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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Pensamento Social.

 “Existem três coisas extremamente duras: aço, diamante e conhecer a si mesmo” (Benjamin Franklin).

“Nenhum assunto é mais interessante às pessoas do que as pessoas. Para a maioria delas, contudo, a pessoa mais interessante é ela própria” (Roy F. Baumeister).

A Psicologia Social é o estudo científico de como pensamos, influenciamos e nos relacionamos uns com os outros. Nessa empreitada, 04 pontos são alvos:

1.     A cognição social: examina o estudo científico de como pensamos uns sobre os outros. Quão sensatas são nossas atitudes, explicações e crenças sociais? Nossas impressões dos outros e de nós mesmos são precisas? Como nosso pensamento social se forma? Como ele pende ao viés e ao erro, e como podemos aproximá-lo da realidade?

2.     A interação self e mundos sociais: como nosso ambiente social molda nossas autoidentidades? Como o interesse pessoal influencia nossos juízos sociais e motiva nosso comportamento social?

3.     As crenças: os modos incríveis e às vezes divertidos de formarmos crenças sobre nossos mundos sociais. Algumas armadilhas do pensamento social e como evitá-las, e também pensar de maneira mais inteligente.

4.     O pensamento-ação: os vínculos entre nossos pensamentos e nossas ações, entre nossas atitudes e nossos comportamentos. Nossas atitudes determinam nossos comportamentos ou vice-versa? Ou isso ocorre em ambos os sentidos?

Enfim, é preciso conhecer como a pesquisa e as teorias da psicologia social são aplicadas à vida real.

Holofotes & Ilusões.

 

No centro de nossos mundos, mais crucial do que tudo o mais, estamos nós mesmos. Enquanto pilotamos nossas vidas diárias, nosso self constantemente engaja o mundo. Eis o tópico mais pesquisado na psicologia de hoje – o self (si mesmo).

O self permite planejamento em longo prazo, estabelecimento de metas e moderação. Ele imagina alternativas, compara-se com outros e administra reputação e relacionamentos. Às vezes até pode ser um empecilho para uma vida gratificante. Logo, é diferente do Id (inconsciente) ou a grande parte de nosso comportamento não controlado conscientemente, automático e não autoconsciente.

Essa interação entre nosso self e os nossos mundos sociais pode criar armadilhas, eis alguns exemplos:

1.     Imagine como uma pessoa branca se sentiria morando em um bairro só de negros. Ou uma pessoa negra morando em um bairro só de brancos. Um homem em um grupo só de mulheres. Um único brasileiro em uma cidade estrangeira. A diferença é realçada e a autoconsciência se eleva. Ou seja, o ambiente social afeta nossa autoconsciência!

2.     Sabe aquele seu relacionamento íntimo? Quando tudo ia bem, você era o mais responsável. Mas, quando os problemas surgiram, a culpa foi do/a parceiro/a. Pois é, o interesse próprio tinge nosso juízo social.

3.     Tem muita gente que nem é tão dedicada e responsável naturalmente. Mas, para causar uma impressão favorável na hora “H”, monitora o comportamento e as expectativas dos outros para adaptar a si próprio, e corresponder ao que sondou. Pois é, a preocupação consigo mesmo motiva nosso comportamento social.

4.     É comum termos uma identidade com a nossa mãe, outra identidade com os amigos e outra com os professores. Vamos adaptando nosso modo de pensar nós mesmos às pessoas com quem estamos no momento. Relacionamentos diversos, identidades variadas. Pois é, os relacionamentos sociais ajudam a definir nosso self.

Disso podemos concluir que o tráfego entre nós e os outros é uma via de mão dupla. Nossas ideias e sentimentos a nosso respeito afetam como respondemos aos outros, e os outros ajudam a moldar nosso self. Meditação religiosa e “misticismo” podem apaziguá-lo. Preocupações egocêntricas são aparadas, apegos reduzidos e prazeres materiais redirecionados. Só é bom perder o self quando o transcendemos e nos fundimos com algo maior do que ele. Sem esse grau de maturidade teremos que lidar com armadilhas e problemas. Mais dois exemplos...

