanto, o
equivalente a animalizá-lo, o que não permite a empatia que temos com o
sofrimento de outro ser humano. Afinal, a moralidade é a dimensão mais
importante do espírito humano, como já dizia Kant. Quem não tem moralidade não
tem espírito; e quem não tem espírito é animalizado, deixa de pertencer ao
gênero humano. É a legitimação perfeita para o saque e o esbulho das riquezas
dos povos supostamente desonestos e primitivos” (Jessé: p. 115).
·
Impregnou
em parte da sociedade brasileira a “servidão
voluntária”:
“[...] Todo povo colonizado culturalmente, como é boa parte do povo brasileiro, age como um escravo fiel, que procura antecipar o desejo de seu dono para melhor servi-lo. [...] Esse é o “bloco de poder” que manda no país, unindo as classes proprietárias e a classe média branca que irá se contrapor à “África”, feia, pobre e inconfiável, que é como essas classes percebem as classes populares, ou seja, cerca de 80% da opulação. Do mesmo modo que na dimensão planetária, a dominação interna no capitalismo periférico brasileiro também é legitimada pela suposta “moralidade superior” das classes brancas” (Jessé, p. 115).
·
Qualquer
tentativa de inclusão social no Brasil foi sempre um problema para a elite, que
logo procurou um pretexto para evitá-la. Como deseja ser a referência da
moralidade superior, geralmente chama os
“investimentos” em “gastos” e a “inclusão” de “corrupção”. “[...]
nunca foi a corrupção o problema dessas classes do privilégio e sim a inclusão
popular, especialmente dos negros nas universidades, o bastião do privilégio
racista dos brancos. Para a classe média branca, a corrupção, desde que seja de
elite que ela inveja e admira, não é um problema” (p. 116).
·
A
esquerda caiu em uma condição de defensiva e nela se acomodou, devido: a)
desorientação; b) falta de estratégia política histórica; c) ausência de um
discurso alternativo de fato articulado capaz de construir um imaginário social
alternativo e crítico;
·
A
esquerda não dispõe de um imaginário alternativo ao elitista, como se um “meme”
pontual fosse capaz de restituir os elos de explicação necessários à
compreensibilidade social e histórica do sujeito (negados pela força da
pregação elitista). Mas, o pior, se joga de corpo e alma no “economicismo”.
Veja isso:

Como a imensa maioria dos quadros políticos é de classe média – e a classe média tende, ingenuamente, a universalizar a sua visão privilegiada do mundo, cognitiva e emocionalmente, às classes populares –, imagina-se, infantilmente, que um projeto econômico de redenção popular e de melhoria de vida seria espontânea e imediatamente percebido pelos pobres enquanto tal. As pessoas só entendem, normalmente, uma herança em dinheiro. Exceto para a ínfima elite, o aspecto decisivo é a herança cultural de classe. Por ser invisível à maioria, permite a falácia da meritocracia, como se todo privilégio individual não tivesse um fundo social. Até hoje os negros e pobres existem para servir de mão de obra barata a preço vil para as classes do privilégio, e para ser, além disso, humilhados cotidianamente pela polícia, pelas patroas, pela escola precária e pelas novelas e notícias desastrosas da mídia (é a elite que seleciona tudo o que o povo vai ver na imprensa e na indústria cultural, com força e pregação diária).
·
Há
um pacto antipopular histórico entre elite de
proprietários e classe média, consolidado desde os anos 1930, que a
democracia sempre tem sido um arremedo entre nós por conta desse ataque
intestino e encoberto à soberania popular, desvelando mais uma manifestação
concreta do escravismo que continua hoje.
·
O
imaginário totalizador elitista dominante permite
envenenar ou enfraquecer decisivamente a crítica fragmentada solta no
mundo. A crítica pontual tem seus limites claros: é uma pequena lanterna num
mar de escuridão. Essa crítica parcial é impotente para se contrapor a um
imaginário que serve para isolar e enfraquecer as críticas pontuais,
fragmentando a compreensão do indivíduo. Enfim, uma crítica sempre pontual e
fragmentária é facilmente engolida e mastigada pelo imaginário dominante.
· A elite prega diariamente com força esses dogmas: a) a imagem de que somos mais corruptos que os outros povos e por isso imbecilizados a ponto de entregar de bandeja a Petrobras e a Odebrecht aos americanos (tidos como os super-heróis honestos, produtivos e confiáveis); b) a crença de que toda corrupção estaria só no Estado e na política; c) culpa-se a política e o Estado por tudo de ruim, o que fragiliza a política como um todo e apequena a participação popular; e de quebra ainda se invisibiliza o saque real da elite sobre o povo; d) a elite aproveita os golpes também para “privatizar” – um eufemismo do saque sobre a riqueza pública – as empresas estatais lucrativas e produtivas a preço de banana.
Enfim, o que sobra? Raiva, muito ódio. Que também são, e essencialmente são, combustíveis de proveito. Essa raiva justa pela opressão diária será canalizada agora pela extrema direita, não pela esquerda. Lançada contra quem? Quais bodes expiatórios? O PT (antipetismo), a mulher (feminicídios), o gay (homofobia), os negros e os pobres (a criminalidade), a política e o voto (o número alto de abstenções e brancos) e até nos bichos e na natureza (os incêndios criminosos e o especismo), etc. Eles vão continuar interpretando seu empobrecimento relativo, provocado pelo golpe de 2016, como causado “pela corrupção do PT”, tal qual noticiado por anos a fio em toda a imprensa brasileira.