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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 8 de maio de 2023

As mídias bolsonaristas.

 

Sites e plataformas que se alinharam ao discurso bolsonarista nos últimos 4 anos estão no aperto. Felizmente, eles estão com menos audiência e recursos após a derrota do ex-presidente nas urnas. Porém, tanto sites como canais no YouTube recorrem ainda a estratégias como venda de assinaturas e camisetas, demissões e lançamentos de vaquinhas virtuais, e até tentativa de vender o canal (ex, Foco do Brasil, que sobrevivia no cercadinho do Palácio da Alvorada no governo do verme). Alguns foram desmonetizados devido à difusão de notícias falsas ou gravemente descontextualizadas.

Apesar disso, “a força do bolsonarismo no universo digital é um fato, não uma circunstância passageira. Os canais bolsonaristas tiveram uma queda que já era esperada em função do final das eleições, mas seguem em um patamar alto”.

Vale lembrar alguns destaques do que essas mídias promoveram no Projeto do Verme: 

·       A negação da realidade como atitude humana? Que negócio é esse de viver saltando do Bonde da História? Daqui 100 anos Bolsonaro será lembrado pura e simplesmente por ter negado uma realidade gigantesca;

·       Não esqueçamos que Bolsonaro chegou ao poder sabendo usar muito bem os recursos do mundo digital ao seu favor. Ou seja, um governo de extrema direita que usou o mundo digital para chegar ao poder;

·       A extrema-direita que se redesenhou no Brasil é uma direita próxima do crime, senão o próprio crime travestido de posição política, terraplanista e antivacina, em que oficiais do Exército se comportam como milicianos, e, apesar do discurso moralista, suas bases mais profundas são estruturas políticas barra-pesada;

·       E o pior, mesmo diante das vísceras da extrema direita, há quem ainda a considere uma saída política moderna e defensável. 

Enfim, por essas e outras, que essas mídias continuem demitindo e perdendo força e alcance, até sucumbirem de uma vez por todas!

(In)fidelidade: testando a "base aliada" de Lula.

 Negociações atualizadas (mais negociação antes de partir para a votação). O Governo tem mais pautas urgentes: Arcabouço Fiscal (crível, flexível e seguro); PL das Fake News; Decreto do Saneamento (no Senado, que pode reverter a decisão da Câmara). 

Deputados de partidos de Centro que supostamente compõem a base governista ou "aliados" (MDB, PSB, PSD, União Brasil) contrariam Planalto 1 a cada 4 votações. Não é bom sinal! Ou seja, a CPMI dos Ataques terá 20 das 32 cadeiras indicados da base, isso não garante fidelidade ao Governo.

Então essa “base aliada” vem dando sinais vermelhos de que carrega potencial dor de cabeça para Lula. São visíveis os sinais de demonstração de infidelidade. Além dela não ter conseguido até agora se manter coesa para garantir a votação do PL das Fake News, que acabou adiada, decretos de Lula sobre o marco do saneamento também caíram.  

E tem mais nos bastidores. A orientação do governo teve divergências com a base em projetos como a comercialização de créditos de carbono em contratos de concessão de florestas e em uma resolução da Aneel sobre regras de micro e minigeração distribuída de energia elétrica (até o PSOL, PDT e PSB votaram contra o Governo nesse quesito, sabendo que cada um deles terá uma cadeira na CPMI).

O União Brasil, por exemplo, votou em peso para derrubar os decretos do saneamento. Entre os que contrariaram os interesses do Planalto está o deputado Arthur Maia (União-BA), nome favorito do presidente da Câmara para comandar a CPMI. Teve também do União o Kim Kataguiri que foi contra o Planalto em 6 das 10 votações das quais participou, como ao tentar barrar o caráter de urgência do projeto que autoriza recontratações no Mais Médicos. Botem aí também o Davi Alcolumbre (AP) e a Soraya Thronicke (estão entre os que menos se alinham ao PT). A senadora tem histórico de apoio a bandeiras de direita, como quando se alinhou a bolsonaristas para tentar derrubar a proposta que substitui a Lei de Segurança Nacional.

“Não voto em um projeto por ser de governo A ou B, e sim pelo que acredito ser o certo e o melhor para o país. Manterei a minha independência como sempre fiz” (Soraya Thronicke, MS).

Enfim, cadê o alinhamento e a convergência?