É daqui que nasce o “efeito holofote” – nossa perspectiva autofocada que nos leva a superestimar nossa notoriedade. Tendemos a nos ver no centro do palco, intuitivamente superestimando o grau em que a atenção dos outros se dirige a nós. Seja o cabelo bagunçado, a camisa esquisita ou nossas emoções (ansiedade, irritação, repulsa, fraude ou atração), as pessoas não reparam tanto em nós o quanto imaginamos. Elas reparam mais em si mesmas. Menos pessoas reparam do que presumimos. Na verdade, podemos ser mais opacos do que imaginamos.

Intensamente conscientes de nossas emoções escondidas, podemos achar que elas escapam ou transparecem ao além e os outros facilmente as identificam. Achar que estamos transbordando por aí e que todo mundo está notando isso nos faz sofrer de uma “ilusão de transparência” (superestima do grau em que seus estados internos “vazam”) que fortalece o “efeito holofote” (a crença de que os outros estão prestando mais atenção em nossa aparência e comportamento do que realmente estão).

Paranoias! Também superestimamos a visibilidade de nossos maiores erros sociais e lapsos mentais em público. Acabamos angustiados por coisas que os outros mal percebem e logo esquecem. Nosso senso de identidade pode ser melhor aproveitado – lembrar nosso passado, avaliar nosso presente e projetar nosso futuro – e assim nos comportarmos adaptativamente e de forma mais saudável.

Enfim, da próxima vez que você ficar nervoso ou achar que não esteja tão arrumado, lembre-se de que as outras pessoas podem estar reparando menos do que talvez você supunha!

sábado, 16 de maio de 2026

Experimentos com humanos.

Existem a pesquisa de laboratório (uma situação controlada e simplificada) e a pesquisa de campo (extraída de situações cotidianas). Enquanto a primeira busca controlar todo o processo, a de campo é feita em ambientes naturais da vida real. Elas podem usar o método correlacional (indagando se dois ou mais fatores/variáveis possuem uma associação natural, o que não é um indicador confiável de o quê está causando o quê - ou se uma terceira variável está envolvida) ou o método experimental (manipulando numa realidade em miniatura algum fator ou causa para ver seu efeito sobre outro).

É preciso ter cautela ao generalizar do laboratório para a vida. Uma amostra aleatória de pessoas não representa toda uma humanidade. As pessoas se diferem de muitas formas desde idades, níveis de instrução, condições socioeconômicas e culturais. Mas, isso não anula nem inviabiliza nosso estudo e compreensão científica pois, embora nossos comportamentos possam diferir, somos influenciados pelas mesmas forças sociais. Por baixo de nossa diversidade na superfície, somos mais parecidos do que diferentes.

VEJAMOS:

Preconceito contra obesos.

As pessoas com frequência percebem os obesos como lentos, preguiçosos e desleixados. Assim, acabam por ter menor probabilidade de estarem casados e de ganharem altos salários. Há correlação entre obesidade e status inferior?

Experimento 01: Mark Snyder e Julie Haugen (1994, 1995) pediram a 76 alunos que travassem uma conversa telefônica para conhecer 1 de 76 alunas. Desconhecidos para as mulheres, a cada homem mostrou-se uma foto dizendo-se que ela era de sua parceira da conversa telefônica. À metade deles foi mostrada a fotografia de uma mulher obesa (não da parceira real), e à outra metade, a de uma mulher com peso que é dito normal. Do ponto de vista das mulheres na conversa revelou que eles falaram com menos carinho e satisfação caso elas fossem presumivelmente obesas.

Enfim, algo no tom de voz e no conteúdo da conversa dos homens induziu as mulheres supostamente obesas a falar de uma forma que confirmava a ideia de que mulheres obesas são indesejáveis. Preconceito e discriminação estavam tendo um efeito.

Violência na TV.

As crianças estão aprendendo e repetindo o que veem na tela? Quanto mais programas de televisão violentos as crianças assistem, mais agressivas elas tendem ser? Assistir violência na televisão ou em outros meios de comunicação leva à imitação, especialmente entre crianças?

Experimento 02: Chirs Boyatzis e colaboradores (1995) exibiram para algumas crianças do ensino fundamental, mas não para outras, um episódio do programa infantil mais popular – e violento – da década de 1990, Power Rangers. Imediatamente depois de ver o episódio, os espectadores cometeram 7 vezes mais atos agressivos por intervalo de dois minutos do que os que não assistiram ao programa.

