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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Comparações sociais.

 “É preciso cultivar o espírito de sacrificar o eu menor para obter os benefícios do eu maior” (Provérbio Chinês).

Grande parte da vida gira em torno de comparações sociais, que podem ser ascendentes (olhar para quem está melhor) e descendentes (olhar para quem está em situação inferior).

Sentimo-nos bonitos quando os outros parecem feios, inteligentes quando os outros parecem burros, carinhosos quando os outros parecem insensíveis. Quando testemunhamos o desempenho de um colega, não podemos resistir a uma comparação implícita conosco. Podemos, portanto, intimamente sentir prazer com o fracasso de um colega, em especial quando acontece com alguém que invejamos e não nos sentimos vulneráveis a essa má sorte. Aqui corremos o risco de sermos mais mesquinhos e cruéis.

Quando as pessoas pensam bem de nós, isso nos ajuda a pensar bem de nós mesmos. Crianças ou pessoas que são rotuladas pelos outros como talentosas, esforçadas ou prestativas tendem a incorporar essas ideias em seus autoconceitos e comportamento. Do contrário, se pessoas de grupos minoritários se sentem ameaçadas por estereótipos negativos de sua capacidade ou se são ameaçadas por baixas expectativas, elas podem se “desidentificar” com o que vinham mostrando afinidade. Em vez de combater esses pré-julgamentos, elas podem identificar seus interesses em outra parte. Aqui, os rótulos têm efeitos construtivos e destrutivos. 

E tudo isso pode voltar contra nós mesmos. Podemos acabar usando o que achamos que os outros pensam de nós como um espelho para percebermos a nós mesmos, tanto para o bem quanto para o mal (é o self do espelho). Importamos para nossos autoconceitos não como os outros realmente nos veem, mas o modo como imaginamos que eles nos vejam. Só que pesquisas mostram que as pessoas geralmente se sentem mais livres para elogiar do que para criticar (elas tendem a expressar mais seus elogios e refrear suas zombarias). Assim, podemos, portanto, superestimar a avaliação dos outros, inflando demais nossas autoimagens.

E ainda tem o peso cultural. Existe mais autoinflação do ego e seu individualismo aqui nos países ocidentais industrializados do que os orientais. Veja a tendência do Donald Trump... Nos EUA, são mais frequentes as muitas palavras de elogio que os amigos oferecem uns aos outros do seu clã (todos os dias). No Japão não é assim (seriam em 4 dias). Por lá, as pessoas são socializadas menos para sentirem orgulho de suas realizações pessoais e mais para sentirem vergonha por faltarem com os outros (os indivíduos do leste asiático pensam mais holisticamente – percebendo e pensando sobre objetos e pessoas em relação uns aos outros e a seu ambiente).

Com as Redes Sociais e as plataformas digitais a comparação foi potencializada. Como as pessoas expõem apenas seus melhores momentos e vidas filtradas, o efeito de comparação social fica desfavorável, aumentando os riscos de ansiedade e frustrações.

Tudo isso causa impactos bons e ruins na autoestima, essa medida psicológica pela qual monitoramos e reagimos a como os outros nos avaliam. E isso tem a ver com aspectos evolutivos. O destino de nossos antepassados dependia do que os outros pensavam deles. Sua sobrevivência aumentava quando eram protegidos por seu grupo. Quando percebiam a desaprovação de seu grupo, havia uma sabedoria biológica em seu sentimento de vergonha e baixa autoestima. Hoje, nós, como seus herdeiros, tendo uma necessidade arraigada de pertencer, sentimos a dor da baixa autoestima quando enfrentamos exclusão social.

Enfim, o sensato é não fazer muitas comparações! Se tiver que fazer, saiba fazer. Quem está no alto pode ser inspirador (motivando-nos a crescer) ou frustrante (causando inveja). Quem está no baixo, serve para proteger a autoestima e gerar alívio, mas pode levar à arrogância. 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O pensamento crítico - fundamentação.

