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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 23 de agosto de 2026

Governos da Minha Vida - I.

 A consciência histórica como instrumento educativo...

No ano em que nasci, 1983, o presidente do Brasil era o general João Baptista Figueiredo (o último governante do período da Ditadura Militar) e seu vice era Aurelino Chaves (ambos tomaram posse em março de 1979 e governaram até março de 1985). Nos bastidores de 1980-1983, rolavam projetos de Anistia, retorno de exilados da ditadura militar, reforma partidária e eleitoral. A moeda era o Cruzeiro. A inflação batia 110,2% ao ano. O país tinha 120 milhões de habitantes.


Cédula de 500 cruzeiros de 1980 comemora os 150 anos da Independência do Brasil (sesquicentenário) e traz no anverso o tema "Evolução da Raça Brasileira". 

Antes da Ditadura Militar no Brasil (1964), o país viveu um período de intensa instabilidade política, crise econômica e polarização ideológica. Quando assumiu o governo no início da década de 1960, Jânio Quadros, que havia sido eleito com um discurso moralista, renunciou com apenas 7 meses no governo (1961). A posse do seu vice (setembro de 1961), João Goulart (Jango), o fez enfrentar resistência de setores conservadores, da elite, de empresários e dos militares, que o acusavam de ter simpatias comunistas. Para permitir que Jango assumisse sem plenos poderes, o Congresso derrubou o presidencialismo e impôs o sistema parlamentarista por um curto período (que só foi revertido pelo Plebiscito de 1963). Mesmo assim, o incômodo foi grande: Jango propôs reformas estruturais (agrária, educacional, fiscal e urbana) para tentar diminuir as desigualdades sociais. As propostas assustaram os setores conservadores e a classe média, catalisando um forte sentimento anticomunista no contexto da Guerra Fria (1947-1991: liderada pelos EUA capitalista e a URSS socialista/comunista). Não muito diferente dos tempos atuais, pois a história acontece primeiro como tragédia e depois como farsa, o país sofria com alta inflação, endividamento externo e forte mobilização de sindicatos e liga camponesas, culminando na tragédia que estava por ser estruturada – o Golpe Civil-Militar de 31 de março de 1964. 

O Brasil passou por um duro regime autoritário de Ditadura Militar que durou 21 anos (1964-1985). O período foi marcado por censura, perseguição política, supressão de eleições diretas e violação de direitos humanos. Em 31 de março de 1964, o presidente do Brasil era João Goulart. Nesse ano, ele sofreu um golpe civil-militar que o derrubou do cargo. Esse golpe foi impulsionado por setores conservadores da sociedade, empresários e militares sob o pretexto de combater o comunismo no contexto da Guerra Fria.

Com a queda de Goulart, quem assumiu foi o marechal Humberto Castelo Branco, que inaugurou os Atos Institucionais (AIs), decretos que davam superpoderes ao Executivo, suspendiam direitos políticos e cassavam mandatos. Ao todo, foram 17 atos institucionais (1964-1969). O AI-2 instituiu o bipartidarismo (ARENA e MDB) e o AI-5 fechou o Congresso Nacional.

O golpe fatal veio com o AI-5, o Ato Institucional nº 5 que fechou o Congresso Nacional, suspendeu o habeas corpus e deu início ao período mais violento da repressão: os “Anos de Chumbo”. O governo era do general Costa e Silva. Também no governo Emílio Garrastazu Médici, houve censura prévia à imprensa, tortura sistemática de opositores e combate implacável aos grupos de guerrilha urbana e rural. Houve uma coincidência, durante esse período, de um forte crescimento do PIB (+10% ao ano), alinhado a uma forte propaganda ufanista (“Brasil, ame-o ou deixe-o”), embora acompanhado também pelo aumento da desigualdade social.

Cinco (05) presidentes militares assumiram o poder durante a Ditadura Militar Brasileira (1964-1985):

·       Humberto de Alencar Castello Branco (1964–1967) - General (transferido para marechal).

·       Arthur da Costa e Silva (1967–1969) - Marechal.

·       Emílio Garrastazu Médici (1969–1974) - General de Exército.

·       Ernesto Geisel (1974–1979) - General de Exército.