Enfim, sim, a televisão pode ser uma causa do comportamento agressivo e depressivo das crianças (assim como também é para o bem, isto é, outras áreas como ajuda, estilo de liderança e autoeficácia). E os responsáveis pelas políticas de redes de televisão e do governo, que têm poder para fazer mudanças, estão cientes desses resultados. 

CONCLUSÃO: 

Imagine você passar por um teste para ao final dele descobrir que foi estúpido ou cruel? As provas tradicionais aplicadas por professores muitas vezes causam mais ansiedade e angústia dando e devolvendo essas provas do que os pesquisadores provocam em seus experimentos. Quem passa por um processo experimental precisa estar muito bem consentido, e sair tão bem quanto entrou. Que seja compensado e tratado com respeito. Não bastam ser envolventes, experimentos com humanos também precisam ser éticos e profissionais, pois criam situações que envolvem as emoções das pessoas. Nem sempre os fins justificam os meios. O mérito científico não justifica todo e qualquer engano ou sofrimento, mesmo temporário. Em primeiro lugar, é preciso garantir que as pessoas sejam tratadas humanamente, como obter o consentimento informado das pessoas, protegê-las de danos e revelar eventuais enganos a que foram submetidas para a pesquisa. Afinal, acreditar que você está machucando alguém ou ser submetido a forte pressão social pode ser muito desconfortável e causar sérios danos às pessoas.

Em outras palavras...

 

Um sultão sonhou que tinha perdido todos os seus dentes. Chamado para interpretar o sonho, o primeiro intérprete disse, “Ai de ti! Os dentes perdidos significam que você verá seus familiares morrerem”. Enraivecido, o sultão ordenou 50 chibatadas para o portador das más notícias. Quando um segundo intérprete de sonhos ouviu o sonho, explicou a boa sorte do sultão: “Você vai viver mais do que todo o seu clã!”. Com a confiança renovada, o sultão ordenou que seu tesoureiro desse 50 barras de ouro para esse portador das boas novas.

No caminho, o tesoureiro estupefato comentou com o segundo intérprete, “Sua interpretação não foi diferente da do primeiro intérprete”. “Ah, sim”, respondeu o sábio intérprete, “mas lembre-se: o que importa não é somente o que você diz, mas como você diz”.

Se você for um crente fumante, e perguntar “se pode fumar enquanto ora” terá menos sucesso se perguntar “se pode orar enquanto fuma”. As pessoas são mais impactadas pelo o que é dito primeiro. No ano de 1940, 54% dos norte-americanos disseram que os EUA deveriam “proibir” discursos contra a democracia, e 75% disseram que o país “não deveria permiti-los”. Se você apresentar o mesmo produto de duas formas, por exemplo, carne, e especificar em um “30% de gordura” e no outro “70% de carne magra, 30% de gordura”, as pessoas que evitam a gordura da carne comprarão mais o segundo. Ou se apresentar o mesmo medicamento de duas formas, uma que tem “taxa de eficácia de 95%” enquanto a outra tem “taxa de 5% de falha”, mais pessoas vão preferir o primeiro.

Isso vale para as pesquisas eleitorais de opinião de voto. Elas não preveem literalmente a votação; elas apenas descrevem a opinião pública no momento em que são feitas. A opinião pública pode mudar. Ainda tem quatro influências que podem distorcer os resultados: amostras não representativas, ordem das perguntas, opções de resposta e o palavreado das perguntas. É este que aqui nos interessa, o enquadramento – modo como uma pergunta ou questão é proposta, e que pode influenciar as decisões e opiniões expressas das pessoas.

O modo de perguntar em pesquisas é uma questão muito delicada. Até mudanças sutis no tom de uma pergunta podem ter efeitos acentuados. Mesmo quem está convicto de alguma opinião, o modo como uma pergunta é formulada pode influenciar sua resposta. É assim que efeitos de ordem, resposta e palavreado permitem que manipuladores políticos usem pesquisas para demonstrar apoio público para suas visões.

Enfim, em outras palavras, o “Como” é tão quanto ou mais importante do que “O que” é dito.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A História como erro.