·       O Executivo iniciou uma nova fase da distribuição de espaços na máquina federal, além da liberação de emendas, com o intuito de cativar uma base fiel no Parlamento: 210 cargos de segundo e terceiro escalões serão entregues a indicados dos congressistas. Estamos falando de um lote de 210 cargos de segundo e terceiro escalões, que serão direcionados para MDB, União e PSD (até o Republicanos e PP, que se dizem independentes, também devem ser contemplados). O número corresponde a aproximadamente metade dos 417 postos que o governo estima ter disponíveis em ministérios variados. São cargos espalhados por estatais com capilaridade e poder de execução de obras, como a Codevasf, Sudene e Iphan.

·       Também houve liberação de R$ 3,2 bilhões em emendas parlamentares do Ministério da Saúde. Metade desse valor vai contemplar 180 parlamentares (120 deputados e 60 senadores). A verba será usada na compra de equipamentos médicos, odontológicos e computadores, além de reformas e construção de unidades básicas de saúde.

·       A Câmara se movimenta ainda para derrubar parte das restrições que o presidente impôs sobre a aquisição e o registro de armas de fogo. Até nomes da base têm agido para colocar o governo contra a parede. 

·       O Ministro Alexandre Padilha (de Relações Institucionais), responsável pela articulação com o Congresso, vem sendo fortemente pressionado a desembaraçar essas articulações políticas do Governo com a Casa, cobrando a entrega de votos de que o Palácio do Planalto precisa no Legislativo. 


Observe que, PSD, União Brasil e MDB, partidos que indicaram 03 ministros cada, votaram em peso contra os interesses do Palácio do Planalto – do 142 integrantes da bancada, apenas 08 se alinharam ao Governo. 

·       Negociações atualizadas (mais negociação antes de partir para a votação). O Governo tem mais pautas urgentes: Arcabouço Fiscal (crível, flexível e seguro); PL das Fake News; Decreto do Saneamento (no Senado, que pode reverter a decisão da Câmara).

Análise do Governo Lula.3

Até agora, nos 04 meses do seu terceiro mandato, Lula priorizou a agenda internacional com viagens ao exterior para tentar reconstruir a imagem do país. Mas, após ser derrotado na Câmara em pontos importantes nos decretos do saneamento, o presidente traça novas estratégias políticas por meio do diálogo e articulações.

Até então, as conversas vinham se limitando aos presidentes da Câmara (Arthur Lira, PP-AL e do vice da Casa, Marcos Pereira, Republicanos-SP) e do Senado (Rodrigo Pacheco, PSD-MG), com uma dedicação grande do presidente à reorganização de governo por causa da situação deixada pelo verme!

Algumas análises importantes:

·       Lula está mais distante da política local, pois nos seus outros dois mandatos tinha o hábito de manter contatos permanentes com presidentes e lideranças partidárias da base aliada, bem como personagens do mundo empresarial usando uma rotina de almoços e jantares que avançavam na madrugada para estabelecer conversas informais e exercer o seu poder de persuasão;

·       O Governo está encontrando sérias dificuldades para arregimentar uma base sólida no Congresso Nacional. Agora precisa aglutinar e expandir sua base aliada (MDB, União Brasil, PSB, PSD);

·       Há necessidade constante de apaziguar as relações com o Congresso;

·       Lula, até agora, optou por exercer a Presidência no campo da institucionalidade;

·       O mundo empresarial (representantes dos setores financeiros, como presidentes do Bradesco, Santander, indústria e varejo, executivos e empresários da construção civil) tem ficado distante do Planalto;

·       A grande influência sobre o presidente é exercida por Janja. Há ausência de ministros com liberdade para contestar as suas decisões, o que não acontece com a primeira-dama (ainda sem uma estrutura formal montada para a sua atuação no governo). Ela gostaria de comandar o Gabinete de Ações Estratégicas em Políticas Públicas, vinculado à Presidência;

·       A interação com o mundo político vem se dando através de convites, para que deputados e senadores o acompanhem em viagens, por exemplo;

·       Dizem que as poucas reuniões com parlamentares é decorrente dos 77 anos de Lula, que não pode seguir uma rotina de trabalho tão intensa como a de 20 anos atrás. Procede?

