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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

A tirania das massas.

"Onde todos pensam da mesma forma, ninguém pensa muito." — Walter Lippmann.

Há uma longa tradição da psicologia e da sociologia que diz: quando indivíduos se fundem em uma multidão, a razão tende a ser substituída pelo contágio emocional. O pensamento crítico é frequentemente abandonado em prol de certezas absolutas, dogmas e do apego cego a figuras de autoridade. Essa inaptidão para o pensamento autônomo quando em rebanho faz surgir a “mentalidade de massa”.

Assim, diferentes vertentes procuraram explicar esse fenômeno, tais como:

Psicanálise (Sigmund Freud): Em seu clássico estudo "Psicologia das Massas" e "Análise do Eu", Freud aponta que a participação em um grupo reduz a responsabilidade individual. O sujeito passa a agir por contágio, priorizando ilusões, identificação com o líder e pertencimento em vez da lógica.

Sociologia (José Ortega y Gasset): Em "A Rebelião das Massas", o filósofo descreve o "homem-massa" como aquele que abdica do esforço de pensar e rejeita a complexidade, exigindo apenas que o mundo se adapte às suas opiniões pré-concebidas.

Literatura Política (George Orwell): Em obras como "1984", Orwell explora como as massas são privadas de padrões de comparação, tornando-se incapazes de refletir sobre a própria realidade.

Enfim, a dinâmica de grupo costuma anular a autonomia reflexiva. Essa passividade não é uma incapacidade biológica ou natural, mas um produto da indústria cultural e das estruturas de poder. O antídoto para a dissolução do pensamento no coletivo permanece sendo o constante exercício da reflexão e a educação crítica.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

O poder simbólico das Elites.

 “As massas são inaptas a pensar por si mesmas” (Walter Lippmann).

As invasivas da elite dominante nascem do poder do dinheiro. A elite do dinheiro age do lucro e pelo lucro. São super-ricos forjados em nações imperialistas ou em qualquer outro ponto do globo alimentado pelas classes sociais. É uma elite ávida, provinciana e medíocre.

Agem assim:

1.     por meio da publicidade e da indústria cultural, tenta domesticar o trabalhador aguerrido, rebaixando-o de cidadão a consumidor (bons salários, uma casa e um carro na garagem – em troca de votos domesticados). Foi essa estratégia que manteve e mantém o controle do Estado nas mãos firmes da elite norte-americana, por exemplo;  

2.     tenta pregar a percepção do ser humano definida por sua produtividade no trabalho, bens e posses, bem como uma aparência física que exala status e ostentação;

3.     se muito ceder, seria apenas a passagem do capitalismo para o socialismo burocrático e produtivista, o que seria apenas mais do mesmo problema;

4.     ela usa a polícia contra os trabalhadores organizados ou “paga” pela lealdade e submissão da classe trabalhadora;

5.      os ricos se uniram em uma guerra declarada contra a esfera pública esclarecida, o conhecimento crítico e a informação plural e sua capacidade criadora de resistência das atuais e novas gerações. Uma guerra contra a inteligência pública para fazê-la regredir à barbárie, com seu fascismo e suas guerras de saque;

6.     é quem patrocinou e vem patrocinando a extrema-direita no Brasil e mundo afora. Veja a crise do banco Master e do Digimais;

7.     tudo de efetivamente importante que acontece aqui foi desenhado lá fora, quase sempre nos Estados Unidos, o verdadeiro dono deste quintal chamado Brasil. É uma inevitável influência norte-americana de impedir há séculos os brasileiros de ter vida própria;

8.     é impossível compreender o Brasil e o que se passa nele sem examinar as amarras que o imperialismo norte-americano construiu para deixá-lo eternamente pobre e subdesenvolvido;

9.     as máscaras mudam e assumem sempre um novo aspecto de modo a preservar um domínio cuidadosamente travestido de liberdade;

10. Elas pensam e acreditam que as sociedades sempre se digladiam com a separação entre elite e massa. Cabe às elites exercer o poder, por contar com os indivíduos mais aptos, e às massas caberia a obediência, pela suposta incapacidade de refletir autonomamente, inovar ou exercer um controle direto sobre os governos. As massas eram vistas como passivas e sem a capacidade de promover mudanças significativas sem a orientação das elites. Assim, a política seria definida pelo jogo de troca de poder entre as diferentes elites, com novos líderes surgindo e substituindo os antigos;