Um script não é suficiente para viver.

“A vida é vivida para frente, mas compreendida para trás” (Søren Kierkegaard).

Os fenômenos psicológicos sociais estão todos à nossa volta. É preciso (re)conhecê-los de modo o mais preciso possível. Não é tão simples quanto parece – é o comportamento social. São pessoas pensando, influenciando e se relacionando umas com as outras. É o significado de uma expressão facial, o convencimento de alguém a fazer alguma coisa ou se podemos considerar alguém amigo ou inimigo.

Em nosso cotidiano não esperamos que algo aconteça até que acontece. Depois, subitamente vemos com clareza as forças que ocasionaram o evento e não sentimos surpresa. Além disso, também podemos lembrar incorretamente nossa visão anterior. Aí vem os erros combinados ao julgar a previsibilidade do futuro como os do recordar nosso passado para criar o “viés de retrospectiva” ou fenômeno do “eu sabia o tempo todo” (a tendência a exagerar/generalizar, depois de saber de um desfecho ou nossa capacidade de ter previsto como algo aconteceria – quando nem sempre acontece). É por isso que quase qualquer resultado de um experimento psicológico pode parecer senso comum – só depois que você sabe o resultado. Em retrospectiva, os eventos parecem óbvios e previsíveis.  

“Dia após dia cientistas sociais saem pelo mundo. Dia após dia eles descobrem que o comportamento das pessoas é quase o que você esperaria” (Cullen Murphy, 1990).

(???)

Diante do acervo e do arsenal de experiências corriqueiras, qualquer resultado científico não será surpreendente para a percepção do senso comum. Se você dividir um grupo de pessoas em duas partes, para uma metade contar uma descoberta psicológica e para a outra metade o resultado contrário, depois da posse dos resultados todos dirão: “É óbvio!”. Os dois grupos de pessoas terão boas explicações para os dois resultados opostos. Há um estoque de ditados para fazer qualquer resultado ter sentido, e ambos dirão que “não é surpreendente”.

Vejamos:

1.     Foi descoberto que, seja ao escolher amigos ou se apaixonar, somos mais atraídos a pessoas cujas características diferem das nossas.

2.     Foi descoberto que, seja ao escolher amigos ou se apaixonar, somos mais atraídos a pessoas cujas características são semelhantes às nossas.

Uma metade dirá, por exemplo: “Os opostos se atraem”. A outra metade dirá: “Diga-me com quem andas e direi-te quem és”.

Outro exemplo:

1.     A separação intensifica a atração romântica.

2.     A separação enfraquece a atração romântica.

Uma metade dirá, por exemplo: “Longe dos olhos, perto do coração”. A outra metade dirá: “Quem não é visto não é lembrado”.

Contra o passado (história) há o futuro (pós-história). Desfechos são mais “óbvios” depois que os fatos são conhecidos. Esse viés de retrospectiva ou “eu sabia o tempo todo” muitas vezes torna as pessoas excessivamente confiantes sobre a validade de seus juízos e previsões (para não dizer arrogantes em seus poderes intelectuais). Quando tudo parece previsto, somos mais propensos a culpar (e condenar) os tomadores de decisão (pelo que em retrospectiva são más escolhas ‘óbvias’ do que elogiá-los por boas escolhas, que depois também parecem “óbvias”).

Mais um exemplo:

1.     Soldados com melhor nível de instrução sofrem mais problemas de adaptação do que aqueles com menor nível de instrução. Logo, intelectuais estão menos preparados para as tensões das batalhas do que pessoas com experiência de rua.

2.     Soldados brancos estão mais ávidos por promoção do que soldados negros. Logo, anos de opressão têm um efeito adverso na motivação para realização.

Todas as conclusões desses problemas parecem óbvias. Porém, descobertas apontam que todas essas afirmativas são exatamente o contrário do que foi de fato descoberto.

É muito impasse, não é? Filósofos, romancistas e poetas observaram e comentaram sobre o nosso comportamento social. Eis a força (e um grande problema) do senso comum – o invocamos depois de conhecer os fatos. Por que fazemos isso? Porque os eventos são muito mais “óbvios” e previsíveis em retrospectiva do que de antemão (planejado ou previsto futuramente). Mas, e sob a perspectiva mais precisa da Ciência? 1) documentar ou formalizar o trivial e o óbvio; 2) realizar descobertas rigorosas que podem ser usadas para conscientizar ou manipular as pessoas.