 A crítica é a atitude de permanência na busca por melhores formulações, sem estancar em uma opção, ao invés disso, corrigindo incessantemente as elaborações já alcançadas. Está sempre em movimento dialético de conscientização sobre a impossibilidade de causa externa para a gênese do saber humano. 

O pensamento crítico é mais fiscalizador do que regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentados à experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos... 

Na época atual e no contexto brasileiro, a religião é o elemento em que a crítica se faz mais fortemente necessária. 

·       Crítico” é um dos traços indispensáveis do pensamento filosófico.

·       Para ser “crítico” precisa sustentar o rigor racional, isto é, ser contra as tentações insistentes de desistência ou afrouxamento desse rigor.

·       A crítica filosófica não se resume a atacar e encontrar defeitos em tudo, muito menos pode ser relacionada a uma postura contrária ao que está sendo analisado.

·       Crítico ≠ Cético. Porém, ambos não podem se desvencilhar da dúvida.

- o crítico caminha com a dúvida porque precisa permanecer fiel à razão, em abertura de pensamento à possibilidade de explicações melhores. Para o crítico, o termo “para mim” ao final de uma discussão filosófica é um verdadeiro fracasso do filosofar.

- o cético caminha com a dúvida porque se permite dirigir pelo subjetivismo, duvidando da própria possibilidade de se alcançar consensos racionais (imparciais e universais). Acaba admitindo o termo “para mim” ao final de uma discussão filosófica (sobre a verdade, a justiça, a beleza, etc.). Às vezes, chega ao ponto de tentar derrubar a estrutura lógica inevitável do pensamento.

·       É impossível o pensamento crítico na ausência de um bom e familiar trânsito com os objetos criticados.

·       A exaltação inconsequente da crítica irrestrita ou o ataque sem sentido contra tudo e qualquer coisa (não do pensamento crítico) pode nos jogar em uma trágica ignorância ou matar a própria filosofia (essa desgraça aconteceu no século passado). Assim o fizeram teorias discursivas, sociais e psicológicas que adestram o pensamento para moldar um aluno ou futuro profissional. Nessa linha, não se chega jamais ao estudo de coisas, fenômenos e eventos, mas apenas às suas “desconstruções” – a crítica da história vem antes da história, a crítica do comportamento vem antes do desenvolvimento cultural que origina aquele comportamento específico, a crítica psicológica vem antes do estudo atento do fenômeno apresentado, e assim por diante. O resultado acaba sendo mais um “produto contra” do que “um estudo sério de seu alvo”.

·       Pensamento crítico tem a ver com superar: o reducionismo, o cientificismo ou a autoridade científica, o racionalismo ou o intelectualismo, as posições absolutas, a consciência quase mágica, a falácia genética, aos relativistas, à acomodação de visões indeterministas e indiferentistas, ao determinismo, as posições dogmáticas, ou metafísicos dogmáticos, ainda que assumidas como “científicas”, “antropológicas” ou alguma outra corrente ou ideologia da moda que nos empurra para a arrogância modernista/pós-modernista ou o debruçar-se sobre objetos mal explorados e rapidamente julgados e enquadrados em esquemas ideológicos prévios, redutivos e simplificadores, à incapacidade para o diálogo ou sequer a apreciação de perspectivas alheias, a valoração maniqueísta que abandona a minha e despreza ou condena a perspectiva dos outros... Ao apego de uma teoria ou uma visão de mundo desaconselhadas pelos fatos (ausência de crítica na ciência); ao risco do partidarismo e nas ideologias sociopolíticas que nos impedem de avaliar o caso e o problema com imparcialidade (ausência de crítica na política); o sectarismo (que é a ausência de crítica na religião).

·       Pensamento crítico tem a ver com: resgatar a habilidade humana de abstração de significações simbólicas, despertar a consciência, francos defensores da espontaneidade da consciência, de considerar o amadurecimento do pensamento construído, uma erudição mínima, a história do problema, a apreensão a fundo das questões, a evocação de um conceito forte (substantivo) de liberdade ou de racionalidade... Faz uma apologia da dúvida que não deixa de questionar a si mesma e dá também espaço ao saber, tem o ceticismo como uma de suas ferramentas fundamentais e indispensáveis, preza com força e insistência a honestidade intelectual e a boa vontade ou boa-fé intelectual e a resiliência intelectual em nome de um ideal de verdade ou do progresso das ideias.

