Quem sou eu

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São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 20 de agosto de 2023

"Verão Verde"!

 Com o avanço das fontes eólica e solar nos últimos anos, o país vai ter o verão mais renovável de todos!

Veja no gráfico que: 


Interpretação básica do gráfico.

·       Hidrelétricas, eólicas e solares responderam por 91%, na média, da energia elétrica distribuída entre janeiro e junho deste ano (e esse patamar será mantido no 2º semestre, mesmo com a perspectiva de consumo maior, porque a previsão é de mais energia a partir do sol e do vento);

·       De janeiro a junho, a energia eólica representou 11,9% do total distribuído. E ela deverá avançar para 18% no segundo semestre;

·       No caso da energia solar, o percentual passaria dos 3,3% registrados no primeiro semestre para 6,5% no segundo semestre;

· O cenário que se desenha adiante é de uma participação ainda maior da energia gerada a partir do vento e do sol. As duas fontes somam 93,5% de todos os projetos que vão entrar em operação até 2029;

· De janeiro a junho deste ano, o consumo já foi maior do que no mesmo período do ano passado.

Interpretação crítica do gráfico.

·       O avanço das energias eólica e solar, chamadas de fontes intermitentes porque podem ter variações a depender do vento e do sol, é positivo por causa da diversificação da matriz energética brasileira, pelo aspecto ambiental, pelo custo menor para o consumidor e pela complementação a uma fonte que depende do regime de chuvas, mas também exigirá mudanças na gestão do setor elétrico (o que é um desafio que exige ter um sistema de back-up mais robusto e isso se dá com investimento em reforço de linhas de transmissão e em softwares, de forma que o tempo de resposta de outras fontes seja mais rápido).

·       O setor elétrico brasileiro precisa receber reforço e modernização. A forma de operar o sistema precisa adaptar à nova realidade, pois as novas fontes renováveis são variáveis (intermitentes ou que dependem da oscilação do vendo e do sol) e exigem flexibilidade, confiabilidade, operação e integração mais eficiente entre as fontes. Ou seja, as outras fontes precisam estar disponíveis instantaneamente e serem capazes de se desligarem de acordo com a demanda. Enfim, é necessário investir para haver um reforço e segurança nas linhas de transmissão para a entrada de mais energia eólica e solar.

·       Por trás dos dados desse gráfico também existe uma notícia boa: nosso próximo verão será verde, ou seja, nós consumidores já deveremos sentir um alívio no bolso com a presença de mais fontes renováveis na geração de energia. As contas de energia ficarão mais baratas porque a previsão é ade que o país tenha bandeira verde até 2025. Assim, não deve haver taxa extra na conta no período de maior consumo;

· A previsão de oferta e consumo ficou mais complexa com o avanço das renováveis em razão de distorções regulatórias e subsídios. O mais importante para aumentar a confiabilidade do sistema é restabelecer a boa governança do setor elétrico. E isso não se consegue jogando o setor nas mãos da iniciativa privada. O Congresso precisa ter responsabilidade em direcionar a questão, colocando o Estado como bom gestor das instituições do setor. Órgãos técnicos, como Aneel e ONS precisam ser regulados e acompanhados para pautar decisões com olhar de longo prazo, visando a confiabilidade do sistema e a acessibilidade das tarifas. Afinal, cabe ao Congresso formular políticas públicas e regular questões que beneficiem a população (e não ficar refém da ambição lucrativa do setor privado). 

Enfim, o país registrou neste ano o maior apagão desde 2009, com impacto em 25 estados e no DF. O problema começou em uma linha de transmissão no Ceará, mas ainda não foi totalmente explicado. O aumento de energia eólica teria reduzido a segurança do sistema? Seja o que for, a fonte não é problema, mas solução. Por isso que é preciso investir mais para se adaptar a essa nova composição da matriz elétrica, não sé em tecnologia, como em transmissão!

sábado, 19 de agosto de 2023

O discreto charme das direitas.