Vamos analisar mais provérbios reais e seus opostos (duelo):

Outros exemplos:

1.     “O medo é mais forte do que o amor”. Ou “Quem caiu não pode ajudar quem está no chão”.

2.     “O amor é mais forte do que o medo”. Ou “Quem caiu pode ajudar quem está no chão”.

DUELOS DE PROVÉRBIOS

Ditados Concorrentes

É mais verdade que

Ou que

 

Cozinheiros demais entornam o caldo.

A inteligência supera a força.

Cavalo velho não pega andadura.

O sangue fala mais alto.

Quem hesita está perdido.

Um homem prevenido vale por dois.

 

 

Duas cabeças pensam melhor do que uma.

Gestos valem mais do que palavras.

Nunca é tarde para aprender.

Muitos parentes, poucos amigos.

Antes que cases, vê o que fazes. 

Não sofra por antecipação.

A felicidade vem de saber a verdade ou de preservar ilusões? De estar com os outros ou de viver em tranquila solidão? Opiniões é o que não faltam. Em geral, o censo comum é válido e está certo (depois do fato). Fica bem compreensível porque Sócrates chegou à conclusão de que “Só sei que nada sei”. Nós facilmente nos ludibriamos pensando que sabemos e sabíamos mais do que de fato sabemos e sabíamos. Não importa o que viermos a descobrir, sempre haverá alguém que o previu. Nesses duelos de ideias concorrentes, cabe ao pensamento crítico e científico encontrar aquela que corresponda melhor à realidade.

Ambas as formas (invertidas) são verdadeiras. São verdadeiras?

Último exemplo:

1.     “Os sábios fazem provérbios e os tolos os repetem” (Autêntico).

2.     “Os tolos fazem provérbios e os sábios os repetem” (Contrapartida inventada).

Tudo é verdade e pode não ser. Depende das condições e dos contextos complexos, inclusive aqueles que ainda nem existem (estão lançados no futuro). Isso é psicologia social. O que parece claro em retrospectiva raramente está claro no lado da frente da história (um diagnóstico ou prognóstico não é tão fácil). As decisões de médicos e júris não são tão simples de serem tomadas. Para evitar erros, é preciso descartar pilhas de “ruídos de informação”, considerar os sinais ou os raros retalhos de informações realmente úteis, ser seletivo ao decidir o que considerar e ligar os pontos. E é exatamente por isso que precisamos da ciência para nos ajudar a separar a realidade da ilusão e as previsões genuínas da retrospectiva fácil. Afinal, o que parece ser óbvio para nós agora não o era naquele momento – isso é pensar se colocando num futuro que logo vai embora. Isso também serve para não sermos nem muito duros conosco mesmos nem arrogantes, pois do outro lado de retrospectiva existe a difícil antecipação. 

Enfim, um script não é suficiente para viver sempre de modo assertivo...

“É fácil ser inteligente depois do acontecido” (Sherlock Holmes).

“Tudo que é importante já foi dito antes” (Alfred North Whitehead).

“Adão foi a única pessoa que, quando dizia uma coisa boa, sabia que ninguém a havia dito antes” (Mark Twain). Kkkk

Pesquisadores e teorias.

 Necessitamos de pesquisadores e teorias com vieses diferentes para realizar a análise científica. Afinal, a própria ciência tem seu lado subjetivo, já que é inevitável que as crenças e os valores prévios influenciem as escolhas e decisões dos próprios cientistas.

Entretanto, a observação e a experimentação sistemáticas nos ajudam a limpar as lentes através das quais vemos a realidade. Então, vamos conhecer alguns pesquisadores e suas descobertas que assim o fizeram.

1.     Brett Pelham: Tese do “egoísmo implícito” – a predisposição de gostarmos daquilo que associamos a nós mesmos.

2.     Mathias Mehl e James Pennebaker: Quantificação do comportamento social. Os relacionamentos representam uma parte considerável do ser humano (uns 30% são só conversação).