·       Lula tem escutado menos e adotado mais uma postura de maior isolamento. No núcleo duro do governo, não há ministros ou auxiliares com liberdade para criticar o presidente, como ocorreu em mandatos anteriores. “O Lula 1 e 2, da conversa, simpático, que abraçava, desapareceu?”;

·       É preciso botar o novo Arcabouço Fiscal para andar e a Reforma Tributária;

·       E a correção da tabela do I.R. e o “pôr os ricos no imposto”?

·       É preciso incentivar com força a candidatura de minorias, afinal, vêm aí as Eleições Municipais 2024. 

Enfim, não se pode comparar a rotina do Lula de 8 anos com a verificada agora em apenas 4 meses. O importante é que Lula sempre passa deixando a melhor impressão, sempre muito bem energizado. O certo é que, a diferença boa de Governo, essa sim, já estamos sentindo! 

domingo, 7 de maio de 2023

Discord: o lado sombrio do ambiente digital.

·       Vídeos repugnantes. Quando as redes sociais viram espaços perfeitos para a propagação de ódio, violência e crueldade. Discord reúne cerca de 3 milhões de usuários no Brasil (aplicativo de mensagens, foi concebido com facilidade para reunir usuários anônimos com interesses comuns e arregimentá-los para o crime) = rede utilizada por adolescentes e jovens no Brasil (universo dos games). A estrutura do Discord facilita a interação em grandes grupos.

·       Muita gente faz uso positivo, na pandemia, por exemplo, foi bastante usado por professores em aulas. A plataforma proíbe manifestações de ódio e violência, mas muitos usuários ignoram as regras livremente.

·       Cenas e conteúdos de incentivo à violência extrema e ao ódio. Crimes. Cenas repugnantes de automutilação, crueldade com animais e crimes, pornografia, ideias racistas, homofóbicas, misóginas e neonazistas. A urgência de responsabilizar as plataformas digitais. Atrocidades veiculadas em plataformas digitais. PL das Fake News (regulamentação que só alcança plataformas com mais de 10 milhões de usuários). Demanda urgência: A) os ataques golpistas do 8 de janeiro; B) massacres em escolas. Conteúdos extremistas foram fundamentais para os criminosos. Radicalização on-line. Não pode haver liberdade para disseminar e estimular desinformação, preconceito, ódio e violência. Por questões comerciais, sob o manto hisócrita da proteção à liberdade de expressão, elas fizeram vista grossa para a maior parte dos crimes de que são cúmplices. Espera-se que demonstrem maior responsabilidade. Tornar as plataformas digitais corresponsáveis pelos efeitos do que veiculam. Um “dever de cuidado” com o ambiente digital. Atuar de forma preventiva para evitar a disseminação de conteúdos ilegais. Crimes cometidos por intermédio da Internet. Não se pode permitir que adolescentes e jovens sejam aliciados para participar de rituais de crueldade, violência e intolerância. Quando o ambiente de intimidade e segurança se torna uma zona de perigo/risco. Menores de idade estão sendo expostos a conteúdos perturbadores. São vídeos e conversas que estimulam a automutilação, todo tipo de crueldade contra animais, pedofilia. Tudo a partir de desafios criados por criminosos. A falta de monitoramento e a falta de fiscalização abrem caminho para a violência e pode se transformar num pesadelo para pais e filhos dentro de casa. Adolescentes promovem e enfrentam dentro das próprias casas. Vítimas e agressores. Manipulados e manipuladores são menores de idade, que transformam o espaço aparentemente seguro em palco de cenas de violência extrema. As redes são um convite permanente aos encontros – alunos aprendem, cientistas colaboram, amizades surgem e casais se formam. Mas, identificar e denunciar crimes. Servidores são comunidades do Discord, totalmente fechadas. Tira-se uma foto com o nome do servidor para ser aceito entre os membros. O Discord permite que as pessoas se comuniquem em transmissões ao vivo dentro da plataforma, onde tudo pode acontecer. E, ao menos que alguém grave fora da plataforma, nada fica registrado. Surgem fotos e vídeos de pessoas ferindo o próprio corpo. Divertimento cruel: incentivar e assistir alguém a praticar violência contra si e contra animais. Pessoas assistindo, incentivando, gostando. As garotas são as vítimas mais frequentes. São conseguidos dados comprometedores da vítima, como fotos de nudez, nome real e contatos da família. É como se o quarto se tornasse um palco, com todos o holofotes voltados para a vítima, que passa a ser chantageada a cumprir desafios. Sessões de tortura psicológica. Os agressores se tornam protegidos pelo anonimato, e se tornam cada vez mais cruéis. Grupos que desfrutam de diferentes tipos de crueldade. É sádico, uma crueldade recreativa. Eles conseguem dados pessoais das vítimas e as fazem jogar o jogo deles.