·       João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979–1985) - General de Exército. 

A abertura política desse regime fechado foi lenta e gradual. Só a partir de 1974, no governo do general Ernesto Geisel, foi que iniciou o processo de transição, marcado pela extinção do AI-5 em 1978. Deu-se a “Lei da Anistia (1979)”, agora no governo do general João Batista Figueiredo, que permitiu o retorno de exilados políticos ao país e o restabelecimento do pluripartidarismo. 

'Anistia 79': o passado ainda não passou.

Documentário revisita a história da Lei da Anistia ou Conferência Internacional pela Anistia do Brasil, realizada em Roma, em junho de 1979, e seus desdobramentos.  Ao debruçar sobre essa conferência histórica, mostra o legado e a manutenção do aparato repressivo da ditadura e a impunidade dos torturadores no Brasil. Uma reflexão sobre memória, justiça e democracia por meio de relatos inéditos e registros históricos.

Sou uma das memórias dos sobreviventes da Ditadura Militar Brasileira. Traumas daquele regime funesto ainda conduzem o País, mostrando os efeitos dela sobre o Brasil atual. De forma bastante equivocada, a anistia foi ampla, geral e irrestrita, não só tirou da prisão os prisioneiros políticos, mas beneficiou os generais no poder, que fizeram uma leitura perversa da lei (uma aberração jurídica), de modo a se autoanistiar e garantir impunidade aos torturadores. Enfim, os grandes acontecimentos dão uma visão de conjunto da história, mas os microacontecimentos são tão ou mais importantes que eles. 

Um ano antes do meu nascimento, 02 de abril de 1982, ocorreu a Guerra das Malvinas entre Argentina e Inglaterra (a Argentina saiu democratizada em 31 de outubro de 1983). Os aviões de combate ingleses não receberam permissão de pouso aqui no Brasil. Também foi concluída a represa de Itaipu no dia 12 de outubro, a maior hidroelétrica do mundo na época, inaugurada por Figueiredo em 05 novembro daquele ano. A dívida externa brasileira não ia bem, e buscava-se sua renegociação com bancos e empréstimos para manter sua liquidez, inclusive com o presidente dos EUA, Ronald Reagan e o FMI (que visitou o Brasil no mês do meu nascimento, novembro de 1983).

Hoje, 2026, nossa dívida está em 81,9% do PIB, beirando os R$ 10 trilhões. Não é baixa, mas com um tremendo diferencial. Nossa situação está um pouco acima da média registrada nas economias emergentes e em desenvolvimento (74% no fim de 2025), mas segue muito abaixo da média nas economias desenvolvidas (108%). Além disso, a dívida brasileira possui duas características especialmente benignas: mais de 96% de seu total é denominado em reais, emitidos pelo próprio governo, e menos de 10% é detido por investidores externos, o que tende a facilitar o seu financiamento. Tanto que, o risco associado à dívida pública brasileira, em vez de aumentar, tem caído. Entre dezembro de 2024 e meados de 2026, o risco diminuiu 50%!

O crescimento razoável ocorreu em 2023, para honrar dívidas não pagas pela administração anterior (bolsonarista) e para recompor o orçamento de políticas públicas essenciais severamente por ele desestruturadas. Também entra nessa conta o pagamento de juros, que respondeu por quase 90% do incremento acumulado da dívida daquele ano e que, em 2025, chegou a 7,91% do PIB (18,4 vezes mais que o déficit primário então registrado). Logo, em nada tem a ver com o suposto descontrole dos “gastos” do governo Lula.3 (não existe!). Claro que precisamos aperfeiçoar as regras que disciplinam a execução de gastos primários, bem como fortalecer os mecanismos de controle para elevar a eficiência e a eficácia da administração pública e das políticas governamentais. Mas, para conter a verdadeira expansão acelerada da dívida pública, é preciso mudar de forma contundente a política monetária que permita uma queda consistente das taxas de juro e, com isso, do custo de financiamento da dívida, sem comprometer os investimentos sociais.