11. Acreditam que as massas não são racionais o bastante para gerir a via pública, daí a necessidade dos mais capazes líderes selecionados a partir dos pares, não do público. E o bom líder é aquele que serve ao país e não a si mesmo (Max Weber);

12. a democracia é pensada de modo independente do esclarecimento do público; aceita-se, dessa maneira, a desinformação como regra e pressuposto teoricamente inevitável, e passamos a ter eleições nas quais os candidatos são vendidos como se vendem sabonetes;

13. fascismo: quando a massa de trabalhadores é cindida pelo apoio de muitos trabalhadores a uma causa supostamente nacionalista. A luta contra o imperialismo (marca do comunismo internacionalista) é substituída pelo próprio apoio ao imperialismo nacional (fascismo e nazismo);

14. aponta o caminho norte-americano, quando o mesmo desafio é respondido pela manipulação da classe trabalhadora de modo a tornar possível a transformação do cidadão em consumidor – a solução americana é apontada como tendência a ser universalizada;

15. Distorce muito “a forma” como a democracia é percebida pela massa (e para isso se serve da imprensa, da publicidade e de comunicadores). Vale dizer, manipula a opinião pública ao impor limitações da percepção individual da mídia e a fabricação de consentimento público;

16. Servem-se da mídia, que processa os fatos e entrega narrativas parciais. Os indivíduos não experienciam o complexo mundo social exterior de forma direta e imediata; mas interagem com uma representação mental subjetiva, simplificada e frequentemente enviesada desse mundo. É desviada a atenção dos objetos do mundo externo para as precondições subjetivas ancoradas no próprio sujeito (as representações midiáticas acabam sendo uma amálgama de experiências pessoais com estereótipos culturais) – um mundo de imagens, histórias e símbolos que se interpõe entre o indivíduo e a realidade objetiva, moldando sua percepção e, consequentemente, suas ações. Desse modo, as pessoas respondem não aos fatos objetivos, mas a realidades construídas; não à informação genuína, mas à persuasão dirigida - está fabricado o consentimento;

17. Os meios de comunicação de massa e as normas sociais desempenham um papel central e ativo na construção do “falso ambiente” e estereótipos, imagem distorcida, “pontos cegos” do público vulnerável e passivo. Atuam como “guardiões”, selecionando quais eventos e questões merecem atenção. A representação que os indivíduos fazem do mundo social advém da eficácia da pregação midiática controlada pelo dinheiro que perpetuam concepções errôneas e limitam a compreensão. O trabalhador aguerrido é domesticado e transformado em um consumidor passivo. Liberdade e participação política são trocadas por segurança material;

18. Enfim, criam uma infinidade de obstáculos ao pensamento crítico, uma apreensão calara da realidade e ao seu julgamento racional;

19. A mesma manipulação descarada e cínica usada para vender mais produtos, é transferida e também é utilizada na arena política. É o que hoje chamamos de “fake news”. A propaganda bem-construída pode criar novos estereótipos de comportamento que guiam de forma inconsciente e pré-reflexiva (sem defesa consciente possível) o comportamento do grande público;

20. Elas usam a ciência, as ideias, a arte e a imaginação (as matérias-primas da esfera simbólica) como aspectos principais para sua perpetuação e sua capacidade de convencimento do público, expressão do próprio capitalismo;

21. Elas atuam de forma conjunta e coordenada para tornar as esferas simbólica das sociedades modernas, ao mesmo tempo, uma fábrica de novos negócios e uma fábrica de consentimento de um público indefeso;

22. SEM DOMINAÇÃO SIMBÓLICA NÃO EXISTE CAPITALISMO. Por isso, as elites fazem funcionar as engrenagens da cadeia produtiva de bens simbólicos: a) a ciência, acima de tudo, como instância que cuida da verdade e do conhecimento, formando todas as elites universitárias mundiais de acordo com um paradigma veladamente racista e comum; b) a indústria cultural e de entretenimento, desenvolvendo clichês e estereótipos racistas e xenófobos, além de fórmulas escapistas e conformistas de expressão artística em escala mundial; c) a esfera da propaganda e da imprensa comercial, colonizando os sonhos e ansiedades do público de modo a transformá-lo em consumidores dóceis e manipulados;

23. É o capitalismo baseado na produção do consentimento por meio da manipulação consciente – o cinismo típico de quem sabe exatamente o que está fazendo, orgulhoso e envaidecido por seu trabalho de manipulação bem-realizado;

24. Inundando o mundo financeiro e o mundo político com propaganda/imprensa. É a “elite do cinismo” que comanda a política e os negócios;  

Enfim, as elites metropolitanas não mandam apenas em seus respectivos países. Essas mesmíssimas estratégias buscam enfraquecer e confundir a resistência de seu próprio povo, utilizadas por essas elites e pelas elites nativas, que como “capitães do mato” das elites americanas ganham um soldo, a sua parte no butim, para manter o saque comum e a ordem interna, garantindo, assim, a obediência e a lealdade das massas espoliadas do Sul global.