·       O adolescente está passando por um processo de amadurecimento do córtex frontal, região do cérebro responsável pelas tomadas de decisão, pela capacidade de controlar o meu comportamento, ter noção de causa e consequência. Existe a necessidade muito grande de fazer parte de um grupo, para se sentirem populares, fortes, dentro de uma comunidade. Eles se sentem pertencentes porque passam a odiar as mesmas coisas. Câmera de Eco: você é o cara porque você odeia, você é contra o sistema. Esse ódio é reforçado e isso é valorizado lá dentro. Estando nesses grupos eu me desresponsabilizo, como se estivesse anônima ali. A violência causada não é inteiramente da minha responsabilidade. Os smartphones afetaram a adolescência. Descobrimos o fogo, mexe com ele e brinca que é maravilhoso, mas tem que saber manobrar (ensinar) para não se queimar. O problema é que estamos dando o fogo para eles sem mediação e instrução, e estamos vendo os resultados. Violência, crueldade e sadismo. “Ela foi chantageada quando imagens íntimas foram compartilhadas e a fez sofrer um colapso de saúde mental depois disso”. Nem dentro das próprias casas os filhos estão salvos de abusos. Os pais precisam dar um basta. O que esses produtos estão fazendo com as crianças? É preciso responsabilizar as empresas. Há também incentivos a ataques a escolas. “Para enfrentar essa ameaça, o Ministério da Justiça criou a Operação Escola Segura, com sistema de monitoramento das redes sociais, e uma portaria visando responsabilizar plataformas digitais por conteúdos que façam apologia a violência nas escolas”. Você, pai ou mãe, que deu o celular ao filho e não o monitora, acha que ele está lá no quarto jogando, mas pode estar mais em risco do que se estivesse numa festa com os colegas.

·       Hoje, pela Lei, o Marco Civil da Internet, as Plataformas não são responsabilizadas pelo que é divulgado nelas, e são obrigadas a retirar um conteúdo do ar, apenas sob ordem judicial. Mas, o debate sobre a regulamentação tem crescido no mundo todo. Empresas que oferecem produtos e serviços, e lucram com eles, precisam lidar com as consequências deles.

·       A liberdade de expressão não autoriza ninguém a fazer apologia de crimes, divulgar conteúdos ilícitos. Admirado e respeitado, com uma certa ascensão sobre os demais. Escravas virtuais: tinha que rezar e adorar ele todos os dias.

·       “Nós, como adultos, andamos pelas ruas todos os dias e a gente sabe que vai existir criminalidade, riscos. Mas, a gente não expõe o filho da gente a essas coisas. E nas redes sociais isso está acontecendo, à distância de um clique. É como se simplesmente a gente deixasse uma criança ou adolescente solto no meio da rua, de madrugada, no bairro mais perigoso de sua cidade”. Não existe uma forma simples de impedir que crianças e adolescentes se tornem prisioneiros das situações que encontram ao navegar pela Internet. É um desafio para toda a sociedade brasileira, que milhares de quartos comuns voltem a ser espaços de segurança.








“Bancadas BBB”: boi, bala e Bíblia.

 Apesar de acenos, vô Lula não vence resistência dessas bancadas. Embora o Governo tenha tentado abrir diálogos com parlamentares e líderes desses grupos – evangélicos, ruralistas e policiais (segmentos do eleitorado que apoiaram majoritariamente o verme do ex-presidente, e que aprenderam a ampliar participação no Congresso para atuar como bloco de oposição a agendas ‘progressistas’ ou ‘de esquerda’), de olho em azeitar a articulação política no Congresso, elas têm se unido contra o Palácio do Planalto na derrubada de trechos de decreto sobre o marco legal do saneamento (a primeira grande derrota de Lula na Câmara). As votações mostram que sentimento de oposição prevalece meio a tropeços e resistências mútuas (foram 295 votos ou 68% do quórum).