Retomando, os dados mostram o quão difícil foi o ano de 1983, com muitos desempregados, inclusive notícias de saques de supermercados e caminhões de comida. 26 bancos renegociaram a dívida do país, que tomou 2º empréstimo no valor de US$ 4 milhões na época para manter a sobrevivência da Nação. Enquanto isso, o país era o 6º maior exportador de armas do mundo! 

Em 1984, quando eu tinha apena 01 aninho de idade, um amplo movimento popular passou a pressionar o governo militar pela volta das eleições diretas para presidente da República. Por todo o Brasil, houve mobilizações e passeatas que formaram a chamada campanha das “Diretas Já”. Ela envolveu vários setores da sociedade, como representantes sindicais, partidos políticos de oposição, estudantes e trabalhadores. Pipocavam pelo país passeatas e comícios pelas “Diretas-Já!”. Em julho daquele ano, José Sarney (Frente Liberal) aceita ser vice de Tancredo Neves, para, em janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral elegê-los presidente e vice, respectivamente. Mas, logo Tancredo foi operado de um tumor benigno (diverticulite), morrendo no dia 21 de abril do corrente ano após contrair uma infecção hospitalar do procedimento. Em 22 de abril, seu vice José Sarney, assume a presidência. Foi ele quem, no dia 3 de setembro, criou a Comissão Provisória de Estudos Constitucionais (redigia-se uma anteprojeto da Constituição). Em novembro, a Arquidiocese de São Paulo lançou o livro “Brasil nunca mais” onde lista 444 torturados durante a ditadura militar. 

A população foi às ruas na Campanha Diretas Já (1984) exigindo eleições presidenciais diretas, mas a emenda foi rejeitada. A transição se concluiu em 1985 com a eleição indireta de Tancredo Neves.

Já com 02 anos de idade, a direção política brasileira encaminhou a construção da ordem democrática e os seus “progressos” econômicos. O ano era 1985, e havíamos saído de 21 anos de Ditadura Militar (1964-1985), que tinha como oposição partidária o PMDB, PDT, PT. O deputado Paulo Maluf (1931-), candidato alinhado aos militares, recebeu a indicação para disputar as eleições. Já Tancredo Neves (1910-1985), que era governador de Minas Gerais, foi o candidato de oposição.

Os primeiros passos para a redemocratização foram dados com a eleição indireta do primeiro presidente civil Tancredo Neves (14/03/1985), que faleceu no mês seguinte (21 de abril). Coube ao vice, José Sarney, assumir interinamente.

Lá eu estava com 03 anos de idade (1986), quando foi lançada a segunda moeda da minha vida, o Plano Cruzado (02 de fevereiro de 1986). Ocorreu uma reforma monetária, congelamento total de preços, baixa do desemprego para 2,6%, gatilho salarial, aumento do salário mínimo, felizmente. Mas, durou pouco, pois no dia 7 de setembro os combustíveis aumentaram 60% e o aumento de outros preços em até 120%, era o prenúncio da queda do Plano Cruzado e o anúncio do Plano Cruzado II.

Ulysses Guimarães (PMDB) se elege presidente da Constituinte em 1987 (eu entrando nos 04 anos de idade). Enquanto isso, Fernando Collor de Mello (governador do Alagoas) pedia à Justiça a criminalização dos funcionários marajás. Naquele ano, o Exército ocupava todas as refinarias de petróleo do País diante da ameaça de greve. Em julho do corrente ano rola comício em Brasília e em São Paulo por eleições presidenciais em 88. E, no dia 2 de Agosto, o PT lança Lula candidato à Presidência da República. Em novembro finda a moratória, o Brasil volta ao FMI e paga US$ 500 milhões da dívida. 

Minha infância sofreu forte influência da herança maldita da Ditadura. Ainda assim, tive a sorte de me livrar da Constituição de 1967 (feita nos anos de repressão), e usufruir dos primórdios da Nova Constituição promulgada em 1988 por José Sarney e Ulysses Guimarães, a atual Constituição Cidadã e sua democracia liberal. Lá eu estava com 05 anos de idade.