O mais importante teórico das elites é Max Weber. Para ele, o principal mecanismo da política é a “seleção de líderes”, forjando e selecionando os mais capazes. Ao focar no significado e na racionalização, exerce extraordinária influência em toda a ciência política “pragmática e realista” posterior, que vai abdicar do esclarecimento das massas em favor da inevitabilidade do domínio pelas elites mais capazes de comando e dominação.


Falas e discursos da mídia durante as apresentações dos jogos...

“Uma Seleção que não tem o hábito de voltar cedo para casa”.

“O sofrimento é normal”.

“Time vencedor tem que saber sofrer! Tem que passar por isso – criar casca, confiança...”.

“Não sei nem como estamos vivos. Deus, que jogo maluco”.

“Paciência, resistência, maturidade, equilíbrio emocional...”.

“A gente é brasileiro. A gente passa na dificuldade. Então, o que vier, a gente está enfrentando...”. 

“A vitória da Seleção hoje, é o retrato de um Brasil que nunca desiste, mesmo diante das adversidades. A mais brasileira das qualidades é não desistir. Somos um povo emotivo. Nossos títulos e o relógio não combinam um com o outro”. 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Os Senhores das Guerras.

 A guerra como estratégia...

Entramos em uma era em que conflitos armados são provocados para favorecerem uma classe de investidores, bancos e seguradoras. Incorporadas em seus cenários de riscos e benefícios, “as guerras intencionais” são colocadas ao lado das “catástrofes quase naturais”.

No xadrez geopolítico atual, são mais de 100 países envolvidos em conflitos externos (um número que dobrou de 2008 para cá). O impacto econômico dessas guerras alcançou quase US$ 22 trilhões, ou mais de 10% do PIB global.

Essas guerras (des)favorecem os preços do petróleo até o custo dos financiamentos imobiliários, da venda de armas até a mudança de rotas de mercadorias e cadeias de suprimentos, a depender de onde e como são causadas. São “tarifaços bélicos” medidos com algoritmos de risco em cenários de guerra, tipo à moda Trump (orçamento anual militar dos EUA: US$ 1,1 trilhão). Ou será que a guerra no Irã não teve data e hora marcada? Será que a captura de Nicolás Maduro na virada de ano não foi projetada? E a derrubada de Bashar al-Assad na Síria? O que poderá acontecer com a gente ou de que modo ações específicas podem alterar probabilidades bélicas, como sanções econômicas, bloqueios comerciais, iniciativas diplomáticas ou apoio à sociedade civil?

O controle das guerras exige domínio de dados históricos e uma boa avaliação de riscos geopolíticos. Também problemas econômicos combinados com um histórico de instabilidade política. O amadurecimento da visão prospectiva e preditiva das consultorias especializadas está aí para isso, com pegada retrospectiva e prospectiva da ciência de dados. Não só! Temos a IA e os algoritmos de aprendizado de máquina para estimar a probabilidade de um país entrar em guerra nos 12 meses seguintes (os investimentos em IA podem alcançar US$ 1 trilhão até 2028! A demanda é inevitável, um rali difícil de ficar de fora!!! São produtos e modelos eficientes e autônomos, isto é, sem depender de instruções humanas a todo momento). Os modelos são treinados com conjuntos de dados políticos, econômicos e sociais de determinado período, histórico de confrontos militares, similaridades entre regimes políticos, proximidade geográfica e até opiniões agregadas de pessoas que não são especialistas para projetar cenários futuros, etc. O resultado é mais precisão e alvo certeiro! 