·       Toda leitura é tendenciosa porque está condicionada pela carga subjetiva daquele que lê e de como ele sente e interpreta as palavras e conceitos apresentados, permitindo perversões do sentido original pretendido (pressuposto hermenêutico). Assim, para além da posição dos próprios autores, é preciso fazer uma leitura histórica que busque a coerência interpretativa que o tempo e a cultura presentes possibilitam sobre o texto.

·       Pensadores críticos são invariavelmente liberais (a favor da liberdade, do livre curso das coisas ou ideias porque sabe da provisoriedade dos juízos e conhecimentos) e libertários (afirma normativamente ou dá condições concretas para que se aja e pense livremente). Ou seja, o entendimento e a ação humana devem ser essencialmente ativos, produzindo sentenças e princípios, legislando e deliberando sem serem determinados por influência exterior ao próprio órgão avaliativo, a razão.

·       Seria impróprio condenar um pensamento como não crítico por seu conteúdo; semente a forma, o procedimento da investigação e seus objetivos podem classificar como mais ou menos crítico um modelo filosófico.

·       A crítica, como o ceticismo, tem essência por demais negativa para propiciar um senso claro de progressão. Elas estão muito voltadas a dizer o que está errado em um argumento. A pensar o fundamento e os critérios das demais atividades do pensamento, a crítica desvela não mais do que problemas e perigos em todos os caminhos possíveis, conduzindo-nos a um regresso infinito, pois toda a busca por fundamento, coerência e validade de discursos e elementos ideativos resulta da necessidade de sempre, e cada vez mais, voltar atrás na busca de fundamentos.  

·       Pensamentos lógicos simples dominam os demais e não são dominados por nenhum, porque não há posição intelectual que possamos ocupar para, a partir daí, vasculhar esses pensamentos sem pressupô-los. Eis por que eles são imunes ao ceticismo: eles não podem ser postos em questão por um processo imaginativo que conta essencialmente com eles.

·       Para o pensamento crítico, é crucial a tomada de consciência quanto à ordenação dos elementos do pensamento em cada processo do pensar. O pensamento crítico é mais fiscalizador do que regulador. Ao ser aplicado a uma atividade, a crítica filosófica objetiva o despertamento da consciência sobre as diferentes formas de equívoco sobre ela – o erro lógico, o engano epistemológico, o erro moral, a inadequação do juízo estético, a qualificação fina de percepções ou dados apresentado à experiência, a medição da qualidade do discurso sob variados aspectos...

·       Enfim, o criticismo é uma atitude constitutiva essencial da filosofia. 

A Copa já é nossa!

 

1.     Devastação caiu -17% no Cerrado e -23,5% na Amazônia no ano passado (2025). É o menor no país desde 2019! (Fonte: MapBiomas).

2.     PIB cresceu +1,1% no 1º trimestre. No acumulado em quatro trimestres, alta é de +2%, graças às boas medidas do Governo. Isenção de IR, salário mínimo, mercado de trabalho aquecido, novo consignado, serviços, indústria e outras medidas de incentivo puxaram consumo das famílias. 

3.     O Governo Federal lançou um plano para melhorar a qualidade de vida, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), que devem ser alcançados até 2030. E vem avançando... Tabagismo e consumo de bebidas açucaradas, por exemplo, têm estimativas de queda a níveis até menores do que os almejados.

4.     Criação da Unind (Universidade Federal Indígena), primeira instituição de ensino superior do Brasil concebida para e pelos povos originários. Tem sede em Brasília e estrutura multicêntrica para alcançar diferentes regiões do país. Seu início está previsto para 2027. Uma universidade para mudar a universidade, pois não se trata de incluir indígenas em modelos universitários coloniais, mas dar-lhes a autonomia de decidir seu próprio currículo no ensino superior. Afinal, é estratégico doutorar os filhos indígenas, ocupar as universidades e travar a luta por direitos com a caneta, como a formação de advogados indígenas e outras profissões. Enfim, o conhecimento indígena é também contemporâneo e político: produz ciência na gestão territorial, na prevenção de queimadas, na fitoterapia, no manejo da biodiversidade, na governança comunitária.