Essas bancadas temáticas têm sido alimentadas e ampliadas nos últimos anos. A presença evangélica dobrou de tamanho na Câmara entre o segundo mandato de Lula, quando havia 36 deputados, e o primeiro mandato de Dilma, com 70. Já a bancada ruralista atingiu seu ápice entre 2011 e 2014, com 152 deputados. A da bala cresceu em 2018, quando triplicou de 22 para 61 deputados na onda bolsonarista! O nível elevado de resistência dessas bancadas reduz a margem de manobra para a aprovação de projeto do governo na Câmara (a contrariedade desses segmentos com o governo ficou nítida em mais de 90% de votos para derrubada de trechos do decreto do marco legal do saneamento).

Uma das estratégias de Lula foi valorizar e atrair profissionais de segurança pública, articulando a edição de uma medida provisória para conceder reajuste salarial de 18% às forças policiais do DF (um percentual que é o dobro do garantido a servidores federais). Porém, o relançamento crítico do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), com um discurso crítico à violência policial. Tem potencial de estímulos e atritos, pois o Ministério da Justiça pretende priorizar repasse do Fundo Nacional de Segurança Pública para estados que implementarem câmeras em fardas de policiais. A adoção de equipamentos gera contrariedades (como vem ocorrendo em SP).

Enfim, essas bancadas cresceram muito na última década, surfando no bolsonarismo, e precisam ser acompanhadas com todo cuidado, embate e atenção. Afinal, o verme vem marcando presença frequente em eventos típicos do seu governo, alimentando vínculos com igrejas, ruralistas e militares. 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Salada de informações - I.

Maior acesso à educação.

·       JB teve 158 pedidos de impeachment. Lula, até agora, possui 7.

·       Lira apelidou ironicamente Pacheco de “senhor democracia”.

·       Cadê a inelegibilidade de JB?

·       Não estou aqui disputando protagonismo.

·       Um incômodo não pode evoluir para um rompimento de relações.

·       Usar alguém como interlocutor.

·       Falas públicas frequentes em defesa das instituições.

·       A valorização da atividade jornalística é a forma mais efetiva de combate à desinformação.

·       Se alguém fala algo que me chateia, constrange, eu quero ter a oportunidade de contraditar essa pessoa, mas respeita o fato de que ela pode falar.

·       Como esse governo atual vai responder aos desafios que a sociedade está pedindo?

·       Tenho uma posição de independência, sempre aberto ao diálogo e focado principalmente na democracia.

·       Como se preparar para um futuro com uma estrutura etária mais envelhecida? Aumentando a produtividade média do trabalho.

·       Não há dúvida que nossos baixos níveis de aprendizagem prejudicam o desenvolvimento econômico. De 1992 a 2022, a proporção de trabalhadores com ensino médio completo aumentou de 20% para 65%. Mas, por que essa expansão da escolaridade não veio acompanhada da melhoria da produtividade? A culpa estaria na má qualidade do ensino. Em termos econômicos, pouco adiantou o esforço de colocar mais crianças e jovens na escola sem investir na qualidade. Entretanto, estaríamos em situação muito pior não fosse o maior acesso à escola desde a redemocratização. Não fosse o maior acesso à educação, o rendimento médio do trabalho, hoje ao redor de R$ 2.700 cairia para R$ 1.800. A atual taxa de 48% de trabalhadores em ocupações informais, por exemplo, subiria para 63%.

·       Não se deixe enganar. Quanto maior a escolaridade, menor a inatividade. Os dados de emprego são pouco mais complexos, pois a taxa de desocupação de trabalhadores com escolaridade precária (menos de quatro anos completos de estudo) é relativamente baixa, entre outras razões, pelo fato de um contingente maior dessa população sequer procurar trabalho remunerado.

·       Aí para piorar tudo ainda vem a infraestrutura precária e o sistema tributário complexo.

·       A qualidade do ensino precisa melhorar por variados motivos. Mas, mesmo de maneira insuficiente, a educação tem dado alguma contribuição positiva para o desenvolvimento econômico. Não pode, portanto, ser culpada por problemas que extrapolam o que razoável esperar dela.

·       Há vários tipos de invasão. Além dos madeireiros, dos criadores de gado e soja, há os que entraram para retirar de resina de Almesca, ou breu – usada como anti-inflamatório e pela indústria de cosméticos – a sementes de cumaru, a “baunilha” da Amazônia, usada no setor alimentício. O principal, porém, sempre foi o mais fácil para os invasores: o corte de madeira nobre (ipê ou cedro), que cedem lugar para pés de maconha. Uma demanda crônica e reprimida de muitos anos. “Não estamos defendendo apenas o que é nosso. É preciso parar de desmatar para amenizar a questão climática. Sozinhos não vamos conseguir” (Guardião).