As empresas vêm confirmando que o emprego e uso de IA vem promovendo ganhos quantitativos de retorno sobre investimento, aumento de produtividade, crescimento de receita ou redução de custos. E os maiores consumidores de chips, capacidade computacional e data centers são, em sua maioria, de empresas privadas. Ora, os governos estarão preparados para lidar com isso? Será que esses modelos já estão sabendo lidar com os fatores greves, manifestações sociais e distúrbios ou revoltas civis? Não sei! Só sei que ferramentas desse tipo estão se tornando a nova cartada para profissionais do mercado financeiro que precisam operar em um mundo fragmentado e multipolar, em que a lógica baseada na eficiência impulsionada pela globalização está perdendo força. O que de fato é um temor crescente é o da guerra.

Enfim, prometeram para nós um novo-normal pós-pandemia. E aí veio toda essa volatilidade geopolítica com mudanças cada vez mais rápidas, ruins para o povo e as democracias, mas muito boas para as elites.  O que os cálculos da IA já previram para o Brasil nessa matéria (com um orçamento anual militar de US$ 24 bilhões)? Bem, depende do tipo de “guerra”. Se a guerra for comercial, ideológica ou eleitoral, já começou!

Quando um não quer, dois não brigam. Mas, quando um quer muito ele provoca. Então, vamos inverter e elaborar melhor a pergunta: 


Enfim...

STALKER: fatos estranhos...

 

1. Alertas de nível extremo (partiram de contas de 02 agentes da Defesa Civil do Pará): “misantropia” e “ataque alienígena”. Direcionados a 6 capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco), cidades de 03 Estados (SP, RJ, MS) e DF. Tudo indica ataque Hacker. Enfim, “falso” alerta da Defesa Civil não é bom para a confiabilidade da população. O episódio pode abalar a credibilidade pela fragilidade do Sistema. Resultado das eleições 2026 na mira? 

domingo, 21 de junho de 2026

(Des)fazendo a realidade...

 “... e aconteceu uma coisa muito estranha:

parece que vivemos na mente de um ansioso patológico.

O terror é mainstream!”.

Tal como um reboco de maquiagem na cara que entrega outra imagem, a realidade também recebe as suas máscaras. A principal delas é o horror, com suposta alegria, a linguagem mais presente do momento.

Ao primeiro susto, imaginamos o absurdo e o horror. Imaginamos qualquer outra coisa sinistra que não seja a realidade. Ou vice-versa, quando a realidade é uma pilha de mortos de guerra ou chacinas e um transtornado em forma de presidente, passamos a achar normal, quase natural. E nos transportamos para um mundo de fantasias, com direito a ETs, espetáculos reluzentes, IA, ficção científica...

Onde ficou a realidade? Cadê o fim da Escala 6x1? Cadê a escandalosa corrupção do mercado financeiro bancando a extrema-direita, travestidos de Faria Lima e Banco Master? E a ameaça dos EUA nas eleições brasileiras? E os terrivelmente evangélicos? E o racismo? E os medos e traumas? E os jogadores gays metamorfoseados em chuteiras cor-de-rosa? O horror comeu! Irrompeu daí e a tudo levou! Esse tipo de alegria é aterrorizante! 

Até ontem vivíamos em uma realidade, da noite para o dia tomada pela misantropia. Em um passe de mágica esquecemo-nos do sério e abraçamos o absurdo. Nossos problemas reais viram fantasmas, crianças mutiladas e mendigos aterrorizantes. E os nossos traumas históricos, como a violência, a ameaça de ditadura, o racismo e a insegurança política e social se transformam em literatura viva. É psicologicamente neurótico, esquizofrênico, aparentemente normal e insuportável - histeria coletiva ou paranoia digital?

Precisamos de narrativas que reflitam nosso medo e o estresse que sentimos. Não sabemos nem mais o que é verdade e o que não é. Precisamos pensar... 

Enfim, os próprios EUA que fazem guerras brutais, tomam soberanias e expulsam imigrantes, de uma hora para outra vira um grande palco mundial e “It: o Trump”, uma figura naturalizada. Não estou animado com a Copa. Estou obcecado! A Fifa e os patrocinadores são imorais. É imoral a Copa nos Estados Unidos! E é isso que realmente me dá muito medo, medo do futuro (no sentido político, social e econômico). 

O caso Master e a Política.

“[...] há um jeito mais fácil de extinguir a corrupção. Como, para existir corrupção, tem de haver um corrupto e um corruptor, e como o corruptor, de maneira geral, é aquele que tem dinheiro para corromper [EMPRESÁRIO], basta então que este indivíduo não corrompa a outros. Do ponto de vista operacional, não é difícil. Se o empresário é aquele que possui dinheiro e a corrupção é feita com esse capital, não o utilize para fazer isso e a corrupção acaba. Pode parecer óbvio, mas o espanto é grande, porque sempre se supõe que o processo de higiene política tem de ser feito num outro lugar que não aquele em que estou” (POLÍTICA para não ser idiota, Cortella: p. 47).