 

É preciso prestar mais atenção nas emergentes direitas e suas transformações. Seu ‘discreto charme’ exerce diferentes declinações sobre as novas gerações, botando em seu lado a rebeldia (juvenil). Sua pretensão de superioridade moral do progressismo mostra o quanto a direita lê e discute com a esquerda, enquanto a recíproca não é verdadeira – a esquerda deixou de ler a direita.

Enfim, a esquerda já perdeu muita coisa para a direita. A rebeldia é a última delas? Cadê aquela juventude de esquerda?

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Fortalezas e Fraquezas.

 

A melhor análise que pode ser feita de algo ou de alguém é expondo suas fortalezas e fraquezas. Pois bem, vamos analisar os pontos fortes/fracos da humanidade.

O péssimo comportamento da obra mais problemática criada por Deus – a Humanidade (é contraditória)! Pense só: a bomba atômica liquidou o Japão e promoveu uma almejada paz mundial. E esse instrumento formidável e ambíguo evoluiu, graças ao nosso compulsivo “progressismo”, promovendo a bomba de hidrogênio.

Nasceu o drama de uma permanente e reprimida finitude surgindo com muita ênfase. O mundo é feito de nações em conflito, onde as diferenças se resolvem, entre outros talentos, na capacidade de maximizar infernos e diminuir paraísos, e eliminar povos e países no pulsar demoníaco de uma explosão.

A morte promove uma ausência saudosa. Mas, o mundo é eterno, enorme, gigante, um palco. Sim, o mundo é um teatro. Uma peça ou espetáculo que termina porque alguns de seus atores se desentendem e, numa fúria malévola, explodem tudo e se explodem!

Todos os heróis que roubaram alguma coisa dos deuses armaram gatilhos. E todos sabemos bem dos perigos quando a terra se encontra com o céu. Ora, a bomba é filha justamente desse espaço do “nem lá nem cá”; ela é um artefato de vida e morte, de guerra e suposta paz. A bomba não poderia ser contida num só palco, servir a um único senhor ou ter um único propósito. É nesse espaço duvidoso que nasce o estranho amor pela vida e pela morte, fruto da nossa irrevogável liberdade de existir. Esse é o ninho da bomba. O mais espantoso e terrível de toda essa história é saber que ela existe – faz parte de nossa cosmologia que repete nos nossos ouvidos que podemos nos liquidar em nome de nossas mais abomináveis intenções mascaradas de pátria, partido, religião, deuses e, lá no fundo, de nossos demônios.

A nível de escala Brasil, aqui estamos envolvidos na árdua tarefa de transformar uma cultura escravista e aristocrática numa comunidade de cidadãos.

Enfim, nada inventado na seiva do humano tem somente um uso ou um significado exclusivo.

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Chores por mim, Argentina!

“A Argentina contratou empréstimos de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 220 bilhões) com o FMI, e vem tendo dificuldade de pagá-lo. O país vem sofrendo a pior seca em quase um século, o que trouxe impactos negativos para o setor agropecuário, sua principal fonte de divisas”. 

Então, que tal fechar o Banco Central e ser párea nas negociações com o FMI? Que tal um plano de trocar o peso argentino pelo dólar americano para reduzir a inflação (que está em 113%)?

É isso mesmo, Argentina? 

Vocês querem uma expressão visceral para resolver (mentira) seus problemas?

O que significa um ultradireitista no poder?