O ano agora é 1988 (eu com 05 anos de idade). Os ministros militares apoiam cinco anos de mandato para Sarney. Naquela época, os EUA já impunham sanções comerciais ao Brasil para forçar aprovação da Lei de Patentes. E a boa notícia vem em 22 de Setembro – a Constituinte aprova a nova Carta Magna. Em 5 de outubro, Ulysses Guimarães a promulga, batizada de “Constituição Cidadã, de 1988”. Na contramão, o Exército mata 03 metalúrgicos em greve no RJ e é assassinado por fazendeiros o sindicalista acreano Chico Mendes. Também uma CPI do Senado denuncia 29 pessoas por corrupção, entre elas, o próprio presidente Sarney.


Chega o ano de 1989. Lá estou com 06 anos de idade para receber a quarta moeda da minha vida – o cruzado novo (NCz$). Sarney anuncia o Plano Verão, com congelamento, desindexação, demissões no funcionalismo. Nessa época, uma greve geral com 42% de adesão vai contra a política econômica e também uma greve de portuários. Em novembro do corrente ano acontece a 1ª eleição presidencial em 9 anos, e Collor e Lula se classificam para o 2º turno. Collor vence Lula por quase 4 milhões de votos, infelizmente. O Brasil entra no 6º mês sem pagar a dívida externa. A inflação do ano acumula 1.764,9%!!!


No dia 12 de julho de 1989, foi lançada a chapa Collor-Itamar Franco para sucessão presidencial. Collor e Lula participam de debates, vão para o 2º turno, e Collor vence e toma posse em 15 de Março de 1990. Eu estava com 7 anos de idade. No Plano Collor 1, há bloqueio das contas correntes e de poupança. O Cruzeiro volta a substituir o Cruzado Novo, mas mantendo o mesmo valor. Zélia Cardoso, sua Ministra da Economia, negocia com os EUA e o FMI e bancos o reinício do pagamento da dívida externa (mas depois propõe plano de conversão da dívida externa em títulos e diz que os US$ 10 bilhões de juros em atraso não serão pagos em 1990). São demitidos 354 mil funcionários públicos. Há uma greve nacional de petroleiros por aumento salarial e contra 1,5 mil demissões. Collor demite 53 mil servidores federais e põe 52 mil em disponibilidade, com corte salarial. Viaja aos EUA e é entrevistado por empresários, banqueiros e tem encontro com o presidente George Bush, que visita Brasília. Em Dezembro de 1990, os EUA arrestam dois navios do Lloyd Brasileiro como garantia de pagamento de dívidas. Collor decide a privatização ou extinção do Lloyd. A inflação no ano bate a maior recessão já registrada: 1.198%. Sem verba, o IBGE não realiza o censo demográfico.

Em 1991, é lançado o Plano Collor 2 e o Projeto de Reconstrução Nacional. Mais desgraças: privatizações, fim da estabilidade do funcionalismo, universidades pagas. Em 12 meses, a renda do trabalhador brasileiro despenca 33%. O Governo propõe o fim da aposentadoria por tempo de serviço.

Ressalvas ao vídeo...

Depois de 21 anos de regime de exceção (Ditadura), e após eleger Fernando Collor como presidente em 1989, assumindo em 1990, e que sofreu impeachment 2 anos depois, e quem veio a assumir foi o Itamar Franco (no ano de 1992)... Tempos em que o povo era resistente e humilde (pobre de Esquerda), mas a política era um desastre. Hoje, aqui estamos meio invertidos, melhorando no Governo, mas parte do povo sendo manipulada (pobre de Direita).  Enfim, não dá pra ter um governo ruim com um povo bom, nem um governo bom com um povo ruim (por isso as redes sociais e a desinformação estão prejudicando as relações entre as pessoas). Precisamos enfrentar as forças extremas da Direita e melhorar todos juntos, enquanto boa Nação: com justiça, prosperidade coletiva e paz!

Felizmente, em abril de 1991 (eu com 08 anos de idade), a ONU dá o Prêmio Global 500, de ecologia, ao brasileiro Herbert de Souza, o Betinho. E em 29 de Setembro de 1992, a Câmara autoriza o Senado a processar Collor e afastá-lo da Presidência. Eu tinha 9 anos de idade. O Vice Itamar Franco assume o posto, governando por 02 anos e 03 dias: de 29 de dezembro de 1992 a 1º de janeiro de 1995, eu tinha 12 anos de idade neste ano (tendo como Ministro da Fazenda aquele que criaria o Plano Real e seria presidente por dois mandatos consecutivos – Fernando Henrique Cardoso: 1995-1998 e 1999-2002). 