3.     Stanley Milgram (1974): Tese da “obediência à autoridade”: pessoas comuns obedecem a ordens de figuras de autoridade, mesmo que isso envolva prejudicar outros. Revela a influência do contexto social na moralidade individual.

4.     Hazel Markus (2005): “As pessoas são, acima de tudo, maleáveis”. Adaptamo-nos a nosso contexto social. Nossas atitudes e comportamentos são moldados por forças sociais externas.

5. Abraham Maslow (1943): “Os seres humanos buscam realizar seu pleno potencial (autorrealização), mas precisam atender às necessidades mais básicas primeiro para evoluir”. É a “Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas” ou "Pirâmide de Maslow" – as ações humanas são motivadas pelo desejo de satisfazer necessidades organizadas hierarquicamente, da mais básica para a mais elevada. 1) um nível de necessidade só precisa ser relativamente satisfeito para que o indivíduo foque no nível seguinte; 2) foco no que dá certo nos seres humanos e na sua busca por crescimento (psicologia humanista), ao contrário de focar apenas na doença ou disfunção...

A Pirâmide (da base para o topo):

1.     Fisiológicas: Alimentação, sono, respiração, sexo.

2.     Segurança: Emprego, saúde, propriedade.

3.     Sociais (Amor/Pertencimento): Amizade, família, intimidade.

4.     Estima: Autoestima, respeito, status.

5.     Autorrealização: Realização do potencial, criatividade.

domingo, 26 de abril de 2026

Sem alma?

 Silêncio Cósmico: sem alma, sem espírito, sem propósito...

E se retirássemos a armadura que nos reveste? Não estou me referindo apenas aos músculos, carnes, ossos e crânio, mas toda a carapaça de crenças dogmáticas que revestem os fascínios do Corpo e do Universo. 




domingo, 12 de abril de 2026

Sutilezas da inteligência.

Existem outras formas de vida inteligente, 

mas a verdade é que os cérebros egóicos não curtem essa ideia ou possibilidade.  

Ainda acreditamos no dogma de que só existe inteligência num roteiro de neurônios biológicos produzindo imagens mentais e consciência. É a ideia pré-copernicana de Universo guiado pela Terra ou a centralidade humana como pressuposto para a existência de inteligência.

Pensar não é pré-requisito para ser inteligente. Nem inteligência é só o critério de “nossa imagem e semelhança”. A inteligência está longe de ser um constructo estável e uma propriedade só humana – linguagem, sistema nervoso centralizado, presença inafiançável de neurônios e intenção explícita.

Você sabe o que são Planárias? Elas aprendem por associação (se distanciam de locais não seguros e a resposta aprendida reaparece no novo cérebro regenerado quando se perde o primeiro). Borboletas passam a evitar os riscos que correu quando ainda eram lagartas (as informações ficaram guardadas em seu sistema nervoso). Se você extrair o RNA dos tecidos de animais treinados e injetar em espécimes não treinadas o resultado será compatível à experiência original. Também há memória na reconstrução de partes de organismos regenerativos (tudo o que está no estado fisiológico da criatura antes de sofrer um corte reaparece depois dele). Até em reações químicas oscilantes o sistema exibe memória, isto é, o estado futuro depende de sua história (processamento de informação sem um “alguém aí”). A reação química tem um quê de aprendizado porque os recursos moleculares de que este emerge precedem a própria vida. Não estamos vendo nenhum neurônio aqui, mas outras redes celulares também capazes de filtrar ruídos e orientar condutas, ainda que de maneira mais lenta e menos especializada. O princípio é o mesmo, só o substrato que varia.

É o que também acontece no debate recente sobre inteligência artificial (IA), em que ainda é verdade o fato da “máquina não pensar”, mas isso não a impede de “ser inteligente”. Levamos na cara o monte de coisas que estão aprendendo a fazer muito melhor do que nós. IAs aprendem, generalizam e corrigem erros. Acima de tudo, usam o passado para se orientar ao futuro, ainda que não tenham a menor ideia do que isso significa.

Enfim, não confunda posição funcional com privilégio ontológico. A inteligência está mais para uma coleção de gambiarras extraídas das propriedades do mundo do que para uma condição existencial de seres assim ou assado. Existem outras formas de vida inteligente, mas a verdade é que os cérebros egóicos não curtem essa ideia ou possibilidade. 

sábado, 11 de abril de 2026

Novo transporte: foguetes.