Significa agressivo discurso antipolítica, com fechamento do Banco Central, além de diversos ministérios (como o da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social), livre porte de armas, venda de órgãos, juros e dívidas altas, legalização das drogas (ou o livre comércio, inclusive o de produtos proibidos por lei), defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo, populistas, utilização das redes sociais como principal ferramenta eleitoral, movimentação da juventude, duras críticas ao sistema político vigente (para que exercer uma diplomacia presidencial?), defesa da família, da propriedade privada, do livre mercado ou do controle cambial pelo Estado, a libertinagem de expressão, o legítimo direito à defesa, a megalomania de ser grande à altura do território nacional, agressivo nas propostas de redução da intervenção estatal e a dolarização da economia (forte discurso de se vender como um libertário no sentido de liberalização econômica). Não fica de fora o radicalismo religioso no sentido de um messianismo político casado com o neoliberalismo econômico avançado e travestido de incertezas do plano econômico (vimos muito isso aqui – ajuste econômico desordenado e grande crise social) e uma redução significativa nos gastos do governo. Na agenda de costumes utiliza dos temas ligados à moral para impulsionar a sua ação política. Há ainda uma ode à baixa participação dos eleitores, que acrescenta uma camada extra de incerteza em direção às eleições. Ou seja, quanto pior melhor para uma forte crise político-institucional, com o comando do Mercado e uma forte aliança com governos conservadores, isolado ou sem agenda externa, isto é, excêntrico. 

Tem mais: é personalista ao extremo, defende a dolarização radical e corte drástico de servidores. Outsider e egocêntrico. É fundado no hermetismo, personalismo e na egolatria. Busca estratégia no caos. Líderes ultradireitistas podem ser comparados com episódios climáticos extremos: tsunami, furacão, tempestade e terremoto. Como a extrema direita é o lado mais predador e conservador do capitalismo selvagem suas ideias são vendidas como libertárias (livre mercado, Estado enxuto ou sua redução drástica e uma economia totalmente aberta, corte no funcionalismo, entre outras). Ou seja, se vende como aquele que melhor compreendeu os problemas do país. Desejam colocar o país na lista dos maiores com liberdade econômica do mundo! Para isso, as reformas que devem passar pelo Congresso são fundamentais, drásticas e profundas (tributária, trabalhista, previdenciária, política e do Estado). 

Pronto, uma guinada para um terreno desconhecido! Todo o resto se dedicará a comentar essas ideias absurdas, surfando no descontentamento da inflação. Ao fazer o eleitor se cansar da política, força-o a votar num emergente diferente a tudo que já se viu. Sua principal fortaleza é saber interpretar o momento histórico: “representar a ira dos eleitores zangados”. Se dará certo ou não como presidente é outra história. Está garantido o voto de revolta I.

Primeiro você lança na sociedade um acervo de dilemas da humanidade, aquelas polêmicas de difíceis saídas. Daí, você faz propostas em cima delas, ganhando repercussão social. E não precisa ser as melhores do ponto de vista dos Direitos Humanos, mas oportunas. Feito isso, demoniza-se a oposição, isto é, desconecta os setores da sociedade da disposição de ouvir qualquer coisa que venha dela. A polêmica como arma política, pois torna o candidato famoso (da pior forma).

Como? Que tal afirmando, entre outras coisas: "queimar o Banco Central vai acabar com a inflação". Ou, "a venda de órgãos pode ser mais um mercado promissor". Ou ainda, "os políticos devem levar um chute na bunda". Não obstante, essa: "para mim, meus pais, estão mortos!" E quando se vai olhar a história do indivíduo... Inibido em casa, famoso por ser revoltado na escola, um louco por causa dos desabafos, não fala de namorados/as e afirma comunicar por telepatia com um cachorro morto, todas essas coisas... Com tantos disparates, quando houver uma denúncia de corrupção será quase nada na rotina dos absurdos. É a tática do pêndulo entre o conservador e o libertário. Enfim, histriônico, desalinhado, mas ao mesmo tempo muito cuidadoso com a imagem. Essa é a receita do Hitler.

Outra bomba é inserir uma forte disputa interna na oposição, que perderá muito tempo tentando resolvê-la enquanto a extrema direita constrói uma conexão emocional com eleitores. Isto é, muita agitação e pouca racionalidade. Instintos à flor da pele!