Seu governo foi marcado pela consolidação do Plano Real, controle da inflação e por reformas de orientação liberal na economia (vendeu grandes empresas estatais, como a Companhia Vale do Rio Doce, a Telebrás e a Embratel). Facilitou a entrada de capital estrangeiro. Criou a famigerada Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), que estabelece regras rígidas de controle de investimentos públicos. Aqui eu já estava com 17 anos de idade. Criou o “Bolsa Escola”, a Lei dos Genéricos e o Enem. Quando terminou sem 2º mandato em 2002, eu tinha 19 anos de idade.  


Lula I e II (2003-2010): 

Algumas das principais ações do Governo. Alguém se lembra?


Dilma I e II (2011-2016);

Michel Temer (2016-2018);

Bolsonaro (2019-2022);

Lula.3 (2023-2026). 

Algumas das atuais ações do Governo.

Eleições (2026).


Os desafios de ontem e hoje continuam sendo: superar uma longa trajetória histórica de autoritarismo e violência, sustentada nas práticas paternalistas e tutelares do poder instituído; lidar com uma situação econômica que oscila entre a deterioração e a opulência, com crises de dívidas e péssima distribuição de renda; enfrentar a inserção do país numa economia cada vez mais globalizada e atacada pelo neoliberalismo; avançar em direitos e nos instrumentos legais de afirmação democrática, superando o fosso entre a elite e a imensa massa de excluídos nacionais; ampliar as conquistas sociais dos trabalhadores (com garantias trabalhistas e assistencialismo) e encontrar os meios para tal sem cair nas mãos do mercado ou viver entre um Estado ineficiente ou falido.

Em resumo:

- General João Baptista Figueiredo e Aurelino Chaves (março de 1979 a março de 1985). O último governante da ditadura militar. 

- Tancredo Neves (14/03/1985).

- José Sarney (1985-1990).

- Fernando Collor (1990-1992), impeachment.

- Itamar Franco (1992-1995).

- FHC I e II (1995-2002).

- Lula I e II (2003-2010).

- Dilma I e II (2011-2016), impeachment.

- Michel Temer (2016-2018).

- Bolsonaro (2019-2022).

- Lula.3 (2023-2026).

Enfim, a redemocratização brasileira é tão jovem quanto eu. No governo passado, vimos uma tentativa de justificar, POR DENTRO, uma nova intervenção dos militares na política, apoiada na formulação obscura da função das Forças Armadas como responsáveis pela defesa da ordem interna, depois de colapsar a nação com uma pandemia e fanatismos. Não conseguiram! Agora, sofremos uma agressão externa com uma tentativa POR FORA da interferência dos EUA. Não conseguirão!!!

Governo da Minha Vida - II.


1.     Devastação caiu -17% no Cerrado e -23,5% na Amazônia no ano passado (2025). É o menor no país desde 2019! (Fonte: MapBiomas).

2.     PIB cresceu +1,1% no 1º trimestre. No acumulado em quatro trimestres, alta é de +2%, graças às boas medidas do Governo. Isenção de IR, salário mínimo, mercado de trabalho aquecido, novo consignado, serviços, indústria e outras medidas de incentivo puxaram consumo das famílias. Ou seja, nossa economia está mais aquecida!

3.     O Governo Federal lançou um plano para melhorar a qualidade de vida, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), que devem ser alcançados até 2030. E vem avançando... Tabagismo e consumo de bebidas açucaradas, por exemplo, têm estimativas de queda a níveis até menores do que os almejados.

4.     Criação da Unind (Universidade Federal Indígena), primeira instituição de ensino superior do Brasil concebida para e pelos povos originários. Tem sede em Brasília e estrutura multicêntrica para alcançar diferentes regiões do país. Seu início está previsto para 2027. Uma universidade para mudar a universidade, pois não se trata de incluir indígenas em modelos universitários coloniais, mas dar-lhes a autonomia de decidir seu próprio currículo no ensino superior. Afinal, é estratégico doutorar os filhos indígenas, ocupar as universidades e travar a luta por direitos com a caneta, como a formação de advogados indígenas e outras profissões. Enfim, o conhecimento indígena é também contemporâneo e político: produz ciência na gestão territorial, na prevenção de queimadas, na fitoterapia, no manejo da biodiversidade, na governança comunitária.