São 08 celulares nas mãos dos investigadores. O que veio à tona até agora foi de apenas 01 celular, que já é uma delação premiada!

·       Sabe o senador Ciro Nogueira, presidente do partido Progressistas (PP)? Empresário Vorcaro pagava mesada a ele de R$ 300 mil, depois reajustada para R$ 500 mil, fora as muitas viagens e hospedagens. O que se sabe até o momento já é suficiente para abertura de processo de cassação. É basicamente a venda de um mandato parlamentar!

·       E o Hugo Motta (Republicanos-PB, mesmo partido de Tarcísio de Freitas), presidente da Câmara? Também tem viagens de jatinho e hospedagens pagas por Vorcaro, além de pedido por liberação de crédito à empresa de uma cunhada... O presidente da Câmara pode receber vantagem de alguém com interesses em projetos na Casa?

·       O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, foi outro que tratou com reles negociação privada, no fim do ano passado, a cobrança de milhões de dólares feita por ele a Vorcaro – à época já tido e havido como o responsável pelo maior crime financeiro da história do País – para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro. Cotada à pasta da Fazenda caso Flávio vença, Daniella Marques trocou o mercado pela campanha, é ex-braço-direito de Guedes, prega rigor fiscal e Estado menor.

·       Tinha até “milícia armada” a seu favor, com policial federal infiltrado (Anderson Wander).

A política republicana sustenta-se sobre um primado elementar: um mandatário tem o DEVER de impedir que interesses privados conspurquem sua independência. Aqueles investidos de PODER PÚBLICO o exerçam em benefício da coletividade. Afinal, o PODER, assim como a POLÍTICA, quando dissociado da VIRTUDE, corrompe. É por isso que os princípios da administração pública são: PROBIDADE, MORALIDADE, IMPESSOALIDADE.

Soberania em construção é aceitável. Inaceitável é tirania.

Como anda a Lei nº 15.100/2025 ?

 Como anda a Lei nº 15.100/2025 que restringiu o uso dos dispositivos nas escolas?

- Após 1 ano da lei, 1/3 das escolas ainda tem dificuldades para barrar os celulares;

- é difícil, mas já surtiu efeito: há maior participação dos estudantes nas atividades em classe, maior concentração nas aulas, socialização presencial entre os alunos e queda em conflitos e agressões física e digitais, como o ciberbullying; também ampliaram as atividades manuais e artísticas nas escolas, além de impulsionar atividades pedagógicas fora das salas de aula e reduzir a ansiedade dos estudantes.

- 92% dos colégios implementaram legislação; maior parte (62%) relata que aparelho fica guardado na mochila do próprio estudante;

- 31% dos gestores apontam dificuldade de fiscalizar a aplicação da lei durante as aulas e os intervalos.

- 39% indicam dificuldade de garantir infraestrutura para armazenamento e guarda dos aparelhos;

- Há dificuldade alta para conquistar adesão dos alunos à regra;

- 67% dos gestores dizem que a maior prioridade para garantir a eficácia da lei é que haja parceria com as famílias para estabelecer limite de tempo de tela.

- 61% indicam a necessidade de formação dos professores em mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar.

- o que as escolas fizeram a respeito: a) sanções para quem desrespeita a proibição (66%); b) recolhem os aparelhos na secretaria ou na recepção da escola (33%); c) 1/5 admite que o celular continua na posse do estudante. Outras sutilizam caixas e armários.

- 06 em cada 10 diretores indicam a necessidade de estruturar espaços de lazer, com reforma de pátios e áreas de convivência.

04 em cada 10 escolas têm dificuldade para barrar celular. Mas...

É preciso direcionar a tecnologia para melhorar a vida das pessoas. Não transformá-la em inimiga da humanidade. Não demonizar nem romantizar o seu uso, inclusive dos celulares. O objetivo sempre foi restringir o mau uso e conscientizar pelo bom uso. Enfim, a tecnologia na educação precisa ser usada de forma equitativa, escalável e sustentável.

PF e outros absurdos...

 Economia: o seu lado mais sombrio do Mercado Financeiro tentou engolir a política. E a polícia? 