Em outras palavras, um Donald Trump nos EUA ou um Javier Milei na Argentina ou um Jair Bolsonaro no Brasil são consequências do discurso antipolítica e da frustração coletiva com as soluções institucionais, levando uma massa disforme de eleitores a se identificar nas propostas simplistas e exóticas, cuja ineficácia é visível, mas que apelam ao sentimento popular. Gente assim é um augúrio na integração regional, com paralisia no Mercosul, um retrocesso!

Medo, desespero e cansaço! Pense num país com uma alta taxa de pobreza, um grande aumento no desemprego e/ou informalidade e uma verborragia violenta... Ora, tudo isso deixa a temperatura mais alta numa panela de pressão. A agitação social pode atingir níveis tão altos que, uma população completamente cansada, estaria disposta a tentar uma entidade completamente nova, com visões mais extremas. E como se vende esse peixe podre? Com um bom comunicado ou promessa social: “Acolhemos com satisfação as recentes ações políticas das autoridades e o compromisso com o futuro para salvaguardar a estabilidade, reconstruir as reservas e melhorar a ordem fiscal”.

Ele acha que deve ser o centro de tudo, o que faz parte de sua personalidade, que não é fácil. Uma pessoa instável, que se irrita facilmente, e com dificuldade de tolerar críticas. O candidato de extrema direita costuma manter todos os que colaboram direta ou indiretamente com sua campanha nas sombras. Os escândalos internos durante a campanha podem ter repercussão na mídia, mas não afetarão seu desempenho eleitoral. Para a grande maioria de seus eleitores o que importa é a palavra dele. Está garantido o voto de revolta II.

Um antissistema às avessas.

- Integra um fenômeno global de líderes, com digital antissistema. Observe um Volodymyr Zelensky (presidente da Ucrânia) ou o Movimento 5 Estrelas (da Itália), Marine Le Pen (na França), Gabriel Boric (no Chile), Jair Bolsonaro (aqui no Brasil), Donald Trump (nos EUA) e o Milei (na Argentina). O que muda entre eles é o crachá, mas a digital antissistema é a mesma. Por quê? Porque eles agem para: 

- Cativar os precarizados contra a "elite" (no nível do discurso). Ou seja, toma a revolta contra os revoltados; "O que eu quero é o seu sentimento de revolta (mas, a meu favor)". 

- Manobrar os precarizados. Capaz de interpretar os sentimentos e desejos dos mais “precarizados”, uma categoria ampla e transversal (vai desde os que fazem entregas de bicicleta, colegas de profissão que viraram freelancers, até pessoas com doutorado que não encontram uma carreira segura com plano de saúde, são pessoas sem perspectiva, que vivem cada vez pior em todos os sentidos, e que não se trata apenas de economia, mas também de autoestima).

- Tem capacidade de contagiar para fora...

- Que tal um comício (com as pessoas todas de preto) no estilo show de rock?

- Que tal trilhar um caminho mais histriônico e contundente? Utiliza sua aparência física e age de maneira indevidamente sedutora ou provocante para chamar a atenção dos outros. Com frequência age de forma submissa para reter a atenção dos outros.

- Um ultradireitista é um buraco negro que se alimenta da existência do sistema político. Quando você luta contra uma figura antissistema é difícil, porque ela se alimenta de você mesmo. Aqui no Brasil, Bolsonaro tinhas as igrejas evangélicas, as Forças Armadas, a “família”. 

·       E que tal dividir eleitores entre o medo e o “tudo ou nada” contra políticos? “Nada a perder” e “medo” dominam debate eleitoral. O desespero pragmático leva eleitores atormentados a pensarem assim...

Eleitor, você não tem medo de votar no candidato de extrema dirieta, Javier Milei, nas eleições presidenciais deste ano?