5.    “Reforma Casa Brasil”: Programa do Governo que oferece crédito para reformas de casas e já financiou R$ 1,3 bilhão em obras só nos seis primeiros meses de operação. Fechou 76 mil contratos entre novembro e maio, e vem turbinando o programa. O limite de renda familiar mensal para acesso ao programa passou de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil e a taxa de juros total caiu para 0,99% ao mês – antes, o piso de juros era 1,17%. O prazo máximo de financiamento, por seu turno, saltou de 60 para 72 meses (Dados: Caixa).

Educação no Ensino Médio.

O estado do Rio de Janeiro tem o 2º maior PIB do país e lidera o gasto por aluno, mas é o penúltimo no Ideb que mede a qualidade da aprendizagem no país, a cada dois anos.

Goiás ocupa o 1º lugar no ranking de educação básica dos estados e investe R$ 10.704 por aluno ao ano, enquanto o Estado do Rio gasta R$ 19.580 por estudante ao ano (83% mais alto que o de Goiás), mas está em 26º lugar. Outros estados que se destacam junto com Goiás são o Paraná e o Ceará, que desenvolveram políticas públicas nos últimos anos que dão bons resultados, como a Lei do ICMS para ensino, inspirada no estado nordestino. 

Será que o investimento do Rio de Janeiro na Educação chegou na valorização dos professores, na segurança e na estrutura da escola e da sala de aula? O que se tem certeza é a descoberta de funcionários fantasmas recebendo como servidores e o deputado estadual Thiago Rangel (preso) pressionando um diretor para que R$ 200 mil fossem desviados de uma escola do Noroeste do Rio para financiar a campanha de sua filha em 2024. 

Em 5 anos o novo Fundeb reduziu desigualdades, mas ainda enfrenta desvios. 6 em cada 10 reais gastos com educação básica no país vêm do Fundo. Ele é o principal mecanismo de financiamento da educação básica, e reúne parcela de impostos estaduais e municipais, além de complementação da União para localidades que não atingem valor mínimo por aluno. Os recursos são distribuídos conforme número e tipo de matrícula. O Fundo zerou o número de cidades com investimento anual de até R$ 8.000 por aluno (que era realidade de 1/3 dos municípios em 2020 e em 2025 foi para R$ 15.710, incluindo aí salários, manutenção, merenda e transporte), mas ainda há de zerar as transferências irregulares ou os desvios de finalidade para planos de saúde, farmácias, Previdência,  odontológicos e até igrejas (em Rio Largo, AL, a prefeitura efetuou em janeiro de 2023 uma única transferência de R$ 2,5 milhões para a Assembleia de Deus). O Fundo foi renovado em 2020, recebendo aumento escalonado da complementação federal. Passou dos 10% vigentes para 23% neste ano de 2026 (e deve ultrapassar R$ 60 bilhões). Municípios com mais de R$ 15 mil por aluno ao ano passaram de 8% em 2020 para 64% em 2025 (no ano passado, o Fundo alcançou R$ 342 bilhões).

Enfim, o Governo Federal está buscando fazer a parte dele. Resta a Estados e Municípios fazerem a mesma coisa. Afinal, só uma articulação unida das três esferas poderá melhorar a qualidade da educação no país. Ao que parece, corrupção e rachas políticos e ideológicos não deixam. 

domingo, 31 de maio de 2026

A guerra como política...

 ... A política como guerra.

(Carl von Clausewitz)

Na política, o inimigo é adversário. Na guerra, o adversário é inimigo. Essa linha tênue que separa um e outro vem sendo desfeita pela ultradireita, um grupo de empresários ambiciosos que decidiram sair do campo econômico e expropriar a esfera política a seu favor.