·       Flávio Bolsonaro aponta Daniella Marques para a pasta da Fazenda, ex-braço-direito de Paulo Guedes, e que prega rigor fiscal e Estado menor. Empolgada, já trocou o mercado pela campanha... Leitora fiel da “Cartilha do Mercado”, baseia-se na crença de que a dívida bruta do Brasil deverá encerrar este ano em 83,2% do PIB, chegando a 99,8% em 2035. Assim, deixará de lado o ajuste com base no aumento da arrecadação para promover cortes de investimentos sociais: eliminação de benefícios sociais, mudanças ruins nos pisos constitucionais de saúde e educação, reavaliação dos supersalários e das regras de reajuste real do salário mínimo, além do assombroso encaminhamento de uma reforma administrativa.

·       O caso do Banco Digimais do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Seguiu o mesmo modelo predatório do rombo bilionário do Banco Master (usar o limite do Fundo Garantidor de Crédito como chamariz para investimentos em produtos de rendimentos acima do mercado – de maior risco – uma degeneração do próprio FGC). Quem diz é a “Operação Miragem (da PF)”. O FGC foi criado em 1995 com 3 objetivos: 1) contribuir com a manutenção da estabilidade do sistema financeiro; 2) prevenir crises bancárias sistêmicas; 3) proteger depositantes e investidores, sobretudo os pequenos. O pecado cometido: “superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”. Tudo indica que o Digimais também será liquidado pelo Banco Central. Isso vai ampliar ainda mais o consumo bilionário do caixa do FGC, deixando uma pesada conta de suas maquinações fraudulentas. 

·       O Banco de Brasília (BRB) está envolvido até o pescoço no escândalo do Banco Master. E a instituição está com cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais, um dinheiro que não pertence aos Tribunais de Justiça (TJs), mas a pessoas físicas ou empresas com processos em andamento (no DF, Bahia, Alagoas, Maranhão e Paraíba). Se esses estados têm a possibilidade de manter os depósitos judiciais sob sua custódia em instituições federais como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal, porque a grana foi parar no Banco de Brasília? O que acontecerão com esses valores, caso o BRB venha a ser liquidado? Qual será o futuro do Banco? A questão é, enquanto o valor no for quitado, estão proibidos os aumentos salariais para servidores e a realização de concursos públicos, bem como o uso de recursos dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios. E os bancos privados estão reticentes em participar do socorro. Enfim, neste caso de investimento, se é assim que podemos dar o nome, remunerações mais altas implicam riscos mais elevados, e a ganância pode custar caro! 

·       O trio de acionistas (sócios e credores) de referência da Americanas foi alvo da Operação Disclosure (da PF), que apura um esquema de fraudes contábeis na varejista. São eles: Carlos Alberto Sicupira, Paulo Lemann e Marcel Telles. O caso foi revelado em 11 de janeiro de 2023. Foi determinado o bloqueio de R$ 54 bilhões dos investigados (valor equivalente ao da fraude detectada nos laudos técnicos periciais)! A fraude teria sido perpetrada pela antiga diretoria da Americanas, algo corroborado por planilhas e por uma extensa troca de mensagens entre os ex-executivos. Será que os conselheiros e acionistas tinham conhecimento das manobras e os bancos ajudaram a ocultar as dívidas da empresa? 

·       34,8% da população brasileira enviou dinheiro para bets desde o início da Copa do Mundo, em 11 de junho, ante 11% registrados em maio. Essa parcela de brasileiros faz apostas triplicarem no período da Copa. Valor médio gasto é de R$ 272,00 (superior aos R$ 188,00 registrados nos dias anteriores ao Mundial), mas já chegou a R$ 524,00! É preciso investigar as práticas abusivas de publicidade da CazéTV, Globo, SBT, redes sociais, aplicativos, sites e supostos joguinhos inofensivos baixados no celular.  

·       EUA chamam PCC de maior grupo criminoso das Américas. Em maio, a facção e o CV foram classificados como grupos terroristas por Washington (que alega ser uma ameaça à segurança nacional dos EUA). O governo Donald Trump também anunciou sanções contra dois brasileiros e três empresas de São Paulo e uma portuguesa que integrariam esquema de lavagem de dinheiro para a facção criminosa brasileira. Em janeiro, o FBI prendeu 6 brasileiros que fariam parte de uma operação relacionada a isso. Eles têm audiência na Justiça americana em agosto e podem ser condenados a até 2 anos de prisão. 