Tudo ou nada. “Medo de que? Não tenho proteção nenhuma do Estado, nem férias, nem décimo terceiro. Sofro a violência na rua todos os dias, já roubaram minha bicicleta duas vezes. Tenho medo é de continuar assim e de que nada mude. O que mais pode piorar para pessoas comeu eu? Reconheço as contradições dele, mas é a única alternativa possível para todos os que não acreditam mais nos partidos tradicionais. Se teremos mais ou menos ministérios não me interessa, o importante é que sejam eficientes”.

Medo e fuga. “Pela primeira vez pensei em até sair do país. Temo uma eventual vitória de Milei e que ele leve o país a um cenário de muita violência, pelo estilo, propostas de governo e discursos inflamados do candidato. Além de não compartilhar sua ideologia, que considero difícil de ser implementada na Argentina, acho que um líder deve ter, acima de tudo, equilíbrio emocional e sensibilidade social, e ele não tem. Seu discurso é de ódio. Enfim, o medo é de que tudo continue igual”.

Desequilíbrio emocional. “O voto por Milei é um voto castigo à política tradicional, em momentos em que a inflação sufoca, entre outros dramas sociais e econômicos. Mas, essa revolta social não terá mais consequências graves para o país? Milei gera violência e agressividade. Se for eleito, isso vai refletir que o povo, como ele, tem um desequilíbrio emocional”.

Nada a perder. “Se nada deu certo até agora, por que não dar uma chance a um economista que tem uma proposta concreta, a dolarização da economia? O problema é a desilusão com sucessivos governos, e a sensação de que ninguém se importa com o país”.

Paralisia e a incapacidade de analisar e julgar criticamente. Nossos problemas são a fome, a inflação e a cada vez pior qualidade de vida das pessoas. Se ele quiser destruir tudo para reconstruir melhor de novo, que o faça. Se fizer uma eventual ruptura de relações com a China, saída da Argentina do Mercosul ou eliminação de ministérios como Meio Ambiente, Educação e Saúde, enfim, uma redução do Estado? Que faça!

Polarização e ataques. “Como enfrentar um fenômeno eleitoral inédito na História do país? Insistir na estratégia do medo? Adotar posições mais duras e desafiar Milei a um debate? Ele é um perigo para a democracia, pois propõe dissolver a sociedade. Mostrar-se como uma opção de mudança viável? A aplicação de um forte ajuste?

Enfim, está dado o perigo do espaço vazio aberto pelo descontentamento da população contra o governo e as forças tradicionais da política – quebra o sistema político. A tática é acabar com o que se tem e construir algo novo. Prometem como sendo o novo-normal. Mas, o quê?  Um ultradireitista no poder!

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Moderação midiática.

 

Em “Vidas Paralelas”, o historiador grego Plutarco relata que o rei armênio Tigranes, ao receber a mensagem de que seu inimigo estava se aproximando, ficou tão irritado que mandou cortar a cabeça do mensageiro. Daí a expressão “Matem o mensageiro!”, que descreve o ato de culpar o portador de notícias indesejadas. Atualmente, essa expressão remete a duas visões sobre a imprensa.

Uma visão a interpreta como ataques à imprensa quando ela divulga informações desagradáveis sobre pessoas e temas com os quais o leitor tem afinidade. Esse modo de lidar com o jornalismo parece ser seguido pelo STF. A corte decidiu que jornais podem ser responsabilizados por injúria, difamação ou calúnia proferida por um entrevistado.

Outra visão acha que jornais não podem ser culpados por falas do entrevistado, desde que não emitam opinião. O entendimento pela responsabilização sugeriria o agasalho de censura prévia a veículos de comunicação. Assim, a decisão do STF poderia gerar o “efeito inibidor”, desencorajando o exercício legítimo de direitos pela ameaça de sanção legal, afetando o papel de vigia do poder público conferido à imprensa, um dos pilares das democracias modernas.

Enfim, a mídia pode tudo?

A elite acadêmica global.