Novo mapa: espaço sideral.

Do turismo espacial em larga escala à mineração da Lua e de asteroides. Hoje vemos países se digladiarem por reservas de terras raras por aqui. Amanhã, poderão estar disputando esses mesmos recursos em solo lunar. Sem falar em outras aplicações como geração de energia limpa a partir do espaço (H-3) e mesmo a colonização.

¼ do século XXI, foguetes reutilizáveis abrem o Sistema Solar à humanidade. Uma nova tecnologia para reuso rápido e prático de lançadores de foguetes viabiliza novas aplicações do equipamento (os ônibus espaciais), o que pode tornar o voo ao espaço algo quase tão comum quanto viajar de avião nos próximos 25 anos.

Entenda, depois de um lançamento exitoso e sua finalidade alcançada (como colocar satélites em órbita), a corrida agora é por um estágio de volta ou pouso reutilizável. Também aumentar a capacidade de carga. Se lançar é difícil, pousar em seguida é ainda mais. Enfim, cumprir seu objetivo na ida, mas também na volta – a tentativa de pouso sem os prejuízos de se espatifar. Os foguetes reutilizáveis vieram para ficar. Há uma disputa desenhada entre China e EUA pelo controle do espaço cislunar, e o ano de 2026 pode acabar com um ente chinês, privado ou público, dominando também essa tecnologia essencial.

Foguetes não é tecnologia nova. Até recentemente, eram enormes e caríssimos para sua construção, descartados após um único uso, pois suas partes eram descartadas ao longo do voo. Combinados por propulsão por combustão química e esquema de estágios, obtiveram uma base de razoável efetividade. No século passado, graças aos trabalhos de Konstantin Tsiolkovsky, davam sinais de que viabilizariam viagens espaciais. Virou realidade com os V-2 suborbitais, desenvolvidos por Wernher Von Braun para a Alemanha nazista, em 1944, como arma de guerra – foram os primeiros foguetes a atingir o espaço. Mais tarde, consolidaram seu uso dual, também útil para fins pacíficos.

Assim foram desenvolvidos nos anos 1970 os ônibus espaciais, lançados pela primeira vez ao espaço em 1981 – subiam como foguetes e desciam como aviões. A ambição da Nasa era inseri-los na dinâmica da aviação, mas em 1986 viria a acontecer a tragédia de Challenger, o ônibus espacial que explodiu pouco após a decolagem matando os 7 astronautas a bordo. Depois ainda teve o acidente fatal com o Columbia, em 2003. Ainda assim, a Nasa os manteve em operação até 2011, a fim de concluir a construção da Estação Espacial Internacional.

Exigindo muita manutenção e trazendo tantos riscos, os foguetes espaciais eram mais caros do que voos com os convencionais foguetes descartáveis. Em 2004, a SpaceShipOne, projeto do engenheiro Burt Rutan com financiamento de Paul Allen, cofundador da Microsoft, foi o primeiro grupo privado que conseguiu desenvolver um veículo suborbital (capaz de voo espacial, mas sem atingir velocidade orbital). Também o Jeff Bezos e sua Blue Origin, tentou o que parecia impossível: além da decolagem, realizar o pouso também na vertical, usando propulsão.

Na era da exploração espacial, enquanto um foguete suborbital só sobe até a beirada do espaço (100 km de altitude) e desce de volta, atingindo quando muito uns 5000 km/h, um foguete que impulsionará um veículo até a órbita precisa atingir uma velocidade muito maior, cerca de 27 mil km/h. Isso implica desafios maiores quando um estágio desse foguete precisa reentrar na atmosfera e guiar-se para um pouso vertical controlado. Mas, a combinação de poder computacional de processamento rápido e a grande quantidade de sensores embarcados estão aí para isso. E a IA está pronta para gerir!