5.    “Reforma Casa Brasil”: Programa do Governo que oferece crédito para reformas de casas e já financiou R$ 1,3 bilhão em obras só nos seis primeiros meses de operação. Fechou 76 mil contratos entre novembro e maio, e vem turbinando o programa. O limite de renda familiar mensal para acesso ao programa passou de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil e a taxa de juros total caiu para 0,99% ao mês – antes, o piso de juros era 1,17%. O prazo máximo de financiamento, por seu turno, saltou de 60 para 72 meses (Dados: Caixa).

6. Analfabetismo no Brasil cai para 4,9%, menor taxa da série histórica (IBGE). 

7. Mercado aquecido, melhoria de emprego. Mais brasileiros pedem demissão em busca de um emprego melhor. Enquanto o desemprego vem atingindo o menor patamar, mais de 9 milhões de trabalhadores solicitaram desligamento em 12 meses até abril. A maioria deles trocou de emprego. O peso do setor de serviços (que responde por 70% da economia) e o avanço da formalização e da renda ajudam a explicar os números. 

8. Possível superávit comercial de US$ 75 bilhões da balança comercial neste ano de 2026, apesar dos tarifaços de Trump! Exportações brasileiras aos EUA recua ao menor nível em 30 anos após tarifaço (em 31 de julho de 2025, com tarifas que chegaram a 50% para alguns itens), com quase todos os Estados (24 dos 27) sentindo queda nas vendas. A fatia dos EUA nas vendas brasileiras recuou para 9,3% (ante 12,4% e já ficou em 26%) do total exportado pelo país (entre agosto de 2025 e maios de 2026). Nunca a parcela americana para esse período de 10 meses foi tão pequena (desde 1997). E virão mais: se forem aplicadas e se acumularem, as tarifas médias sobem para 18,2% - 8,6 pontos a mais do que as atuais, e a nova tarifa atingiria 21% das exportações aos EUA. Ainda assim, o Brasil buscou outros parceiros, e o resultado agregado da balança comercial poderá ser de US$ 75 bilhões em superávit comercial neste ano de 2026 (acima dos US$ 68,1 bilhões em 2025)! Puxado por petróleo, que deve ser o principal item exportado pelo país, sob influência da guerra no Oriente Médio. Enfim, e o Brasil busca mais acordos para reequilibrar seu comércio.

9. A luta pela manutenção de jovens na escola avançou bastante nos últimos anos. A queda da taxa de abandono no Ensino Médio na rede pública foi de -34% após Pé-de-Meia, que paga bolsa a quem segue os estudos (Pnad Contínua, 2025)! Foram adotadas boas iniciativas para recompor a aprendizagem, com conteúdo capaz de estimular interesse e autoestima. No ano passado, foi lançado pelo MEC o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens e o novo PNE, com metas até 2036 (com muitos direcionamento, apoio técnico e material pedagógico). Enfim: 1) temos a presença de 99,5% das crianças de 6 a 14 anos na escola; 2) a quantidade de jovens de 15 a 29 anos sem o ensino médico completo e que não frequentam a escola caiu de 10,95 milhões (em 2019) para 7,85 milhões (em 2025). Apesar dos avanços, os desafios persistem: são mais de 7 milhões de jovens de 14 a 29 anos que não completaram o ensino médio e estão fora da escola; e cerca de 2 milhões dessa faixa etária que abandonaram a escola e ainda afirmam não ter interesse em estudar. Pouco mais de 8 milhões de pessoas de 15 a 29 anos não estudam nem trabalham. 

10. Nossa camisa é 10! Brasil volta a fazer parte das 10 maiores economias do Mundo! E ainda poderá avançar para a 8ª posição até 2030!

11. 24 milhões de brasileiros saíram do Mapa da Fome. 