 

A USP (Universidade de São Paulo) é a melhor universidade da América Latina, mas a 85ª melhor do mundo. De olho nas 50 maiores academias do planeta, a universidade discute mudanças na grade curricular para aproximar alunos do mercado de trabalho e chegar mais perto do topo das 50 melhores.

·       A classificação das Universidades levou em conta os seguintes critérios:

- Reputação acadêmica;

- Reputação do empregador;

- Proporção de alunos do corpo docente;

- Citações por faculdade;

- Proporção de docentes internacionais;

- Proporção de estudantes internacionais;

- Rede internacional de pesquisa;

- Resultados de emprego;

- Sustentabilidade. 

Com menos tempo dentro de sala de aula e mais fora, isto é, além do conhecimento teórico, ir para a prática, com atividades de extensão, o reitor da USP, Carlos Gilberto Carloti, deseja mudar a cara das graduações e preparar os mais de 60 mil alunos nelas matriculados com novas habilidades para esse mercado de trabalho desconhecido. Além desses, há quase 30 mil alunos na pós-graduação e outros 184 mil em atividades de cultura e extensão. No passado os rankings eram muito concentrados na produção científica, o que naturalmente privilegia as universidades americanas e europeias. Porém, ultimamente, outros quesitos ganharam grande peso. Para Carlotti, a preocupação em diminuir a distância entre a formação universitária e a entrada no mercado garantirá, também, boas avaliações em rankings no futuro, pois empregabilidade e sustentabilidade pesaram na boa posição internacional (para além de números de publicação e pesquisa). Serão novas formas de ensino ativo, com reformas de sala de aula e biblioteca.

Outras estratégias da USP para chegar no Top das 50 melhores:

·       Atrair centros internacionais ao campus da capital paulista. É o caso do Instituto Pasteur, da França, e do ICGEB, ligado à Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido);

·       O orçamento turbinado também é outro fator. A USP tem o maior orçamento entre as grandes universidades do país. Graças a uma lei estadual que concede 9,75% da arrecadação da cota-parte do ICMS do estado mais rico do Brasil às três universidades paulistas (o que garante uma regularidade financeira e um previsibilidade orçamentária que nenhuma outra universidade brasileira tem), a USP leva cerca de R$ 7,5 bilhões anuais do tesouro estadual, a Unesp e a Unicamp ficam com R$ 3,7 bilhões para cada uma;

·       Aproximando alunos do mercado de trabalho, isto é, ensino e vida.

É muito difícil que outras universidades reproduzam a mesma situação. Há federais com áreas fortes de pesquisa, como UFRJ, UFMG, UFRS, mas que ainda estão distantes do modelo da USP que, além do financiamento, tem mais flexibilidade no uso de recursos. As federais acabam muito engessadas: o dinheiro que recebem é quase integralmente para pagar salários, sem muitas possibilidades de contratação.

Tudo isso é um estímulo e uma cobrança, de que precisamos ter novos planos, pois se seguirmos fazendo as mesmas coisas, não vamos seguir avançando. A sociedade muda, o ensino muda, e queremos estar na vanguarda. A melhoria no ranking é consequência.

Enfim, no governo anterior de Jair Bolsonaro, vimos o que aconteceu com essas universidades, quando sofreram com falta de verba até para pagar limpeza, segurança, luz. Com Lula, os tempos são outros!







FONTE: QS World University Ranking 2024.

domingo, 13 de agosto de 2023

09 Gerações...

A oportunidade precede o desempenho. 

Brasileiro entre os 10% mais pobres da população de países emergentes teria de viver 09 gerações ou 180 anos para chegar à Classe Média, considerando as atuais condições de renda, educação, trabalho e saúde. Mobilidade social no Brasil é uma das mais restritas do mundo (Dados: OCDE). O país só perde para a Colômbia (11 gerações)!