·       Lucrando com a presidência? O presidente Trump recebeu ao menos US$ 1,4 bilhão com negócios ligados a criptoativos em 2025, primeiro ano de seu retorno à Casa Branca. São muitas transações, entre elas a compra e venda de ações de empresas como Amazon, Apple, Nvidia, Microsoft, Netflix e Exxon Mobil.

sábado, 20 de junho de 2026

Os ingredientes para fazer um Pensador Crítico.

 

“No mundo moderno os estúpidos estão cheios de certeza, enquanto os inteligentes estão cheios de dúvidas” (Bertrand Russell).

Nossa mente gosta de usar atalhos para resolver problemas e tomar decisões rapidamente, mas a sensação de urgência pode levar a conclusões equivocadas e a grande maioria das pessoas não está ciente disso. Formado por parâmetros relacionados a certas regras e sistemas derivados de milhares de anos de evolução, o cérebro está viciado em universais ou “hábitos de pensar”.

Por isso, para construir um Pensador Crítico, é preciso reunir as seguintes habilidades e atributos:

1.     Tolerância: o prazer em ouvir pontos de vista divergentes e desfrutar de um verdadeiro debate;

2.     Habilidades analíticas: não aceita qualquer tipo de fala, mas querem argumentos corretamente elaborados que apresentem razões e proponham soluções;

3.     Confiança: são um pouco mais confiantes do que outras pessoas presentes, sobretudo em posição de autoridade, para serem capazes de examinar pontos de vista;

4.     Curiosidade: são curiosos para então produzir ideias e insights;

5.     Procura pela verdade: missionários da “verdade objetiva”, mesmo que mine suas próprias convicções e crenças anteriores ou não contemple seus interesses pessoais.

Aplicar o Pensamento Crítico é questionar ativamente não só as conclusões sobre o que se lê ou ouve, mas também as suposições. Pensadores Críticos abordam uma questão sem suposições preconcebidas, abandonando preconceitos que conduzem a determinadas conclusões.

Enfim, modos automáticos e estabelecidos de pensamento podem impedir a percepção de novas possibilidades ou cair em armadilhas inesperadas. E para evitar tais duvidosos existem esses ingredientes que produzem o Pensador Crítico, capaz de reconhecer um bom argumento, mesmo que vá contra si; mas incapaz de recorrer a um argumento ruim, mesmo que esse seja atraente ou pareça ser o único disponível.

A dinheirama nas eleiçõe$...

Uma regra aprovada pelo Congresso, a contragosto do Executivo...

Estados e capitais reservam R$ 15,4 bilhões para emendas neste ano de eleições. Deputados estaduais e vereadores das capitais carimbaram esse montante nos orçamentos dos estados e dessas cidades para Emendas 2026. Do total, R$ 13,46 bilhões serão distribuídos por meio das Assembleias Legislativas (emendas de deputados estaduais), 13% acima de 2024! O valor restante (R$ 1,98 bilhão) será destinado pelos vereadores.

20 estados incorporaram as chamadas “Emendas Pix” (que asseguram aporte direto de recursos nos cofres municipais e estão sujeitas a menor controle). Sabemos que essas emendas dão aos parlamentares controle direto sobre uma fatia do orçamento público. Na União, essa parcela já soma R$ 50 bilhões! Pegando essa carona no mau exemplo do Congresso, legisladores estaduais e municipais dão mais controle do orçamento público.

Essa lógica mostra o verdadeiro problema das Emendas impositivas Parlamentares: deixou de ser uma peculiaridade do Congresso Nacional e já chegou nas Câmaras Municipais, corroendo o planejamento público e capturando recursos para interesses paroquiais. 06 em cada 01 municípios brasileiros já têm ou estudam adotar emendas obrigatórias para vereadores. Em 47% dos municípios os vereadores já possuem emendas impositivas, e outros 24% discutem adotá-las. Em 35% dos municípios que têm emendas individuais já existem também emendas de bancada – uma reprodução quase caricata do modelo federal. O vereador, esse ser que deveria conhecer os bairros, fiscalizar a prefeitura, participar da elaboração do orçamento, fazer cumprir pisos constitucionais de saúde e educação, manter folha de pagamento, previdência, contratos continuados, captar recursos, abrir espaço para planejamento e investimentos, garantir serviços essenciais e representar a população... Qual é o sentido dele vereador dispor de uma emenda “municipalista” dentro do próprio município? Trata-se de poder. Uma crescente transferência de poder orçamentário do Executivo para o Legislativo. Em vez de discutir quais obras são mais importantes para a cidade, discute-se qual vereador ficará com os méritos da obra. Em vez de planejamento, pulverização. Em vez de políticas estruturantes, uma coleção de inciativas pontuais de elevado retorno eleitoral. Enfim, isso é boa ou má ideia? 