Veja o caso da Colômbia, um país com 31,6% de taxa oficial de pobreza. Disputando eleições, do lado esquerdo está o senador Iván Cepeda, pupilo de Petro. Do direito, o advogado criminalista Abelardo de la Espriella. E na centro-direita vem a senadora Paloma Valencia. Pelo menos duas diferenças básicas de agendas...

ESQUERDA

DIREITA

·       Propõe a extinção de parte dos benefícios fiscais ao setor empresarial e a tributação de grandes fortunas;

·       Rejeita a militarização como meio de combate à violência, por seu elevado risco de exposição da população civil, e insiste nas negociações de acordos de paz com as guerrilhas.

·       Acenam com a redução de impostos sobre as empresas;

·       Defendem o recrudescimento da ação militar, em sintonia com a doutrina de Donald Trump.

Guerras e terrorismos servem para aumentar estatísticas de morte e refúgio de civis, deixando o terreno livre para expropriação de seus recursos pelos algozes. E o que o Brasil tem a ver com a Colômbia e tudo isso? Bem... Na região amazônica fronteiriça dos países, a facção Isaías Carvajal está em conflito com o Estado-Maior Central, dissidência das Farc. Enquanto isso, Trump vai taxando as organizações criminosas de grupos terroristas, com o intuito de intervir no território em conflito como usurpador da paz. Vai vendo... O Norte do Brasil merece mais atenção!

Enfim, a política deveria ser o terreno de resolução das nossas desavenças sem os recursos da guerra de terceiros. Ela deveria canalizar nossos conflitos, não delegá-los ou materializá-los. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A rotul(ação).

A rotulação justifica a ação?

Novas estratégias, velhas intenções...

Ao designar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) de organizações terroristas (a partir de 5 de julho), Donald Trump busca na manipulação da linguagem a justificativa para interferências em solo brasileiro, sob pretexto da libertação dos moradores de áreas controladas por milícias e pelo crime.

O crime organizado se transformou em um fenômeno transnacional, infiltrado na economia e na política. Por essa via, a extrema direita tenta abrir caminho para intervenções armadas, facilitar deportações, livrar a pele de comparsas e criar riscos de sanções ou premiações contra/a favor de pessoas, empresas e bancos pelos quais passe dinheiro. 

A legislação brasileira (Lei 13.260/16) diz que para um ato ser considerado terrorista, ele precisa envolver violência ou ameaça e também ter sido cometido "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião". Como PCC e CV atuam tendo em vista o ganho material, não há como falar em terrorismo. 

O conflito começa na mente, em campo simbólico, para depois ganhar o terreno físico. É o estilo hollywoodiano pervertido do Tio Sam fazer guerra. Contando com uma Suprema Corte de maioria conservadora, Trump manipula o voto, abala qualquer trajetória eleitoral com versões desencontradas ou mentiras e vem vandalizando as instituições democráticas dos EUA. E não só por lá...

As Eleições 2026 aqui no Brasil não é de Lula x Flávio Bolsonaro. A disputa polarizada é de Lula x Donald Trump, um radical orgulhoso do próprio extremismo, imprevisível e destrutivo. Qualquer chapa que dispute contra Lula, ela estará travestida de Donald Trump. Nossos maiores rivais nas urnas são os republicanos sul-americanizados. 

Os EUA querem o Brasil de qualquer jeito e a qualquer custo... Não o terão!

domingo, 24 de maio de 2026

Holofotes & Ilusões.

 

No centro de nossos mundos, mais crucial do que tudo o mais, estamos nós mesmos. Enquanto pilotamos nossas vidas diárias, nosso self constantemente engaja o mundo. Eis o tópico mais pesquisado na psicologia de hoje – o self (si mesmo).

O self permite planejamento em longo prazo, estabelecimento de metas e moderação. Ele imagina alternativas, compara-se com outros e administra reputação e relacionamentos. Às vezes até pode ser um empecilho para uma vida gratificante. Logo, é diferente do Id (inconsciente) ou a grande parte de nosso comportamento não controlado conscientemente, automático e não autoconsciente.