Os números mostram o quanto a mobilidade social é desejável e necessária para não vivermos em uma sociedade praticamente de castas. Enquanto uma Classe A tem renda média familiar mensal de R$ 21,8 mil, as Classes D/E estão em R$ 900.

Um elevador social quebrado? Como promover a mobilidade social?

Como se pode falar em igualdade de oportunidades se 48% da população não conta com saneamento básico? O que se vê no Brasil é um Estado que promove a desigualdade.

É por isso que a tal da meritocracia é extremamente questionável. Primeiro é preciso corrigir a desigualdade de oportunidades, que leva à desigualdade de renda. Só depois eu posso avaliar a desigualdade de desempenho, de um indivíduo para o outro. Considere um exemplo de ex-morador de rua que se torna empresário. Dever ser aplaudido, ele é um vencedor. Mas quantos tentam e não conseguem? Quantos sofrem todos os dias para tentar conseguir o básico – alimentação, moradia, saúde, educação? Enfim, não é uma questão de meritocracia!

Como favorecer a mobilidade social?

A principal política pública para favorecer a mobilidade social é a educação, a capacitação do indivíduo, que muitas vezes migra do trabalho braçal para o intelectual. A função do Estado é reduzir a desigualdade de oportunidades, o que se consegue mais rápido por meio de uma política fiscal equilibrada: taxar mais os mais ricos e menos os mais pobres. Só assim é possível realocar recursos de forma eficiente para reduzir os desníveis sociais.

Quem é meu pai?

 

Brasil registrou 110.716 crianças sem nome do pai só neste ano (quase +5% que no ano passado), ou seja, mais de 100 mil certidões sem menção paterna até 11/08/2023. São quase 500 por dia! E o número só cresce...

A média nacional é de 6,8%. E tem região com uma taxa maior de certidões com pais ausente!



Sobre a representação sindical.

 

É preciso ter formação para ser um\uma líder sindical. Uma formação continuada vinda tanto de centrais sindicais respeitadas, quanto uma formação orgânica vinda de processos e experiências coletivas de vida e de luta. A organização dos trabalhadores e sua representação requerem método e técnicas de mobilização que “prepara” os trabalhadores, e mais que isso, aliados com um espírito coletivo orgânico do\a líder que também “forma” os trabalhadores.

Quem se arrisca a representar o trabalhador primeiro deve exorcizar o patrão que existe dentro de si. Ou vai para a liderança sindical despido do patrão ou então vai gerir uma empresa privada.

Formação acadêmica em uma área específica não prepara ninguém para essa missão. Gente que vai exercer sua área de formação acadêmica na liderança sindical está no lugar errado. É por isso que o Sindicato vira uma celeuma de interesses pessoais, personalismos, amadores, pelegos e corrompidos na primeira tentação. Em vez de conduzir processos históricos de luta de forma independente e autônoma, vira barquinho velejando nos projetos dos patrões. Em vez de organizar a base, a expurga. Em vez da causa coletiva, “meu projeto”.

Diretores visivelmente despreparados. Ou somem na ausência de atitudes ou agem com palavras e ações parciais e descabidas, brigando entre si “pelo meu” em vez “do nosso”, perseguindo e ajudando a atacar o trabalhador em vez de defendê-lo.

O Sindicato deveria ser uma classe em luta, e não uma luta de classes, reproduzindo no seu interior aquilo contra o que deveria lutar. Aquela questão freiriana da introspecção do opressor... Como é que um líder ou diretores sindicais vão lutar contra aquilo que eles são? Opressores!

Enfim, um sindicato assim, mal liderado e ideologizado pelo opressor, é na política que mais causa estragos. Porque em vez de fazer luta, fará campanha. 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Proposta de mudanças no Ensino Médio.

 Entre elas, aumento da carga horária nas matérias básicas, como Português e Matemática. A quantidade de itinerários formativos, conjuntos de disciplinas que os estudantes podem escolher, passando de 5 para 3.