12. Diversos programas sociais...



·       Plano Safra 2026/27 de R$ 610 bilhões, e ainda com redução de 1,5 p.p. nas taxas de juros. Crédito de R$ 525,1 bilhões para financiar médios e grandes produtores (agricultura empresarial); e de R$ 83 bilhões a R$ 85 bilhões para a agricultura familiar. 

·       O novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo federal lançado em maio, mira as linhas mais caras do mercado: rotativo do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado. Só em maio deste ano, a taxa de inadimplência no crédito subiu para 4,7%, com atrasos superiores a 90 dias. Desde maio, o programa já renegociou mais de R$ 15 bilhões!

·       O Brasil entrou, pela primeira vez, no grupo de países com o nível muito alto de desenvolvimento humano. Avanços em renda (0,760), educação (0,798) e expectativa de vida (0,860) elevaram o país para o IDHM: 0,805 em 2024 (em um índice de 0 a 1). É o maior da história do país! A marca coloca o país em um patamar inédito no cenário internacional. Foram 5,3 milhões de novos empregos, com 90% dessas vagas preenchidas pelo público do Bolsa Família e do CADÚnico-Social. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A rotul(ação).

O rótulo justifica a ação?

Assédio: novas estratégias, velhas intenções...

Ao designar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) de organizações terroristas (a partir de 5 de julho), Donald Trump busca na manipulação da linguagem a justificativa para interferências em solo brasileiro, sob pretexto da libertação dos moradores de áreas controladas por milícias e pelo crime.

O crime organizado se transformou em um fenômeno transnacional, infiltrado na economia e na política. Por essa via, a extrema direita tenta abrir caminho para intervenções armadas, facilitar deportações, livrar a pele de comparsas e criar riscos de sanções ou premiações contra/a favor de pessoas, empresas e bancos pelos quais passe dinheiro. 

A legislação brasileira (Lei 13.260/16) diz que para um ato ser considerado terrorista, ele precisa envolver violência ou ameaça e também ter sido cometido "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião". Como PCC e CV atuam tendo em vista o ganho material, não há como falar em terrorismo. 

O conflito começa na mente, em campo simbólico, para depois ganhar o terreno físico. É o estilo hollywoodiano pervertido do Tio Sam fazer guerra. Contando com uma Suprema Corte de maioria conservadora, Trump manipula o voto, abala qualquer trajetória eleitoral com versões desencontradas ou mentiras e vem vandalizando as instituições democráticas dos EUA. E não só por lá...

As Eleições 2026 aqui no Brasil não é de Lula x Flávio Bolsonaro. A disputa polarizada é de Lula x Donald Trump, um radical orgulhoso do próprio extremismo, imprevisível e destrutivo. Qualquer chapa que dispute contra Lula, ela estará travestida de Donald Trump. Nossos maiores rivais nas urnas são os republicanos sul-americanizados. 

Os EUA querem o Brasil de qualquer jeito e a qualquer custo... Não o terão!

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

REDAÇÃO I, 2026.

 As Contradições dos EUA.

As 13 colônias britânicas tornaram-se independentes em 1776, depois de muita resistência de seus colonos. Suas lutas foram fundamentadas em princípios iluministas, que fizeram surgir o Estado Liberal como “a verdade econômica”. Todavia, 250 anos depois, o que os 50 estados e o Distrito Federal dos Estados Unidos da América não aprenderam com a sua própria história dita republicana?  

No curso da história, o foco de exploração foi sendo alterado pelos exploradores de riquezas. A princípio, estava centralizado nas commodities, depois passou a ser o comércio, adiante a terra e em seguida chegou no “trabalho humano”. Atualmente, quem domina a tecnologia e os centros de informação tenta controlar todos os focos anteriores e se impõe no mercado e no mundo - são as gigantes tecnológicas e de semicondutores da fase atual do capitalismo financeiro e digital.

Sabemos que o liberalismo econômico é a cartilha do capitalismo, que condena o controle estatal e aposta na exploração do trabalho como fonte de riqueza. Para isso, aplica o racionalismo na produtividade através da concorrência, da divisão do trabalho e do livre-comércio, prometendo uma coisa que não vem se consolidando – o equilíbrio social. A alta concentração de renda pela formação de nichos fechados de bilionários e trilionário, por um lado, e um sistema frágil de seguridade social e má distribuição de renda do outro, escancara as desigualdades sociais produzidas pelo sistema de classes. Esses são os atuais EUA... 