·       Diagnóstico crítico e atualizado sobre as carências e potências de nossa força de trabalho atual e futura. Nos próximos cinco anos 23% das profissões devem se modificar. Há expectativa de geração de empregos em ocupações ligadas a novas tecnologias e sustentabilidade, enquanto postos tradicionais como caixas ou escriturários tendem a diminuir. No balanço de perdas e ganhos, a projeção – a partir de uma base representativa de 673 milhões de empregos – é a de criação de 69 milhões de vagas e a extinção de 83 milhões: um déficit de 14 milhões no período. Esses movimentos exigem uma reflexão sobre a formação tanto das novas gerações quanto das que já estão no mercado de trabalho e serão abaladas por essas dinâmicas. Faltam qualidade e quantidade de jovens bem escolarizados, preparados para inserção no mercado de trabalho. Eles ainda não conseguem realizar tarefas que requerem a simples leitura de textos relativamente curtos para localizar uma única informação. Logo, é preciso avaliar, monitorar e analisar as habilidades e competência, medindo as proficiências em literacia, numeracia e resolução de problemas em ambientes ricos em tecnologia. Proficiências ligadas a uma série de resultados sociais e econômicos, como empregabilidade e salários. Enfim, é preciso mostrar o quanto os empregos utilizam os conhecimentos, as habilidades e as competências dos trabalhadores, sinalizando se os empregadores têm processos adequados de recrutamento e métodos de trabalho eficientes. Tudo em prol do Mercado de Trabalho. As profissões com mais vagas nos próximos 4 anos, e as que tendem a desaparecer. Um levantamento em 45 países (e 803 empresas responsáveis por mais de 11 milhões de vagas) mostra as profissões que mais crescem no mundo, e as que tendem a desaparecer. O avanço da tecnologia e a preocupação com o meio ambiente são os principais influenciadores. Até 2027, haverá mudança em 23% dos atuais postos de trabalho. Muitos serão criados, outros sofrerão alguma transformação e há aqueles que desaparecerão (substituídos por autosserviços ou algoritmos que farão as funções).

- o caixa do supermercado/banco será substituído por uma máquina;

- serviços públicos com digitalização;

- especialistas em inteligência artificial, aprendizagem de máquina, big data, segurança da informação, energia renovável, agricultura, professores de cursos técnicos e universitários, é preciso investir em formação.

- a previsão é que no Brasil surjam 13 milhões de vagas enquanto 16 milhões entrarão em declínio.

·       Quase 3 milhões de brasileiros não têm Certidão de Nascimento. Principalmente as socialmente vulneráveis (pessoas em situação de rua, refugiados, ribeirinhos e povos originários, pessoas cumprindo medidas de segurança, população carcerária). Conselho Nacional de Justiça – CNJ promove isso, mobilizando Cartórios para emitir documentos de cidadãos socialmente vulneráveis e invisíveis para o poder público (excluídos de direitos básicos, como educação e benefícios sociais ou acesso ao SUS). É a chance de exercer uma cidadania plena, pois na falta desse documento ficam inacessíveis aos programas sociais do Governo (que também precisam de capacitação profissional e emprego).  

·       Anderson Torres (então Ministro da Justiça no desgoverno do Verme). Suspeita de que a PRF agiu para dificultar o acesso de eleitores às urnas bloqueando estradas e dificultando a passagem de eleitores, especialmente no 2º turno, no Nordeste. Inclusive, relatório demonstrou que essa região foi alvo preferencial da PRF nas fiscalizações de ônibus, onde Lula era favorito para vencer. Enfim, uma suposta fiscalização orquestrada de eleitores, para dificultá-los a votar. 

·       Movimentos do Governo para melhorar sua posição diante do BC (ir criando no Banco um ambiente favorável à redução da taxa de juros) e do Congresso (resolver a insatisfação de partidos aliados, de olho em votações próximas que o Executivo não pode perder). A composição da Cúpula do BC: forma o Comitê de Política Monetária (Copom). Reúne e examina as condições macroeconômicas, e determina a Taxa Básica de Juros (Selic). É 1 presidente e 8 diretores que têm mandatos com tempos e substituições distintas. O Governo Lula lida com um BC autônomo porque seu presidente não foi indicado por ele. A autonomia foi aprovada e indicada no Governo do Verme. 