Enfim, o instrumento permite direcionar recursos a obras locais, projetos ou entidades específicas (de olho nos temas, nas prioridades e nos contratos e convênios). Com isso, caberá uma exigência de cidadania maior à população de denunciar se essa dinheirama está sendo materializada nos serviços públicos ou não. Afinal, os repasses precisam ser transparentes e bem alocados, com forte responsabilização em caso de irregularidades. Eis o grande desafio!

Menos imaginação, mais realidade!


Como acabar com a corrupção eleitoral?

 Corrupção acarreta custos políticos, sociais e reputacionais. Ela não é só pagamento de propina. As mais comuns são: a compra de votos, a utilização da máquina pública e o desvio de verbas e dinheiro público. Os votos de cabresto se modernizaram, graças ao usufruto do patrimonialismo, nepotismo e o desuso da máquina pública em prol do bem-comum.

Graças à cédula pública e a urna eletrônica, superamos algumas das principais práticas corruptas: a violação do segredo do voto e as fraudes na sua contagem. Entretanto, ainda sobressai o descompasso entre o progresso obtido pela utilização corrupta de contratos de obras públicas, em grande escala, para campanhas eleitorais.

A compra direta ou troca de vantagens por votos, uma prática corrupta e ilegal, foi substituída por uma artimanha que acaba não fugindo das tentativas de manipular – a mobilização do eleitorado em bases programáticas (políticas públicas na véspera das eleições). 

Como acabar com a corrupção eleitoral? 

·       Eliminar o descompasso entre lisura dos procedimentos e financiamento corrupto das eleições;

·       Passando por notável mudança institucional ou reformas;

·       Formando coalizões majoritárias entre facções dissidentes de elites no poder e setores emergentes fora do poder (partidos ancorados no operariado e setores de renda média);

·       Causando choques políticos e econômicos ou conflitos intraelites que questionem e rompem com o estado maculado existente, abalando as elites no poder que controlam recursos e impõem seu domínio sobre rivais;

·       Observando a qualidade das coalizões e evitando que elas despenquem em práticas corruptas;

·       Melhorando as leis eleitorais que disciplinam os financiamentos de campanhas, gerando fundos bilionários e descompassos na corrida eleitoral;

·       Combatendo os desvios de recursos de estatais e a concentração de emendas. Vide o Centrão, o âmago da corrupção via máquina pública, com seus partidos envolvidos em escândalos e que mais cresceu nas eleições subsequentes (controla muitos estados, municípios e a verba federal);

·       Em vez de alimentar, a sociedade precisa ajudar a combater o status quo da corrupção;

·       Combater a contratação de servidores de forma direta, primando pelo concurso público em detrimento de contratos e comissionados (e ainda juntam os terceirizados por um tal instituto). Mas, para isso, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e outros órgãos de fiscalização precisariam funcionar bem;

·       Acabando com a ilegibilidade de licitações, com as (bi-mi)lionárias sem licitação para obras supostamente emergenciais às vésperas das eleições;

·       Alterar a forma de administração do dinheiro público, que não pode acontecer por administradores ou conselheiros em fim de carreira indicados pelo executivo para manter o sistema sem rígida fiscalização (com no máximo “multinhas” e relatórios de faz de contas);

·       Evitando que o inelegível e sua reforma administrativa que acabava com a estabilidade do servidor voltem!

  “[...] há um jeito mais fácil de extinguir a corrupção. Como, para existir corrupção, tem de haver um corrupto e um corruptor, e como o corruptor, de maneira geral, é aquele que tem dinheiro para corromper, basta então que este indivíduo não corrompa a outros. Do ponto de vista operacional, não é difícil. Se o empresário é aquele que possui dinheiro e a corrupção é feita com esse capital, não o utilize para fazer isso e a corrupção acaba. Pode parecer óbvio, mas o espanto é grande, porque sempre se supõe que o processo de higiene política tem de ser feito num outro lugar que não aquele em que estou” (POLÍTICA para não ser idiota, p. 47).