Ora, uma nação que encorajou e valorizou as experiências individuais, mas deixou de lado o princípio da igualdade entre as pessoas. Que deu exemplo de superação dos laços de sujeição e valorização das ciências, mas cujo progresso alcançado tem concentrado tecnologia a serviço da espionagem, do poderio bélico, da tomada de recursos alheios, da monopolização do comércio global e do controle espacial. Que é o berço da democracia na América e exemplo dos movimentos emancipacionistas, mas que nos primórdios de sua nova república ficava restrita às decisões de homens comerciantes e latifundiários, tradicionalmente brancos, ingleses ou descendentes. Que tem uma das mais sólidas e concisas Constituição, mas ainda prega o negacionismo, a barbárie e a negação de direitos. 

O próprio país que lutou para tornar-se independente de taxações abusivas e leis intoleráveis dos ingleses, hoje tenta aplicar tarifaços excessivos a parceiros comerciais. O mesmo país que foi formado por nativos indígenas asiáticos miscigenados com estrangeiros africanos escravizados e europeus, hoje levanta muros xenofóbicos e tentam aplicar uma política intolerante à imigração. A mesma nação que nasceu defendendo os princípios da liberdade, da autodeterminação, da vida, da segurança, da livre expressão, do espaço privado e da felicidade, provoca ou financia guerras mundo a fora, tentando violar a soberania de outras nações e impor a homogeneização de seus valores aos diferentes povos. O país que faz intervenções bélicas em outras nações alegando a contenção do enriquecimento de urânio é também a nação que ocupa o segundo lugar em arsenal de ogivas nucleares e o primeiro no ranking de poluição global. 

Apesar dos EUA serem uma potência tecnológica e cientificamente avançada, com uma aparente separação entre Ciência e Teologia, suas alas conservadoras ainda desejam ensinar a Bíblia nas escolas em pleno século XXI, mostrando o quão essa Ciência não foi liberada da ficção. Pairou aí, graças ao liberalismo (natural, selvagem, radical, original) uma ideia mística sobre a Natureza e seu poder transformador. Uma visão radical que alimentou espíritos vazios e niilistas, dos mais revolucionários radicais aos mais omissos e submissos. 

Tudo isso mostra que a liberdade pode ser perigosa se entendida como um conceito irrestrito, puramente político-ideológico e econômico, desvinculado do compromisso ético e existencial. Vale dizer um populismo anti-institucional e anti-sistema. Imagine um grupo livre e frustrado pela recessão, pela insegurança e pelo desemprego, formado por gente ignorante que, em nome da sua suposta liberdade individual, promove comícios com seguranças armados, retórica racista, misógina e homofóbica, estimula a formação de milícias, rotula e condena medidas e programas sociais como “tirania socialista” ou "comunista" e fala até em uma nova guerra civil. Uma liberdade individual dessas, sobreposta ao Estado, como possibilidade do indivíduo decidir, por si próprio, onde e como deve aplicar seus recursos, priorizando a esfera privada em relação à esfera pública, e a primazia dos interesses pessoais sobre os interesses coletivos, é uma liberdade fantasiada de patriota ignorante – e esperto, com disposição a cometer suicídio democrático ao atacar o próprio voto e as urnas em nome da liberdade de abusos e excessos. Ela existe nos EUA (trumpismo), e por aqui ficou bastante conhecida como “bolsonarismo” ou o populismo averso da extrema direita. 

Enfim, dentro da lei, ninguém é livre para suprimir ou violar a liberdade de outros! Um governante deve estar a serviço dos governados, e não o contrário. Caso não cumpra sua função, é legítimo que os cidadãos se levantem contra ele, nas ruas e nas urnas. Afinal, se há alguma soberania ela deverá ser popular e com qualidade, sem ser negociada, onde a liberdade caminha de mãos dadas com a responsabilidade, a igualdade, a justiça, a Constituição e a Democracia. Caso contrário, esses são os EUA a quem não queremos pertencer e muito menos nos tornar!