Essa interação entre nosso self e os nossos mundos sociais pode criar armadilhas, eis alguns exemplos:

1.     Imagine como uma pessoa branca se sentiria morando em um bairro só de negros. Ou uma pessoa negra morando em um bairro só de brancos. Um homem em um grupo só de mulheres. Um único brasileiro em uma cidade estrangeira. A diferença é realçada e a autoconsciência se eleva. Ou seja, o ambiente social afeta nossa autoconsciência!

2.     Sabe aquele seu relacionamento íntimo? Quando tudo ia bem, você era o mais responsável. Mas, quando os problemas surgiram, a culpa foi do/a parceiro/a. Pois é, o interesse próprio tinge nosso juízo social.

3.     Tem muita gente que nem é tão dedicada e responsável naturalmente. Mas, para causar uma impressão favorável na hora “H”, monitora o comportamento e as expectativas dos outros para adaptar a si próprio, e corresponder ao que sondou. Pois é, a preocupação consigo mesmo motiva nosso comportamento social.

4.     É comum termos uma identidade com a nossa mãe, outra identidade com os amigos e outra com os professores. Vamos adaptando nosso modo de pensar nós mesmos às pessoas com quem estamos no momento. Relacionamentos diversos, identidades variadas. Pois é, os relacionamentos sociais ajudam a definir nosso self.

Disso podemos concluir que o tráfego entre nós e os outros é uma via de mão dupla. Nossas ideias e sentimentos a nosso respeito afetam como respondemos aos outros, e os outros ajudam a moldar nosso self. Meditação religiosa e “misticismo” podem apaziguá-lo. Preocupações egocêntricas são aparadas, apegos reduzidos e prazeres materiais redirecionados. Só é bom perder o self quando o transcendemos e nos fundimos com algo maior do que ele. Sem esse grau de maturidade teremos que lidar com armadilhas e problemas. Mais dois exemplos...

É daqui que nasce o “efeito holofote” – nossa perspectiva autofocada que nos leva a superestimar nossa notoriedade. Tendemos a nos ver no centro do palco, intuitivamente superestimando o grau em que a atenção dos outros se dirige a nós. Seja o cabelo bagunçado, a camisa esquisita ou nossas emoções (ansiedade, irritação, repulsa, fraude ou atração), as pessoas não reparam tanto em nós o quanto imaginamos. Elas reparam mais em si mesmas. Menos pessoas reparam do que presumimos. Na verdade, podemos ser mais opacos do que imaginamos.

Intensamente conscientes de nossas emoções escondidas, podemos achar que elas escapam ou transparecem ao além e os outros facilmente as identificam. Achar que estamos transbordando por aí e que todo mundo está notando isso nos faz sofrer de uma “ilusão de transparência” (superestima do grau em que seus estados internos “vazam”) que fortalece o “efeito holofote” (a crença de que os outros estão prestando mais atenção em nossa aparência e comportamento do que realmente estão).

Paranoias! Também superestimamos a visibilidade de nossos maiores erros sociais e lapsos mentais em público. Acabamos angustiados por coisas que os outros mal percebem e logo esquecem. Nosso senso de identidade pode ser melhor aproveitado – lembrar nosso passado, avaliar nosso presente e projetar nosso futuro – e assim nos comportarmos adaptativamente e de forma mais saudável.

Enfim, da próxima vez que você ficar nervoso ou achar que não esteja tão arrumado, lembre-se de que as outras pessoas podem estar reparando menos do que talvez você supunha!

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Pensamento Social.

 “Existem três coisas extremamente duras: aço, diamante e conhecer a si mesmo” (Benjamin Franklin).

“Nenhum assunto é mais interessante às pessoas do que as pessoas. Para a maioria delas, contudo, a pessoa mais interessante é ela própria” (Roy F. Baumeister).

