O combate a discursos e comportamentos
violentos contra a mulher se tornou um imenso desafio da educação – em casa e
nas escolas.
Como
educar meninos nessa questão?
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Desconstruir
a noção tradicional de masculinidade;
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Os
casos diários da brutalidade de homens no assassinato de mulheres revelam o
quanto eles são incapazes de suportar a rejeição feminina, muitas vezes após
relações marcas por violência.
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Há
uma dimensão histórica e subjetiva em jogo, que mexe com questões econômicas e
de subsistência, bem como do poder delas advinda. Desde as décadas de 1960 e
1970, o empoderamento feminino rompeu com a tradição patriarcal que confinava
as mulheres às posições de esposa e mãe, como se fossem propriedade masculina.
A autonomia feminina desestabilizou uma ordem secular. Para alguns homens, essa
transformação é vivida como perda intolerável de poder e identidade. O que se
abala é a fantasia da onipotência patriarcal. Socializado como superior, o
homem experimenta a recusa como humilhação narcísica e ameaça ao seu lugar
simbólico.
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A
identidade masculina tradicional constrói-se sobre uma expectativa de
privilégio, forjada desde as primeiras relações afetivas. Quando, na vida
adulta, esse lugar imaginário parece ruir, a frustração pode converter-se em
ódio e violência. Assim, o feminicídio revela não apenas desigualdade social, mas
uma crise
na própria forma como a masculinidade foi historicamente construída. Seu
enfrentamento exige punição rigorosa – mas não só. Impõe transformação cultural
profunda, começando pela educação e pela estrutura familiar, para que meninos
não sejam formados sob a lógica de
superioridade, mas sob a experiência do limite,
da diferença e da igualdade.
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O
que significa ser homem hoje com H maiúsculo? Deveria significar ser grande e
forte o suficiente para aceitar limites, conviver com diferenças e permitir a
igualdade. Mas, se ainda significar dominar, possuir ou não tolerar a recusa,
continuaremos produzindo tragédias silenciosas e repetidas. Enquanto a vida das
mulheres e de todos os mais vulneráveis permanecer ameaçada, nossa democracia
seguirá incompleta.
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Romper
com padrões históricos e culturais;
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Combater
discursos e a violência de gênero;
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Formar
rompendo estereótipos: de virilidade, de controle/poder/dominação, de
invulnerabilidade emocional e ameaçadora, de masculinidade tóxica e abusiva;
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Conscientização
sobre o respeito às mulheres;
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Um
processo educativo baseado em respeito, equidade e responsabilidade social;
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Incentivar
a proteger e a cuidar, entregando homens íntegros à sociedade;
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Desnaturalizar
a agressividade e a violência;
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Discutir
igualdade de gênero, respeito e convivência;
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Romper
com a ideia de que, se meninos demonstrarem tristeza, medo ou fragilidade, pode
ser sinal de fraqueza, o que só favorece a repressão emocional. Daí, quando
emoções como frustração, rejeição ou insegurança não encontram formas saudáveis
de expressão, eles podem se manifestar com raiva, agressividade ou necessidade
de reafirmação de poder, especialmente em relações afetivas;
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Comportamentos violentos e machistas muitas vezes são ensinados ainda na 1ª infância, com
comentários que parecem inocentes e sem pretensão;
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Lidar
com as pressões sociais para criar meninos de forma “mais dura” ou “menos
sensível”;
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Por
um discurso na criação de filhos de empatia e respeito;
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Desconstruir
a cultura machista na educação doméstica;
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Fazer
o exercício constante de gerar reflexão sobre o que se escuta: é correto? É
admissível? Está dentro da Lei?
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Realizar
trabalhos onde os estudantes precisam pesquisar sobre: atletas brasileiras,
poesia de mulheres negras brasileiras, discutir sobre os Direitos Humanos,
práticas de debates e rodas de conversa sobre igualdade de gênero, respeito e
violência contra a mulher.
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Saber
lidar com a resistência por parte dos pais e da comunidade escolar quando o
assunto é igualdade de gênero ou educação sexual – muitas vezes permeadas por
crenças culturais e/ou religiosas;
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Realizar
um diálogo aberto sobre a necessidade de orientar os mais jovens sobre esses
assuntos, sempre trazendo evidências da importância desses temas para o
desenvolvimento saudável;
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Assegurar
a educação em Direitos Humanos, com temas integradores como relação de gênero e
sexualidade;
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Ampliar
o pensamento crítico da comunidade escolar através de dinâmicas pedagógicas que
questionem as normas sociais geradoras da desigualdade de gênero;
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Com
projetos, oficinas e rodas de conversas, além da formação de professores;
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Respeito
envolve responsabilidade afetiva, obediência e aprender a ser;
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Prevenção
à violência contra meninas e mulheres e à inclusão socioprodutiva;
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Romper
com a ideia de que os homens devem ter autoridade sobre as mulheres. As
mulheres têm autonomia para recusar uma relação ou impor limites, e isso não é
uma ameaça à identidade dos meninos;
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Mudanças
na socialização dos meninos;
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As
meninas precisam saber a reconhecer o que é problemático – o que não deve
aceitar e como merece ser tratada;
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Os
pais precisam monitorar o uso da Internet pelos filhos, pois os meninos estão
sujeitos a conceitos de comunidades como as do movimento Red Pill (grupo online
que dissemina ódio contra mulheres, as tratando como inimigas ou inferiores).
Enfim, os homens fazem parte desse
debate e precisam se responsabilizar, fazer parte da luta!