·       Fila do INSS aumentou! +1,3 milhão de brasileiros aguardam resposta para algum pedido de benefício. Só aqui NE são quase 500 mil pessoas.



Fraqueza do PL.

 

O PL já tinha uma história no Congresso. Era notável que nem todos são bolsonaristas. A adesão ao Governo Lula abrange aproximadamente 3 em 10 parlamentares do partido, especialmente os eleitos na região Nordeste (onde a adesão a Lula chega a 52% da bancada do PL).

Assim, em meio a acenos de quase um terço da bancada do PL ao presidente Lula, a cúpula nacional do partido decidiu liberar os parlamentares para que votem alinhados à base do governo. Dos 99 deputados federais da sigla, 3 mostram abertura ao diálogo com Lula. Outros 65, por sua vez, demonstram oposição ferrenha à gestão petista.



Atritos: Governo x Agronegócio.

 

A tensão entre o Planalto e o Agro vem aumentando. Primeiro, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi desconvidado por organizadores da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), por conta da participação de Jair Bolsonaro. Em retaliação, o Banco do Brasil também retirou patrocínio que daria a Agrishow (achei foi pouco! A demarcação de um limite institucional necessário, pois não faz sentido um banco público patrocinar um evento que serviria de palco político para o verme). Depois veio o convite para que o MST participe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (“Conselhão”) – comissão montada para auxiliar o Executivo na tomada de políticas públicas.

A Agrishow tem expectativa de movimentar mais de R$ 11 bi. A maior feira de agronegócio da América Latina espera receber 190 mil visitantes pelos estandes de 800 marcas. Enquanto isso, cotado para ser relator da CPI do MST, o deputado Ricardo Salles (PL-SP) já defendeu tratar MST à bala (logo ele, um investigado por favorecimento a madeireiros e por obstruir inquéritos por crimes ambientais).

Por trás das tramoias está a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), nome oficial da bancada ruralista. Aliás, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), leu o requerimento que autoriza a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as ocupações promovidas pelo MST. No início do mês, o movimento chegou a ocupar a sede do Incra em Alagoas, dirigida por um primo de Lira. A CPI surgiu em meio a pressões da bancada ruralista, numa clara tentativa de criminalização do movimento. 

Saúde mental no Brasil.

 

·       Criar mais centros de atenção psicossocial ao longo do país;

·       Reforma antimanicomial: acabar com os manicômios e inaugurar uma forma de tratamento mais humano;

·       O mais impressionante é saber de doentes colocados no hospício pelas famílias, com a promessa de serem logo tirados dali. Mas, já estavam internados havia 25 anos, ninguém apareceu nem para visitá-los;

·       “Holocausto brasileiro”: dizem que cerca de 60 mil pessoas morrem em condições suspeitas nos manicômios brasileiros;

·       Acho maravilhoso como o conhecimento derruba preconceitos. Antes o TEA era visto como uma doença (há ainda muitas coisas que deveríamos saber para não criar arestas, como não gostar de cumprimentar, detestar longas discussões, não pedir ajuda nem se dispor a ajudar e não atender telefone). Hoje se luta pela integração dessas crianças na escola. É um trabalho necessário, mas que precisa de um apoio infraestrutural.

·       Com os avanços legais, falta-nos ainda uma estrutura adequada para termos uma boa política de saúde mental no Brasil. Não sou ingênuo diante do mundo em que vivemos, cujas características não são as melhores e tendem a produzir dolorosos problemas mentais. É preciso batalhar em todas as frentes.

As 03 armas da oposição.

 

Governos de esquerda que assumiram o poder recentemente na América Latina vivem momentos tensos. Isso não é novidade. O estopim vem da dificuldade de formar maioria no Congresso, o assombro da economia neoliberal e a manipulação da opinião pública. A oposição ataca nessas três linhas de frente para evitar a cartilha de esquerda – criação de estatais para explorar recursos naturais em detrimento das regras para a operação de empresas de capital privado.

Assim, será preciso lidar com a mídia, com o mercado e com os políticos de oposição. É preciso afastar os riscos de crise cambial, aumentar as reservas internacionais, controlar a alta do dólar e da inflação.

Enfim, o caminho é adotar políticas que não causem mais miséria, combatendo aquelas que já existem. Desafiador! É preciso combater as desigualdades de hoje sem criar outras novas amanhã. Por mais sensatez política e menos interesse econômico. Tudo em nome do povo.