A Psicologia Social é o estudo científico de como pensamos, influenciamos e nos relacionamos uns com os outros. Nessa empreitada, 04 pontos são alvos:

1.     A cognição social: examina o estudo científico de como pensamos uns sobre os outros. Quão sensatas são nossas atitudes, explicações e crenças sociais? Nossas impressões dos outros e de nós mesmos são precisas? Como nosso pensamento social se forma? Como ele pende ao viés e ao erro, e como podemos aproximá-lo da realidade?

2.     A interação self e mundos sociais: como nosso ambiente social molda nossas autoidentidades? Como o interesse pessoal influencia nossos juízos sociais e motiva nosso comportamento social?

3.     As crenças: os modos incríveis e às vezes divertidos de formarmos crenças sobre nossos mundos sociais. Algumas armadilhas do pensamento social e como evitá-las, e também pensar de maneira mais inteligente.

4.     O pensamento-ação: os vínculos entre nossos pensamentos e nossas ações, entre nossas atitudes e nossos comportamentos. Nossas atitudes determinam nossos comportamentos ou vice-versa? Ou isso ocorre em ambos os sentidos?

Enfim, é preciso conhecer como a pesquisa e as teorias da psicologia social são aplicadas à vida real.

sábado, 16 de maio de 2026

Experimentos com humanos.

Existem a pesquisa de laboratório (uma situação controlada e simplificada) e a pesquisa de campo (extraída de situações cotidianas). Enquanto a primeira busca controlar todo o processo, a de campo é feita em ambientes naturais da vida real. Elas podem usar o método correlacional (indagando se dois ou mais fatores/variáveis possuem uma associação natural, o que não é um indicador confiável de o quê está causando o quê - ou se uma terceira variável está envolvida) ou o método experimental (manipulando numa realidade em miniatura algum fator ou causa para ver seu efeito sobre outro).

É preciso ter cautela ao generalizar do laboratório para a vida. Uma amostra aleatória de pessoas não representa toda uma humanidade. As pessoas se diferem de muitas formas desde idades, níveis de instrução, condições socioeconômicas e culturais. Mas, isso não anula nem inviabiliza nosso estudo e compreensão científica pois, embora nossos comportamentos possam diferir, somos influenciados pelas mesmas forças sociais. Por baixo de nossa diversidade na superfície, somos mais parecidos do que diferentes.

VEJAMOS:

Preconceito contra obesos.

As pessoas com frequência percebem os obesos como lentos, preguiçosos e desleixados. Assim, acabam por ter menor probabilidade de estarem casados e de ganharem altos salários. Há correlação entre obesidade e status inferior?

Experimento 01: Mark Snyder e Julie Haugen (1994, 1995) pediram a 76 alunos que travassem uma conversa telefônica para conhecer 1 de 76 alunas. Desconhecidos para as mulheres, a cada homem mostrou-se uma foto dizendo-se que ela era de sua parceira da conversa telefônica. À metade deles foi mostrada a fotografia de uma mulher obesa (não da parceira real), e à outra metade, a de uma mulher com peso que é dito normal. Do ponto de vista das mulheres na conversa revelou que eles falaram com menos carinho e satisfação caso elas fossem presumivelmente obesas.

Enfim, algo no tom de voz e no conteúdo da conversa dos homens induziu as mulheres supostamente obesas a falar de uma forma que confirmava a ideia de que mulheres obesas são indesejáveis. Preconceito e discriminação estavam tendo um efeito.

Violência na TV.

As crianças estão aprendendo e repetindo o que veem na tela? Quanto mais programas de televisão violentos as crianças assistem, mais agressivas elas tendem ser? Assistir violência na televisão ou em outros meios de comunicação leva à imitação, especialmente entre crianças?

Experimento 02: Chirs Boyatzis e colaboradores (1995) exibiram para algumas crianças do ensino fundamental, mas não para outras, um episódio do programa infantil mais popular – e violento – da década de 1990, Power Rangers. Imediatamente depois de ver o episódio, os espectadores cometeram 7 vezes mais atos agressivos por intervalo de dois minutos do que os que não assistiram ao programa.

