FUTURO: o Brasil que queremos...
Pensar a longo prazo é enfrentar a incerteza (e a volatilidade/complexidade/ambiguidade) dos tempos atuais. Mas, isso ajuda a desenhar estratégias robustas, agregar ferramentas, navegar intencionalmente, projetar cenários prospectivos, propor soluções estruturantes, ter capacidade de antecipação dos governantes, realizar implementação de políticas e investimentos estruturantes, aguçar a sensibilidade dos decisores em relação ao ambiente externo, ampliar a percepção sobre riscos e oportunidades, oferecer referências para reavaliar estratégias e políticas vigentes, estimular a exploração de novas alternativas, fortalecer a capacidade de antecipação estratégica, melhorar a qualidade das escolhas de hoje e ampliar a resiliência diante das mudanças, identificar caminhos desejáveis, riscos a serem evitados e áreas de ação prioritária para construir o futuro almejado, tomar decisões estratégicas e investir de longa maturação para resolver passivos históricos, superar desafios emergentes e construir o futuro desejado da sociedade brasileira.
Avaliar
o passado recente, pensar a situação atual e se projetar... Assim, em um
horizonte considerado, quais são as
megatendências mundiais com possível impacto no futuro do Brasil?
Nem adiado, nem só avançando aos poucos. O país que queremos ser depende da trajetória consciente que estamos seguindo hoje. Logo, precisa ter:
- a
compreensão abrangente do contexto atual e da trajetória passada do país;
- a
exploração de diferentes possibilidades de futuro;
- a
definição da visão de longo prazo desejada; e
- a
definição de orientações de como chegar lá.
Assim, nessa trajetória, precisamos construir:
1.
Representatividade política e capacidade
executiva do governo fortalecida;
2.
Sustentabilidade fiscal: contas públicas
equilibradas, com dívida controlada e alta capacidade de investimento;
3.
Ensino de qualidade, mão de obra
qualificada e inovação pujante na educação básica, superior e profissional;
4.
Eliminação do desmatamento ilegal e recuperação
ambiental;
5.
Continuidade da transição energética,
infraestrutura moderna, conectada e resiliente;
6.
Aumento significativo da produtividade,
crescimento econômico alto e empregos de qualidade;
7.
Redução significativa da pobreza e das
desigualdades sociais.
Podemos e temos a capacidade de ser o Brasil reconhecido globalmente pela transição para um modelo de desenvolvimento inclusivo, competitivo e sustentável, com instituições sólidas, crescimento sustentável e liderança na economia verde. Nossa educação pode alcançar padrões de qualidade dos países desenvolvidos, a pobreza e as desigualdades devem ser reduzidas fortemente e a sociedade vir a desfrutar de maior qualidade de vida e coesão social, com desenvolvimento econômico, tecnológico, político, social e ambiental.
Assim, precisamos do alinhamento de esforços entre governo, sociedade e setor produtivo público e privado sobre:
Claro que aqui há visões contrastantes, porém plausíveis, sobre os caminhos que o Brasil pode trilhar nas próximas décadas.
O futuro é um espaço aberto a múltiplas
possibilidades, moldado por forças políticas,
econômicas, sociais, tecnológicas e
ambientais em constante transformação. Em um
contexto
de crescente complexidade e incerteza, adotar uma visão prospectiva – capaz
de
antecipar descontinuidades e os possíveis impactos que eventos e decisões em
curso
podem
gerar no futuro – torna-se essencial.
Análise detalhada, item por item:
1. TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA E ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO.
O quadro nacional reflete esse
movimento, com a transição demográfica avançando rapidamente. A taxa de
fecundidade, que era de 2,32 filhos por mulher em 2000, recuou para 1,57 em
2023 e pode chegar a 1,45 até 2050. A proporção de brasileiros com 60 ou mais
anos de idade, por sua vez, quase duplicou, subindo de 8,7% em 2000 para 15,6%
em 2023. Até 2050, estima-se que esse percentual possa chegar a 30%10, estreitando
a pirâmide etária nacional.
Dados do IBGE (2024) evidenciam outro
fenômeno chamado de “envelhecimento do envelhecimento”: dentro do grupo de
idosos, cresce a proporção de pessoas que atingem idades mais avançadas. Em
2050, 6,5% dos brasileiros terá 80 anos ou mais. Atualmente, essa faixa etária
representa apenas 2,2% do total de habitantes.
Como consequência, a economia do cuidado
ganhará cada vez mais importância. Observam-se também mudanças no perfil de
consumo dessa camada da população em outros segmentos, como em cultura e lazer,
por exemplo, configurando um fortalecimento da chamada “economia prateada”.
2.
Aceleração
das transformações tecnológicas e da digitalização da economia e da sociedade.
São rupturas nos modelos de produção, negócios, consumo, prestação de serviços e nas relações sociais, causadas por áreas como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), nanotecnologia, robótica avançada, computação quântica, ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), a integração tecnológica, entre outras. Provocarão o desenvolvimento de produtos e serviços disruptivos voltados para a saúde, a educação, a segurança pública, a relação com o meio ambiente etc. Um exemplo é o avanço da biotecnologia a partir da biorrevolução, que continuará transformando a produção de alimentos, energia, novos materiais e serviços de saúde.
3.
INTENSIFICAÇÃO
DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DOS EVENTOS EXTREMOS.
A intensificação das mudanças climáticas desencadeia impactos severos ao redor do mundo. Tem-se observado o aumento da frequência e da intensidade de eventos como ondas de calor extremo, secas, tempestades, elevação dos níveis do oceano e perda irreversível de biodiversidade, afetando os ecossistemas, a segurança hídrica e alimentar e a saúde.
Os
impactos das mudanças climáticas produzirão custos elevados, tanto humanos
quanto financeiros, com consequências ainda mais prejudiciais para grupos e
comunidades vulneráveis.
4. VALORIZAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E TRANSIÇÃO
ENERGÉTICA.
5. MUDANÇAS NO PADRÃO DE CONSUMO.
6. CONSOLIDAÇÃO DA MULTIPOLARIDADE NA GEOPOLÍTICA MUNDIAL.
7. RECONFIGURAÇÃO DAS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR.
8. Aumento da demanda e da competição por recursos naturais.