Informações extras:

·         O primeiro foguete a realizar um pouso vertical controlado após impulsionar uma cápsula ao espaço foi o New Shepard, em 23 de novembro de 2015;

·         O foguete Starship (com 123m de altura), da SpaceX do Elon Musk, vive decolando da Starbase, no Texas (EUA). Foram 11 voos de teste de 2023 até 2025. Ela realizou o pouso vertical com o foguete Falcon 9 (com alguns avanços, depois da New Shepard). A empresa de Musk é líder absoluta de lançamentos comerciais no mundo todo;

·         O New Glenn (98m de altura) da Blue Origin, também de dois estágios, de Jeff Bezos, realizou a estreia do veículo em janeiro de 2025 e fez um segundo voo em novembro, quando pousou o primeiro estágio em uma balsa no mar;

·         Toda essa redução radical no custo dos lançamentos permitiu à SpaceX realizar uma megaconstelação de satélites em órbita baixa para fornecimento de sinal de internet rápida de baixa latência em escala global (capacidade acima de governos). Lançando seus satélites às dúzias com os foguetes Falcon 9, a companhia já tem mais desses artefatos no espaço do que o resto do mundo combinado. São neste momento cerca de 8.000 satélites da rede em órbita, mais de 65% do total em operação hoje. Com isso, a empresa literalmente inventou um novo mercado de exploração do espaço;

·         A Amazon tem sua própria iniciativa semelhante a SpaceX, com o Projeto Kuiper;

·         Os chineses também planejam suas megaconstelações em órbita baixa.

Enfim, a correria espacial é tanta que já há grandes preocupações sobre o sobreuso da região do espaço. Não satisfeito com a poluição do planeta e o consequente aquecimento global e suas crises climáticas decorrentes, agora estão jogando lixo em excesso também no espaço sideral.

Cemitério de Filósofos.

 Teses de intelectuais de direita do Brasil:

1) O Brasil é um cemitério de filósofos.

2) País onde é impossível qualquer atividade que siga um método e uma prática racionais.

3) O sucesso no Brasil é reservado aos bandidos, aos canalhas e aos répteis.

4) Um dos grandes filósofos assassinados no Brasil é Montesquieu, conhecido pela defesa da separação entre os 3 Poderes (não só não há separação entre os Poderes no Brasil, como os próprios Poderes só servem para destruir os brasileiros).

5) O STF declara (um reconhecimento legal) que há “racismo estrutural” no Brasil e que medidas devem ser tomadas.

6) O Brasil fica, cada vez mais, refém de juízes, promotores e advogados.

7) Outro filósofo assassinado no Brasil é o Immanuel Kant (pois não há maioridade no país: o estado  em que uma pessoa introjeta a lei moral racional universal, superando a necessidade de contenção externa, ou seja, já com a lei no coração, sem necessidade da espada no pescoço).

8) tocando nas condições materiais e históricas de existência do povo, jamais alguém agirá de acordo com a lei moral de modo natural, assim como respira.

9) Cada vez que você for fazer algo, se pergunte antes “todo mundo poderia fazer a mesma coisa?”. Se a resposta for não, você não estaria sendo ético. Aqui, ninguém faz essa pergunta. E se fizesse, a resposta seria “não”. O “imperativo categórico” ou “ser ético” é uma piada no Brasil.

10) Oficialmente, há um déficit de prática moral baseada no imperativo categórico no Brasil e medidas urgentes devem ser tomadas a fim de resolver esse déficit. Esse tipo de autocontenção deve ser praticado pelo próprio STF e outras cortes Brasil a fora.

11) Desejar feliz Ano-Novo no Brasil é uma piada de mau gosto. Aqui, nunca há Ano-Novo. 

12) Eles tentam matar o Karl Marx de novo, todos os dias!

Túmulo de Karl Marx: Cemitério de Highgate, norte de Londres, Inglaterra.

Marx foi originalmente enterrado em 1883 em um local mais simples, mas seus restos mortais (junto com os de sua esposa, Jenny von Westphalen, e familiares) foram trasladados para a atual localização em 1954. O monumento, inaugurado em 1956, apresenta um grande busto de bronze sobre um pedestal, financiado pelo Partido Comunista da Grã-Bretanha, tornando-se um local de peregrinação. Contém frases como "Workers of all lands unite" (Trabalhadores de todos os países, uni-vos) e "The philosophers have only interpreted the world, in various ways; the point is to change it" (Os filósofos apenas interpretaram o mundo, de várias maneiras; a questão é transformá-lo).