Enfim, sim, a televisão pode ser uma causa do comportamento agressivo e depressivo das crianças (assim como também é para o bem, isto é, outras áreas como ajuda, estilo de liderança e autoeficácia). E os responsáveis pelas políticas de redes de televisão e do governo, que têm poder para fazer mudanças, estão cientes desses resultados. 

CONCLUSÃO: 

Imagine você passar por um teste para ao final dele descobrir que foi estúpido ou cruel? As provas tradicionais aplicadas por professores muitas vezes causam mais ansiedade e angústia dando e devolvendo essas provas do que os pesquisadores provocam em seus experimentos. Quem passa por um processo experimental precisa estar muito bem consentido, e sair tão bem quanto entrou. Que seja compensado e tratado com respeito. Não bastam ser envolventes, experimentos com humanos também precisam ser éticos e profissionais, pois criam situações que envolvem as emoções das pessoas. Nem sempre os fins justificam os meios. O mérito científico não justifica todo e qualquer engano ou sofrimento, mesmo temporário. Em primeiro lugar, é preciso garantir que as pessoas sejam tratadas humanamente, como obter o consentimento informado das pessoas, protegê-las de danos e revelar eventuais enganos a que foram submetidas para a pesquisa. Afinal, acreditar que você está machucando alguém ou ser submetido a forte pressão social pode ser muito desconfortável e causar sérios danos às pessoas.

Em outras palavras...

 

Um sultão sonhou que tinha perdido todos os seus dentes. Chamado para interpretar o sonho, o primeiro intérprete disse, “Ai de ti! Os dentes perdidos significam que você verá seus familiares morrerem”. Enraivecido, o sultão ordenou 50 chibatadas para o portador das más notícias. Quando um segundo intérprete de sonhos ouviu o sonho, explicou a boa sorte do sultão: “Você vai viver mais do que todo o seu clã!”. Com a confiança renovada, o sultão ordenou que seu tesoureiro desse 50 barras de ouro para esse portador das boas novas.

No caminho, o tesoureiro estupefato comentou com o segundo intérprete, “Sua interpretação não foi diferente da do primeiro intérprete”. “Ah, sim”, respondeu o sábio intérprete, “mas lembre-se: o que importa não é somente o que você diz, mas como você diz”.

Se você for um crente fumante, e perguntar “se pode fumar enquanto ora” terá menos sucesso se perguntar “se pode orar enquanto fuma”. As pessoas são mais impactadas pelo o que é dito primeiro. No ano de 1940, 54% dos norte-americanos disseram que os EUA deveriam “proibir” discursos contra a democracia, e 75% disseram que o país “não deveria permiti-los”. Se você apresentar o mesmo produto de duas formas, por exemplo, carne, e especificar em um “30% de gordura” e no outro “70% de carne magra, 30% de gordura”, as pessoas que evitam a gordura da carne comprarão mais o segundo. Ou se apresentar o mesmo medicamento de duas formas, uma que tem “taxa de eficácia de 95%” enquanto a outra tem “taxa de 5% de falha”, mais pessoas vão preferir o primeiro.

Isso vale para as pesquisas eleitorais de opinião de voto. Elas não preveem literalmente a votação; elas apenas descrevem a opinião pública no momento em que são feitas. A opinião pública pode mudar. Ainda tem quatro influências que podem distorcer os resultados: amostras não representativas, ordem das perguntas, opções de resposta e o palavreado das perguntas. É este que aqui nos interessa, o enquadramento – modo como uma pergunta ou questão é proposta, e que pode influenciar as decisões e opiniões expressas das pessoas.

O modo de perguntar em pesquisas é uma questão muito delicada. Até mudanças sutis no tom de uma pergunta podem ter efeitos acentuados. Mesmo quem está convicto de alguma opinião, o modo como uma pergunta é formulada pode influenciar sua resposta. É assim que efeitos de ordem, resposta e palavreado permitem que manipuladores políticos usem pesquisas para demonstrar apoio público para suas visões.

Enfim, em outras palavras, o “Como” é tão quanto ou mais importante do que “O que” é dito.